A Grain of Wheat Ministries

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11. COISAS QUE DESTROEM


Neste livro, temos falado sobre a gloriosa experiência da
verdadeira Igreja. Temos examinado muitos aspectos da noiva
de Cristo, que são verdadeiramente extraordinários, notáveis e
agradáveis. A sublime intimidade com Deus e com os outros
crentes é algo que flui livremente do coração do Pai e que deveria
ser uma experiência natural para todos os cristãos.
No entanto, na prática, nem sempre é isso o que acontece. A
experiência da Igreja verdadeira deveria acontecer facilmente,
entretanto, geralmente não acontece em absoluto ou se perde
rapidamente nos lugares em que chegou a existir.
Crentes vivendo em amor e realizando encontros com a simplicidade
divina deveria ser uma experiência normal e comum.
Isso deveria ser muito fácil e natural, já que não requer nada
dramático, espetacular ou caro. No entanto, na prática, é uma
das coisas mais difíceis de serem encontradas na Terra.
O problema está em que Deus tem um inimigo. O diabo está
constantemente batalhando, tentando destruir o que vem de
dentro do coração de Deus. Sendo a noiva muito amada por
Deus e a experiência da verdadeira Igreja um veículo tão
poderoso para causar crescimento e perfeição em Seu corpo,
Satanás sempre dá o melhor de si para destruir qualquer
expressão dessa experiência.
O diabo não só tem muitos demônios e anjos caídos para
ajudá-lo em sua obra destrutiva, como também encontra muitos
cristãos que estão sempre prontos para ajudá-lo e aptos a fazêlo.
Não estou dizendo que esses crentes estejam intencionalmente
cooperando com o diabo, mas que eles são pessoas, em
cujas vidas Satanás encontra muitas coisas com as quais pode
trabalhar. Qualquer parte de nossa alma, ainda não transformada
e pecadora, é algo que o diabo pode usar, e ele o faz. Quando
nossa natureza pecadora permanece intacta e ainda não nos
arrependemos completamente de nossos pecados, então somos
uma presa fácil para o inimigo de Deus.
Muitos crentes podem ser usados, e freqüentemente o são,
para destruir a obra de Deus. Talvez a sua experiência na Igreja
cristã verifique esse fato desastroso. Quando os crentes são
infantis, carnais, não transformados e com pouca comunhão
íntima com Deus, eles são facilmente usados pelo diabo. Por
estarem dentro da Igreja, tendo acesso a muitas vidas e a muitos
corações de outros crentes, que fazem parte do corpo de Cristo,
eles são instrumentos perfeitos para as obras de Satanás.

DESTRUIDOR Nº 1 – A LÍNGUA

Um dos usos comuns que o diabo faz de cristãos carnais é
difamar os outros. O diabo ama uma língua não transformada.
Nada é melhor para ele do que fofocas, maledicências, alguém
que discorra sobre as falhas dos outros e conte a todos sobre as
coisas ruins que ouviram a respeito de alguém.
Vejam só, os crentes naturais, que vivem na esfera da alma,
ainda são muito parecidos com as pessoas mundanas. Eles
gostam de imaginar que são melhores do que todos os outros e
acreditam que, criticando os outros, estão se elevando.
Compartilhando seus pensamentos, que aviltam outros, estão
tentando convencer você de que são superiores àqueles que
estão difamando. Imaginam que, colocando os outros “para
baixo”, estão se elevando. Entretanto, o que estão realmente
fazendo é revelando uma infância espiritual e a distância da verdadeira
intimidade com Deus.
Muitos cristãos, quando ouvem algo ruim sobre um irmão
ou irmã, mal agüentam esperar para contar a alguém. É como se
os seus lábios estivessem coçando, desejando ardentemente contar
aos outros. Provérbios 16:27 diz: “O homem depravado cava
o mal, e nos seus lábios há como que fogo ardente”. Eles descobrem
um certo prazer em expor as faltas e as falhas dos irmãos.
Deliciam-se em tentar demonstrar como os outros são fracos e
como são pegos em determinados pecados.
A Bíblia nos ensina que “...a boca fala do que está cheio o
coração” (Mt 12:34). Ninguém, a não ser Deus, pode ver dentro
dos nossos corações. Anossa vida interior é invisível aos outros.
Mas, quando falamos, revelamos o que há dentro de nós.
Portanto, aquilo que dizemos é uma clara demonstração daquilo
que somos. Aquilo que sai de nossa boca é uma expressão
transparente do que está em nosso coração. Então, quando fazemos
mexericos ou críticas ou falamos coisas que difamam a outros,
isso revela que nossas almas ainda não foram transformadas.
Esse é o motivo pelo qual Tiago fala tão vigorosamente sobre
a língua. Ele explica que ela é um órgão incontrolável. Ela é freqüentemente
“posta em chamas pelo inferno” (Tg 3: 5,6), o que
quer dizer que ela é uma parte de nós freqüentemente usada
pelo diabo, cujo destino é o inferno.
Depois, ele afirma que, se somos capazes de controlar nossa
língua, isso revela que somos pessoas nas quais Deus fez uma
obra maravilhosa. Ele tem nos aperfeiçoado, transformando-nos
à Sua imagem. Vejam, se fomos transformados por dentro, nada
de mal poderá sair de nós. Mas, se permanecemos carnais, então
nosso discurso irá revelar essa falha.
Quando falamos algo maldoso sobre um irmão ou uma
irmã, estamos falando sobre um membro do corpo de Jesus.
Portanto, estamos também falando sobre Ele. Estamos usando
nossas palavras para golpear e dividir a estrutura de Sua Igreja.
Estamos sendo usados por Satanás como uma arma para ferir e
destruir os outros membros.
Nossas palavras são as ferramentas que separam e dividem
os crentes. Elas são instrumentos do diabo, usadas para fazer
com que as pessoas pensem mal umas das outras. Nós nos
“mordemos e devoramos” uns aos outros (Gl 5:15), sendo estimulados
pela nossa natureza caída, pela gratificação carnal, pela
diversão e pelo sentimento de superioridade.
Tudo isso, então, serve para destruir o amor, quebrar a
unidade, semear discórdia e, em geral, derrubar a obra de Deus.
Quando difamamos e fofocamos, em vez de construir a Igreja,
nós a colocamos abaixo e a profanamos. Em vez de edificar o
corpo de Cristo, nós o ferimos. Esta é a obra do diabo. Ele veio
para matar, roubar e destruir (Jo 10:10). Quando permitimos que
nossa língua fale maldosamente ou de maneira a humilhar os
outros, somos simplesmente instrumentos do príncipe das
trevas. Estamos sendo usados como peões dele para derrubar a
obra de Deus.

O AMOR COBRE

Como já vimos, o caminho de Deus é o caminho do amor.
Deus ama o Seu corpo, a Sua Igreja. Quando você ama alguém,
não fala mal dele(a). Imagine que você tenha um filho a quem
você ama. Talvez ele tenha pecado, de uma maneira ou de outra.
Ele escorregou em sua caminhada espiritual e cometeu um erro.
Por amá-lo, você não sai por aí espalhando essa notícia. Não
conta a todas as pessoas que conhece a respeito de suas falhas ou
de seus lapsos morais. Em vez disso, encobre o pecado dele,
mantendo-o entre você, ele e Deus.
A Bíblia nos ensina que “...o amor cobre multidão de pecados”
(1 Pe 4:8). Quando estamos cheios do amor de Deus, não
anunciamos e nem expomos os pecados dos outros. Em vez
disso, nós os cobrimos. Sendo motivados pelo amor divino por
nosso irmão em Cristo, lidamos com a situação e com ele, envolvendo
o mínimo possível de pessoas e tendo uma atitude de
humildade e de amor.
Isso não quer dizer que devemos tolerar o pecado.
Certamente alguém que esteja pecando necessita de uma conversa,
necessita ser admoestado, repreendido, aconselhado ou
tratado de várias maneiras. No entanto, porque nós mesmos
somos pecadores necessitados de misericórdia, precisamos lidar
com eles do mesmo modo. Sem um ar de superioridade, mas
com humildade e amor, precisamos nos dirigir a alguém que
esteja em pecado e tentar convencê-lo a se arrepender.
De maneira alguma, devemos noticiar e contar ao mundo
sobre o pecado de uma pessoa. Em vez disso, por amá-la, devemos
fazer o melhor possível para resgatá-la do laço do diabo e
restaurá-la para uma intimidade com Deus. Esse tipo de amor
zeloso é uma expressão do coração de Jesus.
Conforme vimos, a Igreja é mantida unida pelo amor. Nossa
comunhão amorosa com outros é a substância que faz com que
os crentes se liguem uns aos outros. Então, o diabo, constantemente,
tenta quebrar esse compromisso. Ele irá colocar nas
mentes dos crentes fracos vários pensamentos de crítica, julgamento
e fofoca. Então, já que esses crentes são vulneráveis a tais
pensamentos, ele os estimula a verbalizá-los aos outros. Então,
eles também agem como “acusadores” dos irmãos (Ap 12:10).
Quando ouvimos algo ruim sobre alguém, nossa reação natural
é de nos afastar dessa pessoa. Começamos a pensar que, se
ela é tão deficiente, quem deseja ser íntimo dela? Se têm fraquezas
e problemas tão sérios, podemos nos ferir ou nos decepcionar,
se continuarmos a nos relacionar com ela. Então, nossa
reação é fechar nossos corações para pessoas assim, e a tendência
é passar menos tempo com elas.
Desse modo, Satanás usa os crentes para atacar verbalmente
outros crentes e derrubar a “liga” da Igreja. Quando muitos
crentes são fracos e carnais, então o corpo de Cristo estará cheio
de tais falatórios. Essa é uma das ferramentas mais poderosas
que o diabo possui e uma coisa que é extremamente destrutiva
para uma genuína experiência de Igreja.
Portanto, aqueles que desejam experimentar a realidade da
Igreja, devem tomar uma decisão importante e firme: escolher
nunca falar mal de um irmão ou de uma irmã. Lemos: “...não
difamem a ninguém...” (Tt 3:2). E também: “...não faleis mal uns
dos outros” (Tg 4:11). Essa decisão é absolutamente essencial.
Precisamos constantemente observar a nossa língua. Precisamos
vigiar para que nossa boca não expresse palavras de reprovação
a ninguém, mesmo que nossa mente esteja cheia delas e nossa
língua esteja ansiosa para dizê-las.
Quando fofocamos, julgamos ou difamamos alguém,
pecamos contra ele e contra Deus. Se deixarmos esse tipo de
palavra escapar, precisamos imediatamente nos arrepender
diante de quem nos ouviu e diante do Senhor. Somente desse
modo poderemos manter a unidade amorosa que Deus tem para
nós.

SEMEANDO DISCÓRDIA

Há algumas coisas que Deus odeia. Uma delas é “...o que
semeia contendas entre os irmãos” (Pv 6:19). Quando permitimos
que o diabo nos use como instrumentos, nos colocamos em
oposição a Deus e a todos os Seus propósitos. Quer saibamos
disso ou não, estamos cooperando com o reino das trevas.
Quando temos o hábito de falar mal dos outros e de fofocar
sobre suas falhas, então somos membros regulares do grupo de
trabalhadores do diabo.
Tristemente, há muitos crentes que fazem mais para promover
o reino das trevas do que para o reino de Deus. Já que não
se convenceram dos seus pecados, incluindo os hábitos de discursos
pecaminosos, eles não se arrependem diante de Deus. A
falta de arrependimento impede a transformação deles. O resultado
direto disto é que eles não são eficazes em qualquer obra
que façam para o Senhor. Mas, pior ainda, eles são freqüente e
poderosamente usados por Satanás para derrubar o que Deus
está tentando construir.
Vamos deixar bem claro: o fato de ser verdadeiro aquilo que
dissemos a respeito de alguém não justifica que falemos sobre
ele. Muitos supõem que, se o mexerico ou o julgamento que
estão compartilhando com alguém é verdadeiro, então está tudo
certo com Deus. Aqueles que imaginam isso se decepcionam
lamentavelmente. Qualquer palavra nossa, que denigra aqueles
a quem Deus ama e destrua relacionamentos amorosos entre os
irmãos, é uma obra das trevas.
Muitas das faltas e falhas dos outros, sobre as quais
tomamos conhecimento, são realmente verdadeiras. Muitos
rumores e falatórios sobre irmãos são baseados em algum fato
real. Mas, o amor evita falar a respeito. Novamente, “o amor
cobre pecados” (1 Pe 4:8). Deus, nosso Pai, ama a cada um de
Seus filhos o suficiente para morrer por eles. A menos que também
cheguemos a essa posição, nunca seremos bem sucedidos
em viver a realidade da única Igreja verdadeira. Em vez disso,
permaneceremos suscetíveis à influência de Satanás.

NÃO JULGUEIS

Nenhum de nós está em posição de julgar algum irmão ou
irmã. Não somos capazes de ver dentro de seus corações. Não
conhecemos seus desejos íntimos, seus problemas, seus medos e
suas experiências. Portanto, não podemos realmente conhecer
seus motivos para fazer o que fizeram ou para dizer o que disseram.
Somente Deus está em posição de julgar corretamente.
Vamos deixar o julgamento com Ele.
Jesus nos ensina: “Não julgueis, para que não sejais julgados.
Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a
medida com que tiverdes medido, vos medirão também” (Mt
7:1,2). Isto significa que, a menos que nos arrependamos, Deus
irá usar os mesmos padrões, com os quais julgamos os outros,
para nos julgar. A exata medida, que usamos em termos de julgamento
dos motivos e das ações dos outros, será usada para
nos expor diante do Universo.
Todos somos pecadores. Todos temos falhas e fraquezas.
Portanto, não estamos em posição de fazer julgamento dos outros,
que também são fracos. Lemos: “Irmãos, não faleis mal uns
dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão
fala mal [usando] da lei e julga [segundo] a lei; ora, se julgas
[usando] a lei, não és observador da lei, mas juiz” (Tg 4:11).
Não temos permissão para julgar os outros, usando os
padrões do Velho Testamento ou mesmo segundo o que acreditamos
ser “os princípios do Novo Testamento”. Nosso padrão
deve ser o amor de Deus. Somente vendo através de Seus olhos
e sentindo o amor de Seu coração, podemos agir e falar de uma
maneira que Lhe agrade.
Não há dúvida de que existem momentos em que as
palavras e as ações dos outros O desagradam. Há ocasiões em
que devemos repreender, exortar ou corrigir alguém. Entretanto,
isso não nos dá a liberdade de compartilhar com outros a
respeito das ações da pessoa que pecou. Nossas palavras devem
ser dirigidas à pessoa que está em pecado, e não ao resto do
corpo.
Então vimos que um dos principais modos pelos quais a
unidade do corpo de Cristo é destruída é pela nossa língua
descontrolada. Nossas palavras são instrumentos poderosos que
Satanás pode usar para favorecer seus propósitos. Portanto, precisamos
procurar a Deus, para que Ele transforme nosso interior.
Precisamos orar para que o Espírito Santo seja expresso por
meio de nossa boca. Devemos vigiar para não deixar que nossa
boca expresse todos os pensamentos que vêm à nossa mente.
Somente submetendo nossos pensamentos e nossas palavras ao
controle do Senhor Jesus, poderemos construir a Sua casa em
vez de derrubá-la.

DESTRUIDOR Nº 2 : A AMBIÇÃO

Uma outra coisa que trabalha poderosamente para destruir
a casa de Deus é a ambição humana. Os seres humanos freqüentemente
têm, dentro de si, certos desejos: desejam ser admirados;
gostam de ser vistos e ouvidos; amam quando as pessoas
pensam e falam bem deles; adoram honra, atenção e até mesmo
adoração que venham de outros seres humanos.
Alguns amam elevar-se sobre os outros para controlá-los e
dominá-los. Sentem-se orgulhosos quando os outros os olham
com inveja, por causa de sua fama e de sua posição. Não são
poucos os que se empenham com toda a capacidade para atingir
status no mundo atual.
Esses desejos são obras da carne corrompida. Eles são feios,
pútridos, expressões nojentas da natureza pecadora, que mora
em homens e mulheres não transformados e profanos. É a manifestação
de tal ambição na Igreja que freqüentemente serve para
dividir e destruir a obra de Deus. O impulso, que muitos possuem,
de se levantar e dominar sobre os outros é a causa de
muita divisão, confusão e falta de progresso espiritual na Igreja
atual.
Quando nascemos de novo, recebemos dons e habilidades
espirituais de Deus. Essas dávidas nos são concedidas para que
possamos servir uns aos outros, de maneira que todos cresçam
na plenitude de Cristo. Entretanto, quando alguns crentes têm
em seu coração um desejo e uma ambição de se realçarem, de
serem notados e até mesmo admirados, então eles começam a
usar esses dons para tentar impressionar os outros e, assim,
obter os resultados que estão buscando. Eles querem fazer uma
obra poderosa “para Deus”.
Por exemplo, vamos supor que alguém tenha recebido um
poderoso dom para pregar ou ensinar. Quando essa pessoa abre
sua boca no exercício de seu ministério, há uma unção sobrenatural
que acompanha o seu dom. Naturalmente, os outros ficam
impressionados. Então, quando esse filho de Deus não é
humilde, quando existe em seu coração uma ambição de se exaltar,
ele começa a usar o dom de Deus para atingir suas metas
pessoais.
Homens e mulheres assim estão sempre procurando uma
audiência maior. Eles estão ávidos para aceitar todos os convites,
a fim de mostrar a sua proeza espiritual. Estão sempre
ansiosos para causar boa impressão ao maior número possível
de pessoas, deste modo aumentando sua fama e sua esfera de
influência. Tal tendência não se limita a pregadores e mestres,
mas também aos que têm dons de cura, profecia, milagres, cantos
etc.
A atitude de coração que os crentes precisam ter é inteiramente
diferente. Lemos: “Nada [isso realmente significa nada]
façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando
cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2:3).
Vejam, orgulho, a ambição de ser visto e ouvido e de dominar
sobre outros não têm lugar nenhum na vida de um verdadeiro
seguidor de Jesus!
Vamos, juntos, pensar nisto. Quem foi o primeiro a usar os
dons e talentos que Deus lhe deu para atrair um grupo de
seguidores? Quem foi aquele que tinha inteligência, boa aparência
e habilidades espirituais para atrair e prender um grande
número de adeptos e de devotos?
Esse ser cheio de dons e habilidades foi o próprio Satanás.
Ele foi o primeiro a usar o que Deus liberalmente lhe deu para
conseguir seguidores. Portanto, é lógico concluir que aqueles
que seguem o mesmo caminho não estão seguindo os passos de
Jesus, mas de alguém muito maligno.
Quando a ambição é o motivo por trás das obras de alguém,
muitos problemas ocorrem. Um deles é que o corpo de Cristo
começa a ser dividido. Obviamente, nem todo cristão se impressionará
com uma pessoa assim, então automaticamente ela tenta
conseguir um grupo especial da Igreja somente para ela.
Trabalha para separar para si uma parte do corpo de Cristo, que
está encantada com sua pessoa e com sua obra ou “ministério”.
Esse, então, se torna o “seu” grupo ou a “sua” igreja, resultando
em uma divisão dentro do corpo.
Aqueles que estão assim divididos se tornam limitados em
seu contato com os outros. O ministério que recebem também é
limitado, vindo apenas de uma ou de umas poucas fontes
aprovadas. Assim, o seu crescimento espiritual é restrito, já que
não têm acesso a muitas facetas do corpo completo de Cristo. A
divisão da Igreja em facções que abraçam e seguem certos
líderes cheios de dons é um condição muito comum hoje.
Um outro problema ainda mais sério é que esses líderes que
se levantam para atrair seguidores começam a substituir a liderança
de Cristo na vida de seus adeptos. É bastante fácil para
muitos crentes, especialmente aqueles que não são maduros,
começar a olhar para uma liderança humana e confiar em sua
direção. Quando esses líderes se levantam, exibindo dons espirituais
e poderes sobrenaturais, isso apenas serve para estimular
tal confiança mal colocada.
Hoje Jesus é invisível. Não O conhecemos fisicamente, mas
O conhecemos por meio do Espírito Santo. Sua invisibilidade é
necessária para que Ele seja onipresente. Se Ele fosse visível,
como era há dois mil anos, somente poderia estar em um único
lugar, em um determinado tempo. Mas, agora que Ele é “o
Espírito” (2 Co 3:17), pode estar presente com todos os seus filhos
ao mesmo tempo. É por meio de Sua presença espiritual
que Jesus lidera e dirige cada crente. É a Sua liderança invisível
que produz a realidade da única Igreja verdadeira.
Toda vez que uma pessoa começa a substituir Jesus na liderança
de Seu corpo, problemas sérios começam a surgir. A habilidade
da Cabeça para dirigir cada membro torna-se restrita.
Além disso, o foco de cada membro do corpo muda: de procurar
somente a Deus, para olhar para fontes humanas. Isso, então,
paralisa, confunde e impede o completo funcionamento da
Igreja. E isso atrapalha os membros a seguir cada direção e
nuance da Cabeça.
Os seres humanos possuem certas limitações físicas. Somente
podem olhar para uma única direção por vez. Existem
outras criaturas, como os lagartos e os peixes, que podem olhar
em duas direções de uma só vez, mas as pessoas não podem.
Embora isso seja uma limitação, pode trazer aplicações espirituais.
Não é possível que os cristãos tenham duas “cabeças” ou
fontes de direção e ministério. Eles simplesmente não podem
focar simultaneamente em duas direções. Não é possível ter dois
senhores (Mt 6:24), pois estes iriam continuamente competir
pela supremacia no coração humano, até que um deles vencesse.
Usualmente, aquele que tem a presença mais tangível, vence,
porque os seres humanos são muito mais sintonizados ao
mundo físico, do que ao mundo invisível do Espírito.
No capítulo 5, já estudamos sobre o significado da palavra
grega “anticristo”. Este seria alguém que estaria tomando o
lugar pertencente a Cristo na assembléia. Tal substituição é
extremamente prejudicial às vidas daqueles que estão sendo
governados por meros seres humanos, pois o crescimento espiritual
deles fica muito truncado e a habilidade para ouvir e
seguir o Senhor se paralisa.
Mas também isso é extremamente perigoso para a vida
espiritual da pessoa que está se levantando para tomar o lugar
de Cristo na assembléia. Embora hoje, na “era da graça”, não
vejamos o julgamento de Deus caindo sobre nós por causa de
nossos erros e pecados, quando Ele voltar para julgar o Seu
povo, nossas falhas em obedecer às Suas claras instruções terão
sérias e eternas conseqüências.
O desejo carnal dos cristãos de se elevar e dominar sobre os
outros estava também presente na Igreja primitiva. Já estudamos
sobre as obras e as palavras de Diótrefes, que tomou o
controle e começou a dominar uma igreja, conforme descrito em
3 João. Mas existiram outros, que, sem humildade e compreensão
espiritual, também tiveram ambições naturais.

O EXEMPLO DE PAULO

Paulo era um homem que ministrava às igrejas como um
servo. Ele nunca se exaltou. Freqüentemente aparecia como
“fraco” e era muitas vezes ultrajado e desprezado pela sua falta
de aparência de comandante, que intimida a outros (2 Co 10:10).
Seu serviço para o corpo era o de ajudar as pessoas a se ligarem
a Cristo, como uma noiva se liga a seu marido (2 Co 11:2). Ele
não procurava se tornar um grande e famoso líder. No entanto,
Deus lhe revelou que outros, que viriam depois, iriam procurar
exatamente essa posição.
Quando Paulo visitou os líderes em Éfeso, a caminho de
Jerusalém, explicou-lhes esse perigo futuro. Eles estavam todos
juntos na praia, chorando e expressando amor uns pelos outros.
Naquela situação, ele disse: “Eu sei que, depois de minha partida,
entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o
rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando
coisas pervertidas [sutilmente alteradas] para arrastar os discípulos
atrás deles. Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, por
três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a
cada um [sobre esse perigo futuro]” (At 20:29-31).
Segundo Paulo, os indivíduos que viriam, seriam pessoas
que iriam distorcer as Escrituras e a verdade de Deus. Iriam usar
as verdades bíblicas, sutilmente modificadas, para justificar e
fortificar a posição deles de se levantar e de atrair seguidores.
Seriam cristãos ambiciosos e usariam seus dons, e tudo que
Deus havia lhes dado, para satisfazer seus desejos carnais por
fama e posição.
Paulo constantemente advertia sobre esse perigo com lágrimas.
Ele sabia que, mais tarde, viriam alguns que não teriam as
mesmas atitudes de coração que ele tinha. Eles não iriam ter a
mesma compreensão da importância de manter a liderança de
Cristo. E ele estava certo. Mais tarde, lemos na carta de Paulo a
Timóteo: “Estás ciente de que todos os da Ásia me aban-
donaram...” (2 Tm 1:15). Lembrem-se que Éfeso estava no local
denominado “Ásia” naqueles tempos. Conforme Paulo profetizou,
alguns se levantaram naquelas igrejas para atrair seguidores
para si próprios, que acabaram se afastando de Paulo.
E, como em qualquer outra situação semelhante, esse tipo de
líder busca defender seu “gramado” e “proteger” seu rebanho
de outros, que podem ser vistos como “ameaças” para sua liderança.
Então, começam a minar a influência de outros. Usando
palavras, insinuações, conclusões sutis ou mentiras completas,
atacam qualquer um que possa ser visto como uma ameaça.
Naquele caso, como Paulo era influente por causa de seu relacionamento
com Jesus e por seu ministério ungido, aqueles
líderes, na Ásia, tinham que fazer as pessoas abandoná-lo.
Em Colossenses 2:18-19, lemos: “Ninguém se faça árbitro
contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos,
baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua
mente carnal, e não retendo a Cabeça, da qual todo o Corpo, suprido
e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento
que procede de Deus.”
Estes versos parecem descrever um “bicho”, o qual nunca vi,
em mais de trinta anos de ministério. Parecem falar sobre
alguém que é falsamente humilde, no entanto, ensoberbecido,
adorando anjos e alegando ter visões. Embora houvesse poucos
que se encaixassem nessa categoria, parece estranho que Paulo
use parte de sua pequena carta para advertir sobre tal “pássaro
raro”.
Mas, talvez com um pouco de ajuda, possamos ver aqui algo
muito mais comum. Primeiro, compreendemos que tais pessoas
não estavam “retendo a Cabeça”, que significa que falhavam em
manter a liderança de Jesus. Além disso, estavam interrompendo
o relacionamento dos outros com a verdadeira Autoridade,
assim privando-os (dominando a seu bel-prazer - VRC) das recompensas
espirituais por tal submissão. Essa é exatamente a
situação sobre a qual estamos discutindo.
Essas pessoas ensinavam uma “falsa humildade”, que poderia
ser facilmente compreendida como um encorajamento para
outros se submeterem a elas. Além disso, ensinavam a adorar
“os anjos”. Apalavra “anjos” quer dizer, literalmente, no Grego,
“mensageiros”, que muitos eruditos bíblicos vêem como “pastores”
ou líderes de igrejas.
Então, aqui nós provavelmente temos uma descrição exata
do erro de que estamos falando: homens e mulheres que se exaltam;
que encorajam outros a se humilharem diante deles e
mesmo a louvá-los e a exaltá-los; que se colocam, na vida dos
irmãos, no lugar pertencente à verdadeira Cabeça; e acabam
desligando os crentes de Jesus e levando-os a perderem uma
atual e futura recompensa.
Infelizmente, esse “bicho” não é assim tão raro. A interrupção
do fluir da autoridade da Cabeça é algo que paralisa e
destrói o verdadeiro funcionamento do corpo de Cristo. É uma
prática extremamente comum, mas perigosa, que causa confusão,
limita o crescimento espiritual e retarda a completa
expressão de Cristo aqui na Terra. É um costume que gera lutas
e contendas entre aqueles que promovem sua própria liderança
e também entre os seus seguidores.
Quando homens tomam o lugar de Jesus na Igreja, muitos
resultados ruins são vistos. Esse equívoco leva à competição por
mais membros e por ministérios maiores, além de invejas,
ciúmes, contendas e lutas.
Nós lemos: “Se, pelo contrário, tendes em vosso coração
inveja, amargura e sentimento faccioso, não vos glorieis disso,
nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce
lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. Pois, onde há
inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de
coisas ruins” (Tg 3:14-16).
É muito triste, mas tenho ouvido histórias sobre encontros
de pastores e líderes cristãos, que mantém posições de autoridade
sobre as congregações. Nessas convenções, líderes gritavam
e debatiam, lutavam com os punhos, xingavam uns aos
outros e até mesmo puxavam facas e armas, lutando para obter
ou manter posições de poder. Outros, compravam, vendiam e
negociavam congregações por dinheiro, para tentar conseguir
mais influência e rendas. Esse tipo de sabedoria é, certamente,
terrena, animal e demoníaca.
Os cristãos devem estar alertas e cientes deste sério problema:
homens ambiciosos procurando dominar e conduzir a
Igreja. Isto é uma prática tão comum no mundo atual, que
muitos não vêem nada de mal nela. No entanto, é uma das
coisas que mais destroem a casa de Deus e arruínam Suas obras
entre nós.
Então, os crentes precisam aprender essas verdades, precisam
urgentemente compreender essa mensagem. Todo cristão
deve ser zeloso para evitar esse erro e permanecer longe daqueles
que insistem nele. Tal esclarecimento irá alimentar grandemente
nossa experiência da Igreja verdadeira.
A compreensão bíblica de que os homens não devem ter sua
própria autoridade servirá como um tipo de “quarentena divina”,
servirá para isolar aqueles que têm ambição e manobram
para dominar sobre os outros. Quando os crentes compreenderem
claramente a questão da autoridade espiritual, será difícil
que alguém se exalte e domine sobre outros. Por isso, erros
desse tipo devem ser limitados em seu alcance.

A IDÉIA DE COBERTURA

Na Igreja atual há um ensino popular: cada pessoa deve
estar debaixo de um tipo de “cobertura”. O pensamento por trás
disto é que todo homem deve estar submisso a um líder ou a um
grupo de líderes que supervisionam sua vida. O que se crê é
que, através dessa supervisão, muitos erros, excessos e pecados
serão evitados. Imagina-se que, pela submissão a outros homens,
pode-se estar protegido e guiado apropriadamente. Por
ser esse ensino tão predominante hoje, é necessário gastar algum
tempo examinando tal tema.
Então, o que o Novo Testamento ensina sobre “cobertura”?
Existe, de fato, uma passagem muito importante, que trata
especificamente desse assunto, embora ela não seja bem compreendida.
Em 1 Coríntios 11:3-7, lemos sobre a importância das
mulheres usarem um tipo de cobertura na cabeça, quando estão
orando ou profetizando, para demonstrar a submissão delas a
um homem, seja ele o marido, o pai etc. Essa cobertura, então, é
o símbolo da submissão dela a um homem.
Arazão pela qual usei aqui a palavra “símbolo” é que é possível
uma mulher cobrir fisicamente sua cabeça e não ser submissa
de maneira alguma. Uma mulher pode ser extremamente
rebelde e, ainda assim, usar algum tipo de véu ou chapéu.
Portanto, é lógico concluir que qualquer tipo de cobertura que
ela utilize é apenas símbolo da atitude de seu coração. A verdadeira
cobertura significa que ela humilhou seu coração diante
de seu marido, ou de seu pai, e que ela deseja deixar que ele seja
a sua cabeça, em todos os sentidos dessa palavra, os quais
estivemos estudando.
Na primeira parte dessa passagem bíblica, os homens estão
proibidos terminantemente de usar qualquer tipo de cobertura.
Quando os homens estão exercendo dons espirituais na igreja –
orando ou profetizando, por exemplo – eles são proibidos de
cobrir a cabeça (vs. 4). Por que isso é assim? Porque a verdadeira
Cabeça deles é Cristo (vs. 3). Se eles usam uma cobertura, eles
desonram a Cabeça verdadeira (Jesus).
Deixe-me repetir: qualquer “cobertura” física é simplesmente
um símbolo da posição do coração. Seguindo a nossa lógica
anterior, isso significa que, se eles se colocam debaixo da
cobertura de ou em submissão a outro homem, eles envergonham
a verdadeira Cabeça. Eles “desonram” Cristo, que é a
Cabeça deles (vs. 4).
Quando um homem se coloca “debaixo de” ou em submissão
a outro homem, declara que a sua verdadeira Cabeça não é
suficiente. Ele está colocando a sua confiança em um outro
alguém. Se uma mulher tem um marido e coloca-se em posição
de submissão a outro homem (o que ocorre no caso de adultério,
por exemplo), ela envergonha o seu marido. Em essência,
declara que seu marido não é suficientemente viril para liderála
e satisfazê-la.
Do mesmo modo, qualquer homem que substitua a liderança
de Cristo tomando um outro homem como sua “cobertura”,
está causando a maior desonra a Ele. É uma afronta, uma
declaração de que ele prefere e tem mais confiança na liderança
de um ser humano, do que na verdadeira Cabeça. Entretanto,
nosso Senhor Jesus é totalmente capaz de ser a Cabeça e o líder
de todo homem (vs. 3).
Enquanto muitos crentes, ao longo dos anos, têm usado essa
passagem para argumentar e provocar divisões, tratanto a
respeito das mulheres e de seus chapéus ou véus, parece que
poucos têm compreendido o ponto principal desse ensino.
Paulo começa seu discurso com o problema dos homens, e
não das mulheres. Sua primeira instrução é sobre a possibilidade
de um homem desonrar a sua verdadeira Cabeça, ao
aceitar uma outra “cobertura”. Em seguida é que ele traz o
assunto das mulheres, usando-as como exemplos para explicar
mais exatamente o significado de seu ensino.
Se ignoramos a advertência ali sobre os homens, que se submetem
a uma figura de autoridade que não seja Cristo,
perdemos completamente o significado da mensagem. Certamente
a principal preocupação de Paulo não era sobre homens
usando chapéus no culto, mas sobre eles aceitarem outra Cabeça
no lugar de Cristo.

DESTRUIDOR Nº 3 - A DESOBEDIÊNCIA

Temos discutido a gloriosa possibilidade de experimentar
Jesus como a Cabeça de Seu corpo, em todas as coisas. Temos
visto como é possível, desejável e essencial que Ele lidere tudo e
todos. Ele irá nos liderar individualmente e à Igreja como um
todo.
Entretanto, quando optamos por Sua liderança, começamos
a andar em terra santa. Quando deixamos a idéia humana de
seguir a um homem e decidimos seguir o Rei, entramos em um
relacionamento muito sério com Ele. Quando declaramos que
Ele é o nosso líder, precisamos obedecer às instruções que Ele
nos dá. Ele deve ser realmente o nosso líder!
A necessidade de ouvir e obedecer a Jesus não é verdadeira
apenas para cada indivíduo, mas também para a congregação
como um todo. Toda vez que a autoridade de Jesus é rejeitada,
Ele simplesmente Se afasta e Se aproxima de outros que estejam
prontos e desejosos de ouvir e obedecer. Conforme afirmamos
anteriormente, Ele não é limitado pelas nossas maneiras de
praticar a igreja ou mesmo pela nossa “revelação” concernente a
esse tema. Simplesmente compreender Sua vontade não é suficiente.
Precisamos também fazer Sua vontade, seguindo Sua liderança
a cada dia.
Ao longo dos anos, tenho visto vários grupos de crentes, que
se encontravam mais ou menos informalmente, simplesmente
desaparecer. Alguns deles estiveram se reunindo durante anos e,
subitamente, se foram. Freqüentemente, esse desmoronar das
reuniões e dos relacionamentos é algo que ocorre inesperadamente.
Por que isto acontece? Porque Jesus, durante um período de
tempo, falava claramente a eles, dando as direções que desejava
que eles tomassem. No entanto, eles não ouviram, não obedeceram.
Então, Ele Se afastou e os grupos caíram em pedaços. Por
não terem nenhuma estrutura humana para mantê-los unidos,
quando Jesus Se retirou, eles desmoronaram.
A razão para a desobediência pode variar. Talvez alguns
estivessem tão satisfeitos com o modo como as coisas iam que
não desejavam mudar. Outros talvez tivessem uma resistência
pessoal ao que Jesus estava dizendo. Mas, por qualquer que seja
a razão, eles teimosamente recusaram se mover na direção de
Deus e, assim, Ele simplesmente Se afastou deles. Faltando a
presença e a direção do Senhor, esses grupos se dissolveram.
Alguns de seus membros estão, até hoje, coçando a cabeça, tentando
entender o que aconteceu.
Jesus falou à igreja em Éfeso: “Lembra-te, pois, de onde
caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se
não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não
te arrependas” (Ap 2:5).
Isso significa que aquela igreja iria simplesmente desaparecer.
E, à igreja da Laodicéia, Ele disse: “...estou a ponto de vomitar-
te da minha boca...” (Ap 3:16), assim indicando que eles
seriam rejeitados. O Senhor estava dando algumas instruções a
esses crentes. Se eles não as ouvissem, iriam sofrer as conseqüências
que Ele prometeu.
Queridos irmãos e irmãs, essas coisas são muito sérias. Não
podemos brincar com Deus. Talvez, enquanto participamos de
construções humanas “para” Ele, possamos agir e fazer conforme
nos agrada. Possivelmente podemos brincar com o nosso
“cristianismo”. Mas, quando entramos em um relacionamento
de aliança com Ele, então, somos obrigados a ouvi-Lo e a fazer
Sua vontade, movendo-nos no temor do Senhor.
Na Igreja primitiva, algumas vezes aconteciam repentinos
julgamentos divinos. A história de Ananias e Safira, que mentiram
sobre o que fizeram com seu dinheiro, é um exemplo
extremo disso (At 5:1-11). Numa outra ocasião, em 1 Coríntios
11: 29-30, lemos que Deus julgou os crentes que não discerniam
corretamente o Seu corpo. Eles não tratavam os demais crentes
como se fossem membros de Cristo, mas apenas como outros
seres humanos.
Devido a essa falha, eles comiam e bebiam de seu próprio
“julgamento”. Muitos se tornavam fracos e doentes. Alguns até
morriam por causa de seu pecado de maltratar a outros. Embora
esses julgamentos, de fraqueza, doença e morte, pudessem tipificar,
e provavelmente o faziam, problemas espirituais, que
alguns poderiam sofrer, não há dúvida de que Paulo também
estava se referindo à doença física real e à morte. Esses julgamentos
resultavam da desobediência dos crentes a Jesus.
Muitos têm curiosidade em saber o motivo pelo qual raramente
vemos, hoje, tais julgamentos severos. Por que é que tantos
crentes estão tão distantes da obediência – pecando tanto
contra os outros, quanto contra Deus, de maneiras tão diversas
– e, no entanto, não vemos o julgamento divino caindo sobre
eles?
A resposta para isso poderia ser a de que muitas “igrejas”
que vemos hoje não são realmente obras do Senhor. São, talvez,
obras que algum homem ou algum grupo de homens está fazendo
para Deus, mas não são a obra de Deus, não são algo que o
próprio Deus esteja fazendo.
Portanto, já que não é a Sua obra, Deus não sente necessidade
de defendê-la. Ele não sente impulso de julgar severamente
seus erros. Já que realmente não é a Sua obra, em muitos
sentidos da palavra, então, Ele não sente necessidade de proteger
o Seu testemunho. Ele não precisa defender Seu nome de ser
degradado, já que não é verdadeiramente o dono da obra.

O TEMOR DO SENHOR

Quando decidimos deixar Deus ser nosso comandante, precisamos
caminhar em temor ao Senhor. Quando decidimos caminhar
na verdade, entronizando-O entre nós, precisamos agir
com a consciência de que Ele realmente está entre nós. Conseqüentemente,
Sua presença, Sua liderança e Sua direção
devem ser seriamente respeitadas. Precisamos altamente valorizar
a Sua posição e a Sua vontade em nosso meio.
Viver na presença de Deus e debaixo de Sua autoridade é
uma proposta séria e solene, não um jogo. A Igreja é preciosa
para Ele. Não é algo que possamos tratar despreocupadamente.
Embora seja muito amoroso, Ele também é o Juiz. Portanto, só
devemos entrar em um relacionamento de aliança com Ele com
um coração sincero e com disposição para segui-Lo por onde
quer que Ele vá. Sem dúvida, Jesus é cheio de misericórdia,
paciência, gentileza e brandura. Certamente Ele não vai nos
virar as costas apenas por ver que somos um pouco teimosos,
imprevidentes, medrosos ou qualquer outra coisa. Enquanto Ele
vê alguma possibilidade de seguirmos Seu caminho, Ele continuará
trabalhando conosco.
Mas, quando a nossa resistência à Sua vontade é forte e prolongada,
então podemos esperar algumas conseqüências.
Quando começamos a resistir a Ele e a destruir a obra Dele, Seu
julgamento não pode estar muito longe. Uma das coisas mais
tristes é que Jesus simplesmente Se afasta para operar em outros,
possivelmente em outras partes do mundo, que possuem
abertura para aquilo que Ele deseja fazer.
Mais uma vez, desejo enfatizar que Jesus não está limitado à
nossa doutrina. Ele não é constrangido pelo fato de que nós
temos uma visão ou prática “correta”. Ele somente é atraído por
aqueles cujos corações são humildes e quebrantados diante
Dele. Ele irá trabalhar com qualquer um que seja dócil e desejoso
de mudar e de cooperar com Ele em Seu caminho.

COMO DEUS FALA

Jesus, nossa Cabeça, Se comunica pessoalmente conosco de
muitas maneiras diferentes. Mas, quando Ele fala à assembléia,
quase sempre fala por meio de uma outra pessoa. Por exemplo:
Ele dificilmente fala audivelmente a um grupo, como um todo.
Em vez disso, Ele usa homens e mulheres, membros do corpo,
pra transmitir Sua palavra ao Seu corpo. Conforme vimos, Ele
fala freqüentemente por meio dos membros que têm mais intimidade
com Ele. Ele usa vasos que estão mais abertos e
disponíveis para Ele expressar a Sua autoridade.
Todos nós devemos ouvir e responder à direção de Deus,
dada por meio desses membros. Quando a igreja falha em
prestar atenção à direção do Senhor, Sua expressão é limitada.
Quando os participantes de qualquer comunidade de crentes
não obedecem à voz do Senhor, fluindo por meio de um irmão
ou outro, a experiência coletiva de Sua presença diminui. Mas,
quando estamos sintonizados com a voz do Senhor, todos seremos
capazes de receber Suas instruções por meio de outras pessoas
e Lhe obedecer (Ec 5:1).
Não é raro entre os cristãos a dificuldade em reconhecer e
em se submeter à genuína autoridade espiritual. Isso acontece
porque as pessoas, por meio das quais ela flui, são pessoas
humildes, que não estão se exaltando. Elas não assumem uma
atitude especial de superioridade ou grandeza; não possuem
uniformes especiais ou títulos; não transpiram a sua própria
importância; e não têm aquela quase imperceptível afetação dos
que são ricos, famosos ou têm posição de poder.
O homem natural responde facilmente a essas expressões
superficiais de importância e de autoridade. Mas, como aqueles
que simplesmente transmitem a autoridade de Jesus não exibem
essas características, é muito fácil os crentes imaturos e
desprovidos de espiritualidade não reconhecerem a autoridade
manifesta neles e ignorarem suas palavras. É muito comum
perder a voz do Senhor falando por meio de alguém que não
pareça ser espetacular.
Isso se torna um desafio real para a Igreja. Não devemos
olhar simplesmente para a aparência de nossos irmãos. Quando
falhamos em ouvir Deus falar por meio de homens e mulheres
humildes, perdemos direção e bênçãos. Se não estamos em estreita
sintonia com o Espírito, é fácil ignorar Sua voz e, conseqüentemente,
não aproveitar Sua liderança.
É essencial que deixemos nossos conceitos seculares sobre
como Deus fala e por meio de quem Ele o faz e permaneçamos
abertos para o fluir de Sua palavra por meio dos irmãos. Se não
o fazemos, então nossa experiência de Igreja será grandemente
limitada.
Muitas vezes, talvez mais freqüentemente do que pensemos,
Deus fala por meio de pessoas que não são consideradas
“líderes”. Talvez os vasos costumeiros não estejam tão abertos
para a revelação específica ou para a direção que Ele deseja dar.
Ou pode ser que Ele deseje nos testar para ver se podemos ouvi-
Lo e não estamos apenas confiando na direção daqueles que são
mais maduros. Mas, seja qual for a razão, Deus pode falar e, às
vezes fala, por meio de um membro que pode não parecer muito
especial.
Talvez tal pessoa que Deus escolhe para usar seja nova na fé;
talvez não seja considerada uma pessoa “espiritual”; ou talvez
tenha algum tipo de deficiência física ou não seja especialmente
bonita ou apreciável.
O resultado disso é que precisamos continuamente ser sensíveis
ao Espírito Santo. Precisamos estar sintonizados para
ouvir Sua voz e estar prontos e desejosos de ouvi-Lo e de Lhe
obedecer, não importa a maneira que nos fale. Devemos ser submissos
uns aos outros, no temor do Senhor (Ef 5:21).
Realmente, receber a direção de Deus por meio de uma outra
pessoa exige muita humildade. Uma pessoa orgulhosa sempre
terá dificuldade em receber uma palavra de correção ou direção
de uma outra. Qualquer soberba de nossa parte serve como um
bloqueio, impedindo nossa receptividade ao Espírito de Deus
falando por meio de outros. Pedro nos admoesta dizendo: “...e
sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade...” (1
Pe 5:5-VRC). Necessitamos ter humildade, genuíno temor ao
Senhor e disposição para receber a Palavra Dele e para segui-Lo.
A desobediência destrói a obra de Deus. Ela corta o fluxo da
Vida divina que é a fonte da Igreja e de tudo o que é genuíno em
nossa experiência cristã. Quando nós, individualmente, nos tornamos
resistentes à liderança do Senhor, nossa vida espiritual
sofre as conseqüências. Perdemos o companheirismo com Ele e
acabamos por caminhar apenas guiados pela alma.
Além disso, quando qualquer grupo cristão começa a
recusar a direção do Espírito Santo, ele está em grande perigo:
corre o risco de Jesus Se afastar e deixá-lo sem a Sua presença e
liderança tangíveis. A retirada da presença divina de qualquer
grupo cristão é desastroso. Sem ela, o grupo irá simplesmente se
desmantelar ou começar a confiar em métodos humanos, tais
como liderança e autoridade naturais, para mantê-lo unido.

NAS REUNIÕES

Nos capítulos anteriores, falamos da necessidade da liderança
do Espírito Santo em nossas reuniões. Tais reuniões, conduzidas
pelo próprio Senhor, são cheias de Sua presença e beneficiam
a todos. São uma experiência maravilhosa e um privilégio
divino. Em tais encontros, todos têm a oportunidade de
compartilhar e de ministrar.
Entretanto, há algo que não podemos abrir mão: a autoridade
de Jesus deve ser mantida. Precisamos preservar a soberania
Dele sobre nossos encontros. Se não o fizermos, a sublime
experiência será destruída. Aqueles que são mais sensíveis a Ele
precisam ter a audácia e a fé para não deixar alguém assumir o
controle da reunião e desviá-la da trilha do Espírito Santo.
Há um perigo aqui, que encontrei muitas vezes ao longo dos
anos: alguns homens e mulheres, em situações em que não há
um líder aparente, vêem isso como uma oportunidade para se
expressarem. Talvez imaginem poder se tornar os líderes necessários
ao grupo. Provavelmente, adorem falar e ser vistos e ouvidos.
Pode ser que sejam jovens na fé e não saibam como seguir
o Espírito Santo. Ou talvez eles comecem falando ou orando no
Espírito, mas prossigam baseados em algum estímulo emocional
e terminem na carne.
Por qualquer que seja a razão, haverá ocasiões em que uma
pessoa começa a falar, cantar ou orar, sem parar mais, de um
modo não conduzido pelo Senhor. Se essa situação perdurar por
muito tempo, extinguirá o Espírito Santo, destruirá a obra de
Deus e arrastará a todos para um nível natural e humano. E a
presença de Deus será perdida. Se quisermos nos reunir na presença
de Deus, precisamos manter Sua autoridade.
Portanto, quando ocorrer tal situação, aqueles que têm discernimento
e maturidade espiritual devem agir. Com gentileza,
bondade e toda consideração para não ferir a pessoa, eles devem
trazer a reunião de novo para a direção do Senhor. Isso pode ser
feito com uma simples oração ou uma palavra. Pode ser
necessário falar diretamente ao irmão ou irmã. Qualquer coisa
precisa ser feita para interromper a ação que está tirando o
grupo do domínio de Jesus e trazê-lo de volta para o Seu curso.
Conforme foi mencionado antes, há espaço para erros. Não
precisamos acusar qualquer um imediatamente, quando eles se
desviam. Não precisamos nos precipitar. Mas, se for permitido
que a liderança humana e carnal perdure por muito tempo, toda
a reunião será prejudicada.
Quando isso acontece freqüentemente, as pessoas perdem o
entusiasmo para se reunir, já que seus espíritos continuam insatisfeitos.
Em breve o trabalho do Senhor estará destruído pela
falta de atitude por parte dos crentes que têm mais discernimento
para preservar a autoridade do Espírito Santo.
Há ainda muitas outras coisas que servem para destruir a
obra de Deus. Isso inclui: permitir “raízes de amargura” (Hb
12:15) em nossos corações; falhar em perdoar outros; permitir
que o pecado continue, sem confrontar os que estão em pecado;
permitir dissensões públicas sobre doutrinas, idéias e muitas
outras coisas. É impossível detalhar e lidar com todas as possibilidades
aqui neste livro.
Entretanto, Jesus é capaz de liderar o Seu povo. À medida
que caminhamos em intimidade com Ele, Jesus nos orientará a
lidar com cada situação e cada necessidade. Que nós possamos
entregar nossas vidas e nossos corações cada vez mais à liderança
e ao cuidado Dele.