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VENHA O TEU REINO



INTRODUÇÃO

O livro que você está para ler tem importantes implicações teológicas e práticas. De fato, elas são monumentais! Portanto, ele deve ser lido cuidadosamente, refletidamente e devotamente, com muita oração. Também é essencial começar pelo princípio e ler até o final, sem pular nenhum item. Já que as idéias aqui apresentadas são desenvolvidas no decorrer de muitos capítulos, se o leitor não se familiarizar com o trabalho todo, pode resultar em algum equívoco. Às vezes surge a tentação, ao se pegar um livro novo, de olhar o sumário, encontrar um capítulo que parece bem interessante e começar a ler.  Já que muitos crentes não estão familiarizados com este assunto, os resultados desta leitura aleatória podem conduzir a uma direção errada. Com isto em mente, eu gostaria de exortar todos os leitores sérios a estudar inteiramente a informação apresentada aqui antes de formar suas conclusões finais.

Um outro fato que precisa ser mencionado é que compreender o conteúdo deste livro requer revelação espiritual. Já que estaremos investigando a verdade de Deus contida nas Escri-turas, precisamos procurar a revelação divina. Devido à imperfeição da mente humana para conhecer Deus independentemente, quando estamos procurando entender a Sua vontade, preci-samos crer que Ele nos iluminará.

Então eu quero exortar vocês a, enquanto estiverem lendo estas páginas, ter uma atitude de oração, com o coração e a mente abertos para Jesus. A fim de que Ele possa revelar a Sua ver-dade a você.

Claro que este livro é apenas um esforço humano; contudo, vamos orar juntos para que Deus possa usá-lo para desvendar aos Seus, mais de Si mesmo e de Seus propósitos sobre a Terra.

David W. Dyer


VENHA O TEU REINO

PARTE 1
 

Quando Jesus Cristo voltar em Sua glória, isto não será o final da história da Terra atual. O plano de Nosso Senhor não é voltar momentaneamente, arrebatar os crentes para o céu e abandonar a Terra para posterior destruição pelo fogo (2a. Pedro 3:10). Na verdade, Deus ainda tem planos para esta Terra. Depois de Sua volta, Ele pretende estabelecer um reinado aqui. Centrada em Jerusalém, na terra de Israel, Sua autoridade será estabelecida sobre todos os que habitam a Terra. Este reinado se estenderá por mil anos e, por este motivo, é conhecido como “O Milênio”.  As pessoas sobre as quais Ele vai reinar são aquelas poucas que sobreviverem ao período da Tribulação.  Embora inicialmente o número delas seja bem reduzido por causa dos julgamentos na Tribulação, já que não haverá guerras e, sem dúvida, nem pragas ou doenças durante o Milênio, o número de seres na Terra crescerá rapidamente. Não estamos falando sobre a Igreja ou sobre os crentes, mas sobre pessoas “normais” que, pela misericórdia de Deus, sobreviveram a Seus julgamentos na Terra.

Não apenas Jesus estará reinando nesta Terra por mil anos, mas os cristãos também estarão envolvidos neste reinado. Aqueles que se prepararam irão reinar com Ele (Ap 20:4). Muitos crentes têm seus corações e suas mentes postos “no céu”, mas Deus ainda não acabou o Seu trabalho nesta Terra. Embora seja bom “pensar nas coisas lá do alto” (Col 3:2), nós também deveríamos estar cientes e nos fixarmos naquilo que Deus está planejando. Precisamos compreender o que vai realmente acontecer. Depois de Sua volta, Seu plano é passar mais mil anos nesta Terra. Apenas “depois” deste reinado milenar é que haverá “um novo céu e uma nova Terra” (Ap 21:1), que é o que muitos consideram “o céu”.
À luz dos fatos acima, talvez, como cristãos, devêssemos reconsiderar nossas atuais considerações sobre a Terra e sobre qual deveria ser o nosso papel nela. Talvez devêssemos abandonar nossa filosofia escapista e imaginar que Deus ainda não terminou a obra na Terra e nem nós. Não estou falando sobre um novo plano para melhorar o meio ambiente ou para acabar com a guerra nuclear. Nem tampouco estou recomendando alguma ação social para melhorar o presente estado das coisas. O que estou propondo é que os crentes precisam estar prontos para a próxima fase do plano de Deus para a Terra atual – o reinado vindouro.

Imagino que há alguns que não acreditam que há um reinado vindouro ou que pensam que ele existe aqui, hoje, ou mesmo que ele já veio e já se acabou. Mas, tratar destas dúvidas, conceitos errados ou má compreensão de maneira completa, está realmente fora do objetivo deste livro. É suficiente dizer que, se as pessoas não vêem nas Escrituras um Reino Milenar (1000 anos) onde Satanás é amarrado (Ap 20:3-7) – o que certamente ainda não aconteceu hoje – , onde Jesus Cristo está reinando sobre as nações com um cetro de ferro e elas sendo infinitamente obedientes à Sua vontade (Ap 19:15), onde a criança de peito brincará na toca da serpente e os lobos se deitarão com os cordeiros (Isaias 11:6-8), onde os homens convertem suas espadas em relhas de arados e as suas lanças em podadeiras e onde não há mais guerras (Isaias 2:4), onde Cristo reina fisicamente na Terra (1a. Cor 15:25), Ap 20:6, Is 24:23), repartições da Terra de Israel entre as doze tribos (Ez 48) e a reconstrução do Templo (Ez 40-43, Zac 6:12-13), se eles não vêem nisto um Reinado de Cristo físico e terreno, então eu não sei como convencê- los. Não há maneira de provar alguma coisa das Escrituras a alguém se a pessoa não estiver aberta para isto. Entretanto, se há aqueles que não estão certos sobre isto e estão genuinamente interessados em uma melhor compreensão do Reinado Vindouro de Deus, então eu sugiro a eles irem a uma boa livraria cristã comprarem alguns livros escritos por autores que acreditam literalmente na Bíblia, assim como está escrito, e que façam algum estudo. Uma lista parcial das Escrituras concernentes ao Reino está também incluída no final deste livro, para o dedicado estudante da Bíblia. “E nós reinaremos na Terra” “com Ele por mil anos” (Ap 5:10, 20:6).

Este reino terreno de Jesus Cristo é o cumprimento da promessa de Deus ao Rei Davi que não faltaria alguém de sua semente para se sentar em seu trono (2a Samuel 7:12 e João 7:42). É a conclusão do mandamento de Deus a Adão para que ele dominasse sobre a Terra (Gen 1:28), um descanso no sábado para o povo de Deus (Heb 4:1), o Dia do Senhor (1a Tess5:2) e mais, muito mais.  Que bênção o fato de que nós, povo de Deus, possamos ser parte deste reinado com Ele. A participação dos crentes neste reino milenar de Cristo é uma das partes mais negligenciadas do Evangelho. Muito freqüentemente temos pulado este assunto quando olhamos para a ida ao céu para a eternidade.

Sim, nós devemos colocar nossa afeição nas coisas lá do alto e é verdade que nossa recompensa está reservada para nós no céu, mas a Bíblia ensina que, quando Jesus voltar, Ele trará consigo estas recompensas (Ap 22:12). Não estou sugerindo que enchamos nossas mentes com coisas aqui da Terra, mas que nos preparemos para trazer as coisas celestiais para a Terra. Isto é parte do Evangelho. O reinado de Cristo é uma parte indispensável daquilo para o qual Ele veio e para o que Ele ainda vai fazer. E o nosso papel neste plano é da máxima importância. A idéia da vinda de um reinado é tão central para o Evangelho que, quando Jesus ensinou os seus discípulos a orar, a primeira petição que Ele fez foi: “Venha a nós o Teu Reino assim na Terra como no Céu” (Mat 6:10) Deveria ser significativo para nós que a primeira coisa que o Nosso Senhor nos ensinou a pedir foi pela chegada do Reino de Deus na Terra. Também, um grande número de parábolas que Ele ensinou era sobre a vinda do Reino e sobre como ele seria. Certamente não deveríamos tratar este assunto como se não tivesse importância, ou inconseqüentemente. Além disso, com o retorno do Senhor se aproximando, é algo a que todos os filhos de Deus deveriam dar séria e prolongada consideração.

Não há maneira do povo de Deus evitar o reino. É parte do plano para a Terra, do qual todos nós participaremos de um modo ou de outro. A verdade surpreendente mas não largamente anunciada, é que o que fazemos hoje tem tudo a ver com aquilo que será o nosso papel no Reino que vai chegar. Não importa o quão velhos nós sejamos, nosso tempo na Terra não está “para se acabar”. Nós ainda temos pelo menos 1000 anos para trabalhar junto com o Senhor para o cumprimento dos propósitos Dele para este mundo. Nossa fidelidade, nossa diligência e, de fato, nossa inteira maneira de viver neste mundo atual, será o fator determinante para o papel que Cristo vai nos dar em Seu reino quando Ele voltar. Isto pode ser uma surpresa? Mesmo neste império terreno, as pessoas dão os lugares de responsabilidade e de honra àqueles que são bons trabalhadores e dignos de confiança. Jesus não disse que vai recompensar cada um de acordo com as suas obras? (Ap 22:12, 1a Cor 3:14). Isto é exatamente o que Ele fará.

Com isto em mente, nos próximos capítulos examinaremos vários aspectos do reino que têm grande relevância para nós hoje. Muitas destas verdades podem parecer alarmantes, mas eu lhes peço, pelo seu próprio bem,que vocês não fechem suas mentes para elas. Após ler este livro, procurem as Escrituras por si mesmos para ver se estas coisas são verdadeiras. Não sejam convencidos, de maneira alguma, por algum indivíduo bem intencionado, sem antes olhar profundamente para elas.

O reino vindouro tem muito a ver com você e ninguém mais pode mudar a sua participação nele. “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rom 14:12).
“E eu vos digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugar à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos Céus. Ao passo que, os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mat 8:11,12).

OS DOIS REINOS

CAPITULO 2

Antes que nos adiantemos neste livro, uma coisa deve ser esclarecida, se os leitores quiserem compreender bem esta mensagem: é que o “Reino dos Céus” não é a mesma coisa que “o céu”. Deixe-me dizer de novo: quando o Novo Testamento usa a frase “o Reino dos Céus”, não está se referindo ao céu própriamente dito.  Em vez disso, está se referindo ao Reinado Milenar sobre o qual estamos falando. É fácil cometer tal engano se não lemos a Bíblia cuidadosamente. Já que muitos crentes têm escutado uma enorme quantidade de ensino e de pregações sobre o céu como nosso destinação, é fácil ler sobre o “Reino dos Céus” e, automaticamente, pensar em “céu”. Entretanto, conforme veremos neste livro, esta frase tem um significado diferente e muito importante. Quando estamos tentando compreender a Bíblia, é essencial sermos cuidadosos para não admitir qualquer coisa ou não sermos guiados por idéias pré concebidas. Se queremos realmente compreender o Reino de Deus, é essencial que sejamos capazes de permitir que a Palavra de Deus nos corrija, mesmo quando ela contradiz noções apreciadas por nós.

Talvez o elemento de confusão na frase “o Reino dos Céus” seja a expressão “dos Céus”. O que esta expressão realmente quer dizer é que o Reino terreno vindourotem sua origem no céu – que ele é celestial em sua natureza e conteúdo. Então, é um reino “DO” céu e não “NO” céu. Não é o céu sobre o qual a Bíblia fala em outros lugares. Deus reina supremo no céu. O céu é o local de Sua autoridade – o ponto de onde Ele governa todo o Universo. As palavras “dos céus” então, estão se referindo à fonte deste reino sobre o qual Jesus testificou. É o lugar de onde o Reino está vindo e não o destino para onde iremos.

Novamente, a oração que Ele ensinou os discípulos a orar mostra claramente o quadro: “O Teu Reino venha a nós, assim na Terra, como ele é nos Céus”. (Mat 6:10) A oração de Jesus era para que o Reino do Pai fosse totalmente manifesto na Terra. Então nós vemos que, embora o Reino dos Céus seja celestial na origem e no caráter, ele não é a mesma coisa que “o céu”.  Ao invés disto, se-refere a o Milênio.

É interessante notar que, de todos os escritores do Novo Testamento, apenas Mateus usa a frase “O Reino dos Céus”. Todos os outros escritores usam a frase “o Reino de Deus”. Nos quatro Evangelhos, quando os escritores estão citando as mesmas parábolas de Jesus, Mateus usa “O Reino dos Céus” e os outros três dizem:

“O Reino de Deus”. Isto nos mostra que estes termos são usados alternadamente na Palavra inspirada. Não há diferença entre eles. Tal observação reforça a idéia de que “O Reino dos Céus” não é o “céu”, mas o Reino de Deus que virá a esta Terra quando Jesus voltar. A importância da distinção entre ‘Reino dos Céus” e “céu” aparece quando lemos as parábolas nas quais Jesus ensinou sobre este reino. Se aplicarmos as “parábolas do Reino” para “o céu”, então poderemos chegar a alguma confusão e mesmo a idéias erradas. Mas, quando as aplicamos corretamente ao terrestre Reino Vindouro de Jesus Cristo, a verdade de Deus se torna muito mais clara.  Isto é exatamente o que estaremos fazendo nos próximos capítulos deste livro.

As pessoas judias que estavam ouvindo o ensinamento de Jesus não tinham problema algum em entender que Ele estava se referindo ao um Reino terreno. Pelo contrário, muitos deles tinham dificuldade em imaginar os aspectos espirituais dele. Por séculos, eles haviam esperado pelo Rei Messias que os libertaria da escravidão.

Conheciam muito bem a profecia das Escrituras que viria Um para sentar-se no Trono de Davi pra reinar sobre eles (Is 9:7). Quando Herodes questionou os escribas sobre o lugar do nascimento do Messias, eles sabiam a exata localização. A vinda de um rei para estabelecer um Reino terreno não era segredo para eles. Era exatamente o que eles estavam esperando. O que não compreenderam é que a profecia da vinda de Jesus consistia em dois eventos. Houve a primeira vinda e haverá uma segunda –aquela para a qual todos os verdadeiros crentes estão olhando. E é nesta segunda vinda que Ele vai estabelecer Seu Reino terreno, físico.

DOIS ASPECTOS DO “REINO”.

O que os judeus não compreenderam então, mas que sabemos agora, é que estas duas vindas de Cristo correspondem aos dois aspectos do Reino de Deus.  Primeiro, há a atual experiência espiritual do Reino, na qual os cristãos podem entrar e, segundo, há a vindoura manifestação exterior do Reino nesta Terra.  Hoje podemos experimentar o Reino espiritualmente e algum dia, muito breve, ele estará vindo para a Terra físicamente. Por outro lado, referindo-se ao primeiro, Jesus disse: “Meu Reino não é deste mundo” (João 18:36). Mas, por outro lado, as Escrituras dizem: “Os reinos deste mundo se tornaram os reinos de Nosso Senhor e do Seu Cristo” (Ap 11: 15). Embora o aspecto espiritual do Reino anunciado no primeiro advento de Cristo e a visível manifestação dele, que começará com a segunda vinda, sejam separados por 2000 anos, eles têm muito em comum. De fato, são inseparáveis e completamente inter relacionados. Para transmitir uma clara compreensão destas duas facetas do Reino de Deus, talvez seja necessário falar primeiro sobre o que é um reino. Um reino é uma certa área geográfica que é governada por um rei. Um reino é também um grupo de pessoas que são sujeitas à vontade e às ordens de um determinado rei.  Realmente estas duas definições se ajustam exatamente aos dois reinos sobre os quais estávamos falando.

Com a Sua primeira vinda, Cristo reuniu um povo para Si. Com a segunda, Ele estabelecerá Sua legítima soberania sobre este mundo. Seu primeiro advento introduziu a afirmação de seu senhorio sobre os corações e as vidas dos homens que desejam submeter-se a Ele e o segundo introduzirá a afirmação de Sua realeza sobre todos os habitantes da Terra.

Na maioria dos países hoje, as pessoas têm um certo problema em compreender o conceito de “rei”. Há muito poucos governantes hoje que reivindicam ser reis e aqueles que o fazem (exceto talvez no Oriente Médio) presentemente, exercem muito pouco poder. A idéia de se inclinar diante de alguém e ser obediente ao seu menor desejo é estranha a nós, se não mesmo repulsiva.  O simples pensamento de não estar no controle de suas próprias vidas, nem mesmo entra na cabeça de muitos homens. Nós, especialmente, nos Estados Unidos, estamos acostumados à líberdade e qualquer “rei” que se apresente terá alguma dificuldade em impor sua influência sobre nós. Que triste! Tal é a situação com Jesus Cristo e grande parte de Sua Igreja hoje. Nós, o Seu povo, legitimamente pertencemos a Ele, mas somos muito pouco submissos à Sua autoridade.

Talvez uma palavra que possa descrever melhor o que a palavra bíblica “rei” deveria significar para nós, seja a palavra “ditador”. Esta é uma palavra com a qual o nosso mundo pode se relacionar. Ela nos traz a idéia de um homem que exerce o poder absoluto. Sua palavra é a lei e ninguém ousa desobedece-lo. Isto é o que a Bíblia realmente quer dizer quando usa a palavra “rei”. (A palavra “senhor”, por falar nisso, tem um significado parecido) Embora “ditador” possa nos trazer a idéia de repugnância ou crueldade enquanto que nosso rei Jesus não é assim, o conceito de poder absoluto e autoridade é exatamente correto. Deus fez este mesmo Jesus que foi crucificado, Rei e Senhor. De fato, Ele é o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores (Ap 19:16). É a Ele que devemos nos submeter e a Ele que devemos obedecer.

Agora, com isto em mente, podemos falar um pouco sobre o Reino de Deus. O Reino de Deus ou o Reino dos Céus, é a esfera sobre a qual se estende a autoridade de Deus. Ele consiste no território e nos seres sobre os quais Ele reina. Nós acreditamos que a maior parte do Universo se encaixa nesta categoria. Uma exceção é esta Terra e a maioria das pessoas que vivem nela. A Bíblia nos ensina que este mundo está atualmente nas mãos do diabo e que ele é um príncipe sobre ela e sobre os seus habitantes (Jo 14:30). Embora Jesus o tenha derrotado na cruz, esta vitória ainda não foi completamente manifesta. Deus está agora no processo de estabelecer sua legítima autoridade sobre este mundo. Quando Jesus voltar, o diabo será acorrentado por mil anos (Ap 20: 1 a 3) e Jesus reinará supremo sobre toda a Terra.

Conforme mencionado anteriormente, o primeiro lugar sobre o qual Ele está começando a reinar e a área na qual Ele está trabalhando hoje é nos corações e nas vidas dos homens e das mulheres. Através dos acontecimentos em Seu primeiro advento, Jesus Cristo demonstrou Seu direito de transferir as pessoas deste reino de trevas para Seu próprio reino de luz. Ele redimiu a humanidade com Seu próprio sangue precioso e nos comprou para Sua própria posse. Enquanto que antes éramos obedientes ao mau soberano deste século, agora não mais precisamos nos sujeitar a ele. Jesus nos libertou. Embora fôssemos de Deus, porque foi Ele quem nos fez, Satanás usurpou esta autoridade no Jardim do Éden através da tentação de Adão e Eva. Agora Jesus Cristo está no processo de nos recuperar desta queda e de restabelecer Sua realeza sobre o Seu povo. Aleluia!

NOSSA VONTADE É ESSENCIAL

Há, entretanto, um aspecto muito interessante no Reino de Cristo, ao qual devemos prestar cuidadosa atenção. Jesus só reinará sobre aqueles que desejarem.  Ele será rei apenas daqueles que o quiserem como Rei.  Quando Ele veio em pessoa aos judeus em Israel, a maioria o rejeitou. A um certo ponto, os líderes deles (que supostamente deveriam estar esperando o Messias), declararam: “Não temos outro rei além de César.” (Jô 19:15). E ainda é assim hoje. Nós podemos aceitar ou rejeitar a soberania de Jesus Cristo. Mas está chegando o dia em que esta opção terminará. Quando Jesus Cristo vier de novo, as Escrituras nos dizem que : “todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor” (Fil 2:10,11). Nesta ocasião Ele, poderosamente, subjugará toda a Terra e todos os seus habitantes para Si mesmo (Lucas 19:27).

Hoje em dia, nos círculos evangélicos, uma pessoa pode ouvir muitos pregando coisas como “aceitar Jesus”, “confiar em Jesus” ou “pedir a Jesus que entre em sua vida”. Estas coisas são verdadeiras, corretas e boas. Porém, isto não é a história completa. O que parece estar faltando neste tipo de pregação é que, quando recebemos a Jesus, nós o recebemos por aquilo que Ele é – Rei e Senhor. Quando os primeiros discípulos pregaram, eles pregaram o “Senhor” Jesus Cristo. Eles proclamaram um Cristo que desejava completa fidelidade, que pedia um total compromisso para o resto de suas vidas e que requeria uma completa separação daquilo que não estava em Seu reino. Este é o motivo pelo qual eles viram resul-tados tão maravilhosos. Aqueles pregadores não enfatizavam o que Cristo podia fazer pelas pessoas, mas eles anunciavam qual era a responsabilidade do povo para com Deus.  Eles sabiam quem era Jesus. Ele era o Rei prometido muito tempo atrás e eles foram suficientemente sábios para se submeterem totalmente a Ele. Como precisaríamos de uma boa dose deste tipo de pregação hoje! Como necessitamos seguir o exemplo deles!
Esta é uma explicação do porquê temos hoje tantos convertidos ao cristianismo que são indiferentes e insinceros. Nós lhes dizemos coisas como: “Se você aceitar Jesus, Ele vai fazer você feliz e vai fazer você se sentir bem e ajudar você em sua vida”. Jesus, por outro lado, pregava: “Arrependei-vos (mudança total no modo de pensar e de viver), pois o Reino dos Céus está disponível”. Este é o problema. Quando levamos alguém a aceitar Jesus sem esclarecer bem para elas o compromisso total que é requerido, no princípio as coisas podem ir bem, mas mais cedo ou mais tarde, Jesus começará a cobrar Sua legítima soberania sobre a vida deles. Como estes convertidos não foram preparados para nada semelhante a isto, muitas vezes eles acabam deixando de andar com Ele. Ou muitas vezes aí começa uma longa e dolorosa luta com Deus sobre quem deve governar suas vidas. Poderíamos facilmente poupar as pessoas deste problema simplesmente lhes dizendo a verdade desde o princípio. Vamos dizer francamente a elas que nem deveriam começar a construir uma torre sem antes se sentar e fazer os cálculos completos dos custos. Tenho receio de que nós simplificamos demais o evangelho para conseguir “um grande número” de “salvos”, quando, na realidade, não estamos prestando serviço algum, seja a Deus, seja a eles. É também muito fácil imunizar convertidos com o Cristianismo fácil, tornando muito mais difícil para eles imaginar a verdade.

Este então, é o evangelho do Reino. É o Evangelho que Jesus pregou. Nós devemos nos arrepender porque existe um Reino espiritual que tem sido anunciado, no qual Deus deve ter controle absoluto sobre cada aspecto de nossas vidas. Ele deve governar nossas mentes, nossas emoções e nossa vontade. Nossos corpos devem ser Dele para serem usados para promover Seus planos e propósitos. Nosso dinheiro, nosso futuro, nossas esperanças e nossos sonhos, todas essas coisas têm que estar completamente submissas à autoridade de nosso Rei. Além disso, existe uma manifestação terrena, visivel, deste Reino que breve virá a esta Terra, do qual nós faremos parte, se assim o desejarmos.  Realmente, não há outro Evangelho. Embora usualmente se ouça outros aspectos dele, isto é o que verdadeiramente a Bíblia ensina.

O Reino de Deus hoje é um Reino espiritual, interior. É um Reino que não vem com visível aparência (Lucas 17:20,21). Isto quer dizer que ele ainda não foi manifesto externamente. A sujeição do coração de um homem a Jesus Cristo é uma coisa escondida. Para entrar neste reino que é de natureza espiritual, se requer primeiramente o novo nascimento espiritual. Assim como nascemos fisicamente para entrarmos neste mundo, assim também necessitamos nascer de novo, do Espírito de Deus, para entrarmos no reino espiritual de Deus (João 3:5). Este novo nascimento requer um elemento de submissão a Deus. Para tê-lo, precisamos nos arrepender de nossos pecados e admitir o direito de soberania de Jesus sobre nossas vidas. No processo, Ele nos purifica de nossos pecados com o Seu precioso sangue e nos faz “um” com Deus.

Uma vez que entramos na esfera de Deus estar reinando sobre nós, é essencial que continuemos a nos submeter a Ele se quisermos continuar experimentando o atual reino de Deus. Infelizmente, depois de entrarmos no reino de Deus, também é possível nos rebelarmos contra Ele. Como foi mencionado anteriormente, Jesus hoje só reina sobre aqueles que desejam que Ele o faça. Assim como nossa entrada no Reino depende de nosso desejo de preencher certos requisitos, assim também nosso desejo contínuo é crucial se desejamos ser Seus súditos. Deus não forçará ninguém a aceita-lo. Se não quisermos que Ele seja nosso rei, Ele não o será. Todos nós devemos escolher.

Eu gostaria de enfatizar aqui que existe uma escolha que devemos fazer a cada dia, se não mesmo a cada minuto de cada dia. Existe uma constante batalha sendo travada. Satanás deseja manter controle sobre nossas vidas e nos manter submissos a ele. Infelizmente, ainda existe uma velha natureza dentro de nós, um produto de nosso primeiro nascimento natural, que se alinha com o diabo contra Deus. Mas Jesus Cristo conquistou tudo o que há dentro de nós e tudo o que está no mundo, o qual é a esfera do diabo. A nova vida com a nova natureza que nasceu dentro de nós tem poder para superar toda oposição. Dentro de nós existe um poder sobrenatural para derrotar Satanás e seu reino.  O ponto essencial, entretanto, é a nossa vontade.  Precisamos estar inteiramente desejosos de nos submeter a Deus. Se o fizermos, Ele nos dará poder para vencer. Se não o fizermos, seja conscientemente ou não, acabaremos sendo servos do diabo. Quantos cristãos estão neste barco! Eles pertencem a Deus mas, em suas vidas diárias, estão perseguindo as coisas deste mundo e o seu próprio prazer e assim se tornam escravos do soberano deste mundo. Oh, como nós, crentes, necessitamos nos submeter totalmente, sem reservas, ao nosso justo Senhor e Criador! Que vergonha é quando seguimos em frente ao nosso próprio modo e, que glória para Deus quando desejamos viver em Seu Reino e permitimos que Ele seja senhor de nossas vidas!

Assim, vemos que há dois aspectos do Reino de Deus. Há a presente realidade espiritual, da qual podemos fazer parte e há a vindoura manifestação terrena dela.  Como já foi afirmado, nosso papel no Reino vindouro tem tudo a ver com a nossa participação no atual. Não seja enganado! Ninguém que sirva a si mesmo hoje, será recompensado amanhã. O Reino dos Céus que está por vir não se separa daquele que podemos experimentar hoje.  Eles são realmente a mesma coisa. Eles têm um rei, um propósito e uma realidade. Eu peço a você: submeta-se a Deus hoje!

UMA BREVE CRONOLOGIA

CAPITULO 3:

Cronologia: é “a ciência da averiguação dos determinados períodos em que eventos passados ocorreram e de organizá-los na ordem de ocorrência.” (Dicionário Webster).
Cronologia bíblica é, então, a ciência que coloca juntos os eventos e as datas encontrados na Bíblia.  Este capítulo é uma simples verificação do quadro de horários de Deus para o Seu trabalho nesta Terra e a localização de onde, aproximadamente, nós estamos nele.
Na Bíblia nós lemos: “porque em seis dias fez o Senhor os céus e a Terra, o mar e tudo o que neles há, e, ao sétimo dia, descansou.” (Ex 20:11). O trabalho de Deus de criação e de restauração desta terra atual consistiu de seis dias, seguidos de um sétimo dia de descanso. Deus não decidiu levar semanas, meses ou bilhões de anos para executar Sua obra. (O fato da Geologia e de outras ciências parecerem indicar uma Terra mais velha será tratado no capítulo 5.) Nosso Deus é capaz de fazer qualquer coisa. Ele poderia ter criado o Universo em 6 minutos se o tivesse desejado.  Devemos imaginar que o próprio tempo é uma invenção de Deus, o qual Ele está usando para cumprir os Seus propósitos. O fato de estarmos sujeitos ao tempo não significa que Ele também esteja. Ele existe eternamente e é Todo Poderoso; não há Nele qualquer limitação que seja.

Entretanto, nosso propósito real aqui é examinar a razão pela qual Deus fez os céus e a terra em seis dias, descansando no sétimo. Por que Ele fez as coisas deste modo? Por que não fez em 8, em 5 ou mesmo em 50?  Já que não existe nada acidental registrado na Bíblia, ou nada que não tenha algum sentido para nós, talvez haja algo que podemos deduzir daí sobre Deus e sobre a Sua criação. Dessa forma, o restante deste capítulo será uma investigação dos sete dias de Deus.

Há um outro versículo significante na Bíblia que também fala sobre “dias”. Pedro, em sua segunda epístola, coloca a questão do final dos tempos e da segunda vinda do Senhor. Neste contexto, ele diz: “Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para com o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos, como um dia” (2A Pedro 3:8). Neste versículo está a chave para compreender os seis dias da criação.  Ele contém um fato que o escritor considerou muito importante e que desejava que os crentes não ignorassem. Aqui encontramos uma equação simples. Um dia é igual a mil anos e mil anos são iguais a um dia.  Para ir um pouco mais além, podemos dizer que um dia da criação representa mil anos do tempo que Deus outorgou ao homem nesta terra e mil anos correspondem a um dia da criação. Com receio de que alguns de vocês acreditem que estou indo longe demais, vamos investigar alguma cronologia bíblica.

Embora muitas pessoas não imaginem, através dos anos, alguns homens de Deus eruditos têm estudado a cronologia bíblica. Entre eles estão: Teófilo Antíoco (3º séc AD), Clemente da Alexandria (3º séc AD), Eusébio (265-340 AD), Wm. Hales (1809), J. N. Darby e Martín Anstey, só para citar alguns.

Uma publicação que pode ser do interesse dos leitores é “Cronologia do Velho Testamento” de Martin Anstey, publicada por Kregel Pu-blicações em Grand Rapids, MI.

Estes homens e outros tantos têm traçado freqüentemente uma fina linha de datas através das Escrituras para chegar a uma idéia correta de quantos anos se passaram desde a criação de Adão e Eva, assim como a data de eventos importantes, tais como a Aliança de Deus com Abraão e a vinda de Cristo. Embora não haja dois destes homens concordando plenamente sobre cada data, é interessante que, quase sem exceção, eles estão muito próximos um do outro. Dentro de uma margem razoável de “erro científico” e considerando a grande idade dos documentos e datas com as quais eles precisam trabalhar, eles essencialmente concordam. A maioria deles fica num período entre cem e duzentos anos.
Agora, para uma pessoa simples como eu, tal estudo profundo da história antiga está um pouco além do meu alvo. Mas, já que estes eruditos concordam um com o outro de uma maneira razoável, estou inclinado a aceitar sua erudita opinião. A breve cronologia de Pedro, o pescador, está mais de acordo comigo. A coisa surpreendente, entretanto, é ver como Pedro e os eruditos concordam. O estudo deles e a revelação de Pedro não se contradizem. Como se deveria suspeitar, a investigação intelectual honesta serve somente para confirmar mais ainda a Palavra de Deus.

Você imagina que, de acordo com a Bíblia, a Terra atual existe há seis mil anos? Desde os seis dias da criação até agora, cerca de seis mil anos se passaram.  Uma outra coisa interessante é que, desde o princípio deste mundo até Abraão se passaram 2 mil anos; de Abraão até Cristo, mais 2 mil anos e do nascimento de Cristo até hoje, dois mil anos. Isto não é coincidência. O plano de Deus e o Seu modo de executá-lo desde a Criação são muito metódicos. Não há nada casual ou incoerente neles. As coisas estão acontecendo conforme Ele pretendia que ocorressem e, conforme o tempo passa, Seu plano perfeito se desenrola.
Vamos admitir que, quando Pedro escreveu sobre um dia ser como mil anos, ele queria dizer algo específico e não estava simplesmente sendo um poeta. Imagine por um momento que, quando Deus falou estas palavras por intermédio de Pedro, Ele estava nos revelando algo que poderia ser usado para compreender Seu quadro de horários e que Ele estava nos falando sobre o final dos tempos. Para ir mais além, vamos crer apenas no que a Bíblia diz e prestar atenção a isto. Deus escolheu fazer a terra, o céu, o mar e tudo o que neles há em seis dias porque Ele já havia decidido que o tempo do homem sobre a terra seria de seis mil anos (claro que não vamos nos esquecer do sétimo). Como o “Eu Sou” da Criação conhece tanto o princípio como o final, Ele planejou fazer as coisas desta forma. Muito mais tarde Ele revelou isto ao Apóstolo Pedro para nossa edificação e benefício.
Todas estas observações apontam para uma coisa. Nós estamos rapidamente nos aproximando do final dos tempos. Estamos muito próximos do momento de sua conclusão. Esta-mos no limiar da segunda volta de Cristo e do estabelecimento do Seu Reino Milenar (mil anos) sobre esta Terra. E tudo isto corresponde exatamente aos seis dias da criação e ao sétimo dia do sábado de descanso. A simples cronologia do Apóstolo Pedro é correta e é confirmada por todas as outras Escrituras. As palavras proféticas da Bíblia, incluindo as palavras de Jesus referentes à restauração de Jerusalém para os judeus (Lucas 21:24) e o vindouro Reino Milenar de Cristo (Ap 20:4) apontam para este fato: estamos rapidamente nos aproximando do final dos seis dias, a conclusão dos tempos.

Nós dissemos tudo isto para chegar a uma conclusão e esta é que está chegando o sétimo dia, um período de mil anos que é o Reino Milenar de Jesus Cristo. Deus ainda não terminou Seu trabalho com a Terra. Se Jesus voltasse hoje, ainda restariam pelo menos mil anos para que esta terra permanecesse. O próximo passo para o povo de Deus não é o céu. Aqueles que já estão com o Senhor voltarão com Ele e o ajudarão a estabelecer Seu Reino Celestial na Terra (Judas 14). Deus ainda tem algum trabalho a fazer aqui neste mundo. E o Seu povo tem o privilégio de ajudá-lo a realizar isto. Jesus está agindo para subjugar toda a Terra. Todas as nações, as pessoas que vivem nelas e até mesmo os animais e o meio ambiente serão colocados sob o domínio Dele. Este é o Reino dos Céus vindo à Terra.  Esta é a resposta do Pai à primeira parte da oração do “Pai Nosso” : “Venha o Teu reino, assim na Terra como no Céu” (Mat 6:10).

Vamos agora fazer um breve sumário. Deus sempre existiu e sempre existirá, eternamente. Assim, antes que a Terra fosse criada, Ele já existia, sem que o tempo existisse, no que pode ser chamado de “eternidade passada”. Em um determinado momento, Ele criou a terra e, depois de uma conferência consigo mês-mo, decidiu fazer o homem e colocá-lo nela (Gen 1:26). No processo, Ele também criou o que chamamos “tempo” e sujeitou o homem a ele. O processo de criação durou seis dias mais um de descanso, o que corresponde ao tempo que Deus permitiu ao homem morar na Terra e cumprir Seu propósito. Estes sete dias são uma prefiguração dos sete mil anos durante os quais o homem deve habitar esta Terra atual. Então, depois dos últimos mil anos que constituem o Reino de Cristo, Deus dissolverá a ambos, o velho Céu e a velha Terra.  Haverá, então, novo Céu e nova Terra. Isto é o que a maioria das pessoas chama de “eternidade”. Para os nossos propósitos, vamos chamá-la de “eternidade futura”. Então, foi permitido ao homem viver na Terra por um período de sete mil anos entre estas duas “eternidades”.

É no final dos últimos mil anos que a Nova Jerusalém, a noiva de Cristo, é vista descendo do Céu, vinda de Deus (Ap 21:10). Esta cidade santa se localizará na Nova Terra que Deus irá criar. A Nova Jerusalém e a Nova Terra são aquilo a que as pessoas se referem quando falam em passar a eternidade “no céu”. Na realidade, não é o céu, mas uma nova criação completa.  Claro que será celestial em sua natureza. De fato, será muito melhor do que o atual céu, já que este que existe agora foi poluído pelos anjos caídos e passará completamente (Marcos 13:31). Se o céu de hoje fosse o que Deus considera perfeito, não haveria necessidade de destruí-lo (2a. Pedro 3:10-13). Não, o que Deus preparou para aqueles que O amam é realmente glorioso.  É uma criação inteiramente nova, que não pode penetrar nas mentes humanas, mas que Deus revelou aos Seus servos (1a Cor 2:9-10).
Agora, uma palavra de alerta. Embora esta pequena cronologia de eventos seja muito simples, também não podemos ter certeza do seu exato momento. Fomos avisados sobre a ordem das coisas que virão, mas não exatamente sobre quando elas ocorrerão.

Na verdade, as Escrituras nos dizem clara-mente que ninguém sabe o dia ou a hora (Mat 24:36).  Especificamente, não sabemos exa-tamente quando Nosso Senhor Jesus Cristo voltará e anunciará o Reino Milenar. Deus nos deu as profecias e o calendário de seis mil anos, mas ninguém sabe perfeitamente quando as coisas ocorrerão.

Já foi mencionado que os estudiosos da cronologia bíblica parecem concordar com um período entre cem e duzentos anos. Mesmo eles, ainda que sendo sábios, não podem estar certos da data. Sabemos que será cerca de dois mil anos depois da primeira vinda de Cristo. Mas quando devemos começar a contar? Deve-mos contar a partir de Sua morte ou de Seu nascimento? Conforme você sabe, nosso calendário se inicia aproximadamente na data de Seu nascimento (2 a 5 anos antes ou depois). Só porque a história secular escolheu esta data como ponto de referência, isto não significa que Deus a tenha escolhido. Um argumento muito poderoso pode ser o de que a Sua morte no Calvário é o verdadeiro ponto central da história e o ponto decisivo da humanidade. O que estou dizendo é que, muito embora o ano 2000 DC tenha chegado e passado e Jesus não tenha voltado, você não deve desistir de sua fé. Deus não é lento, conforme os homens consideram lentidão. Apenas, Ele não deseja que ninguém pe-reça.  Se fôssemos calcular os dois mil anos a partir de Sua morte e ressurreição, não deveríamos esperá-lo antes do ano 2.030 DC.

Na realidade, o versículo em 2a. Pedro sobre o qual temos falado foi escrito para focalizar este problema.  As pessoas que têm estado esperando o Senhor e aguardando a Sua vinda se desapontarão e se desiludirão. Mais para o final, alguns começarão mesmo a zombar e a perguntar: “Onde está a promessa de Sua vinda?” Não há dúvida que muitos estarão questionando sobre se Ele vai se demorar muito mais do que achamos que deveria. Alguns mestres da Bíblia começarão a inventar novas doutrinas para explicar a demora do Milênio e/ou da segunda vinda. Muitos cristãos podem até mesmo deixar de seguir Jesus porque suas esperanças foram elevadas tantas e tantas vezes por pregadores profetizando o advento de Cristo e então malogradas quando isto não aconteceu. Nos dias atuais, quando a perversidade é abundante, há uma grande tentação para que o nosso amor pelo Senhor se esfrie.  Enquanto os outros estão aproveitando os prazeres do pecado por uma temporada, Jesus está nos pedindo para negar a nós mesmos e seguí-lo. Se a Sua vinda não coincide com as nossas expectativas, podemos ser tentados a descrer e apostatar da fé. Eu mesmo esperei que a volta de Jesus fosse no século 20. Mas, já que Ele ainda não veio, pela Sua misericórdia, eu não vou abandonar a minha fé e nem você deveria deixar a sua.  Nossa fé não deveria se basear em um calendário, mas sim Nele.

Na verdade, as Escrituras ensinam que deveríamos viver cada momento como se Ele fosse voltar hoje. Nossas vidas e nossos corações deveriam estar prontos para Ele. A atitude que devemos cultivar é a de constantemente observar e esperar. Se fizermos isso, então estaremos prontos.

Então Ele nos encontrará fazendo a Sua vontade.  Conforme nós, voluntariamente, nos sujeitamos à Sua liderança e vivemos em Seu reino hoje, não haverá problema amanhã. “Abençoado é o servo que o Senhor encontrar agindo assim (Lucas 12:43).

UM BREVE SUMÁRIO DA CRONOLOGIA DE DARBY.
 
 

Anos
Desde a criação até o dilúvio, quando Noé tinha
600 anos (Gen 5:29,7:11)
1656
Desde o dilúvio até o nascimento de Terá (Gen
11:10-25)
222
Quando seu pai morreu, com 202 anos, Abraão tinha 75
anos
130
O que fixa o seu nascimento, desde a criação 2,008
Sua entrada na Terra de Canaã ocorreu 75 anos mais
tarde (Gen 12:4)
75
Até o Êxodo do Egito (Gen 15:13-16 e Ex 12:40) 430
Até a construção do Templo 480 anos mais tarde 480
Duração do reinado de Salomão menos 3 anos já passados
(1a Reis 6:1)
37
Reis de Israel e de Judá até o cativeiro na Babilônia 370
Tempo do cativeiro + 70 anos e até Nee-mias, mais 80
anos
150
69 semanas menos 33 anos (Daniel 9:26) 450
Da criação até o nascimento do Messias  4,000

O DIA DO SENHOR

CAPITULO 4

O Dia do Senhor é o sétimo (e último) dia de mil anos deste mundo. Ele começa com o aparecimento de Jesus Cristo – a “segunda vinda” – e termina com o advento da eternidade futura. O Dia do Senhor é também o Reino Milenar sobre o qual temos falado. Alguns cristãos, não imaginando que o Dia do Senhor é um dia de mil anos, freqüentemente se confundem quando lêem versículos referentes a ele. Espero que este capítulo sirva para ajudar a esclarecer esta confusão.

Parte deste engano na compreensão do Dia do Senhor tem origem no fato de que, quando a Bíblia menciona o Dia do Senhor, ela não fala apenas da vinda de Jesus nas nuvens e do julgamento dos santos, mas também fala dos céus e da Terra sendo dissolvidos e se acabando (2a Pedro 3:10). Lendo versículos como este, uma pessoa pode ser levada a acreditar que a volta de Jesus é o princípio da eternidade. Este não é o caso.  Com o conhecimento de que o Dia do Senhor é um dia de mil anos, toda a perplexidade desaparece. Muitas coisas acontecem durante o Dia do Senhor e neste capítulo vamos estar investigando algumas delas.

Um dos primeiros eventos a ocorrer durante o Dia do Senhor é algo que já mencionamos – o julgamento dos crentes. Quando Jesus voltar, nós subiremos para encontrá–lo nos ares e, então, voltaremos com Ele para a Terra para ajudá-lo a estabelecer Seu Reino Milenar.  Depois do arrebatamento (termo usado para a subida dos santos para os ares) e antes de começarmos a desempenhar nosso papel no Reino de Cristo, haverá um julgamento. Todos nós estaremos diante do trono de Cristo e prestaremos contas das coisas que fizemos enquanto estivemos na carne (2a Cor 5:10). A palavra “nós” aqui se refere aos crentes, já que esta epístola foi dirigida a eles. Este julgamento é diferente do juízo final de todas as pessoas, que ocorrerá no final do Milênio, o qual é chamado “o julgamento do Grande Trono Branco”.

O “julgamento do Tribunal de Cristo”, por outro lado, acontece antes do Milênio e envolve apenas crentes.  Será neste primeiro julgamento que as coisas que fizemos serão pesadas. O julgamento dos crentes é um elemento essencial no Dia do Senhor. Há muitos aspectos interessantes nele que os cristãos precisam compreender; entretanto, a maioria deles será verificada nos próximos capítulos. Aqui é suficiente dizer que haverá um completo exame dos crentes no princípio do Dia do Senhor e antes da entrada deles no Reino Milenar junto com Ele.

Por favor, permita-me tomar alguns minutos aqui para fazer referência ao arrebatamento, que assinala o princípio do Milênio. Este é o evento no qual todos os santos de Deus são retirados da Terra para encontrar o Senhor nos ares (1a Tess 4:17). Descrevendo este evento, Jesus diz que: “Onde estiver o cadáver, aí estarão os abutres” (Mat 24:28). Esta é uma referência ao grande número de abutres que circulam no ar sobre a carcaça de um animal morto. Não se ofenda por Jesus ter usado uma analogia com abutres. Não há conotação negativa nisto. É simplesmente a mais natural ilustração que Ele poderia usar para que qualquer pessoa de Seu tempo pudesse compreender. Esta é uma visão muito comum em muitas partes do mundo hoje.

Quando o Senhor surgir, todos os crentes estarão reunidos com Ele. Não importa onde estivermos, seremos elevados nos ares e nos reuniremos no lugar onde Ele estiver. Nós O encontraremos no ar e depois voltaremos com Ele para a Terra. E para onde Ele estará vindo?  Ele virá para Jerusalém. Seus pés tocarão o Monte das Oliveiras, a terra se abrirá numa fenda e muitos fugirão para esta fenda procurando proteção (Zac 4:4,5). Todos os crentes serão testemunhas oculares deste evento. Não apenas serão todos elevados, mas os mortos em Cristo se levantarão de suas sepulturas e subirão, primeiro, para encontrá-lo nos ares. “Porque o próprio Senhor, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo, ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor” (1a Tess 4:16,17).

Uma vez um amigo meu compartilhou comigo uma idéia interessante sobre a palavra “encontrar”. Ele disse que, nos dias do Velho Testamento, quando um rei vitorioso estava voltando para a sua cidade com o seu exército e com todos os seus prisioneiros, os habitantes daquela cidade saíam para encontrá-lo e então voltavam junto com ele para a cidade, a fim de celebrar sua vitória. Que quadro! Isto retrata exatamente a maneira como vai ocorrer o arrebatamento.  Nós subiremos para encontrá-lo nos ares e então retornaremos com Ele para a Terra. A razão para sermos arrebatados parece ser, principalmente, a reunião de todos os crentes num mesmo lugar. Quando o Senhor voltar, seremos elevados para o lugar em que Ele estiver a fim de podermos voltar com Ele para o lugar ao qual Ele irá – a cidade de Jerusalém, na Terra de Israel. Agora, para evitar confusão, precisamos nos lembrar de uma coisa: este evento não é o princípio da eternidade. É apenas a primeira parte do Dia do Senhor, o dia para o qual todos nós deveríamos estar olhando.

Muitos pensam que o julgamento que acontecerá nesta ocasião se dará enquanto estivermos suspensos nos ares. Outros especulam que iremos com o Senhor de volta para o céu, onde esperaremos por um tempo para depois voltarmos com Ele, assim exigindo vários “aparições” de Jesus Cristo no final dos tempos.  Entretanto, parece possível que o julgamento dos crentes pode ocorrer aqui mesmo na Terra. Uma coisa que as Escrituras nos ensinam claramente é que haverá tal julgamento e que nós estaremos envolvidos nele.
Uma coisa que sabemos com certeza é que, quando formos arrebatados, nossos corpos serão glorificados.  Nós lemos: “num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1a Cor 15:52). Oh, que glória haverá naquele dia! Nossos corpos desprezíveis serão feitos celestiais. Os maus efeitos da queda – a morte operando em nossos corpos – serão completamente eliminados. Receber nossos corpos glorificados é apenas o começo, um passo preparatório para herdarmos o reino que Cristo está preparando.

Note bem que este versículo nos conta exatamente quando o arrebatamento ocorrerá “ao som da última trombeta”. A maioria dos cristãos devem saber que haverá o soar de sete trombetas durante o período da tribulação (Veja Ap 8:2). Para que esta trombeta da qual Paulo fala possa ser “a última trombeta”, é necessário que ela aconteça DEPOIS das sete trombetas mencionadas no Apocalipse ou que, possivelmente, ela seja a sétima. Isto colocaria o tempo do arrebatamento no final do período da Tribulação ou, pelo menos, perto do fim. Uma outra passagem que pode trazer alguma luz sobre a ocasião deste evento, é Mateus 24:29-31, onde lemos: “Logo em seguida à tribulação daqueles dias, ....e Ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”. Embora haja alguns que insistem em que “os eleitos” ou “escolhidos” aqui se referem aos judeus e não aos cristãos, esta idéia não se encaixa com as profecias do Velho Testamento que dizem que “as pessoas” da Terra e não os anjos trarão os judeus de volta a Israel depois da volta do Senhor (Isaias 49:22). Além disso, os crentes sempre são chamados de “eleitos de Deus” (Rom 8:33, Col 3:12, Lucas 18:7). Na verdade, o tempo do arrebatamento não é o tema central deste livro. Nem deveria ser um ponto de controvérsia. Estou apenas oferecendo estes pensamentos ao leitor pra que os contemple e tire suas próprias conclusões. Mas, por favor, não se distraia do conteúdo do resto do livro. A ocasião do arrebatamento tem muito pouca relação com o resto da mensagem.

O DIA DE SÁBADO

Muitos de vocês devem saber de cor o versículo que diz: “porque em seis dias fez o Senhor os céus e a Terra e o mar e tudo o que neles há, e no sétimo, descansou” (Ex 20:11). Este sétimo dia é o dia de Sábado. É o dia de descanso do Senhor. Ele não era apenas o descanso inicial de Deus, mas também prefigura um outro dia de descanso, o Dia do Senhor. O Reino Milenar é o sétimo dia de mil anos, que também é o dia de descanso para Deus e para o Seu povo. Embora não seja o descanso final ou o descanso completo que ocorrerá na eternidade, ainda assim é um descanso parcial que Deus estará tendo e nós, povo de Deus, o estaremos gozando junto com Ele. O autor de Hebreus menciona no cap. 3 e 4 este descanso de Deus que está chegando e ele exorta os seus leitores a se empenhar para entrar nele “temendo que suceda parecer que algum de vós tenha falhado” (Heb 4:1). Talvez valha a pena parar aqui e ler estes dois capítulos (Heb 3 e 4) para ver como a idéia se adapta ao contexto deles.

O dia de sábado não é apenas uma prefiguração do descanso que teremos com Deus no Milênio. É também um tipo de descanso que podemos ter em Jesus Cristo. Hoje podemos entrar espiritualmente no sábado de descanso de Deus através de Jesus. Na verdade, esta é uma verdadeira chave para uma experiência cristã viva.  Precisamos aprender a parar com nossas próprias obras, isto, a fazer por nós mesmos e com nossa própria energia tudo aquilo que desejamos para nós e descansar em Deus. Não me interprete mal. Este descanso não significa que você não deve fazer nada. É apenas uma suspensão de fazer suas próprias coisas.

Quando os fariseus desafiaram Jesus por Ele não guardar o sábado, Ele disse: “Meu Pai tem estado trabalhando até agora e eu trabalho também” (João 5:17). Muito embora Deus tenha descansado depois de ter criado os céus e a Terra, Jesus nos diz que Ele ainda está trabalhando. Ele ainda está fazendo algo para cumprir Seus propósitos. A razão pela qual Deus continua a trabalhar é que seu inimigo, o diabo, corrompeu o que Ele fez originalmente e assim surgiu uma necessidade Dele fazer alguma coisa para executar Seus planos.

Sim, hoje Jesus Cristo está trabalhando e nós deveríamos estar trabalhando com Ele. Devemos realizar “as boas obras, as quais Deus preparou para aqueles que caminhariam com Ele” (Ef 2:10). Entretanto, tal trabalho também pode significar descanso. Se nós permanecemos Nele e confiamos em Sua força para executar Sua ordem, nós encontraremos paz. Ele nos explica que “Seu jugo é leve e Seu fardo é suave e que encontraremos descanso fazendo Sua obra” (Mat 11:29-30). Quando nos empenhamos e tentamos arduamente servir ao Senhor, quando sentimos que estamos cansados e exauridos, esta é apenas uma indicação que não estamos experimentando o descanso de Deus. Não entramos no descanso sobrenatural que está disponível a nós. Claro que sabemos que este descanso é incompleto. Durante o Dia do Senhor nós gozaremos um descanso muito mais profundo e, na eternidade, um descanso completo.

Uma razão para que sejamos capazes de descansar durante os mil anos é que Jesus Cristo derrotará todos os Seus inimigos. Lemos nas Escrituras que Ele deve reinar até ter colocado todos os Seus inimigos debaixo de Seus pés (1a. Cor 15:25). Este Milênio ou “Reino de Jesus Cristo” é um outro aspecto do Dia do Senhor.  Nele, o Senhor vai estabelecer Sua justa soberania sobre toda a Terra. Todos os povos, nações, animais e mesmo a própria natureza será subjugada por Ele. Lemos que Ele reinará sobre as nações com um cetro de ferro (Ap 2:27). Somos também ensinados que os leões comerão palha como o boi e as crianças estarão seguras mesmo tendo ao redor feras venenosas (Is 11: 6-8). Soa como se todo o curso da natureza tivesse se alterado para ficar em paz. No final do Milênio o Filho vitorioso entregará o Reino que Ele próprio subjugou ao Deus Pai, para que Deus possa ter a completa soberania sobre tudo aquilo que Ele fez (1a Cor 15: 24-28).

Durante o reinado de Cristo, Ele fará todas as coisas perfeitas. Ele acabará com a injustiça, limpará toda a sujeira de poluição e colocará um ponto final na guerra (Miquéias 4:3). Todos os crimes cometidos serão punidos de uma maneira justa e imparcial, que apenas o próprio Deus pode administrar. Muitas coisas deste nosso maldoso mundo atual que nos deixam perplexos e nos afligem, serão corrigidas quando Jesus voltar. Ele reinará perfeitamente sobre este mundo. Uma outra coisa que favorecerá grandemente a correção desta confusão que é este mundo atual, é que o diabo será acorrentado por mil anos. Durante este tempo ele estará amarrado e lançado no abismo profundo (Ap 20:2-3). A influencia de Satanás – sua soberania sobre este mundo atual – será eliminada e Jesus Cristo ocupará o Seu lugar como Rei. Jesus estará reinando e estabelecendo Seu reino sobre as pessoas e sobre as nações da Terra.

Infelizmente esta soberania de Jesus Cristo será, em muitos casos, apenas uma subjugação exterior. Quando o diabo for solto novamente por um pouco de tempo após o final dos mil anos, todas as nações irão segui-lo em uma rebelião contra o Senhor (Ap 20:7-9). Elas se reunirão em um grande exército e cercarão a cidade santa para lutar contra Ele e contra os Seus santos.  Esta rebelião termina quando o fogo cai do céu e os consome (Ap 20:9). Este trágico episódio ilustra graficamente um fato importante: o Reino Milenar não alcançará o coração de todos os homens. Embora toda a Terra esteja exteriormente subjugada por Jesus, internamente a natureza má do homem caído continuará vivendo. A natureza pecadora que eles herdaram de Adão ainda existirá. Muito embora externamente possa haver justiça com o cessar das manifestações pecaminosas, os corações dos homens não mudam, a menos que eles tenham uma experiência real e pessoal com Deus. Sem este ingrediente essencial, todos os pecados interiores como avareza, gula, luxúria, ódio - coisas que não podem ser vistas do lado externo – ainda estarão ativas nos corações destas pessoas que habitarão a Terra durante o Reinado de Cristo. Como somos abençoados hoje por termos a oportunidade de conhecer Jesus pessoalmente – ter a Sua vida vivendo dentro de nosso ser e nos limpando de toda sujeira interior.  Através do Espírito que em nós habita, Ele pode purificar nossas vidas da natureza pecadora que nos leva a praticar coisas imorais. Ele pode nos salvar completamente de todo o mal que existe em nossos corações. Nós, cristãos, somos capazes não apenas de parar com estas obras pecadoras externas, mas também podemos ser transformados interiormente para ser como Jesus. Oh, que salvação!

Um outro aspecto do Reino terrestre de mil anos de Jesus é que ele é o cumprimento da promessa de Deus ao Rei Davi de que nunca faltaria alguém de sua semente para sentar-se em seu trono. Davi, o Rei de Israel, ouviu a promessa que um de seus descendentes reinaria em seu lugar para todo o sempre (2a. Samuel 7:12,13).  Este descendente é o “príncipe da paz”. Seu reino não terá fim. (Isaias 9:6,7). O que Deus prometeu a Davi, Ele fará e nós seremos parte disto.

O Reino de Cristo é também o cumprimento da promessa de Deus a Abraão de que a sua semente herdaria a Terra de Israel e a possuiria para sempre (Gen 17:8). Quando Jesus Cristo voltar, Ele reunirá todos os judeus de todas as nações para onde eles haviam se espalhado –até mesmo o último deles – e os trará de volta para a Terra de Israel (Ezequiel 39:28). Depois disto Jesus, de acordo com o capítulo 48 de Ezequiel, irá distribuir esta terra entre as doze tribos. Estes versículos em Ezequiel são bem interessantes para se ler. Eles detalham a divisão da terra minuciosamente.  Também é mencionado aqui o fato que haverá uma faixa de terra indo do leste para o oeste, chamada a terra do príncipe (Ezequiel 48:9-10) (ver diagrama no final do livro). É nesta terra que o povo de Deus pode estar morando. E é da cidade de Deus, chamada naquele tempo “O Senhor está aqui” que Ele estará reinando (Ez 48:35). A semente de Abraão, os judeus segundo a carne, herdarão a Terra que Deus prometeu. Aqueles que são a “semente da fé”, os crentes judeus do Novo Testamento e os crentes gentios, irão reinar sobre a Terra com Ele. Aqui está novamente o cumprimento literal das promessas de Deus.

Claro que não sabemos exatamente como ocorrerá o nosso reinar com Cristo. Uma coisa sabemos, entretanto, é que estaremos em nossos corpos glorificados, que são corpos semelhantes ao que Jesus tem desde a Sua ressurreição. Este corpo não se confina a tempo e espaço. Na Bíblia está registrado que Jesus atravessou paredes e aparecia à vontade, onde desejasse. Sem dúvida nossos novos corpos também terão estas mesmas capacidades. Assim, durante o Milênio, provavelmente nós não seremos limitados em nossas habilidades com relação a tempo e lugar.

As Escrituras não afirmam especificamente se a nossa presença e o nosso “reinar” durante este tempo será totalmente realizado pelos habitantes da Terra. Embora possamos ser visíveis para eles e conhecidos por eles, é também possível que isto não aconteça. Hoje em dia há governos espirituais deste mundo, dirigidos pelo diabo, que não são vistos pelos homens, mas que, entretanto, exerce completo controle sobre eles. O papel dos crentes no reino vindouro poderia ser concebível como semelhante a isto. Uma outra possibilidade é que eles podem funcionar como os Juizes do Velho Testamento (Veja Mat 19:28). Embora seja impossível tirar uma conclusão definitiva, certamente sabemos que iremos reinar com Cristo nesta Terra (Ap 5:10).

As pessoas da Terra sobre as quais aqueles que estão com Ele irão reinar, são os descendentes dos homens e mulheres que sobreviveram à Tribulação. Durante a grande Tribulação, uma grande parte da população do mundo será morta por várias pragas e julgamentos de Deus. Também na Batalha do Armagedom (que acontece imediatamente antes do retorno de Jesus Cristo), literalmente milhões de soldados serão mortos. A Bíblia descreve o número de pessoas que estarão na Terra depois deste acontecimento como se fosse uma oliveira chacoalhada (um método de colher azeitonas) e como uma vinha depois de ter sido podada (Isaias 24:13). Em outras palavras, durante a primeira parte do Milênio, os habitantes da Terra não serão muitos.  Mas mil anos é um longo tempo e estes homens, sem dúvida, se multiplicarão. Sem guerras e outras calamidades, eles aumentarão muito rapidamente e a Terra será novamente povoada.

A FESTA DO CASAMENTO

O Reino Milenar não há apenas o Dia de Mil anos do Senhor, o dia do Julgamento dos crentes, o Dia do Julgamento dos descrentes que se opões a Ele na Batalha do Armagedom, o sétimo dia, o dia sábado de descanso e o dia da restauração do Reino de Deus, mas também há o dia do casamento do Senhor. Talvez muitos de vocês tenham ouvido ou lido sobre a festa das Bodas que está sendo preparada. O conceito geral entre os cristãos parece ser o de que, quando o Senhor voltar e nós formos arrebatados para encontrá-lo, todos se sentarão imediatamente em uma grande mesa e engolirão uma imensa festa. Possivelmente haverá peru, presunto ou algo assim (bem, provavelmente não presunto) e então todos voltaremos à Terra para estabelecer o Reino. Algumas pessoas pensam que esta festa ocorrerá durante uns poucos dias. Outros supõem que levará semanas ou mesmo de 3 anos e meio a sete anos.

Mas, vamos considerar por um instante que esta é a festa de casamento do Filho de Deus. Não é um acontecimento pequeno ou de pouca importância. Este deve ser o mais significativo e supremamente santo e espetacular casamento que já ocorreu em todo o Universo. Esta não será uma festa de alguns dias ou mesmo de sete anos. Não haverá nada apressado na festa do casamento de Deus. Esta festa estará acontecendo realmente durante mil anos porque o Dia do Senhor é também o dia das Bodas do Senhor e é durante “este dia” que nós estaremos festejando. Jesus disse: “Assim como Meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio para que comais e bebais à minha mesa no meu reino e vos assentareis em tronos para julgar as doze tribos de Israel” (Lucas 22:29-30). Um outro versículo que reforça esta idéia é Mateus 8:11, onde lemos: “Muitos virão do leste e do oeste e se sentarão com Abraão, Isaque e Jacó no Reino”. Esta frase “se sentarão” significa literalmente “se reclinarão” e está falando sobre como os judeus dos dias de Jesus se reclinavam quando comiam e festejavam juntos (Veja também João 13:25).

Nos tempos bíblicos, parece que a maneira como as pessoas celebravam um casamento era fazendo uma grande festa e convidando toda a família e todos os seus amigos. Eles começavam de manhã a comer e a beber e a se divertir. Todos os convidados tinham um tempo muito bom com seus parentes e companheiros. Eles festejavam durante todo o dia, até a noite, quando a noiva e o noivo se retiravam para consumar o matrimônio. É exatamente assim que será o Dia do Senhor. Sabemos pelas Escrituras que é no final do Milênio que as Bodas (o casamento do Cordeiro) acontecem (Ap 21:9-27). É quando se consuma o matrimônio de Cristo com a Sua santa noiva. Não é assim: nossa celebração de uma festa, a corrida para reinar com Cristo por mil anos e então ser envolvido, mais tarde, no casamento.  Não, o banquete do casamento de Jesus Cristo se prolongará por mil anos. Nosso reinado com Cristo, nosso descanso com Cristo e nossa festa junto com Cristo são simplesmente aspectos diferentes do mesmo período de tempo. Este é o Reino Milenar.
No livro do Apocalipse, nas cartas às sete igrejas, Jesus não fala apenas de sentarmos com Ele em Seu trono (reinando) (Ap 3:21) e (governando) as nações com um cetro de ferro (Ap 2:27), mas Ele também promete que nós comeremos do maná escondido e da árvore da vida (festejando) (Ap 2: 7,17). Estes versículos retratam dois aspectos da vida no Reino do qual faremos parte. Durante os mil anos do reinado de Cristo, estaremos festejando com Jesus Cristo e em Jesus Cristo. Ele explicou aos Seus discípulos que Ele é o pão da vida que desceu dos céus. Ele é a nossa festa. Certamente não necessitaremos de peru, bife ou qualquer comida física para nos sustentar. Nosso desejo será dos elementos sobrenaturais da vida divina de Jesus.

Hoje temos um aperitivo disto. Naquele dia teremos o sabor completo. O vinho novo será abundante e o maná celestial se espalhará por toda parte. Nenhuma das pessoas escolhidas por Deus passará fome. Poderemos então festejar em Jesus Cristo e ficar totalmente satisfeitos. Claro que é uma boa idéia manter o nosso apetite preparado. Não há dúvida em minha mente de que a nossa capacidade de saborear Deus naquele dia será muito dependente de como desenvolvemos esta capacidade agora. Se aprendemos a nos alimentar do Senhor, da Sua Palavra e da oração e a ter momentos de intimidade diária com Ele usufruindo de Sua presença, então acredito que o nosso regozijo Nele durante o Milênio será muito maior. Vale a pena, eu diria, caminharmos nesta direção. Seremos recompensados hoje por nossos esforços, mas também seremos recompensados grandemente no tempo que está por vir.

NO PRINCÍPIO

CAPITULO 5

No princípio, criou Deus os céus e a Terra. E, como parte deste trabalho criativo, Ele fez muitos anjos, um dos quais foi chamado de Lúcifer. Ele era o mais poderoso e belo anjo que Deus fez. Provavelmente ele foi também o primeiro ser criado. Em Isaias cap. 4, vers 12, ele é mostrado como “a estrela da manhã, o filho da alva”. Este verso alude ao fato que, na aurora da criação,quando Deus estava apenas começando Suas obras magníficas, o anjo Lúcifer foi criado. Ele não só era o anjo maior e mais poderoso, mas também era um querubim que morava próximo à real presença de Deus. Ezequiel cap. 28 revela alguns fatos interessantes sobre Lúcifer, conhecido hoje como Satanás. Embora aqui o profeta esteja falando sobre alguém chamado de “o rei de Tiro”, a maioria dos intérpretes bíblicos concorda que esta passagem se refere ao diabo em seu estado original. Nenhum homem ou ser terreno poderia se adequar à tal descrição.

Vamos ler juntos, começando com o vers. 12, a segunda parte do verso.

“Assim diz o Senhor Deus : “Você era o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; de todas as pedras preciosas te cobrias: o sárdio, o topázio, o diamante, o berilo, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo e a esmeralda; de ouro se te fizeram os engastes e os ornamentos; no dia em que foste criado foram eles preparados. Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti. Na multiplicação do teu comércio se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei profanado fora do monte de Deus, e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; lancei-te por terra, diante dos reis te pus, para que te contemplem. Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio, profanaste os meus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo que te consumiu e te reduzia cinzas sobre a terra, aos olhos de todos os que te contemplam. Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; vens a ser objeto de espanto, e jamais subsistirás.” (Ezequiel 28:12-19)

Que tremenda é esta passagem da Escritura! Ela nos revela o estado e a natureza de Satanás como ele foi criado originalmente. A Escritura se refere a ele aqui como “o querubim ungido que guarda” Lúcifer era um dos querubins – criado, escolhido e ungido por Deus para uma tarefa muito especial, sobre a qual falaremos mais detalhadamente.
Na primeira parte de Ezequiel podemos aprender mais sobre os querubins. Sabemos, por ex., que eles são criaturas aladas, possuindo cada um três pares de asas. Em vez de pés, eles têm cascos. E cada um tem 4 faces em sua cabeça, uma voltada para cada lado. Em vez de ter a parte traseira da cabeça e os dois lados dela, eles têm quatro faces. Uma é semelhante ao homem uma é como um leão, uma é como um anjo e a outra é como a águia. Eles também têm outras aparências interessantes tais como rodas cheias de olhos que vão com eles para onde quer que eles vão. Quando eles se movem, não se viram para a direção em que devem ir, mas simplesmente se movem naquela direção instantaneamente, parecendo rolar as leis da natureza.

Por falar nisto, estes seres são quase os mesmos que “as criaturas vivas” ou “bestas” que encontramos mencionados no livro do Apocalipse. Muitas vezes a Bíblia fala que o trono de Deus é cercado por querubins. O Salmo 80, vers 1 diz: “Você que mora entre os querubins, mostra o teu esplendor” (Veja também 2a. Reis 19:15, 1a Cr 13:6, Isaias 37:16, 1a Sam 4:4, 2a Sam 6:2, Ap 4:6-8). No livro do Apocalipse são “as criaturas vivas” que ocupam esta posição.

Você observe que, enquanto o Apocalipse descreve cada “criatura viva” como tendo uma face diferente, Ezequiel vê cada querubim com 4 faces. Porquê há esta aparente discrepância? O segredo é que o Apóstolo João estava olhando para estes querubins de uma só direção.  Estes 4 seres permanecem um de cada lado do trono de Deus e cada um deles o encara. Já que João os estava olhando de um ponto fixo, ele via a face correspondente em cada querubim. Conseqüentemente, pareceu a ele que cada um tinha uma face diferente.  Entretanto, Ezequiel nos dá uma descrição mais completa e explica que cada querubim tem quatro faces.

Lúcifer era um destes querubins. Estes seres celestiais têm a obrigação de circundar o Trono de Deus e de guardar a Sua presença. Com suas asas, eles ocultam a glória e a majestade do Deus Altíssimo de qualquer espectador. Estes querubins estão constantemente na presença de Deus, louvando-o e cobrindo a Sua glória com suas asas (AP 4:8).

Os querubins também aparecem simbolicamente sobre a Arca da Aliança que os filhos de Israel foram instruídos a construir enquanto estavam atravessando o deserto. A versão da Bíblia do Rei Tiago e algumas outras versões usam o termo “misericordioso assento” para a tampa da Arca. Entretanto, não há cadeira ou “assento” nesta tampa. Verdadeiramente, esta tampa deveria provavelmente ser chamada de “tampa de propiciação” mais do que “assento de misericórdia” já que nenhum assento de espécie alguma é mostrado em sua descrição. Tudo o que nos ensinam é que a tampa era plana, feita de puro ouro e em cada canto havia um querubim esculpido, também de puro ouro. Estes dois querubins ficavam um em cada extremidade, com suas asas estendidas para o alto, quase se tocando no centro da arca (Ex 25:20). Era aqui, debaixo das asas dos querubins e sobre o topo da arca, que a presença de Deus aparecia. O Sumo Sacerdote entrava uma vez por ano no Santo dos Santos. Lá ele aspergia o sangue dos sacrifícios sobre a tampa. Quando ele aspergia o sangue, a presença de Deus se manifestava e o Todo Poderoso se comunicava com o sacerdote entre os querubins de ouro. Estes eram o símbolo dos querubins que guardam a glória de Deus nos lugares celestiais.

Então agora nós sabemos como era Lúcifer. Não há dúvida que ele foi o primeiro ser angelical criado (Isaias 14:12) e, provavelmente, ocupou a posição mais alta no Universo. Ele era um dos querubins. Não é impossível também que ele fosse o Sumo sacerdote do Universo e quem levava toda a criação em louvor, oração e adoração ao Deus Altíssimo. Pelo menos sabemos que ele entende muito de religiões, já que ele iniciou muitas falsas. Talvez esteja usando esta experiência anterior à sua rebelião para fazer isto.

Não apenas sabemos que Satanás era grande em glória, poder e beleza quando foi criado, mas também que ele caiu, corrompeu-se e começou a pecar. Ele começou a ter pensamentos elevados sobre si mesmo e se exaltou por causa de sua grandeza. Seu orgulho foi sua destruição. Ele deve ter pensado algo assim: “Sou tão bonito, tão poderoso – todas as outras criaturas da Terra me respeitam e me admiram. Porque eu preciso de Deus? Porque preciso me submeter a Ele e adorá-lo? Vou começar meu próprio negócio.” E assim fez. Claro que, para fazer isto, ele precisava estabelecer seu próprio reino. Ele tinha que seduzir um número de seguidores no reino de Deus, que iriam adorá-lo e obedecê-lo, em vez de amar e obedecer a Deus. Estou certo que ele achou impossível ser mais reto, santo, justo, verdadeiro, perfeito e puro que o Deus Todo Poderoso.  Então, ele tinha que escolher algo diferente. Tinha que basear seu reino em algo mais.

A Bíblia nos diz que o diabo é o pai da mentira. Ele inventou isto por si mesmo. Tor-nou-se a origem de todo tipo de pecado e estabeleceu seu reino sobre o ódio, trevas, luxúria, ganância, corrupção, mentira e todo tipo imaginável de maldade. Ele alterou sua natureza para ser o oposto de tudo o que Deus é. E, não há dúvida que ele começou a visitar outros seres no Universo para seduzi-los a se integrarem ao seu reino e a segui-lo em sua rebelião contra o Altíssimo.  Como todos nós sabemos, ele ainda está empenhado nesta mesma atividade maligna hoje. É provável que Deus tenha dado a Terra a Satanás como parte de sua jurisdição algum tempo antes de sua queda. As Escrituras não são explícitas sobre estas coisas, portanto só podemos especular sobre algumas destas idéias, mas sabemos que, a partir de um determinado tempo, o diabo obteve autoridade sobre a Terra. Ele é chamado de “governador deste mundo” (João 12:31, 14:30, 16:11) Também sabemos que os anjos algumas vezes são mencionados como “estrelas” (Jó 38:7, Daniel 8:10, Ap 12:4). É possível que, no princípio, cada anjo tenha recebido uma estrela e os planetas adjacentes para governar sobre eles. Se isto for verdade, o domínio do diabo seria o nosso sistema solar, cujo centro é o sol. É interessante notar como a maioria das religiões pagãs adorava o sol e, fazendo assim, estavam na verdade adorando o diabo. Uma coisa é certa: é que o diabo é soberano deste mundo atual.  Quando estava tentando Jesus no deserto, ele proclamou ter autoridade sobre este mundo e o Senhor não discutiu aquela autoridade. Ele apenas o repreende, citando a Sagrada Escritura. Outros lugares nas Escrituras nos mostram que o diabo tem autoridade e jurisdição sobre esta Terra (João 14:30, 16:11, 2a.  Cor 4:4). Com toda probabilidade,esta autoridade lhe foi dada antes de sua rebelião, enquanto ele ainda permanecia em sua posição original diante de Deus.

ANTES DOS SEIS DIAS

Já que parece correto afirmar que Satanás (Lúcifer), o mais alto ser angelical que Deus criou, recebeu esta Terra como parte de seu domínio antes da queda, não podemos deixar de imaginar como ela era naquele tempo.  Embora a Bíblia não nos fale especificamente sobre estas coisas, ela nos dá algumas insinuações das quais podemos tirar algumas conclusões razoáveis. O Livro de Gênesis afirma que Deus fez os céus, a Terra e tudo o que neles há em seis dias. Entretanto, este cenário não dá uma explicação sobre quando os anjos foram criados e quando Satanás caiu, nem nos conta como esta queda afetou a Terra sobre a qual ele reinava. Para examinar mais minuciosamente, vejamos o primeiro versículo do Livro de Gênesis.

Nós lemos: “No princípio criou Deus os céus e a Terra” (Gen 1:1) Este primeiro verso nos fala da criação de Deus e nós podemos estar certos que, quando Deus cria alguma coisa, Ele a faz bonita e perfeita em cada detalhe. Mas, surpreendentemente, o segundo verso começa : “A Terra, porém, era sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.” (Gen 1:2) Isto soa como se Deus tivesse criado uma bolha sem forma – uma terra escura, vazia, abandonada – e então começou a trabalhar nela para fazê-la melhor. Embora Deus pudesse ter feito assim ou de qualquer outra maneira que ele escolhesse, o restante deste trabalho criativo não foi feito deste modo.

Realmente existe um modo melhor de ver estes dois versículos. De fato, existe uma melhor tradução deles, que nos ajuda a entender mais claramente o que a Bíblia está dizendo. A terceira palavra do segundo verso é traduzida pena Nova Versão do Rei Tiago como “era” – A Terra era sem forma - Esta palavra grega pode também ser traduzida por “tornou-se” . É a mesma palavra empregada na história de Ló e sua mulher quando fugiam de Sodoma e Gomorra, na qual lemos que a mulher de Ló “tornou-se” uma estátua de sal. A mulher de Ló não era originalmente uma estátua de sal, mas tornou-se uma, como conseqüência do julgamento de Deus sobre ela por causa de sua desobediência. Portanto, seria gramaticalmente aceitável usar “tornou-se” no segundo versículo de Gênesis, que então ficaria “A Terra tornou-se sem forma e vazia”, dando-nos assim uma perspectiva completamente nova desta passagem.

A frase “sem forma e vazia” também pode ser traduzida de forma diferente e fazer isto nos ajuda a olhar mais claramente o que aconteceu. As palavras hebraicas correspondentes são “TOHU WAH BOHU” e poderiam ser melhor traduzidas como “abandonada e vazia”. Estas duas palavras TOHU E BOHU são achadas separadamente muitas outras vezes no Velho Testamento e a maioria das vezes elas se referem claramente ao julgamento de Deus, Sua ira ou Sua destruição. Somente umas poucas vezes elas podem ser empregadas para significar algo positivo e em nenhuma dessas ocorrências refere-se conclusivamente a algo bom. Uma passagem que é particularmente surpreendente referente a este assunto é Isaias 45:18, onde lemos: “Porque assim diz o Senhor, que criou os céus e a Terra, que é Deus, que formou a Terra e a fez; que a estabeleceu , que não a criou em vão”. A palavra hebraica para “em vão” aqui, é TOHU . Claramente, então, Deus originalmente criou a Terra não TOHU, isto é, não em vão ou “sem forma” conforme nossa tradução nos leva a acreditar.

Unindo todos estes itens, surge um quadro. Torna-se claro que, no princípio, Deus criou os céus e a Terra perfeitos, conforme nós deveríamos esperar Dele, mas algo aconteceu . Em um determinado momento, algo ocorreu e a Terra então “tornou-se” sem forma e vazia.  Isto deve corresponder ao período da rebelião de Satanás. Quando o deus deste mundo se rebelou contra o único Deus verdadeiro, corrompendo a si mesmo e a sua natureza, no processo ele corrompeu também o território sobre o qual ele reinava. É provável, então, que Deus tenha julgado aquele mundo e o destruído com uma enchente de águas. Esta é a condição em que encontramos a Terra na segunda parte de Gen 1:2 – coberta pelas águas e em trevas e desolação.  Entretanto, não podemos dizer que este versículo e alguns outros que estão associados a ele sejam incontestáveis,porém, ainda assim, eu sinto que, com toda a probabilidade, foi assim que aconteceu. O que é insinuado a nós no segundo versículo do Cap 1 de Gen é a maneira como as coisas realmente ocorreram. Para um estudo mais profundo deste assunto, veja: “As primeiras eras da Terra” de G H Pember.

Um outro ponto interessante aqui é que esta palavra “criou” que é empregada no primeiro versículo de Gen onde se lê “Deus criou os céus e a Terra” – significa criar alguma coisa do nada. A maioria das outras vezes em que é traduzida como “feita” se refere a algo sendo construído a partir de materiais que já existiam. A palavra “criou” significando algo feito do nada, é usada duas outras vezes : no vers. 21, referente aos animais e nos vers 26 e 27 referente à criação da vida humana. Os outros atos que Deus fez durante o que convencionamos chamar de “seis dias da criação” são, mais provavelmente, seis dias de restauração – uma restauração da Terra que Deus tinha criado originalmente. Um bom exemplo disto se encontra em Gen 1:11 onde Deus diz : “ Produza a Terra relva, ervas que dêem semente, e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez.”

É quase possível que estas sementes que germinaram e começaram a produzir muitas variedades de plantas, já estivessem na Terra. A Terra devastada que Deus estava restaurando, possivelmente continha sementes que Deus simplesmente determinou germinar, brotar e começar a dar frutos.

A Terra “destruída” sobre a qual lemos no vers.2 do Cap 1 de Gênesis foi inundada com água. Na ausência de qualquer luz, esta água teria se congelado. Se houvesse luz anteriormente e esta luz tivesse sido tirada como resultado de um julgamento, isto resultaria em uma súbita e ampla “era do gelo” matando a maioria ou a total forma de vida. Possivelmente esta camada de gelo cobrindo os oceanos e a Terra iria isolar as extremas profundidades da Terra próximas aos ventos térmicos onde é concebível que algum tipo de vida marinha poderia ter sobrevivido. Isto poderia explicar o “peixe fóssil vivo” que é encontrado nas grandes profundezas. Estes pensamentos, é claro, são apenas especulações e não têm uma ampla base nas escrituras.

Então o que podemos ter em Gen cap 1 é uma descrição da restauração e recriação de Deus de algo que Ele fizera perfeito e completo, mas que foi destruído por Satanás em sua rebelião. Embora não possamos provar conclusivamente nenhuma dessas coisas e isto não tenha valor para basear a nossa fé, eu creio que você verá, conforme prosseguimos, como isto traz muito mais explicações do que dúvidas e como este entendimento provê um quadro muito mais nítido do que Deus está fazendo na Terra hoje. De fato, um bom critério para julgar a verdade de certos ensinamentos deve ser: que eles possam trazer mais explicação do que confusão, isto quer dizer que eles ampliam nossa revelação referente aos propósitos de Deus muito mais do que a obscurecem. Qualquer ensinamento sobre as Escrituras que desvende e expanda nossa compreensão a respeito de Deus deve carregar um certo peso.

A CAMADA DE ÁGUA

Há um fato interessante que vale a pena mencionar: é que, durante os chamados “seis dias da criação”, Deus suspendeu a camada de água acima da atmosfera, cobrindo toda a Terra. Em Gen 1: 6-8 lemos: “Então Deus disse: Haja um firmamento no meio das águas e vamos fazer separação entre as águas”. Assim, Deus fez o firmamento e Deus chamou ao firmamento, Céu”. Então, somos ensinados que Deus separou as águas. Algumas Ele colocou acima do “Céu” e outra abaixo do “Céu”. Este “céu” é o que conhecemos hoje como “ar” ou atmosfera.  Ter uma camada de água suspensa acima da atmosfera produziu vários efeitos. Um dos resultados foi que o clima e as condições atmosféricas eram muito diferentes do que conhecemos hoje. Somos levados a crer que, durante o tempo em que esta camada de água esteve intacta, não choveu sobre a Terra e a vegetação era regada por uma neblina que subia do solo (Gen 2:5-6). Pode ser que esta camada de águas agisse como o vidro em uma estufa e que a Terra tivesse uma tem-peratura única e que o clima não variasse muito de um lugar para o outro.

Talvez uma outra conseqüência desta camada de águas seja a de que, naqueles dias, as pessoas viviam muito mais – aproximadamente dez vezes mais – do que vivemos hoje. Pode se teorizar que isto fosse um resultado desta camada de águas suspensas. Embora ninguém saiba ao certo o que provoca a longevidade, é possível que algum tipo de radiação ou bombardeio de partículas subatômicas atingindo a Terra, provenientes do espaço sideral possam impedi-la. Esta camada de águas poderia ter estado protegendo a Terra e os seus habitantes de tais coisas, através da absorção destes raios. Hoje, por ex, algum material radioativo é armazenado debaixo d’água e a água absorve a radiação que é emitida. O que sabemos com certeza é que, quando esta camada de água foi removida, a idade máxima dos indivíduos começou a declinar rapidamente. Quando Deus inundou a Terra nos tempos de Noé, lemos que “as janelas do céu se abriram” (Gen 7:11). Assim, quando ocorreu a primeira chuva, a água que estava suspensa sobre o “céu” foi liberada e choveu torrencialmente sobre a Terra, inundando-a completamente. Quando toda a água cessou e o sol começou a brilhar de novo, o primeiro arco-íris apareceu como um sinal da fidelidade de Deus (Gen 9:13). Naturalmente, já que nunca chovera anteriormente, eles nunca poderiam ter tido um arco-íris.

Imediatamente após, a idade do homem começou a declinar. O que quer que seja que esteja bombardeando a Terra vindo do espaço, começou a se desenvolver no solo, no meio ambiente e também nas plantas e animais, até atingir um tipo de equilíbrio. Este processo durou centenas de anos, mas quando nós verificamos a idade dos descendentes de Noé, é fácil constatar a progressão descendente até chegarmos à idade que experimentamos hoje. Assim, parte do julgamento sobre a humanidade nos dias de Noé, foi remover a camada protetora das águas e reduzir o número de dias nos quais o homem pudesse praticar o mal aqui na Terra. Eu creio que este julgamento também será levantado durante o Milênio (Veja Isaias 65:20). Uma outra idéia casual que pode ser conjeturada é que a existência desta camada de águas protegendo a Terra da radiação iria grandemente distorcer algumas das técnicas científicas empregadas para determinar a idade dos fósseis e ossos deste período.

DEMÔNIOS E ANJOS CAÍDOS

Uma outra coisa sobre a qual podemos especular é que, durante o tempo em que a Terra foi governada por Lúcifer, antes de sua rebelião contra Deus, pode ter havido um tipo de criaturas ou seres que a habitavam.  Talvez alguns deles até mesmo se parecessem com os homens, de uma certa forma. Não sabemos tais coisas com certeza, mas se houve tais criaturas, quando Satanás se rebelou, sem dúvida ele as induziu a se rebelarem junto com ele. Quando uma pessoa examina um fóssil, fatos interessantes emergem, os quais tendem a dar credibilidade a esta idéia. Muitos dos dinossauros, por ex, que poderiam ter vivido neste tempo, parecem ter sido animais malvados e agressivos, refletindo o caráter de seu amo. É até mesmo possível que o fóssil “humano” que alguns afirmam ter encontrado (embora a evidência disto seja insuficiente, exceto no caso do Neandertal) possa ter sido o habitante da Terra nesta época. De acordo com esta idéia, depois que estas criaturas (ou o que quer que fossem) se rebelaram junto com Satanás, Deus julgou esta primeira criação com uma inundação de água que destruiu todos os seres da Terra. Este é exatamente o quadro que vemos no segundo versículo de Gênesis: a Terra era sem forma, vazia, coberta pelas trevas e submersa nas águas.

Se houve tais seres sobre a Terra antes da rebelião de Satanás, isto nos explicaria a origem dos demônios.  Muitos cristãos aprenderam que demônios são anjos caídos. Este não é necessariamente o caso. Embora esta seja uma crença tradicional dentro da Igreja, não existe um único versículo nas Escrituras que diga isto. Infelizmente, esta conexão foi feita principalmente por conjeturas e muitos o aceitaram como um fato, sem nenhuma base nas Escrituras. O que sabemos, entretanto, é que nas Escrituras há uma forte associação entre demônios (espíritos imundos) e água.  Jesus disse que, quando um demônio sai de um homem, ele anda por lugares áridos, procurando descanso (Mat 12:43). Parece que os demônios precisam de água para ter “descanso”. Quando Jesus expulsou a legião de demônios, eles pediram para entrar nos porcos que estavam próximos. Estes suínos, então, se lançaram ao mar (Marcos 5:12-13). Evidentemente, estes demônios estavam ansiosos para ir para lá. Há também um versículo em Jô que menciona “os espíritos dos mortos tremendo sobre as águas”. (Jó 26:5). Quem são estes espíritos senão demônios? É duvidoso que este versículo se refira apenas ao número limitado de marinheiros que haviam morrido no mar antes que o livro de Jô fosse escrito. Todos os mortos, sejam afogados ou de outra maneira, vão para o lugar que Deus preparou para eles, seja o hades ou sheol. Os que se afogaram não têm um tratamento especial e nem têm seus espíritos esperando no fundo do mar.

Assim, podemos concluir que, na criação original, havia na Terra criaturas “com corpos” de algum tipo.  Depois do julgamento de Deus, seus corpos foram destruídos, mas seus espíritos continuaram a existir.  Estes são os que agora chamamos de demônios – os espíritos imundos. E estes espíritos vivem ou preferem viver na água. Embora novamente não sejamos capazes de tirar conclusões absolutas sobre estas coisas, há evidência nas Escrituras que dão suporte a esta teoria. Isto nos daria uma explicação porque os demônios desejam possuir ou habitar em um corpo humano. Se anteriormente eles eram espíritos que habitavam algum tipo de corpo e depois foram despojados dele pelo julgamento de Deus, não há dúvida que eles iriam habitar um corpo novamente. Também pode ser que preferissem viver na água porque teriam a sensação de estar em um corpo físico.

Um outro versículo importante se encontra em AP 20:13 onde lemos sobre o julgamento final que está por vir.  Lemos: “O mar devolveu os mortos que estavam nele e a morte e o Hades entregaram os mortos que estavam neles. E eles foram julgados cada um de acordo com suas obras”. Eu gostaria de submeter à sua apreciação o fato que todos os seres humanos mortos (estes não são crentes, já que os crentes ressuscitaram mil anos atrás), tenham morrido afogados ou por outro meio, estão na “morte e no Hades”. Portanto, os “mortos que estão no mar” devem ser algum outro tipo de criatura.  Interessante, estes são ressurretos antes e talvez sejam julgados antes, já que foram feitos primeiro.

Os anjos, por outro lado, foram criados um pouco maiores que os seres humanos. Nós lemos que o homem foi criado um pouco menor do que os anjos (Salmo 8:5).  Eles podem aparecer em forma de corpo humano quando assim o desejam. Eles não têm necessidade nem aparentam desejo de possuir um corpo humano. E também somos ensinados que os anjos caídos não habitam no mar, mas sim no ar. (Ef 2:2) Estes fatos nos mostram que os anjos caídos que estão reinando nesta Terra com Satanás, têm sua morada na atmosfera e não sobre a Terra ou dentro do mar.

O quadro completo dos inimigos de Deus – os demônios no mar e os anjos caídos no ar – é claramente mostrado na passagem que descreve Jesus atravessando o mar em um barco (Marcos 4:35-41). As ondas (casa de demônios) se levantaram e o vento (domínio dois anjos) soprou forte enquanto Jesus estava adormecido, como se fosse um esforço para destruí-lo. Quando Ele acordou, repreendeu-os e disse: “Paz, estejam quietos” (vers 39) Jesus Cristo tem completa autoridade sobre ambos, anjos caídos e demônios.

Talvez em sua caminhada com o Senhor, você tenha tido algumas experiências que esta interpretação possa explicar. Lendo o Novo Testamento, nós sabemos que Jesus deu a seus discípulos completa autoridade sobre os espíritos imundos, os demônios. Jesus e depois os Apóstolos, os expulsavam com uma palavra. Entretanto, algumas vezes nos achamos atormentados e atacados por forças espirituais que não obedecem instantaneamente ao nosso comando quando as repreendemos.  Freqüentemente nos encontramos em uma luta espiritual que não é simplesmente resolvida com “uma palavra”.  Uma explicação para isso é que eles não são demônios, mas anjos caídos – principados e potestades – contra os quais estamos lutando. Embora tenhamos poder para vencer estas batalhas, hoje ainda não recebemos “toda” autoridade sobre eles. Paulo diz que nós lutamos contra principados e potestades (Ef 6:12). Nosso combate contra eles é uma contenda e uma luta. Se você tem completa autoridade sobre alguém, não há necessidade de lutar contra ele.

Por outro lado, nosso combate contra os demônios é de absoluta autoridade e comando. Quando nós os repreendemos, eles fogem. Portanto, se você repreende os espíritos maus que estão perturbando você e eles vão embora, isto pode indicar que são forças demoníacas. Mas, por outro lado, se você precisa contender, empenhar-se, resistir e procurar ajuda de Deus por um longo período de tempo, é provável que esta seja uma luta contra os anjos caídos sobre os quais as Escrituras falam. Não estou dizendo que não possamos vencer estas batalhas, mas apenas que a maneira de lutar e vencer é diferente e deveria ser compreendida por aqueles que andam com o Senhor.

Hoje há alguns crentes que, não imaginando estas afirmações, têm tido a política de repreender e mesmo lançar insultos ao diabo e aos seus anjos. Tenho estado em algumas reuniões de orações em que os crentes xingam o diabo e zombam dele, gritando, amarrando-o e repreendendo-o com alto volume, mas não com autoridade. Em 2a. Pedro 2:10 e Judas 8, somos advertidos contra este tipo de ação. Aqui encontramos fortes admoestações contra “Insultar os gloriosos” ou “difamar seres celestiais”. Insultar quer dizer ultrajar ou xingar asperamente ou usar linguagem insolente. “Gloriosos” se refere a seres gloriosos ou anjos. Algumas traduções usam a palavra “dignatários” em vez de “gloriosos”, mas o versículo seguinte torna claro que se refere ao diabo e aos seus anjos. Somos ensinados que este insulto é uma coisa tola e carnal, que mesmo os mais altos e santos anjos não ousam fazer. Irmãos, vamos ser cuidadosos em nossa luta contra o inimigo e agir de acordo com o Espírito e não de acordo com a nossa carne. Não se desviem para idéias e práticas tolas e prejudiciais, mas focalizem sua atenção no Senhor Jesus Cristo, sirvam-no com sua vida e resistam aos ataques do diabo a todo o tempo.

Agora, antes de divagarmos mais, vamos voltar ao nosso assunto. Depois do trabalho da primeira criação de Deus, a Terra original foi corrompida pela queda de Satanás e sua rebelião contra Deus, junto com todos os habitantes da Terra. Então Deus julgou aquela Terra, destruindo-a com uma inundação. Esta Terra arruinada, corrompida, Deus decidiu restaurar, recuperar e trazer de volta para Si mesmo. Ele não permitiu e não permite que o diabo o vença. Ele simplesmente começou um trabalho adicional em Seu plano para esta Terra –restaura-la para Si, afirmar Sua justa autoridade sobre ela e enche-la de novo com seres obedientes a Ele. Sobre isto estaremos falando no próximo capítulo.

Esta discussão anterior tem sido um esforço para pintar um quadro e montar o palco, por assim dizer, do que estaremos vendo no restante deste livro. Se quisermos compreender os propósitos de Deus para esta Terra, é essencial que conheçamos a história da Terra.  O Reino de Deus, Sua soberania sobre a Terra é algo que está no coração Dele. A visão da Terra que foi apresentada aqui, pode ser de uma grande ajuda para tentarmos entender porque Deus está tentando de novo estabelecer Sua autoridade sobre ela.

Para vencer completamente seu inimigo, Ele precisa retomar o controle do território que foi usurpado. E nós sabemos que este plano se completará quando Jesus Cristo voltar para reinar. Finalmente, o reino de Deus virá para a Terra.

A ORDEM DE DEUS – A FALHA DO HOMEM

CAPITULO 6

Pode-se pressupor, então, como foi mostrado no capítulo anterior, que a Terra original que Deus criou, foi corrompida e arruinada por Satanás em sua rebelião e que Deus, então, julgou a Terra e, como conseqüência, a destruiu. Portanto, os primeiros capítulos do livro de Gênesis podem ser considerados como a história da restauração e da reconstrução da Terra. Esta restauração, assim como a Terra original, foi perfeita, assim como todo o trabalho de Deus. Após cada dia de trabalho na criação, com exceção do segundo, Deus “viu que era bom”. Deus se sentia gratificado com a Sua obra quando Ele terminava o trabalho (Gen 1:31).

Apesar disso, ainda havia algo errado. Nesta Terra viçosa, bonita, recriada, que Deus fez, havia a presença de seu inimigo com todas as suas hostes da maldade. A atmosfera ao redor da Terra estava repleta de anjos caídos (Ef 6:12, Col 2:15) e o mar (o abismo ou as profundezas) estava fervilhante de demônios.  Esta era a situação na qual Deus colocou o primeiro homem, Adão. Ao imaginarmos como a Terra fora corrompida por Satanás e estava cheia de suas forças malignas, devemos então tentar compreender porque Deus colocou o homem neste lugar. Claro que sabemos que Deus criou o homem para o Seu prazer, mas aqui, no livro de Gênesis, vemos a insinuação de alguma coisa mais. Parte de Seu plano era recuperar a Terra para Si próprio. Mas, antes de entrarmos nisto, vamos examinar por um momento, o homem que Deus fez.

Quando o homem foi criado, foi feito à imagem de Deus e conforme a Sua semelhança (Gen 1:26). Ser criado à imagem de Deus significa que o homem é, interiormente, como Deus e ser criado à semelhança de Deus quer dizer que, externamente, fisicamente, o homem se assemelha a Deus. Para demonstrar isto um pouco melhor, vamos começar pelo interior. Todo homem tem dentro dele três habilidades distintas. Ele pode pensar, sentir e decidir. Estas três capacidades são geralmente conhecidas como mente, emoções e vontade.  Significativamente, Deus também pensa, sente e decide.  Na verdade, os pensamentos, os sentimentos e as decisões de Deus são infinitamente maiores e mais fortes que os nossos. Ele também tem uma mente, emoções e vontade. Portanto, é fácil ver que, internamente, o homem foi feito à imagem de Deus. Em suas partes mais íntimas, a caracterização do homem reflete – se bem que de um modo bem inferior – Seu Criador.

O corpo do homem lhe dá sua aparência externa. Quando Deus se revelou na história bíblica a alguns homens como Moisés, Elias ou Daniel, Sua aparência era a de um homem. Isto quer dizer que Ele era visto como tendo braços, pernas, pés, cabeça, etc. Por outro lado, Ele não tinha patas, garras, asas, penas, chifres, escamas ou múltiplas faces. Quando nós O virmos, iremos reconhecê-Lo na forma que Ele existe porque o homem se parece com Deus. Na verdade, o homem é a única criatura em todo o Universo que tem o privilégio de, interna e externamente, a assemelhar a Deus. Aleluia!  Que fato glorioso este de termos sido feitos como o próprio Deus!

A INCUMBÊNCIA DE DEUS PARA O HOMEM.

Para voltar à nossa discussão original: Deus fez uma nova criatura, o homem, à Sua imagem e à Sua semelhança e colocou-o no jardim do Éden. Fazendo assim, Ele o colocou bem no centro de um ambiente hostil, cheio de anjos caídos e de demônios. Então Ele lhes disse: “Frutificai-vos e multiplicai-vos, enchei a Terra e a subjugai” (Gen 1:28). (A palavra hebraica para “subjugar” também pode ser traduzida por “conquistar”.) O plano de Deus para o homem era que ele exercesse o “domínio” sobre todo o planeta (Gen 1:26). Aqui nós vemos Deus criando o homem à Sua semelhança, colocando-o no meio do território do diabo e ordenando-lhe que o conquistasse, subjugasse e tivesse domínio sobre ele. Foi dada ao homem a tarefa de ter autoridade sobre a Terra.

Mas espere um minuto. Havia outros seres aqui a quem havia sido dada autoridade antes que se rebelassem. Já havia outros governantes na Terra. Portanto, o aparecimento de Adão no jardim era uma ameaça direta à soberania de Satanás. Ele estava sendo colocado na Terra para confrontar e derrotar a autoridade do diabo. O trabalho do homem era ser um substituto. Ele deveria tomar o lugar dos atuais soberanos malignos.  Este era o início do plano de Deus para recuperar a Terra do domínio de Satanás para o Seu próprio domínio. Deus colocou o homem na Terra como Seu emissário para retomar o que havia sido perdido durante a rebelião de Satanás. Veja bem, o homem não foi apenas uma das experiências de Deus. Deus não o fez simplesmente por um capricho. Quando Nosso Criador nos fez, Ele tinha em mente um propósito e um objetivo muito bem definidos. A humanidade foi criada para ser o agente através do qual Deus iria vencer Seu inimigo e recuperar o território perdido.

Para cumprir este plano, o homem, assemelhando-se a Deus e tendo comunhão com Ele, foi incumbido do trabalho de popular a Terra com homens semelhantes a ele mesmo, que fossem submissos à autoridade e soberania de Deus. Conforme eles se multiplicassem na Terra, Deus poderia novamente considerá-la Sua, já que ela estaria repleta de criaturas que O amavam e O obedeciam. Que vitória gloriosa! Mas, como todos sabemos, naquele tempo a vitória não estava próxima.

Satanás certamente compreendeu pelo menos uma parte do que Deus estava fazendo. Ele provavelmente não poderia suportar um ser parecido com Deus habitando em seu mundo. Deve tê-lo perturbado muito ver Adão e Eva vivendo e trabalhando em submissão a Deus em sua Terra. Então ele veio e, sutilmente, ludibriou Eva.  Ela, por sua vez, seduziu seu marido e eles caíram. Em vez de viver para Deus e servi-lo, eles se rebelaram contra Deus e se tornaram participantes do reino de Satanás. Eles compartilharam da árvore que Deus os havia instruído para não comer. Sua natureza foi corrompida e a morte começou a operar neles. Naquela ocasião eles se colocaram debaixo da maldição de Deus e se tornaram servos do reino da maldade. Era como se o plano do Altíssimo tivesse falhado completamente.

Entretanto, Deus não se deixa enganar. Ele não desiste rapidamente. Ele tem o poder de executar Seus planos na mais aparentemente insuperável adversidade.  Mesmo antes De le começar Seu plano de criar Adão e Eva, Ele já sabia tudo o que iria acontecer. A falha do homem não O pegou de surpresa. Embora o primeiro homem, Adão, falhasse em cumprir o seu papel de exercer domínio sobre a Terra, Deus prometeu à mulher uma semente. E desta semente, Ele disse, virá aquele que “esmagará sua cabeça” (significando a cabeça da serpente) (Gen 3:15). Embora o diabo tenha conseguido uma aparente vitória, Deus já tinha um plano. Pela mulher, através da raça humana, Deus traria uma semente que iria finalmente realizar seu desejo de derrotar e vencer o inimigo. Esta semente é o homem Jesus Cristo, Aquele que triunfou sobre o diabo e expôs sua vitória sobre principados e potestades (2a.  Col 2:15).

A APARENTE VITÓRIA DO DIABO.

Depois da queda, os homens começaram a se multiplicar na face da Terra. Conforme o tempo passava, Deus ocasionalmente encontrava um homem que se abria para Ele, O amava e O servia. Enoque, o sétimo depois de Adão, foi tal homem. As Escrituras testificam que ele “andava com Deus e já não era, porque Deus o tomou” (Gen 5:24). Com o passar dos anos, entretanto, as multidões de homens caídos corromperam muito seu caminho sobre a Terra. Eles caminhavam na maldade, na luxúria, na ganância e na violência. Eles praticavam continuamente as coisas que Deus odiava. Estes homens agiam diariamente como o inimigo, com toda a sua maldade, os levava a agir.

Esta situação piorou até que a humanidade se tornou parte integrante do reino de Satanás e se rebelou contra Deus de uma forma tal que eles se envolveram em todo tipo de pecado imaginável. A violência era excessiva. Não existia nenhum governo naquele tempo para controlar as paixões dos homens e, então, eles se agrediam e se matavam uns aos outros a menor provocação. Concupiscências sexuais desmedidas também estavam em evidência. Esta situação foi tão longe que parece que alguns começaram a ter relações sexuais com os anjos caídos. Nos primeiros capítulos de Gênesis 6 lemos sobre “os filhos de Deus” que cobiçaram “as filhas dos homens” e se relacionaram com elas. O produto de tal união profana foi os gigantes chamados Nephalim, uma raça de seres que Deus nunca planejou e não queria sobre esta Terra. Uma leitura cuidadosa de Gen 6 mostra claramente o desenrolar dos fatos. Neste ponto, Deus viu que os desejos dos corações dos homens eram continuamente maus. O homem não apenas estava se rebelando, como estava poluindo toda a raça humana por meio de relações sexuais ilícitas.

Os “filhos de Deus” do cap 6 do Gênesis devem ser seres angelicais, já que as Escrituras assim se referem a eles em outros lugares (Jô 1:6, 2:1, 38:7, Dan 3:25). De fato, alguns dos antigos manuscritos substituem as palavras “filhos de Deus” por “anjos de Deus” nesta passagem. Embora alguns crentes, ofendidos por esta idéia, tenham tentado encontrar uma outra explicação e dito que estes eram os filhos de Set (isto é, homens da linhagem daqueles que andavam com Deus), este não pode ser o caso. Tal teoria não explica porque o resultado desses casamentos tenha sido o nas-cimento de gigantes ou porque Deus considerou suas atividades tão pecaminosas. A procriação dos homens normais, especialmente aqueles da descendência de Deus, era realmente comandada por Deus. Por mais depravado que possamos considerar este pecado e por mais que tentemos negá-lo, parece que vai ocorrer novamente antes da segunda vinda de Cristo.  Jesus nos diz: “Assim como era nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do Homem” (Mat 24:37).
A situação na Terra havia se tornado tão ruim, que Deus se arrependeu de ter feito o homem. Ele olhou para a Terra e viu que ela estava totalmente corrompida, cheia de violência e obras más, e aumentando a sua população com seres gigantescos, os quais Ele nunca desejara trazer à existência.  Conseqüentemente, Deus planejou destruir a Terra com todos os seres que a habitavam. Mas, em um homem, Noé, Deus encontrou retidão. Noé andava com Deus. Então Deus decidiu salvar este homem e sua família da destruição que planejara. Deus o instruiu a construir uma arca e a colocar nela um par de cada animal impuro e sete pares de cada animal limpo. Esta arca era o veículo através do qual eles seriam salvos do segundo dilúvio de águas sobre a Terra.

É interessante notar que a Arca de Noé, através da qual a salvação foi efetuada, é um tipo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na lateral da arca havia uma porta através da qual todos os que entrassem seriam livrados do julgamento de Deus. Quando Jesus morreu, uma abertura foi feita em Seu lado. Isto também era um tipo de “porta de entrada” através da qual podemos entrar Nele e ser salvos. É através do lado trespassado de Jesus Cristo, do sangue e da água que verteu, que somos salvos do julgamento iminente de Deus para um novo mundo que está por vir.

Embora Satanás tivesse aparentemente conseguido uma grande vitória corrompendo a humanidade e arruinando novamente a Terra de Deus, Deus encontrou um homem com o qual Ele poderia recomeçar um novo mundo para executar Seus propósitos. Depois que as águas do dilúvio baixaram e a arca ancorou, os descendentes de Noé mais uma vez começaram a povoar a Terra.  Infelizmente, eles também falharam em conhecer e amar a Deus e em cumprir a ordem dada ao primeiro homem. O mal e a rebeldia novamente começaram a se espalhar excessivamente. Notáveis exemplos disto são registrados, tais como o incidente da Torre de Babel, onde o homem decidiu que podia controlar o seu próprio destino, reivindicando essencialmente que era deus e que podia fazer tudo o que queria. Foi ali que Deus os confundiu, mudando suas línguas para que um não pudesse compreender o outro e os dispersou por toda a face da Terra. A história de Sodoma e Gomorra é uma outra ilustração gráfica de quão depravada a humanidade se tornou. Aparentemente Satanás continuou a triunfar e o homem continuou a cair cada vez mais profundamente no pecado.

Neste ponto, parece que Deus alterou Seu modo de trabalhar. Ao invés de tratar com a humanidade como um todo, Ele decidiu fazer para Si um povo – para formar entre todos os homens, uma raça que fosse especialmente Sua. E seria com estas pessoas que Ele iria trabalhar para cumprir Suas metas originais. Para este plano, Deus escolheu um homem de fé, Abraão.  Quando ainda não tinha filhos, foi chamado por Deus e recebeu a promessa que sua semente iria se multiplicar e herdar toda a Terra de Canaã. Deus lhe disse que iria fazer dele uma grande nação e que, nele, todas as nações da Terra seriam abençoadas. Foi com este grupo seleto que Deus planejou cumprir seu objetivo original. Ele os separaria para Si, de resto dos habitantes da Terra e os ensinaria sobre os Seus estatutos e Seus caminhos. Ele iria ensiná-los sobre Suas leis e Seus juízos e levá-los a vencer o diabo e a viver para Ele.

Como você provavelmente sabe, Deus executou esta “fase” de Seu plano com os filhos de Israel – os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Depois que Moisés os tirou do Egito levando-os para o deserto, Deus começou a falar com eles e a trabalhar com eles para moldá-los no tipo de pessoas que Ele desejava. Lá Ele os testou, purificou-os, revelou-se a eles e foi lá que, separados do resto do mundo, Ele os preparou para serem o povo de Sua propriedade. Após 40 anos de tratamento de Deus, eles estavam prontos para entrar na terra que Deus prometeu, tomá-la dos habitantes que lá viviam e estabelecer um reino de justiça sobre o qual o próprio Deus reinaria soberano.

A história bíblica nos conta que, com o correr do tempo, também este projeto pareceu terminar em aparente fracasso. O povo de Israel, depois de entrar na Terra de Canaã, começou a se misturar com a população nativa, o que Deus tinha especificamente lhes ordenado a não fazer. Conseqüentemente, eles começaram a andar em maus caminhos. Idolatria, fornicação, luxúria e pecado novamente se espalharam no meio do povo de Deus. Volta e meia Deus fazia uma coisa ou outra para trazê-los de volta para Si. Ele providenciou circunstâncias para fazê-los miseráveis e então levantou um líder para libertá-los da escravidão em que eles haviam entrado. De novo e de novo, repetidamente, Ele os salvava do poder do diabo que estava prejudicando suas vidas e os restaurava para Si.

Num determinado momento de sua história, parecia que eles haviam vencido. Durante o reinado de Davi e de Salomão, o reino de Israel, sob a liderança de Deus, tinha se tornado uma testemunha real. Sua fama havia chegado aos confins da Terra e, de um certo modo, pelo menos exteriormente, o povo estava obedecendo aos mandamentos de Deus. Foi por esta ocasião que Deus novamente prometeu uma semente que iria se sentar no trono de Davi e reinar para sempre, de acordo com os desejos Dele. Esta promessa também foi e será cumprida na pessoa de Jesus Cristo. Algum dia Ele virá como um rei para reinar sobre todos os habitantes da Terra e subjugá-la em justiça ao Deus Todo Poderoso.

Eventualmente, este reino de Israel também caía em degradação. A idolatria e os pecados de toda espécie existiam e muitos reis que sucederam a Davi e Salomão escolheram não seguir os caminhos de Deus. Depois de muitas restaurações pequenas e de numerosas falhas grandes, Deus permitiu que Seu povo fosse levado cativo à Assíria e à Babilônia. Aparentemente tudo estava perdido e o diabo havia novamente vencido. O plano de Deus de subjugar a Terra através de um grupo selecionado foi aparentemente impedido e o diabo reinava soberano. Mas, como todos sabemos, o plano de Deus e os Seus propósitos persistiram. Ele ainda tinha um modo de executar tudo o que planejara. As muitas derrotas sofridas pelo agente de Deus, a humanidade, vão servir na longa caminhada apenas para trazer mais glória a Deus e para mostrar Seu poder e Sua força até finalmente cumprir Seu propósito original através de seres humanos fracos e frágeis.

Não, Deus não foi vencido, nem jamais o será. Ele não abandonou o Seu plano original e decidiu somente resgatar o homem da Terra. Ele não está aceitando derrota, deixando a Terra para o diabo e simplesmente arrebatando para o céu umas poucas almas que acreditam Nele. Não, Ele vai estabelecer Seu reino, Sua autoridade, Sua justiça aqui na Terra! Todo o território que fora perdido será retomado. O homem que, originalmente, foi encarregado de recuperá-la, irá, através do poder de Jesus Cristo, ter vitória sobre Satanás. A obrigação que Deus deu ao primeiro homem, Adão, será executada. Seu povo, com Cristo como cabeça, terá completo domínio sobre esta Terra por mil anos! Este é o Reinado do Milênio, que está chegando.  É o cumprimento daquilo que Deus começou a fazer no princípio.

Alguns, quando lêem sobre o Milênio vindouro, têm estado perplexos e, não têm compreendido qual é o propósito disto. Espero que este capítulo tenha sido de alguma ajuda para que os leitores possam compreender os propósitos eternos de Deus e ver a revelação da Bíblia como um todo – um quadro completo do trabalho de Deus no homem aqui na Terra, do princípio ao fim. Desde o princípio Deus pretendeu vencer o Seu inimigo e escolheu fazer isto através de seres criados. Ele não se rebaixou para lutar pessoalmente com Satanás, mas, através de seu emissário enviado – que se parece com Ele exteriormente e se assemelha a Ele interiormente –Deus (como veremos nos próximos capítulos) está retomando a Terra. Está cumprindo Seu plano com seres humanos que estão submissos a Ele, que O amam e que O servem.

O REINO DE DEUS ESTÁ NO MEIO DE VÓS.

CAPITULO 7

No capítulo anterior examinamos um dos principais propósitos de Deus para criar o homem e colocá-lo na Terra. Este propósito era estabelecer o Seu reino para recapturar o planeta do domínio do diabo e restabelecê-lo debaixo de Sua justa autoridade. Vimos também que Deus criou o homem à Sua imagem e conforme a Sua semelhança e o colocou na Terra para ser o agente através do qual Ele pudesse cumprir o Seu plano.

O homem falhou repetidamente em cumprir a missão que Deus lhe confiou no primeiro capítulo de Gênesis.  Aparentemente, o diabo reinou soberano. Mas através desta história Deus havia prometido uma semente que iria prevalecer. O cumprimento desta promessa se encontra em Jesus Cristo. Ele era o Filho de Deus, nascido de uma mulher, na família de Israel, da tribo de Judá e da semente do Rei Davi. É Ele quem Deus prometeu que se sentaria no Trono de Seu Reino para sempre. Já que Jesus nasceu de Maria, uma mulher desta Terra, Ele era um homem completo. As Escrituras dizem que Ele participou da carne e do sangue (Heb 2:14).  Ele se tornou aquilo que somos para nos transformarmos naquilo que Ele é. Jesus não é apenas um homem completo, mas também é verdadeiramente Deus. “Nele”, as Escrituras dizem, “mora a plenitude da Divindade” (Col 2:9). Este homem é a encarnação da Palavra de Deus. João 1:14 afirma: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai”.
Este homem que era Deus, Jesus Cristo, é o cumprimento da promessa de Deus de mandar a semente da mulher que iria esmagar a cabeça da serpente (Gen 3:15). Isto é exatamente o que Jesus fez. Desde o seu nascimento, o homem Jesus Cristo era completamente sem pecado. Ele nunca fez nada que desagradasse ao Pai (Jo 8:29). Sua vida terrena estava em total oposição a tudo em que consiste o reino do diabo. Ele nunca participou do mal, de forma alguma. Sua vida foi a manifestação viva da justiça de Deus nesta Terra, bem no centro do domínio de Satanás. Como Satanás deve tê-lo odiado! Ele era um homem perfeito. Em determinado momento, Ele disse; “eis que vem o príncipe deste mundo e ele não tem nada em mim” (Jo 14:30). Aleluia! Deus enviou Seu Filho e Ele se tornou um homem no qual o diabo nada possuía – nenhum controle, nenhuma influência e nenhuma maneira pela qual pudesse influenciá-lo. Que glória para Deus e que vitória sobre o inimigo o fato de um homem caminhar sobre a Terra sem pecar, vivendo em perfeita submissão a Deus. Ele nunca foi atraído para todo o mal e toda a corrupção que Satanás tinha para lhe oferecer.

Agora, não pense que Jesus não foi tentado! A ausência de pecado não era resultado de uma vida fácil. No deserto, Ele jejuou por 40 dias e 40 noites e foi tentado pelo diabo. Ele foi tentado em todos os sentidos, como nós o somos hoje (Heb 4:15). Ele não fugiu da tentação – Ele a derrotou. Viveu vitoriosamente sobre ela. Ele não cedeu à sedução do mal e esta é a razão pela qual o Pai disse: “meu filho, em quem me comprazo” (Mat 3:17). Jesus viveu desta maneira perfeita, totalmente sem pecado, desde o Seu nascimento até a Sua morte na cruz.

É bom mencionar aqui que a Sua morte na cruz foi o cumprimento de toda a simbologia do sacrifício no Velho Testamento. Jesus era o Cordeiro de Deus que se ofereceu sem manchas ou defeitos pelos pecados do mundo. Os israelitas deviam encontrar um cordeiro macho perfeito para oferecer a Deus. Antes de ser oferecido, ele era examinado cuidadosamente para haver certeza que não havia imperfeição. Desta forma, Jesus também, antes de ser crucificado, foi examinado.  Pôncio Pilatos e os seus soldados fizeram o seu próprio tipo de exame. Bateram Nele, cuspiram Nele e zombaram Dele. Tentaram tudo o que sabiam para provocar Nele algum tipo de reação contrária a Deus, o que iria satisfazer sua ânsia de ver alguém se esgotar diante do abuso deles. Herodes também O verificou inteiramente. Mais tarde Pilatos, depois de ter acabado o exame, disse: “Não encontro falha Nele” (Jô 19: 4-6). Isto é realmente impressionante. Sem dúvida, Pilatos passou a maior parte de seu tempo lidando com os homens a quem julgava. Tenho certeza que muitos tipos diferentes de caráter passaram diante de seu tribunal de Justiça. Entretanto, sem nenhuma dúvida, nunca antes ele pudera dizer isto sobre qualquer outro homem. Ele estava tão impressionado com este homem, Jesus, que podia dizer com toda a segurança que não podia encontrar Nele nenhuma falha que fosse. Este foi um homem que derrotou tudo o que o diabo atirou contra Ele. Viveu vitorioso. Não apenas isto, mas quando Jesus se levantou dos mortos, Ele derrotou o mais poderoso instrumento que o diabo tinha – a morte. Ele venceu o pecado durante a Sua vida e venceu a morte em Sua ressurreição do túmulo. A morte não O pôde prender. A força de Satanás foi sobrepujada pela vida ressurreta de Jesus Cristo, o homem que era Deus. Tudo o que o inimigo e suas forças podiam destruir estava contrariado. Quando Jesus se levantou dos mortos, Ele fez uma exposição das derrotas deles. Triunfou completamente sobre eles (Col 2:15). Não havia coisa alguma – nenhuma arma que eles possuíssem – que O pudesse impedir de executar a vontade de Deus. Como é glorioso ver que, finalmente, um homem, um divino e santo homem, cumpriu a vontade de Deus e executou Seu plano – em Jesus Cristo, a incumbência de Deus foi executada.

O REINO ENTRE VÓS.

Quando Jesus caminhou por esta Terra cerca de dois mil anos atrás, Ele era a manifestação viva do Reino de Deus. Em cada aspecto de Sua vida Ele era completamente submisso à soberania e ao poder de Deus.  Pela primeira vez desde a criação de Adão, houve na Terra um homem que estava satisfazendo as exigências de Deus.

Através do Jesus humano, vivo, o Reino de Deus foi declarado aos homens. Quando os fariseus lhe perguntaram onde ficava o Seu Reino, Ele lhes respondeu: “Lá está, porque o Reino de Deus está no meio de vós” (Lucas 17:21). Quando disse isto, Jesus estava se referindo a Si próprio. Ele era a única manifestação do Reino de Deus. Em tudo o que Ele fez ou disse, Ele refletiu a vontade do Pai. Em um determinado momento, Ele corajosamente declarou : “Eu sempre faço as coisas que O agradam (ao Pai)” (JO 8:29). Isto era verdadeiramente o Reino de Deus.  Embora estivesse vivendo no meio de um ambiente hostil, Ele expressou Deus em cada aspecto de Sua vida.

A razão de eu ter escolhido esta tradução “entre” vós é que ela dá uma compreensão mais correta deste versículo. Algumas versões dizem “dentro” de vós, em vez de “no meio de vós” ou “entre vós”. Embora seja verdade que hoje podemos experimentar o Reino de Deus interiormente, no tempo em que Jesus falou estas palavras, o Espírito Santo ainda não tinha sido derramado e, então, seria impossível para qualquer de seus ouvintes ter o Reino de Deus residindo “dentro” deles.

Quando Jesus começou Seu ministério, Ele pregou arrependimento por causa do Reino. Ele dizia:  “Arrependei-vos porque o Reino dos céus está próximo” (Mt 4:17). Isto queria dizer que a soberania ou a autoridade do céu estava sendo manifesta e que os homens precisavam se arrepender de sua participação no reino de Satanás. Estavam sendo chamados ao arrependimento pelas obras que estavam fazendo e mesmo pelos pensamentos que estavam pensando, os quais eram contrários ao novo Reino celestial. Já que o Reino de Deus estava disponível, os homens necessitavam se retirar do outro reino de que estavam participando, para poder fazer parte do Reino que Deus estava oferecendo. O Evangelho do Reino significa Evangelho de arrependimento com o propósito de entrar no Reino de Deus. Se quisermos entrar nele, precisamos abandonar todo o mal e todo o pecado do reino do diabo, no qual temos vivido. Para falar a verdade, precisamos “trocar de campo”, usando uma linguagem esportiva. Deus quer que venhamos para o outro lado.  Este é o Evangelho que Jesus pregou. É uma mensagem absoluta, radical, que não deixa espaço para concessões.

Os dois reinos sobre os quais estivemos falando – o reino deste mundo e o reino celestial – estão em total oposição um ao outro. Não há meio termo. Para nos tornarmos completamente submissos ao Reino de Deus, precisamos estar totalmente libertos do reino de Satanás. Isto requer um profun-do e completo arrependimento do coração de cada homem, referentes às coisas que ele estava fazendo, dizendo ou pensando, antes de tomar conhecimento do Reino de Deus. Tenho receio que muitos pregadores cristãos não anunciam este Evangelho do Reino. Tornar-se um cristão freqüentemente é mostrado como sendo muito fácil, sem necessidade de coisa alguma, além da simples aceitação de uma dádiva. Embora tenhamos que aceitar a dádiva, este é apenas o começo. Realmente, há muito mais do que isto. Quando Jesus e João Batista pregaram, eles pregaram arrependimento por causa do Reino. Se vamos realmente fazer a vontade de Deus e entrar completamente em Seu Reino, precisamos nos arrepender categoricamente de tudo o que estivemos participando e que é contrário à vontade de Dele. Arrependimento significa retirar o nosso coração destas coisas e querer nunca mais nos envolvermos com elas de novo.  Significa mudar de idéia e tomar decisões por nossa própria vontade, de deixar um reino e entrar no outro.  Este Evangelho não é diluido ou fácil, mas através de Jesus Cristo é inteiramente possível para aquele que o deseja. Todos nós podemos viver em vitória como Jesus fez.

A VIDA VITORIOSA

A razão pela qual podemos viver como Jesus Cristo viveu é que Ele nos deu a Sua própria vida. A vida eterna que Deus prometeu nos dar através de Seu Filho Jesus é Sua própria vida divina e eterna. Quando Jesus Cristo, que viveu vitoriosamente derrotando Satanás e o pecado, agora começa a viver em nós, também podemos viver da maneira como Ele viveu. As Escrituras demandam daqueles que crêem “Vós não sabeis que Jesus Cristo vive em vós?” (2a Cor 13:5). Glória a Deus, este mesmo Jesus que viveu nesta Terra afastado do reino do inimigo, agora reside em nós. Jesus deu a vida do Seu Reino aos homens. Quando recebemos a Jesus, recebemos tudo o que Ele é e também tudo o que Ele efetuou. Quando Ele vem a nós, traz com Ele todos os seus atributos e poder. Através do Espírito Santo, todo crente pode conquistar a vitória.

Já que Deus derramou Seu Santo Espírito nos homens desta Terra (O Espírito de vida em Jesus Cristo – Rom 8:2), há agora milhares de indivíduos que têm a vida e o poder para viver no Reino de Deus. Agora, através do Espírito, a vida vitoriosa de Cristo está frutificando e se multiplicando nas pessoas por toda a Terra. Estes homens e mulheres podem cumprir a ordem original de Deus de derrotar os poderes ma-lignos deste mundo e viver de acordo com Deus. Este poder eterno reside em todos os crentes. E, se eles desejam se arrepender, mudar de reino, cessar de fazer as obras das trevas e entrar no reino da luz, Jesus Cristo dentro deles irá capacitá-los para isto. Sua vida vitoriosa irá torná-los aptos para vencer.

Isto não é algo que possamos fazer por nossos próprios esforços. Não é uma vitória que possamos obter por nossa determinação e força de vontade. Ao invés disto, é a submissão de nosso ser inteiro a Um Outro Alguém. Nós podemos, através da abertura do nosso coração a Ele, permitir que sua vida divina e vitoriosa viva através de nós. O segredo de nossa vitória sobre o pecado e sobre o inimigo não é tentar mais arduamente, mas nos rendermos mais e mais a Ele.

Aqui encontramos o propósito pelo qual Jesus veio e morreu. Ele veio para reunir para Si próprio um povo especial que iria lhe permitir viver dentro deles e viver Sua Vida vitoriosa por meio deles. Assim, eles O iriam expressar e manifestar o seu domínio sobre o inimigo. Por causa do Seu poder, eles agora podem viver neste mundo hostil e, ainda assim, se submeterem à sua autoridade. Permitindo que Jesus Cristo os preencha e viva através deles, manifestam a vitória de Cristo e estabelecem a autoridade de Deus sobre esta Terra. Finalmente, o propósito para o qual o homem foi criado está se cumprindo. Tudo o que resta agora é Deus acabar de reunir todos aqueles que havia escolhido e prepará-los para o último dia. Muito breve todos seremos arrebatados para encontrá-Lo nos ares e depois voltar com Ele para aqui reinar. Nosso papel é nos submetermos completamente a Ele para anunciar este Evangelho do Reino em toda a Terra.

A Igreja é o corpo de Cristo. Assim como o corpo físico de Jesus era o veículo através do qual Ele se expressava muitos anos atrás, assim, hoje em dia, a Igreja é a Sua expressão aqui na Terra. Já que Ele subiu para o Pai nós, Seu povo, somos agora o vaso através do qual Ele deseja expressar-se e cumprir a Sua obra. Esta palavra “corpo” não é apenas mais uma bela expressão religiosa. Ela contém um significado espiritual muito grande. A vontade de Deus é usar Seu povo como instrumento de justiça e como Suas testemunhas. Isto é um privilégio, mas também uma responsabilidade terrível. Precisamos estar expressando o Deus invisível do Universo aos habitantes da Terra, assim como estar exibindo Sua vitória aos seres celestiais. Hoje, através de Seu corpo, a Igreja, Deus está manifestando Sua sabedoria e Seu plano eterno (Ef 3:10). Como precisamos encarar seriamente esta ordenança de Cristo! É da maior importância para Ele cumprir Sua obra através de nós, tanto que, para que isto pudesse ser feito, Ele morreu na cruz. Isto não é pouca coisa. Um dia, muito breve, quando estivermos diante do Seu trono de julgamento, seremos chamados a prestar contas de nossa responsabilidade perante esta tão importante ordenança.

Um aspecto muito importante deste trabalho é que nós devemos anunciar este Evangelho a toda criatura (Mc 16:15). Parte do nosso trabalho como discípulos de Jesus é pregar o Evangelho do Reino, assim como Ele o fez. É a Sua vontade que todos os homens ouçam a mensagem de arrependimento e recebam a Sua nova vida.  Para que isto aconteça, nós precisamos cooperar.  Precisamos ir para onde Ele nos mandar e espalhar as boas novas. Nós precisamos ser “frutíferos e nos multiplicarmos” espiritualmente. Se formos obedientes e desejarmos cooperar Ele nos dará poder para arrancar homens e mulheres do reino das trevas e transferi-los para o Seu reino de luz. Jesus Cristo está voltando em breve e, tenho certeza, Ele se alegrará por encontrar você permanecendo na brecha, salvando pessoas da ira de Deus e preparando-as para a festa do matrimônio.

PREPARANDO O POVO DE DEUS

Isto traz à memória um aspecto essencial de nossa incumbência com relação ao reinado. Também é nossa responsabilidade auxiliar a Deus no aperfeiçoamento de Seu povo, preparando-o para a Sua vinda. Não apenas precisamos introduzi-los no Reino de Cristo, mas também precisamos ensiná-los como viver nele. Deus não quer uma porção de bebês espirituais, mas sim uma multidão de santos amadurecidos com os quais Ele pode morar para sempre em íntimidade. Antes de subir, Ele disse: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a observar tudo quanto Eu vos ordenei” (Mt 28: 19-20). Construir o corpo de Cristo não é uma responsabilidade secundária, mas uma parte equivalente da tarefa. Não apenas necessitamos juntar a matéria prima, mas também somos chamados a ajudá-Lo a moldar os Seus naquilo que Ele deseja que sejam. Necessitamos ajudar uns aos outros na preparação para a Sua vinda.

É preciso notar que nem todos os membros do corpo de Jesus têm a mesma função. Nós não fomos chamados para fazer a mesma coisa. Há muitos trabalhos diferentes a ser realizados. As Escrituras mencionam especificamente em muitos lugares que há vários dons, administrações e habilidades que o Espírito dá, com os quais podemos servir a Deus (Veja 1a Cor 12: 4-12, Rom 12:4). A mensagem importante não é que todos devemos fazer o mesmo trabalho, mas que todos devemos fazer o que Jesus está nos mandando fazer. Cada um de nós deve estar servindo ativamente a Deus dentro de sua capacidade. Todos os crentes precisam viver debaixo da autoridade e da direção de Jesus se quiserem conseguir aprovação quando Ele voltar. Seja qual for o seu trabalho ou função, você o deve estar executando com todo empenho. Se você não sabe qual é o seu dom, deve procurar a face do Senhor através de oração e procurar a convivência com outros crentes até que você saiba que está caminhando de acordo com a vontade Dele.

Uma razão pela qual muitos cristãos têm dificuldade em conhecer a vontade de Deus para as suas vidas é que eles têm muitas outras prioridades que vêm antes de servir a Deus. Por exemplo, primeiro eles buscam a sua educação, procuram uma esposa, se casam, encontram um bom trabalho, compram uma casa e então imaginam qual será o desejo de Deus para suas vidas. Não me admiro que se sintam confusos! Se realmente queremos saber sobre a vontade de Deus, devemos estar abertos para Ele em cada área de nossas vidas. Todas as coisas devem estar submissas a Ele. A extensão segundo a qual estamos verdadeiramente abertos para Ele é a mesma pela qual conhecemos a Sua vontade. Ninguém que esteja verdadeiramente procurando Deus será deixado no deserto por muito tempo. Deus é capaz de liderar o Seu povo.

Claro que ficar simplesmente em algum lugar e orar por muitos anos pode não trazer a resposta. Algumas vezes precisamos nos mover na direção na qual achamos que Ele está nos levando para encontrar a Sua vontade.  Conforme andamos, teremos uma certeza interior de sua bênção ou a convicção de que cometemos um erro. Seja corajoso! Comece a fazer o trabalho para o qual você acha que Jesus chamou você. Cometer erros não é fatal, mas enterrar os seus talentos trará a desaprovação Dele no dia do julgamento. “Benditos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a praticam” (Lc 11:28).

Uma vez que recebemos o Senhor, isto não é o final. Ao contrário, este é o princípio de um processo que dura toda uma vida, de segui-lo, fazer Sua vontade e expressar Sua vida e natureza ao mundo que perece.  Jesus correu a corrida antes de nós, derrotou todo o poder do inimigo e sentou-se à direita da Majestade nas Alturas.

Agora nós, o Seu povo, temos a responsabilidade de segui-lo nesta vitória. Pela fé nós podemos servi-Lo e fazer a Sua vontade na Terra. Já que temos a Sua vida dentro de nós, também podemos viver como Ele viveu.  Não há desculpa aceitável para não viver no Reino de Deus hoje e manifestar a Sua vontade sobre a Terra. O grande e terrível Dia do Senhor está vindo. Quem poderá resistir no dia de seu aparecimento? Eu digo a você: serão aqueles que fizeram a Sua vontade.

“SENHOR, SENHOR”

CAPITULO 8

O capítulo que você está começando a ler trata de um assunto de extrema importância. É uma questão que tem uma tremenda conseqüência para todo crente em Jesus Cristo. É um tópico não muito bem compreendido hoje em dia, sobre o qual muitos têm idéias errôneas e até mesmo falsos juízos. Portanto, eu gostaria de pedir a todos os leitores que prestem cuidadosa atenção ao que está sendo dito. Por favor, leia estas palavras com a mente aberta e um coração verdadeiramente disposto a conhecer a verdade. Não salte para nenhuma conclusão instantânea, mas leia o capítulo todo antes de formar sua própria opinião sobre estas coisas. Na verdade, eu gostaria de estimular que você também lesse cuidadosamente os capítulos seguintes, porque este assunto é tão importante que vamos nos estender longamente sobre ele. Não há um outro tópico nas Escrituras que tenha sido tão negligenciado e tão mal compreendido pelos filhos de Deus nestes dias. Possa Deus acrescentar as Suas bênçãos sobre estas palavras.

É sabido pela maioria dos cristãos que, quando uma pessoa nasce de novo, ela recebe a vida eterna. Isto significa que, na eternidade, ela estará com o Senhor.  Eu acredito que todos os verdadeiros crentes irão estar com Cristo para sempre. Uma vez que recebemos Jesus Cristo, nada que algum homem ou mesmo anjo possa fazer irá tirá-lo de nós. Ele próprio nos promete que nunca nos deixará, nem nos abandonará (Heb 13:5). Seu plano é que todos os Seus filhos estejam com Ele na eternidade. As Escrituras dizem: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Atos 2:21). Isto significa que eles estão salvos do Julgamento eterno de Deus e que irão morar com o Senhor para sempre. Em minha compreensão, as Escrituras fornecem uma base ampla para acreditarmos nisto.

Entretanto, há muitos que crêem – talvez até mesmo alguns de vocês, leitores – que você pode “perder a sua salvação” ou, em outras palavras, deixar de ser um “nascido de novo”. Não desejo entrar em um argumento teológico com estes irmãos queridos. Tais discussões geralmente não são frutíferas no sentido espiritual.  Eu apenas quero mostrar aqui que muitos versículos que são usados como base para este ponto de vista, na verdade não se referem ao assunto da nova vida, mas sim sobre o reino vindouro. Conforme você vai ver na seqüência, há muitos versículos que detalham algumas sérias conseqüências para a desobediência. Quando nós olhamos firmemente para estas Escrituras com o Reino em mente, descobrimos que a maioria destes versículos está claramente falando sobre o Milênio e não sobre a eternidade. Talvez você seja um daqueles que acreditam que o seu relacionamento espiritual e o dos outros está em constante risco. Não acredito que seja essencial convencê-lo da minha posição. Eu apenas quero pedir, respeitosamente, que você termine de ler os capítulos seguintes com a mente aberta para encontrar talvez uma nova compreensão de muitas passagens bíblicas que você não teve antes.

Com isto em mente, há um fato essencial que não podemos ignorar. Enquanto eu acredito que a vida eterna é realmente eterna, outros talvez não acreditem, mas a Bíblia é clara sobre um outro assunto. Este assunto é que nem todos os cristãos entrarão no Reino Milenar que está por vir. Deixe-me repetir isto. As Santas Escrituras claramente nos ensinam que nem todos os crentes participarão do Reino Vindouro de Cristo. Alguns podem realmente ter nascido de novo. Eles podem ser filhos de Deus. Mas muitos dos filhos de Deus não serão admitidos no Reino de Deus que está chegando. Esta é uma verdade das Escrituras que estaremos examinando juntos. Conforme abrimos a Palavra de Deus, vamos abrir também nossos corações a Ele para que Ele possa nos revelar Seus propósitos,
Lembrando mais uma vez aqui que as palavras “o reino dos céus” não se referem “ao céu”, mas ao Milênio, vamos ler Mateus 7:21. “nem todos que dizem “Senhor, Senhor” entrarão no reino dos céus, mas aqueles que fazem a vontade de Meu Pai que está no céu”. Por um lado nós lemos que “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Atos 2:21). Todo aquele que invoca o Seu nome pode nascer de novo. Entretanto, por outro lado, nem todos os que simplesmente chamarem Jesus “o Senhor” entrarão no Reino. Aqui há uma outra qualificação: aqueles que entrarão são aqueles que fazem a vontade de Deus ou, em outras palavras, sejam obedientes a Ele.

Por favor, considere isto cuidadosamente. Mesmo que todos os crentes estejam na eternidade, nem todos eles serão admitidos no Reino de Mil anos de Jesus Cristo, mas apenas aqueles que são obedientes. Isto é surpreendente para você? Deveria ser? Certamente faz sentido que Jesus Cristo queira como parte de Seu Reino terreno apenas aqueles que o obedeceram e que o serviram fielmente enquanto viveram na Terra.  Seguramente Ele não iria desejar que sua administração celestial fosse cheia de indivíduos preguiçosos, irresponsáveis e rebeldes. Não, apenas aqueles que são obe-dientes e fiéis entrarão no Reino Milenar de Jesus Cristo e irão reinar com Ele. A razão é muito simples.  Você não pode subjugar uma rebelião com indivíduos rebeldes como seus representantes. Você não pode pegar um ladrão e fazer dele o presidente de um Banco. Você não pode usar pessoas infiéis para ajudar outras pessoas a se tornarem fiéis. Simplesmente não funciona. Portanto, para que Jesus estabeleça Seu Reino na Terra, Ele precisa estabelecê-lo antes dentro daqueles através dos quais Ele vai reinar. Este é o aspecto do Reino de Deus que está acontecendo hoje.  Falaremos mais deste assunto nos próximos capítulos mas, por ora, precisamos passar algum tempo olhando as Escrituras que nos ensinam uma verdade tão importante.

AS DEZ VIRGENS

Talvez uma das partes mais claras da Bíblia que se aplicam a este assunto seja a parábola das Dez Virgens. Esta parábola se encontra em Mateus cap. 25, começando no vers. 1. Lembrando mais uma vez que “o reino dos céus” não é “o céu” , vamos ler juntos:

“Então o Reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo. Cinco dentre elas eram néscias e cinco prudentes. As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas. E, tardando o noivo, foram tomadas de sono e adormeceram.  Mas, à meia noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro. Então se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. E as néscias disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando. Mas as prudentes responderam: Não! Para que não nos falte a nós e a vós outras; ide antes aos que o vendem e comprai-o. E, saindo elas para comprar, chegou o noivo e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas e fechou-se a porta. Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, Senhor, abre-nos a porta!  Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.”

Esta é uma parábola interessante e esclarecedora. É uma parábola referente ao Reino e à “festa do casamento”. Conforme olhamos juntos para esta passagem, vemos que ela é uma parábola que se aplica aos cristãos – verdadeiros crentes. (Por favor, não aceite que ninguém lhe diga que estes versos se aplicam somente aos judeus ou que não são para esta presente dispensação. Dizer tal coisa é transformar esta parte das Escrituras em algo virtualmente sem sentido para os crentes e cegar os olhos deles para a verdade que aqui é revelada.)

Quem são, então, estas dez virgens e o que significa esta parábola? Sabemos que, nas Escrituras, virgindade é um termo que se aplica aos crentes. Paulo diz que havia preparado certos crentes como “uma virgem pura para Cristo”. (2A Cor 11:2) Virgindade aqui significa pureza, santidade e uma vida sem mácula. Esta é uma referência a crentes que foram lavados no sangue do Cordeiro, que foram limpos de todas as suas impurezas e que agora são santos e puros diante do Senhor. Todas as dez pessoas eram virgens. A única diferença entre elas é que cinco dentre elas foram sábias e cinco foram tolas. A Bíblia não diz que cinco foram salvas e cinco não foram ou que cinco eram boas e cinco eram malvadas. Lemos apenas que cinco foram sábias e cinco, tolas.

Todas as dez virgens tinham pelo menos um pouco de óleo em suas lâmpadas. Isto é evidenciado pelo fato que, antes que elas dormissem, todas as lâmpadas foram acesas, de outra maneira elas não poderiam estar se apagando (vers. 8). Um pavio de vela sem óleo teria apagado imediatamente. As sábias tinham óleo extra em suas vasilhas (vers 4), enquanto que as tolas tinham somente um pouco em suas lâmpadas. Estas “vasilhas” devem ser um container extra de óleo que elas trouxeram para reabastecer suas lâmpadas quando houvesse necessidade. Este óleo que elas possuíam é um tipo de Espírito Santo. No Velho Testamento, os sacerdotes foram instruídos por meio de Moisés a produzir um óleo de unção (Êxodo 30 : 22-25) simbolizando o Espírito Santo que Deus então derramava. Destas dez pessoas, todas tinham o óleo.  Todas compartilhavam do Santo Espírito.
Note também que cada uma destas lâmpadas foi acesa e queimou. As Escrituras dizem: “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo.” (Prov 20:27). O espírito do homem é onde o Santo Espírito de Deus mora em uma pessoa nascida de novo. 1a Cor 6:17 diz: “Aquele que se une ao Senhor é um espírito com Ele.” A união do Espírito de Deus ao espírito do homem resulta nos gravetos que acendem uma chama espiritual em cada crente, começando a lhes dar uma luz sobrenatural. Seguramente estas virgens que tinham óleo em suas lâmpadas, lâmpadas que se acendiam, eram pessoas regeneradas, crentes nascidos de novo.

Uma outra coisa que nos mostra que elas eram crentes é que elas estavam esperando pelo noivo. Nenhum descrente está esperando a vinda do noivo. Somente aqueles que o conhecem e o amam estão esperando por Ele. Lemos no vers 5 que o noivo demorou-se e todas elas adormeceram. Simbolicamente, todas estas crentes morreram enquanto estavam esperando pelo Senhor. Mas, à meia noite ouviu-se um grito : “Eis que o noivo está vindo!” e elas acordaram. Quando o Senhor voltou, estes crentes foram ressuscitados, se ergueram dos mortos para encontrar o noivo.

Ainda uma outra prova positiva de que todas estas “virgens” eram cristãs reais, é que somente os cristãos ressuscitarão quando Jesus voltar. Por favor, preste cuidadosa atenção a isto, já que é uma verdade muito importante, que tem forte impacto sobre a apropriada compreensão das Escrituras. Não cristãos não serão arrebatados. Não haverá não cristãos acidentalmente ressurretos quando Jesus vier de novo.  Portanto, não há nenhuma possibilidade de um descrente tentar entrar na festa do casamento. Nenhum descrente poderia estar do lado de fora, batendo à porta e gritando : “Senhor, Senhor”, tentando entrar. Aqueles que não creram só irão ressuscitar depois de mil anos, no chamado “Julgamento do Grande Trono Branco”.  Portanto, estas virgens só podem ser crentes.

NOSSA VERDADEIRA CONDIÇÃO

Vemos aqui que, depois da ressurreição, algumas destas virgens começam a notar sua verdadeira condição espiritual. Elas tinham um problema. Faltava-lhes óleo e as lâmpadas estavam se apagando. Elas não haviam pago o preço de ir e comprar enquanto ainda estavam vivendo. Evidentemente, todas tiveram a oportunidade, mas cinco delas eram tolas. Sem dúvida, enquanto viviam sua vida aqui na Terra, escolheram agradar a si mesmas. Não procuraram a face do Senhor e nem fazer a Sua vontade. Elas não pagaram o preço necessário para serem cheias do óleo do Espírito Santo. Sua tolice fez com que elas fossem desobedientes, negligentes e desperdiçassem seu tempo e energia. Assim, quando o noivo veio e entrou na festa do casamento, estas cinco virgens foram deixadas para fora. Aquelas que foram obedientes, que procuraram conseguir o azeite necessário, tiveram a permis-são de entrar. Mas aquelas que foram desobedientes, infiéis e preguiçosas em seus procedimentos, foram instruídas pelas outras a ir e comprar- a ir e a pagar o preço solicitado.  Enquanto elas foram, a porta foi fechada e, quando voltaram a bater, não foram admitidas.

Esta passagem corresponde exatamente à outra que já citamos, que diz que nem todo aquele que chama Jesus de Seu Senhor entrará no Reino, mas aqueles que fazem a vontade do Pai. Aqui está uma verdade imensamente séria. É algo que todo crente deveria considerar seriamente. Se, em nossas vidas individuais, somos infiéis e desobedientes, o Filho do Homem virá em um tempo em que não estaremos procurando por Ele (Lucas 12:46) e nos achará despreparados. Já que vimos que nem todo cristão conseguirá entrar, como o conhecimento disto afetará a nossa vida? Minha esperança é que imaginar isto irá sensibilizar alguns que estão preocupados com o próprio prazer, levá-los ao arrependimento e fazê-los começar a viver para o Seu Rei a partir deste momento.

“NÃO CONHEÇO VOCÊ”

Não há dúvida que deveríamos aqui discutir uma frase que é usada nesta parábola e que poderia trazer algum engano. É aquela em que o Senhor é ouvido dizendo :
“Não conheço você.”. Estas palavras são encontradas na passagem que lemos “Nem todos entrarão no Reino” e também nesta parábola das dez virgens. Alguns insistem em que estas pessoas não podem ser filhos de Deus, já que Jesus diz que não as conhece. Eles alegam : “Como poderia Ele dizer “Não os conheço” se Ele os havia gerado?” Por favor, preste atenção cuidadosa à resposta, pois ela é muito significativa. Há muitas razões que explicam a afirmação do Senhor.

Para começar, a palavra “conheço” – a palavra grega que é usada aqui – é traduzida em outro lugar, na Versão do Rei Tiago, como “permito”. Em Rom 7:15 Paulo diz : “Porque aquilo que faço eu não permito.” Isto significa que ele não aprova o que faz. Esta palavra também pode ser traduzida como “atesto”, de acordo com W. E. Vine, em seu Dicionário Expositor de Palavras do Novo Testamento. Usando estas traduções possíveis, Jesus então poderia ter sido ouvido dizendo : “Eu não atesto vocês, ou eu não aprovo vocês. Vocês não atingiram o padrão e, portanto, não foram garantidos ou aprovados.” Estes indivíduos que foram tolos, infiéis e que não fizeram a vontade de Deus enquanto estiveram vivos, não são atestados ou aprovados por Deus quando Ele volta para estabelecer Seu Reino Milenar. Obviamente, Deus conhece a cada um que viveu sobre a Terra. Ele sabe o seu nome e todas as coisas que eles fizeram. Mas quando Ele vier para herdar o Seu Reino, Ele só vai aprovar (conhecer) aqueles que foram fiéis e obedientes.

O Senhor Jesus negaria conhecer alguns de seus próprios filhos? Sim, Ele o faria. É uma de suas solenes promessas que você pode considerar verdadeiras. Ele diz seguramente que “todo aquele que me negar diante dos homens, eu o negarei diante do Meu Pai (Mat 10:33) . Isto significa que Ele vai negar que nos conhece. Ele negará ter nos conhecido porque o negamos. E o que significa negá-lo? Significa que por nossas vidas, incluindo nossas atitudes, palavras, ações e decisões, nós negamos Sua soberania e Seu domínio e Sua autoridade sobre nós. Em resumo, fomos filhos desobedientes. Você não precisa dizer com suas palavras “eu nego Jesus” para negá-lo. Tudo o que você tem a fazer é ignorá-lo e negar que Ele tenha qualquer direito de autoridade sobre a sua vida. Não me leve a mal. Nossa negação de Jesus pode ser verbal e exterior, mas também pode ser não verbal e interior, manifestando-se em teimosia e desobediência e em vida egoísta. As pessoas que conduzem sua vida desta maneira são aquelas para as quais Jesus vai dizer :
“Nunca vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mat 7:23).

Esta situação poderia ser comparada a uma mulher que tinha um filho. Ela amava muito a seu filho e exaltava-o o máximo que podia. Mas, quando ele cresceu, tornou-se desobediente. Vamos imaginar que ele tenha se tornado um assassino, um ladrão, um estuprador, um traficante de drogas e se envolveu com todo tipo de maldade. Sua mãe, naturalmente, se envergonha dele. Suponha que, depois de muitos anos, ele volte para casa e diga : “Ei, mãe, como vai? Você pode me emprestar algum dinheiro?” Esta mulher, provavelmente, diria : “eu não conheço você. Não reconheço que você seja meu filho. Eu me envergonho de você por causa de sua desobediência, rebeldia e más obras e estou negando qualquer conhecimento sobre você. Você não é admitido dentro de minha casa.”  É exatamente assim que será no dia da volta do Senhor com todos aqueles que agiram tola e injustamente.

O EVANGELHO DO REINO DE PAULO

Agora vamos continuar vendo outras passagens das Escrituras que nos dizem especificamente quem irá ou quem não irá herdar o Reino de Deus. Em 1a Cor cap 6 encontramos esta passagem . Aqui Paulo, o Apóstolo, diz: “Vós não sabeis que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o Reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus” ( 1a Cor 6: 9-12)

O que Paulo está dizendo a estes crentes é que, se eles continuarem a viver na rebelião e no pecado em que viviam antes de vir para Jesus Cristo, eles não herdarão o Reino de Deus. Ele os está lembrando que, já que sabem que quem pratica estas coisas não herdará o Reino, eles não deveriam esperar herdá-lo se continuam a fazê-las. Embora as fizessem antes, agora foram limpos e não deveriam voltar a fazê-las. Por que outro motivo ele escreveria esta passagem a estes cristãos? Certamente todos já sabiam que os não crentes não herdariam o Reino de Deus. Mas aqui ele está falando especificamente sobre crentes que, contínua e repetidamente praticam vários pecados. Já que é assim, deveríamos tomar cuidado para não viver da velha maneira porque, se o fizermos, não herdaremos o Reino. Sinceramente, eu oro para que nenhum cristão se permita se decepcionar sobre isto. Ninguém que estiver vivendo uma via insubmissa entrará no Reino de Deus.

Uma passagem em Gal 5 começando no vers 19 diz essencialmente a mesma coisa: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissenções, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro como outrora já vos preveni, que não herdarão o Reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gal 5:10-21). Você conhece algum cristão que está envolvido com estes tipos de pecado? Você mesmo, pratica estas coisas? Se o faz, então você pode estar certo de que não herdará o Reino. Você não tomará posse daquilo que Deus preparou para você. Embora sempre pensemos que não são crentes as pessoas que praticam estas coisas, é uma vergonha dizer, mas é verdade que há muitos cristãos que as praticam.

Vamos começar com a primeira palavra do vers 21:

“inveja”. Quantos de nós invejam os outros e são ciumentos do que eles têm e do que eles são? Quantos de nós têm ódio no coração por alguém? Ou quantos de nós amam contender sobre certos ensinamentos de doutrina? Será que alguns de nós podem estar “servindo a Cristo” com algum tipo de ambição egoísta como motivação? Você não sabe que aqueles que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus? Estou escrevendo isto para alertar você, para dizer-lhe que nem todos entrarão, mas apenas aqueles que são obedientes.
Não só existem crentes que contendem, invejam e odeiam, mas também percebo que há milhares de cristãos, homens e mulheres, que cometem regularmente fornicação e outros pecados sexuais. Há ainda inumeráveis pessoas que professam conhecer Jesus, mas que passam horas incontáveis em bares, bebendo e participando da atmosfera de jogos e de conversação mundana. A coisa mais triste é que muitos dos indivíduos que vêm à Igreja no domingo de manhã, durante a semana fazem outras coisas que levantariam os cabelos de uma pessoa que ama genuinamente o Senhor. É até mesmo verdade que há um número crescente de crentes que usam maconha e outras drogas dizendo que elas intensificam a sua experiência “espiritual”.  Esta é uma mentira do inferno. E é sobre este tipo de atitudes que a Bíblia fala. Ninguém que faça estas coisas entrará no Reino, mas somente aqueles que fazem a vontade do Pai.

A HISTÓRIA DE ESAÚ

Talvez você se lembre da história de Esaú. Ele era o filho primogênito de Isaque e, por isso, herdeiro natural de tudo o que seu pai possuía. Entretanto um dia, retornando de uma caçada, estava cansado e faminto. Seu irmão Jacó havia cozido uma deliciosa sopa de lentilhas. Então Esaú fez uma troca com Jacó.  Ele negociou seu direito de primogenitura – isto é, o direito de ser o primeiro a herdar tudo de seu pai –por comida. Ele trocou algo de valor extremo por uma temporária gratificação terrena, física. Mais tarde, pensando a este respeito, ele mudou de idéia e quis de volta os seus direitos. Ele se chorou e gritou, mas já era muito tarde. Já o havia vendido por um preço muito pequeno.

Esta história ainda nos fala hoje. Hebreus 12: 15-16 nos exorta a “procurar diligentemente não ser alguém que caia da graça de Deus e a não ser qualquer fornicador ou pessoa profana como Esaú que por um pouco de comida vendeu sua primogenitura.”
Este é um retrato exato de como será quando Jesus voltar. Há muitos crentes na Igreja hoje que estão trocando seu direito de herdar o Reino junto com Cristo por prazeres terrenos. Eles estão satisfazendo sua carne com vários tipos de pecados e imaginam que amanhã poderão reinar e governar com Cristo.  Entretanto, estes indivíduos serão excluídos do Reino.  Não serão admitidos, mesmo que gritem com lágrimas de arrependimento. “Lá haverá choro e ranger de dentes” (Mat 25:30). Note bem que o escritor enfatiza especialmente os pecados sexuais. Como é fácil pensar que estas coisas não importam! Quão pequena pode parecer aos nossos olhos uma pequena indulgência sexual! Entretanto, quando a tentação vem, quando a nossa carne clama com cada célula por gratificação sensual, vamos nos lembrar do que está por vir. Nosso destino depende de nossas escolhas. Para muitos, naquele dia “haverá choro e ranger de dentes”. (Mat 8:12)

Eu não estou dizendo que não há espaço para arrependimento. Certamente há: hoje! Mas, quando os céus se abrirem e Jesus aparecer em glória, será tarde demais. Portanto, aproveite esta oportunidade agora mesmo e arrependa-se completamente de tudo aquilo em que você está envolvido que não glorifica a Deus. Mude os seus pensamentos e as suas atividades para conformar sua vida à vontade Dele. Deste modo e apenas deste modo, você estará pronto quando Ele voltar e estará apto a entrar com Ele em Seu Reino e em Sua glória.

Agora vamos ler juntos o cap 5 de Efésios, começando com o vers 1. Aqui Paulo está se dirigindo a crentes.  “Portanto, sede imitadores de Deus como filhos amados.  E vivam em amor, como Cristo também nos amou e se entregou por nós, como oferta esacrifício de aroma agradavel a Deus. Entre voces nao deve have num sequer mencao de imoralidade sexual como tambem de nunhuma especie de impureza e de cobica; pois essas coisas nao sao proprias para os santos. Nao haja obscenities, nem conversas tolas, nem gracejous imorais, que sao inconvenientes, mas, ao inves disso, acoes de gracas.  Porque voces podem estar certos disto: nenhum imoral, ou impuro ou ganancioso , que e idolatra, tem heranca no Reino de Cristo e de Deus.” (Ef 5: 1-5)

Eu creio que estes versos falam por si mesmos. É verdade que em Jesus Cristo fomos limpos destes pecados – que o seu sangue está disponível a nós hoje, para nos purificar. Entretanto, eu gostaria de expor a você que é apenas aqueles arrependidos que confessam os seus pecados a Deus que irão ser purificados (1a João 1:9) Aqueles que são infiéis, rebeldes, desobedientes e continuam cometendo seus pecados sem arrependimento, serão considerados responsáveis.Verdade que são crentes verdadeiros que escaparam da ira de Deus e do Julgamento eterno, mas as Escrituras dizem que eles não herdarão o Reino Milenar.

QUEM IRÁ ENTRAR?

Quem, então, irá entrar no Reino de Deus? Aqueles que submeteram completamente sua vida a Jesus Cristo e permitiram a Ele que expressasse Sua vida e natureza através deles. Jesus ensinou: “Abençoados são os pobres de espírito porque deles é o Reino dos céus” (Mat 5:3) Benditos são os humildes, porque eles herdarão a Terra” (Mat 5:5) Benditos aqueles que são perseguidos por causa de sua justiça: deles é o Reino dos céus” (Mat 5: 10) Estas pessoas que são pobres de espírito, que são humildes, que são obedientes e se submetem à soberania celestial de Jesus Cristo são aqueles que possuirão a Terra quando Ele voltar. São aqueles para os quais Ele vai dizer: “Muito bem, servos bons e fiéis, entrem na alegria de Seu Senhor” (Mat 25: 21)

Uma passagem em 2a Pedro também nos fala claramente sobre este assunto. Começando com o vers 9 do cap 1, lemos: “Porque aquele a quem faltam estas coisas é cego , vendo só o que está perto, esquecido da purificação dos seus pecados de outrora. Por isso, irmãos, procurai com diligência cada vez maior confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum” (2A Pedro 1:9)
Aquele a quem faltam estas coisas é alguém que é tolo, alguém que é preguiçoso e irresponsável em seu relacionamento com Jesus. Pedro nos explica aqui que, se fazemos a vontade do Pai, nossa entrada no Reino estará assegurada. Glória a Deus! Que dia glorioso será aquele em que todas as pessoas que amam ao Senhor Jesus Cristo, que aguardam a sua vinda e que o serviram durante a sua vida, entrarão na alegria e na abundância que Ele está preparando! Oh, aleluia!, que glória será ver todos aqueles santos fiéis, alguns dos quais perderam a própria vida pelo Reino de Deus, entrar nesta maravilhosa experiência de mil anos reinando e festejando.

OS FILHOS DE ISRAEL

Tudo o que está escrito na Palavra de Deus foi escrito para nosso benefício. Portanto, pode ser bom para nós passarmos agora um tempo pensando nos filhos de Israel. Após centenas de anos de escravidão no Egito, Deus os resgatou. Ele mandou Moisés e os livrou de sua pesada carga de escravidão aos caprichos de um rei terreno. Depois de libertá-los miraculosamente, Ele os conduziu pelo deserto para a “Terra Prometida”.  É nesta terra que eles finalmente teriam descanso e viveriam uma vida de bênção e fertilidade. Entretanto, a maioria deles continuamente se rebelava contra Deus.  Re cusavam Sua Palavra e eram desobedientes. Portanto, Deus fez um juramento que eles nunca iriam entrar neste “descanso” e que eles morreriam no deserto.

O autor de Hebreus se refere a esta parte da História demoradamente, para estabelecer algo sério e importante. No início do cap 3 ele começa a citar as Escrituras do Velho Testamento e geralmente desenvolve um paralelo entre o que aconteceu com os filhos de Israel e o que vai acontecer também com os crentes.  Ele usa a história judaica para mostrar um ponto extremamente importante. Aqui o escritor fala do descanso futuro, o sétimo dia de descanso – o Reino Milenar (Heb 4: 4-5). Ele está se referindo ao Dia do Senhor. O Seu dia do descanso está chegando. Ele diz no cap 4 vers 1: “Portanto, temamos que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado”.

Este “vós” mencionado aqui deve se referir a crentes, já que é para eles que o autor escreve. O vers 9 diz:

“Resta, portanto, um descanso para o povo de Deus”. O vers. 11 afirma: “Vamos, portanto, nos empenhar para entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência.”

Aqui temos elucidada para nós clara e cuidadosamente a mesma verdade que temos estado estudando. Isto é, que é possível que uma pessoa possa ser “nascida de novo” para ser um filho de Deus, mas não seja admitida no Reino Vindouro - o descanso que virá. As razões para não entrar são as mesmas do povo de Israel –descrença e desobediência. Eu sugiro que todos vocês leiam os cap 3 e 4 de Hebreus cuidadosamente e vejam, à luz de todas as coisas sobre as quais temos falado, como esta passagem se aplica especificamente ao Reino Vindouro; como o descanso, a vitória sobre o inimigo e o gozo de Cristo em sua glória vindoura, são coisas que precisamos elaborar? para entrar nelas. Nossa entrada no Reino requer diligência e fidelidade. Está claramente escrito aqui que é possível não corresponder ao ideal ou, em outras palavras, não ser capaz de entrar. Até mesmo faz parte das Escrituras o termos dentro de nós um certo temor – um santo e sacro medo de não atingir a medida necessária ao padrão estabelecido por Deus.

QUANDO JESUS VIER

Interessante é que, quando Jesus vier, é a nossa condição que vai determinar se vamos ou não entrar no Reino Milenar de Cristo. Pode ser que tenhamos sido fiéis ao Senhor por muitos anos. Sempre fomos servos fiéis. Mas, conforme vamos ficando mais velhos, certas tentações aparecem. Por ex, talvez pensemos que Deus irá nos perdoar se nos divorciarmos de nossa velha, enrugada, e pouco atraente esposa e nos casarmos com alguma lindinha bem jovem, alguém mais “espiritualmente” ajustado às nossas necessidades.  Talvez tenhamos esperança de não ser “tão mau” apenas nos deliciarmos um pouco depois de tantos anos de serviço. Afinal, podemos imaginar, a benignidade de Deus é grande e Ele compreende as nossas fraquezas.

Ezequiel 18:24 fala muito claramente sobre esta situação: “Mas quando um homem justo se afasta da sua justiça e comete iniqüidade, fazendo segundo todas as abominações que faz o perverso, acaso viverá? De todos os atos de justiça que tiver praticado não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu e no seu pecado que cometeu, neles morrerá”. Não é suficiente ter sido fiel no passado. Devemos permanecer fiéis até o fim. Paulo diz em Fil 3:12:

“que ele não contava já ter conquistado a vitória”.

Naquele tempo, ele não tinha a confiança de já ter “aprendido” (Fil 3: 12-13) Veja você, Paulo tinha definitivamente a vida eterna. Certamente ele já havia nascido de novo. Entretanto, ele não tinha a certeza de herdar o Reino. Ele estava constantemente prosseguindo para o alvo (Fil 3:14). Em 1a Cor 9:27, Paulo diz que : “Eu esmurro o meu corpo e o sujeito à escravidão para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado”. Eu não acho que Paulo temia perder a vida eterna. Ele sabia que “nada o poderia separar do amor do amor de Deus” (Rom 8:35).  Mas ele estava preocupado com a possibilidade de ser “desqualificado”para alguma coisa. Ele sabia que, para herdar o Reino, precisaria continuar fiel até o fim.

Mas, mais tarde, perto do final de sua vida – uma vida cheia de fé e de frutos – ele recebeu confirmação do Reino. Em 2a Tim 4: 7-8 afirma que “agora eu completei a carreira, eu mantive a fé. Finalmente, foi guardada para mim a coroa da justiça”. A “coroa” aqui se refere a reinar no Reino. Assim, vemos que é somente através de uma vida de fé que podemos ter certeza de herdar o Reino com Jesus Cristo. Embora seja possível que alguém outrora fiel venha a se tornar descrente, também é possível para alguém que viveu uma vida de pecado, arrepender-se, tornar-se obediente ao Senhor e ser bem sucedido em entrar no Reino de Deus. Em Deus há lugar para arrependimento.  Nosso pecado pode ser perdoado e nós podemos mudar o curso de nossa vida. Nosso Deus é amoroso e perdoador e permite que retornemos a Ele. Não é o que fizemos no passado, mas como estamos vivendo quando Jesus voltar que irá determinar nossa entrada em Seu Reino. Se você imagina que não está agradando ao Senhor, exatamente agora é a oportunidade de se voltar de novo para Ele, arrepender-se e permitir que Ele reine sobre cada aspecto de sua vida. Mais uma vez Ezequiel nos fala, escrevendo: “Mas se um homem perverso se converter de todos os pecados que cometeu e guardar todos os meus estatutos e fizer o que é reto e justo, certamente viverá; não será morto”. (Ez 18:21-22)
Aleluia! É possível para um filho de Deus pecador retornar a Ele, fazer a vontade Dele e ser capaz de herdar o Reino!

UMA JUSTA RECOMPENSA

CAPITULO 9

No capitilo anterior discutimos o fato que nem todos os filhos de Deus entrarão em Seu Reino Milenar.Muito embora todos eles irão estar com Ele eternamente, ainda assim, nem todos os que invocam o nome do Senhor entrarão na bênção de reinar e de festejar com Ele em Seu Reino. Neste capítulo estaremos investigando um aspecto mais amplo desta verdade. É isto: não só alguns crentes não entrarão no Reino de Jesus, mas alguns deles, que são rebeldes e desobedientes, também serão punidos. Eles não só perderão a preciosa recompensa do Reino, mas serão punidos de várias maneiras, alguns deles severamente, por causa da sua desobediência. Agora estaremos investigando as Escrituras que ilustram esta séria verdade.

A Bíblia nos ensina que Deus “está trazendo muitos filhos para a glória” (Heb 2:10). Que privilégio poder ser um deles! Já que fomos redimidos pelo sangue precioso do cordeiro, fomos salvos da ira de Deus e Ele não trata mais conosco como trata com os seus inimigos. Ao contrário, Ele nos trata como Seus filhos. Entretanto, tornar-se filho de Deus não significa escapar de Sua disciplina ou poder fazer aquilo que queremos. Você também, como pai, não iria permitir que suas crianças fossem rebeldes e desobedientes, mas os impediria de ser assim, disciplinando-os. Da mesma forma, Deus disciplina suas crianças. As Escrituras dizem: “Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo o filho a quem recebe” (Heb 12:6). A palavra “açoite” significa bater com um chicote ou uma vara.. Deus não é o tipo de pai que algumas pessoas são. Ele não advoga permissividade. Ele ama Seus filhos e, em Sua sabedoria, imagina que a disciplina é saudável – que castigá-los pelos seus erros os fará fazer a coisa certa no futuro. De fato, a Sua disciplina em nós prova que somos Seus filhos porque, em Seu grande amor, Ele nos provê correção (Heb 12:8).

Aqui chegamos a um princípio divino muito importante. Gal 6:7 diz: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba, porque aquilo que o homem semear, isto também ceifará”. Seja qual for o tipo de semente que o jardineiro ou o fazendeiro colocarem no solo, este será exatamente o tipo de planta que irá crescer. Se plantar milho, não obterá feijões e, se plantar cebolas, não colherá cenouras. A semente que é plantada produz exatamente conforme a sua espécie. O mesmo princípio é verdadeiro no mundo espiritual.  Conseqüentemente, podemos estar seguros que, seja qual for o tipo de vida que levamos, iremos colher as conseqüências correspondentes, agora e no futuro. Se vivemos uma vida pecaminosa ou, em outras palavras, “plantamos para a carne”, iremos colher o resultado da “corrupção” (Gal 6:8). Se nós “semeamos para o espírito”, iremos receber mais e mais da vida eterna de Deus ou, em outras palavras, maturidade espiritual.  Os filhos de Deus não são imunes a este princípio inalterável. Certamente receberemos o resultado daquilo que estamos semeando hoje.

Não pense que, só porque estamos debaixo da graça de Deus e fomos libertos da ira com a qual Ele irá destruir Seus inimigos, podemos agir conforme nos agrada. Deus não admite zombaria, nem é cego. Não se engane com isto. A Bíblia nos diz que “os olhos do Senhor estão em todo lugar, sobre os bons e sobre os maus” (Prov 15:3). É Ele quem “sonda as mentes e os corações” (Ap 2:23). Ele conhece o que pensamos, sabe aquilo que dizemos e sabe o que fazemos. Todas as coisas que são escondidas dos outros, Ele conhece. E por todas estas coisas seremos chamados a prestar contas diante do Tribunal de Cristo.
Nesta ocasião, embora ninguém corra o risco de ser jogado no lago de fogo, se fomos desobedientes, correremos o risco da punição adequada que merecemos.  Colheremos exatamente aquilo que semeamos. Deus punirá Seus filhos desobedientes. Em Ap2:23 vemos Jesus dizer; “e vos darei a cada um segundo as vossas obras”. Ap 22:12 diz : “Eis que eu venho sem demora e comigo está o galardão que tenho para dar a cada um segundo as suas obras”. E, de novo, em 2a Cor 5:10 :

“Porque todos nos apre-sentaremos diante do Trono do Julgamento de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo”.

A respeito destes versículos, já ouvi algum ensino que, sejam as coisas que fizemos boas ou más, ainda assim Deus nos recompensará; Ele ainda nos abençoará; Ele ainda nos dará apenas coisas boas. Este tipo de pensamento tipifica aquilo que vai causar decepção. De alguma forma o diabo ou os seus próprios pensamentos devem ter levado você a crer em coisas que não podem ser verdadeiras. É impossível semear sementes más e colher boas recompensas. Eu até ouvi dizer: “Bem, aqueles que fizeram o bem receberão muita recompensa e aqueles que fizeram o mal receberão apenas um pouco de “coisas boas”. Eu sinto que devo dizer a vocês, em nome de Jesus Cristo, que isto não é verdade.

Quando a Bíblia usa a palavra “recompensa” ela não se refere apenas a coisas boas ou bênçãos. A palavra “recompensa” também é usada no Novo Testamento para se referir à punição de atos maus. Basicamente, significa que iremos receber nossa “justa recompensa”. Quando Jesus estava pendurado na cruz entre os dois ladrões, um deles disse : “nós recebemos a “justa recompensa” por nossos atos, mas este homem não fez nada errado”(Lucas 23:41). Eles haviam sido crucificados porque haviam feito o mal. Portanto, estavam sofrendo a “recompensa” que mereciam. Quando Jesus Cristo vier com Sua recompensa, não podemos achar que serão só coisas boas, não importa o que tenhamos feito com as coisas que Ele nos deu. Então Ele nos julgará de acordo com aquilo que fizemos com o nosso tempo e nossos talentos (Atos 1: 18, 2a Tim 4:14, 2a Pedro 2:13, Ap 18:6).

Deus puniria alguns de Seus filhos? Sim, na verdade Ele o fará se são rebeldes e desobedientes. Com efeito, esta é uma das grandes promessas com as quais nós podemos contar. Há alguns que dizem que castigar e açoitar a que a Bíblia se refere acontecem somente nesta vida. Eles acham que o Senhor nunca faria isto ao voltar.

Já que é verdade que neste mundo Deus nos disciplina e nos castiga muito, é igualmente verdade que alguns filhos de Deus não respondem a isto. Não estão atentos às admoestações de Deus e não se permitem ser guiados e corrigidos por Ele. Em vez disso, continuam em seus caminhos rebeldes. Freqüentemente estas pessoas consideram as circunstâncias infelizes que sobrevêm a elas como acontecimentos naturais e se recusam a reconhecer a mão de Deus lidando com elas. Algumas acharão qualquer desculpa para não admitir que os problemas pelos quais estão passando são a divina disciplina do Pai Celeste. Estas pessoas empinam seus narizes e endurecem seus corações contra o que Deus está fazendo. Portanto, elas não se beneficiam da divina disciplina nesta vida. Devido a sua disposição resistente, elas não permitem que o Espírito Santo faça a sua obra. Embora elas possam se decepcionar tentando imaginar que tudo está bem, quando Jesus Cristo voltar, todas as coisas serão manifestas. Todas as opiniões escondidas e pensamentos íntimos serão trazidos à luz e estes homens e mulheres que conheciam a vontade de Deus mas não a fizeram, serão justamente punidos por Ele.

Vamos voltar outra vez para Mateus cap. 25 e examinar outra parábola do Reino que nos detalha esta verdade.  Começando no vers 14, esta passagem diz: “Porque o Reino dos céus é semelhante a um homem viajando para uma terra distante, que chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e então partiu. O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois, ganhou outros dois. Mas, o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro de seu senhor. Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco dizendo: “senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei.” Disse-lhe o senhor: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei : entra no gozo do teu se-nhor.” E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: “Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tem outros dois que ganhei.” Disse-lhe o senhor: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei : entra no gozo do teu senhor.” Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse : “Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste, e ajuntas onde não espalhaste, receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.” Respondeu-lhe, porém o Senhor: “Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei?  Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu. Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez, porque a todo o que tem se lhe dará e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.” (Mat 25:14-30).

Quão tremendamente séria é esta parábola! Nela Jesus Cristo está falando sobre seus “servos”. Se pensarmos honestamente sobre ela, chegaremos à conclusão que estes servos eram todos crentes. Eram todos servos do senhor e cada um recebeu Dele talentos para fazer a Sua vontade enquanto Ele estivesse longe. Nenhum descrente se encaixa neste papel. Não cometa o erro de chamar dois servos de crentes e o terceiro de descrente. Todos os três devem ser a mesma coisa. E todos os três são crentes nascidos de novo, que são servos de Jesus Cristo.

Nesta parábola sobre o Reino somos informados que o servo inútil será lançado para fora, nas trevas, onde há choro e ranger de dentes. Não se explica exatamente onde fica ou o que são “as trevas externas”, mas se pode imaginar que é um lugar separado da presença de Jesus Cristo e que é um lugar de profunda procura da alma pelos indivíduos que foram lançados lá. O choro e o ranger de dentes sobre os quais as Escrituras falam são causados pela angústia dos tais crentes que imaginam o que poderiam ter conseguido se apenas tivessem feito um pouco de esforço para se manter fiel. Mas agora eles vêem que é tarde demais. Neste momento eles não podem mais se recuperar para entrar no Reino e são deixados neste lugar de escuridão por mil anos, durante as festas do casamento, até o princípio da “eternidade futura”. Esta é uma punição muito séria. Tenho certeza que é algo que ninguém gostaria de experimentar. Felizmente, nenhum crente tem que experimentá-la, já que Deus nos capacitou a ser fiéis e Ele nos fortalecerá para que sejamos obedientes.

É importante notar que as trevas exteriores não são o mesmo lugar que o lago de fogo e enxofre. Nenhum lugar da Bíblia diz que é. É comum os cristãos pensarem que é o mesmo lugar, mas não deveria ser assim. Há muitas boas razões para se fazer distinção entre eles. Para começar, o lago de fogo não pode ser escuro. Por milhares de anos, até a descoberta da eletricidade, a única maneira de se ter luz em um lugar escuro, era fazer fogo. Um candeeiro ou uma lamparina é simplesmente um pequeno fogo. Portanto, ninguém vivendo no tempo de Jesus iria pensar em um lugar abrasador como sendo lugar de trevas. De fato, pensariam no oposto. Além disso, devemos lembrar que este julgamento dos “servos” acontecerá quando Jesus voltar. Conforme já vimos, nenhum descrente será arrebatado. Portanto, nenhum descrente poderia estar diante do Trono de Julgamento de Cristo quando os outros “servos” são recompensados. É apenas depois do Milênio que os não crentes serão ressurretos e julgados e só então alguém (além da besta e do falso profeta, é claro) será lançado no lago de fogo. Não vamos buscar nossa inspiração em Dante ou em Milton, que retratam o inferno como um local de vários tipos de punições e sofrimentos ( i.e. escuridão, açoites, fogo, etc) . Não, ser atirado em trevas externas é uma punição para os filhos de Deus. É temporário e é algo que acontece no Trono do Julgamento de Cristo, no começo do Milênio.

Aos olhos de muitas pessoas o pecado deste servo não parece ser realmente tão mau. Ele realmente não fez algo ruidosamente mau. Ele simplesmente não fez nada, absolutamente nada. Falamos anteriormente que não há terreno neutro neste mundo. Em nossas vidas estamos participando de um reino ou de outro. Ou estamos vivendo no Reino de Cristo em obediência a Ele ou, conscientemente ou não, estamos servindo o diabo.  Jesus Cristo nos incumbiu de uma comissão para “ir e pregar o Evangelho a todas as nações e a fazer discípulos” (Mat 28:19). Um discípulo é alguém que é obediente e disciplinado pelo seu senhor. Os crentes são incumbidos desta mensagem e recebem várias habilidades para a con-duzir. Se por medo, preguiça ou simples desobediência não exercitamos nossos dons e talentos para cumprir o que Deus nos ordenou, iremos responder por isto no Trono do Julgamento de Cristo.  Nesta ocasião, alguns dos filhos de Deus serão lançados às trevas externas. Haverá choro e ranger de dentes. Alguns crentes não só serão deixados de fora da festa do casamento, mas também serão punidos por sua fadiga e desobediência.
Jesus repete este mesmo aviso em outro lugar, quando afirma: “ Muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos céus, ao passo que os filhos do Reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.” (Mat 8:11-12) Quem são estes filhos do reino? São aqueles que, por virtude de serem filhos, por causa de terem nascido de Deus, têm direito de herdar o reino. Assim como o filho de um homem terreno herdará todo o seu capital quando ele morrer, assim também os filhos de Deus têm o direito de herdar o Reino que Ele prometeu. A tradução de Williams torna isto muito claro, dizendo: “muitos virão do leste e do oeste e tomarão seus lugares na festa com Abraão, Isaque e Jacó, no Reino dos céus, enquanto os herdeiros do Reino serão expulsos para as trevas exteriores, onde estarão chorando e rangendo os seus dentes.” Aqueles entre os filhos de Deus que são infiéis, serão deserdados e não apenas deserdados, mas também punidos.

Há muitos que, erroneamente, tentam aplicar esta e outras parábolas do “Reino” à “eternidade”. Assim, argumentam que o servo inútil que é punido está “perdido”. Eles supõem que ele perdeu a vida eterna.  Ele fora nascido de Deus mas, por causa da sua desobediência, cessou de ser um de seus filhos. Se aceitarmos esta teoria, então temos que assumir que Deus está gerando filhos randomicamente e mesmo irresponsavelmente. Se isto é verdade, então nosso Pai Celeste está permitindo que pessoas recebam a Sua Vida, tornem-se parte de Sua família, sem qualquer plano de lidar com os seus problemas e a suas deficiências. Esta idéia nos leva a pensar no novo nascimento como um tipo de experiência para ver se vai dar certo ou não. Seria semelhante a um pai de doze crianças que, quando algumas delas o aborrecem, mata metade delas, “apartando o rebanho”, por assim dizer.  Não, Deus não faz coisa alguma sem um propósito planejado anteriormente. Ele conhece o princípio e o fim. Na verdade, Ele É o princípio e o fim. Portanto, quando alguém vem a Ele e é recebido por Ele, Ele já tem um plano para poder tratar com ele como um filho e para eventualmente trazê-lo à Sua submissão. Este plano divino inclui disciplina.
Porque Deus está punindo e disciplinando Seus filhos desta maneira? Tudo o que Ele faz relacionado aos Seus filhos, é feito por causa do Seu amor. Então podemos estar certos que esta punição futura tem a mesma motivação. Ele fará isto pelo nosso próprio bem. Este castigo dos filhos de Deus é para demolir a sua obstinação e sua vontade resistente. Se nós não nos submetemos a Ele nesta vida, então Ele trabalhará para corrigir este problema quando Ele voltar. Ele fará isto para que nós possamos aprender a ser obedientes a fim de que, quando a eternidade chegar, estejamos prontos. Quando terminar o Milênio e começar a “eternidade futura” toda rebelião deve ter sido limpa no coração do povo de Deus para que eles possam gozar livremente a nova criação. Deus sabe o que é melhor para nós. Estou certo que o aborrece tremendamente que seus filhos não tenham se aprontado. Mas, em Sua Divina Providência, Ele nos proporcionou uma maneira que nos ajuda para que, eventualmente, estejamos prontos.

MUITOS AÇOITES.

Vamos voltar agora para uma outra passagem em Lucas cap 12, começando com o verso 35. Tenha em mente que esta passagem também é mencionada no contexto do Reino. (Veja o vers 31).

“Cingidos estejam os vossos corpos e acesas as vossas candeias. Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram.Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor quando vier os encontra vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá”. (Lucas 12: 35-37)

“E o Senhor disse: Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente a quem o senhor confiará os seus conservos para dar-lhes sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo a quem o senhor, quando vier, achar fazendo assim. Verdadeiramente vos digo que lhe confiará todos os seus bens. (isto se refere a reinar no Reino do Milênio) Mas, se aquele servo disser consigo mesmo: Meu senhor tarda em vir, e passar a espancar os criados e as criadas, a comer e a beber e a se embriagar, virá o senhor em dia em que não o espera, e em hora em que não sabe, e o castigará, lançando-lhe a sorte com os infiéis. E aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade, será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade de seu senhor e fez coisas dignas de reprovação, levará poucos açoites. Mas, àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão.” (Lucas 12: 42-48)

Aqui elaboramos claramente o fato incontestável que, quando Jesus voltar, alguns de seus servos serão punidos. O servo específico mencionado aqui, foi açoitado com muitos açoites. As palavras da versão do Rei Tiago são “cortá-lo em dois” em vez de “castigará”. Não significa cortá-lo em dois pedaços, mas sim açoitá-lo severamente (de acordo com a versão americana padronizada) e está se referindo à maneira como a pele das costas se solta após repetidos açoites com um chicote. É preciso esclarecer que Deus não é nenhum maníaco que deseja cortar as pessoas em duas partes ou em pedacos, mas um pai amoroso que disciplina seus filhos.

O Senhor castigará realmente os seus filhos de um modo severo? Você pode estar certo que Ele fará exatamente isto se tivermos sido infiéis e desobedientes. Esta disciplina que os filhos rebeldes receberão, será severa e prolongada. É algo que acontecerá durante o Milênio. Além disso, é algo que qualquer filho de Deus inteligente deseja evitar a qualquer custo. Embora eu não possa predizer exatamente de que forma será esta punição, parece possível que, conforme já mencionamos, uma grande parte dela será ver claramente o que eles perderam.  Aqueles que foram desobedientes estarão vendo os outros gozando as recompensas do Reino, enquanto eles foram deixados de fora. Em Lucas 13:28 Jesus alerta sobre a possibilidade “de ver no Reino de Deus, Abraão, Isaque e Jacó e todos os profetas, mas vós lançados fora”. Enquanto estes excluídos estiverem esperando acabar o Milênio, eles certamente terão tempo para rever seu estilo de vida neste mundo. Eu imagino que isto irá causar uma grande e prolongada angústia – “chorar e ranger de dentes” – por ver quão fácil teria sido ser obedientes e como Deus os teria ajudado a superar, caso eles o tivessem desejado.

Embora alguns queiram negar esta dura e desagradável realidade tentando acreditar que as pessoas que serão punidas não são crentes, aqui a Escritura diz claramente que é um crente. Lemos no vers 45 : “Mas se os servos dizem em seu coração Meu senhor está demorando a voltar”. Este é o mesmo servo que no vers anterior é abençoado pelo senhor e designado mordomo de todas as suas coisas. Não deveria haver dúvidas de que este servo sobre quem a Escritura está falando é um filho de Deus que, na parte final desta passagem, torna-se desobediente.

Sim, Deus certamente punirá seus filhos quando eles o merecerem. Tanto nesta vida como no Reino que virá.  Ele recompensará cada homem de acordo com suas obras, sejam elas boas ou más. Todos os filhos de Deus deveriam considerar seriamente esta mensagem. Col 3:23-25, que é uma mensagem escrita a crentes, diz:

“tudo o que fizerdes, fazei como para o Senhor e não para os homens, sabendo que do Senhor virá a recompensa” (isto significa herdar o Reino). “Pois aquele que pratica o mal, receberá pelo mal que houver praticado e nisto não há acepção de pessoas.”

Eu afirmei que a punição destes crentes será temporária - demorará “apenas” mil anos. Através dos anos, muitos têm perguntado se há qualquer texto que prove isto. Existe alguma indicação na Bíblia de que posteriormente Deus irá restaurar de alguma maneira estes indivíduos? Embora não haja referência que afirme isto na Palavra de Deus, isto pode ser fortemente deduzido do fato que estes versos que estivemos estudando são específicos sobre o Reino vindouro. E nós sabemos que o Reino de Deus nesta Terra irá perdurar por mil anos. Além disso, encontramos em Ap 21:4 algo muito interessante. Vamos ler juntos: “E Deus enxugará de seus olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas já passaram.” Expressivamente, esta passagem é registrada depois do Milênio, no início da “eternidade”, quando Deus faz um novo céu e uma nova Terra (Veja o vers 1) . Eu gostaria de submeter à sua consideração que nenhum daqueles que estiver festejando, rei-nando ou descansando com Jesus Cristo estará chorando ou sentindo dores. Eles não terão tristezas. Estarão se regozijando e celebrando. Mas aqui encontramos um outro grupo de pessoas. Eles estiveram chorando e tendo dores e tristezas e precisando de uma atenção especial e consolo. É o próprio Deus quem fará isto por eles, limpando de seus olhos toda lágrima. Acho que não é deturpar as Escrituras imaginar que estas pessoas poderiam ser aquelas que o Pai disciplinou durante o Milênio mas que, agora, no início da “eternidade”, está restaurando e confortando.

Ainda uma outra passagem interessante se encontra em Judas 8-13. Aqui o apóstolo está descrevendo um grupo muito especial que frequenta a Igreja. Estes são “cristãos” que corrompem a carne ou, em outras palavras, são sexualmente impuros, cometendo fornicação e adultério. Eles “rejeitam autoridade” e podemos imaginar que isto signifique a autoridade de Jesus. Eles estão “servindo a si mesmos” e estão “corrompidos como animais” (NIV). Eles não produzem bons frutos, estão servindo a si mesmos e não ao Senhor e deveriam ter o bom senso de se sentir envergonhados, mas não o fazem. Estas pessoas estão participando das atividades da Igreja, mas não estão vivendo no atual Reino de Deus. Em outras palavras, elas não estão submissas à soberania de Deus. É para estes que está reservado um lugar especial, a “escuridão das trevas”. Isto é o mesmo que “as trevas externas” que estivemos estudando. Enquanto algumas versões dizem que a punição é “para sempre” (vers 13), o texto grego não sugere isto. “Para sempre” é normalmente a tradução das palavras gregas “os séculos dos séculos” ou “as eras das eras”. Mas, neste verso, o grego diz: “pelo século” (singular) e não “pelos séculos dos séculos” significando “para sempre”.  Então, isto se refere ao século do Milênio e não à eternidade. A própria interpretação deste versículo também leva a crer que isto na verdade é uma punição para um período de tempo limitado e pré-determi-nado.  (Os textos antigos mais confiáveis não mencionam uma estrutura de tempo na passagem 2a Pedro 2:17).

Irmãos e irmãs em Cristo, eu lhes peço, pelo seu próprio bem, prestem cuidadosa atenção a tudo o que está sendo dito aqui. O modo como estamos vivendo hoje traz monumentais conseqüências! Seja o que for que estejamos semeando, é exatamente a recompensa que iremos colher. Ninguém receberá tratamento especial ou capacidade para escapar da justa recompensa que merecer. Se você ou eu formos desobedientes, seremos punidos pelo Senhor quando Ele voltar. Não apenas seremos deixados para fora da festa do matrimônio, mas por mil anos iremos sofrer a justa disciplina de Deus.

Com estas coisas em mente, vamos examinar cuidadosamente a nossa maneira de viver, para ver se o que estamos fazendo está agradando a Deus. E, se acharmos que não está, então vamos nos arrepender por causa do Reino. Faz parte dos ensinamentos das Escrituras viver sóbria e prudentemente neste mundo, para que possamos agradar ao nosso Deus. As coisas e os prazeres deste mundo que devemos negar a nós mesmos hoje, não são nada em comparação com as coisas que Deus tem preparado para nós. Nossa vida aqui é pequena e transitória. Vale a pena o investimento de passar sabiamente nosso tempo aqui e ganhar um milênio de alegria e regozijo.

PERDÃO E JULGAMENTO

CAPITULO 10

Neste livro temos estudado várias verdades referentes ao Reino de Deus – seja os atuais aspectos dele, seja o Milênio vindouro. Entre estas verdades está o fato de que nem todos os filhos de Deus estão vivendo de uma maneira que os qualificará a participar do reino vindouro de Cristo. Eles serão “salvos” e estarão com o Senhor na eternidade, porém não entrarão no reino vindouro. Um breve sumário destas coisas é encontrado em 2ª Tim 2:11-13, onde lemos:  “Fiel é a palavra: se já morremos com Ele, também viveremos com Ele; se perseveramos, também com Ele reinaremos; se o negamos Ele, por sua vez, nos negará; se somos infiéis, Ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.”

Deus julgará o Seu povo ( Heb 10:30). Não seria possível que Deus julgasse corretamente o mundo se primeiro não julgasse Sua própria casa. De fato, as Escrituras revelam claramente que o julgamento começará na casa de Deus (1ª Pedro 4:17). Hoje nós vivemos na chamada “era da graça”. Em Sua maravilhosa bondade, Deus suspendeu Seu julgamento. Ele contempla do alto os nossos pecados e não está nos tratando da maneira que merecemos. A graça de Deus é um dos aspectos predominantes na era da Igreja. Infelizmente, muitos se decepcionaram com isto. Eles começaram imaginando que, já que o Senhor não está julgando os seus pecados hoje, Ele nunca o fará. Já que eles não experimentam o julgamento de Deus caindo sobre si quando pecam (além, talvez, de uma consciência preocupada), eles supõem que Deus não deve ver ou se importar com o que fazem. O que falham em compreender é que a bondade de Deus deveria levá-los ao arrependimento (Rom 2:4). Em vez de iludi-los a pensar que nunca haverá um julgamento, deveria provocá-los a amá-lo mais e a se entregar mais em Suas mãos para que os seus pecados sejam removidos. Eles deveriam usar a graça de Deus que está disponível hoje para se libertarem do pecado, não para continuar nele.

Muitos têm ensinado que, quando estivermos diante do Trono do Julgamento de Cristo, nossas obras serão julgadas, mas nós mesmos não o seremos. Este é um terrível engano. Nós realmente seremos julgados pelas nossas obras. 1ª Cor 3:12-15 esclarece que nossas obras serão testadas pelo fogo. Mas, conforme lemos esta passagem cuidadosamente, vemos que não apenas nossas obras serão provadas. Nós também passaremos pelas chamas. O verso 15 diz: “se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano, mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.” Além disso, compreendemos que nossa “recompensa” será de acordo com nossas obras (Ap 22:12). No Novo Testamento esta palavra “recompensa” nem sempre indica coisas boas.  Não significa que Papai Noel está chegando à cidade e que nos dará um presente, quer tenhamos sido bons, quer tenhamos sido perversos. Não significa que iremos obter aquilo que merecemos. Nossa recompensa também pode ser negativa. Pode ser um julgamento severo, de grandes proporções.

Já estudamos neste livro uma das conseqüências adversas da desobediência, que é a incredulidade.  Entre elas, estão: ser deixado de fora do Reino Milenar de Cristo (Mat 25: 1-14), ser lançado às trevas exteriores (Mat 25:14-30) e ser açoitado com muitos açoites (Lucas 12:35-48). Conforme vimos, estas punições são para os crentes, já que somente eles são recebidos diante do Trono de Julgamento de Cristo.  Aqui, podemos estar completamente certos de que não há incrédulos presentes. Estes julgamentos são muito profundos e extremamente prolongados. Estas coisas foram escritas para que tenhamos dentro de nós uma parcela saudável de temor religioso. Nós lemos que “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Prov 1:7). O temor do Senhor é um dos mais importantes elementos para uma experiência cristã saudável. É necessário que cada crente tenha dentro de si a compreensão de que as coisas de Deus não são um jogo.  Não acreditamos em algum tipo de conto de fadas. Estas coisas eternas e preciosas que estão disponíveis a nós são extremamente importantes e negligenciá-las traz as mais sérias conseqüências. Os escritores do Novo Testamento ensinam sobre os julgamentos futuros especificamente com o propósito de gerar dentro de nós o temor de Deus.

Um dos muitos exemplos disto encontra-se em 2ª Cor 5:10,11. Aqui Paulo está falando sobre o futuro julgamento dos crentes. Lemos: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo. E assim, conhecendo o temosrdo Senhor, persuadimos aos homens e somos cabalmente conhecidos por Deus; e espero que também a vossa consciência nos reconheça.” Aqui lemos sobre algo chamado “o terror do Senhor”. Pelo contexto somos forçados a concluir que não é algo para os descrentes, mas sim para os Cristãos. Aqui não está falando sobre pecadores infiéis sendo lançados no lado de fogo (o que acontecerá 1000 anos depois), mas sobre os filhos de Deus sendo julgados pelo seu Pai. Aqui há lugar para o “terror”. Aqui precisamos ter uma boa dose de um certo temor das conseqüências por causa de nossa rebelião contra Ele e de nossa resistência à Sua obra em nossas vidas. Compreendendo isto, Paulo diz que dará o melhor de si para persuadir homens e mulheres a se arrepender de seus maus caminhos e a servir a Deus.

Tal temor religioso é um ingrediente essencial na vida de cada cristão. Deveríamos servir o Senhor com grande “reverência e temor santo” (Heb 12:28). Sem ele não progrediremos espiritualmente, não procuraremos o Senhor como deveríamos e acabaremos nos decepcionando.  O temor do Senhor é uma coisa muito saudável. Ele limpará as nossas vidas. Ele nos ajudará em tempos de provações, sofrimentos e dores, a suportar e a perseverar. Ele nos fará procurar o Senhor de todo o coração para não sofrermos estas conseqüências negativas no futuro. O Salmo 19:9 diz que “o temor do Senhor é límpido”. Ele realmente tem um efeito purificador. Quando tememos a Deus de maneira apropriada, orientamos nossas vidas tendo em mente o Trono do Julgamento. Precisamos amá-lo e respeitá-lo para viver em um trabalho obediente a Ele.

Todos nós devemos compreender claramente que as punições que os crentes sofrem hoje e sofrerão no futuro, são terapêuticas. Isto significa que, já que Deus ama os seus filhos, Ele irá usar os meios e os métodos acima mencionados para o bem deles no decorrer do tempo. Embora isto seja claro e as conseqüências da desobediência sejam extremamente severas no Milênio e de longa duração, na verdade nós realmente merecemos o pior. Se não fosse pela graça de Deus e por Sua bondade, nós todos seríamos lançados no lago de fogo.  Mas, através de Jesus Cristo, nós nos tornamos filhos de Deus e, assim, não seremos mais malditos para sempre ou “perdidos”. Entretanto, é certeza que seremos disciplinados por nosso Pai celestial (Heb 12:6). Aqueles que não correspondem a esta disciplina nesta vida, necessitarão de um tratamento mais adiante, quando Jesus vier. Muito embora haja muitos e muitos versículos no Novo Testamento que demonstrem claramente estas coisas, não é um assunto comumente ensinado ou compreendido. Já que é uma informação nova para muitas pessoas, é possível que alguns possam compreender mal porque seus conceitos prévios interferem em sua compreensão da verdade. Grande parte da Igreja hoje não tem temor de Deus, mas, pelo contrário, uma série de meias verdades e equívocos.  Muitos enfatizam apenas um lado do evangelho da graça e negligenciam qualquer versículo que não os agrade. A graça e a bondade de Deus têm freqüentemente sido levadas a um extremo onde elas deixam de ser verdadeiras.

O SANGUE DE JESUS

Um exemplo moderno destes ensinamentos é sobre o sangue de Jesus. Embora o sangue de Jesus seja muito precioso e este autor jamais pensasse em tentar diminuir o seu poder e sua eficácia, hoje em dia há vários erros relativos a este assunto, os quais precisam ser corrigidos. Alguns têm enfatizado uma parte da verdade e negligenciado a outra parte, assim produzindo um ensino assimétrico e, portanto, incorreto. Por ex.: Enquanto meditam na Palavra de Deus, alguns mestres notam que Jesus morreu pelos pecados do mundo inteiro. Ele morreu uma vez e morreu por todos. Em um ato de redenção, Jesus derramou seu sangue para que o mundo inteiro pudesse ser salvo. Por causa disto, eles concluem que, uma vez que “aceitamos” Jesus, todos os nossos pecados são perdoados – passados, presentes e futuros. Eles argumentam que, já que o julgamento caiu sobre Jesus, Deus não vê mais os nossos pecados e não pode mais nos julgar por causa deles. Já que Ele morreu por todos, então o simples pecado de cada péssoa já foi perdoado.  Tudo o que o homem tem a fazer é dar um tipo de aceno de aprovação a este fato ou, em outras palavras, “crer nisto” e então ser “salvo” e estar a caminho do céu.

O problema desta visão é que ela é unilateral. Toda equação tem dois lados. Todo relacionamento envolve mais do que uma pessoa. É assim também com o perdão disponível para nós através do sangue de Jesus. Deus, na verdade, fez a Sua parte. Da parte Dele “foi consumado” (João19:30).

Entretanto, ainda existe o nosso papel para ser representado. De acordo com a Palavra de Deus, nós também devemos fazer várias coisas. Uma das mais óbvias é que precisamos nos arrepender. Se não estamos arrependidos, Deus não irá nos perdoar. Somos ensinados que precisamos nos “achegar a Deus com um coração sincero” (Heb 10:22). Isto significa que devemos estar tristes e arrependidos de todo o nosso coração. Quando Deus vê a nossa sinceridade, Ele provê perdão em abundância. Se não somos sinceros, Ele não nos dará perdão. Na Lei do Velho Testamento, Deus não aceitava sacrifício de pecadores que não estivessem arrependidos. Se alguém estivesse pretendendo continuar com o seu pecado, simplesmente matar um animal inocente não iria livrá-lo do justo julgamento diante de Deus. Ele os considerava hipócritas. Do mesmo modo hoje, aqueles que não se arrependem não são perdoados. Embora, se receberam a Cristo, tenham sido salvos da condenação eterna, eles não escaparão da justa recompensa que Deus lhes dará quando Ele voltar.

Quando você pensa honestamente sobre isto, parece claro que, da nossa parte, nem todos os nossos pecados podem já ter sido perdoados. Por uma coisa: nós ainda não os cometemos, portanto não tivemos ainda a chance de confessá-los e de nos arrepender deles. Somente pela confissão e arrependimento o caminho para o perdão pode ser aberto. Em 1ª João 1:9 somos ensinados: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda a imundície”. A palavra “se” aqui é um importante fator na equação. Da nossa parte no relacionamento, precisamos confessar nosso pecado para receber o perdão. A palavra “confessar” aqui não significa apenas admitir que fizemos algo errado. Por ex, precisamos “confessar” a um amigo alguma obra má que tenhamos feito, realmente sentindo orgulho do fato. Confessar aqui significa confessar diante do Juiz aquilo que fizemos, sabendo que ele tem poder para aplicar-nos condenação. É o tipo da confissão do pecado, onde aquele que confessa admite que é passível de morte, mas permanece diante do Juiz esperando apenas pela sua misericórdia.

Em outro lugar, em 1ª João também encontramos um outro “se” importante. Lemos que: “Se, porém, andarmos na luz como Ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1ª João 1:7). Aqui vemos que há necessidade de andarmos na luz se quisermos nos purificar de nossos pecados. Mas o que isto significa?  Isto quer dizer que dia a dia estamos caminhando em comunhão com Jesus e desfrutando de Sua presença. Se pecarmos, imediatamente teremos consciência do pecado porque sentimos a desaprovação de Deus através do Espírito. Então podemos nos arrepender e receber perdão. Se nos recusarmos a nos arrepender, isto quebra a nossa comunhão com Ele. Nosso relacionamento é afetado e não mais caminhamos na luz. O “se” não está valendo mais. A conseqüência disto é que nosso pecado não é perdoado e corremos o risco do julgamento vindouro.Uma outra passagem que mostra claramente que temos que fazer a nossa parte para receber o perdão está em Mat 6: 14-15 que diz que, se não perdoarmos os que pecaram contra nós, Deus também não nos perdoará.  Se todos os nossos pecados já foram perdoados, como pode ser que Deus não nos perdoará? Aqui vemos novamente que perdão não é automático e universal. Em nossa parte no relacionamento, precisamos ser obedientes a Deus, perdoarmos aos que nos ofendem e nos arrependermos dos pecados que cometemos. Pelo lado Dele, Ele nos dará perdão completo.
Certamente o perdão estará disponível a qualquer pecado. Entretanto, como filhos inteligentes de Deus, não estamos tentando tirar vantagem da situação e pecar o tanto que nos agrada, esperando que mais tarde possamos nos arrepender e escapar da justa punição.  Lemos que: “Se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários” (Heb 10:26-27). Vejam, quando nos tornamos hipócritas e não verdadeiramente arrependidos e simplesmente tentamos tirar vantagem da graça de Deus, Seu sacrifício não está mais acessível a nós. O Pai não permitirá que abusemos de Sua bondade e tiremos vantagem do sangue precioso de Seu Filho. Ele nunca pensará em livrar aqueles que não têm uma atitude correta de coração de sua justa punição. Estes pecados não foram “já perdoados” e, de fato, não o serão.

É necessário dizer que “pecar deliberadamente” não se refere àqueles que ocasionalmente pecam, mesmo quando sabem que estão errados. A maioria das vezes que pecamos, nós sabemos que é pecado. Posteriormente somos convencidos e nos arrependemos diante de Deus.  Esta passagem não se refere a este tipo de situação.

Entretanto, há aqueles que persistem em seu pecado.  Eles conhecem o seu erro, mas continuam em sua rebeldia contra Deus. Por ex, talvez o seu relacionamento pecaminoso com um membro do sexo oposto seja algo que eles amem mais do que a Deus. Eles se recusam a desistir dele. Talvez o seu uso de droga ou excesso de bebidas tenha mais valor do que sua intimidade com Jesus. Eles persistem em sua rebelião.  Para alguns destes, seu pecado se tornou um hábito arraigado. Eles teimosamente se recusam a se arrepender e a voltar seus corações para seu Criador pedindo perdão. Para eles, só resta esperar pelo dia do julgamento.

Somente Deus sabe onde estão os seus limites. Somente Ele sabe como trabalha o coração humano. Somente Ele sabe quando nós vamos além do ponto onde nosso arrependimento sincero não é mais uma opção. Ele certamente sabe quando nós brincamos com as verdades eternas, não as valorizando como essenciais e, assim, endurece nossos corações a ponto de não podermos mais nos arrepender em sinceridade e em verdade. Existe tal ponto? João parece indicar isto em suas epístolas. Ele diz: “há pecado que leva à morte” (1ª João 5:16). Além disso, ele diz que mesmo as nossas orações por esta péssoa não surtirão efeito. Esaú foi um caso assim.  Ele vendeu sua primogenitura por uma gratificação sensual temporária. Nesta situação foi comida, mas há muitos paralelos em nosso atual mundo maligno.  Referindo-se a Esaú, o autor de Hebreus especificamente menciona fornicação (vers 16). Depois Esaú procurou o arrependimento com lágrimas, mas não foi capaz de encontrá-lo (Heb 12:17) Quantos filhos de Deus estão hoje neste estado? Eles foram contra Deus e contra sua própria consciência tão forte e a tal ponto que não são mais capazes de se arrependerem com sinceridade. Eles abusaram tanto da graça de Deus que ela não surte mais nenhum efeito. Eles só têm “uma certa expectação horrível de juízo” (Heb 10:27).

Mais adiante neste capítulo de Hebreus (10:28-31), lemos: “Aquele que tiver rejeitado a Lei de Moisés morre sem misericórdia pelo depoimento de duas ou três testemunhas. De quanto mais severo castigo julgai vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado e ultrajou o Espírito da graça?  Ora, nós conhecemos aquele que disse: “A mim pertence a vingança; eu retribuirei”. E outra vez: “O Senhor julgará a Seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo”. Está claro que esta passagem se refere a crentes. Estas pessoas tinham sido “santificadas” pelo sangue. Somente os cristãos nascidos de novo são santificados. Além disso, lemos que “o Senhor julgará a Seu povo”. Por favor, não ignore estas verdades importantes. Não cometa o erro de tentar escapar das conseqüências óbvias da desobediência aplicando mal estes versículos a incrédulos. Continuar no pecado que você sabe ser errado é insultar o Espírito de Deus, depreciar o valor do sangue por tentar tirar proveito dele oprimindo Jesus, colocando o sacrifício Dele debaixo dos seus pés.

Alguns podem perguntar: o que poderia ser uma punição maior do que a morte mencionada nesta passagem? Para responder a isto, deixe-me contar-lhes uma pequena estória. Eu e minha esposa estivemos por algum tempo envolvidos com um navio missionário que fazia viagens para o Haiti. Já que aqueles que trabalhavam na missão tinham algum tempo para velejar, o assunto de enjôo do mar sempre vinha à tona. Os novatos na missão, inclusive eu mesmo, eram avisados que poderiam enjoar e, se isto acontecesse, o quanto seria ruim. Uma pessoa que tinha muita experiência no mar explicou deste modo: “Há três estágios da doença. O primeiro estágio é quando você começa a se sentir nauseado, fica verde e começa a vomitar. O segundo estágio é quando está se sentindo tão mal que você pensa que vai morrer. O terceiro estágio é quando você começa a temer que não vai morrer e que este mal estar continuará para sempre. Veja você, há coisas piores do que a morte. Entre outras, o sofrimento que parece nunca acabar. Mil anos é um tempo muito longo e tenho certeza que ninguém apreciará a punição que Deus dará a seus filhos desobedientes. “Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Heb 10:31).

Um outro erro referente ao sangue de Jesus é algo assim: “Já que nos tornamos cristãos, Deus não vê mais os nossos pecados. Somos completamente cobertos pelo sangue, de maneira que o Pai não vê mais os nossos pecados, mas apenas vê Jesus”. Isto é uma completa tolice. Não tem base nas Escrituras. De fato, a Bíblia nos ensina o oposto. Lemos: “Todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Heb 4:13). Todas as coisas que fazemos, falamos ou pensamos são tão óbvias e naturais para o nosso Senhor. “Todas as coisas” são claras para Ele. Também somos ensinados que “os olhos do Senhor estão em todo lugar, sobre os bons e sobre os maus” (Prov 15:3). Deus “penetra em nossos pensamentos” (Salmo 139:2).

Queridos irmãos e irmãs, precisamos viver tendo em mente o Trono do Julgamento. Precisamos viver e caminhar à luz de Sua graça, de maneira que cada atitude, ação e palavra estejam disponíveis para sua inspeção e aprovação. É verdade que quando confessamos os nossos pecados e nos arrependemos, eles são removidos para sempre. Entretanto, também é verdade que eles não serão removidos se não estivermos contritos e arrependidos.

O perdão dos pecados está abundantemente disponível para todo crente. É uma das verdades mais fundamentais revelada na Bíblia. É nosso privilégio, como filhos de Deus, chegar diante Dele, confessar nossos pecados em sincero arrependimento e receber o perdão eterno.  Nenhum dos nossos muitos pecados que são de tal maneira perdoados por Deus será relembrado por Ele.  Eles são removidos para sempre, tão distantes quanto o leste do oeste (Salmo 103:12). Diante do Seu Trono de Julgamento, estes pecados não serão um coeficente.  Podemos ter confiança completa neste fato e descansar nossa consciência em Sua graça eterna.

Portanto, amados irmãos e irmãs, vamos chegar continuamente diante do Trono de Deus e nos arrepender de nossos pecados antes que seja tarde demais. Vamos levar a sério Sua oferta de misericórdia e graça e humilhar nossos corações diante Dele enquanto ainda é “hoje” (Heb 3:13). Deus nos ama. Ele enviou Seu Filho para morrer em nosso lugar. Se estamos fracos, Ele nos ajuda. Quando nos sentimos incapazes, Ele pode fortalecer-nos para fazer a Sua vontade. Nossas falhas e fraquezas não deveriam ser uma desculpa para não procurarmos a graça e a vontade de Deus de todo o nosso coração. Conforme andamos com Ele em comunhão íntima, devemos rapidamente nos arrepender de tudo aquilo que Ele nos mostra que é contra a Sua Santa Natureza. Nosso arrependimento abrirá caminho para que a Sua Vida flua em nós e através de nós para nos purificar.Deus não apenas vai nos perdoar, mas também irá nos transformar, daquilo que somos, para aquilo que Ele é. Esta é uma promessa maravilhosa. Será para nós uma grande libertação. Nós podemos ser perdoados e libertos do pecado.

COMPREENDENDO O REINO.

Tenho esperanças que este capítulo será de alguma ajuda para os leitores compreenderem os planos e propósitos de Deus de um modo bem mais claro. Sem esta revelação, é fácil ficar confuso tentando entender certas passagens bíblicas. Alguns, por ex, têm erroneamente tentado aplicar muitos assuntos do Reino à nossa vida eterna. Não considerando o lugar do Reino Milenar no plano de Deus, eles tentam compreender muitos versículos mencionados neste capítulo à luz de nosso destino eterno. Fazendo assim, têm imaginado uma teologia muito insegura e confusa. Tendo lido os versículos sobre julgamento e punição, eles têm sido honestos o suficiente para admitir que estes se aplicam a crentes. Mas, não imaginando a verdade sobre o Reino, são levados a supor que um filho de Deus pode perder a Sua Vida eterna. Muitos destes mestres também vêem a grande necessidade do temor a Deus. Para eles, o ponto de vista “uma vez salvos, sempre salvos” parece retirar todo o temor do Senhor e, portanto, muitas das nossas motivações para fugir dos prazeres do mundo e do pecado. Assim, eles citam muitos destes versículos tentando provar que alguns dos filhos de Deus se perderão. Entretanto, muitos dos versos sobre “perder a salvação” que os mestres usam para provar seu ponto de vista, são verdadeira-mente passagens sobre o Reino vindouro.

Conforme dissemos, o temor a Deus é essencial. É um ingrediente que parece estar perdido na Igreja de nossos dias. É algo que precisa desesperadamente ser restaurado entre o povo de Deus.

Entretanto, para ajudar os crentes a conhecer este temor, precisamos ensinar aquilo que é verdadeiro.  Qualquer doutrina que não seja a verdade, não tem poder de mudar realmente o coração dos ouvintes. Por ex, alguns ensinam que os crentes perdem a salvação se eles pecarem. Mas, cristãos pecadores freqüentemente têm uma experiência imprópria. Suas consciências os incomodam, algumas vezes intensamente, mas eles não se sentem “perdidos”. Ainda sentem algo da presença de Deus em seu espírito. Assim, embora eles possam crer em suas mentes que estão perdidos, o coração deles lhes diz que algo diferente. Embora saibam que o que estão fazendo é errado, freqüentemente se confortam sentindo que Deus não os deixou completamente.O ensino que estão recebendo e a sua experiência não combinam.  O verdadeiro temor ao Senhor não é gerado deste modo.
Um outro problema encontrado no ensino que a salvação pode ser perdida pelo pecado é quantos pecados são necessários? Quão “ruim” é um pecado ou quantos pecados temos que cometer para estarmos realmente perdidos? Aparentemente, deveria ser um pecado realmente mau ou uma grande quantidade deles para habilitar alguém para tão terríveis resultados. Isto então liberta de muita condenação aqueles que têm poucos ou nenhum pecado manifesto, mas estão realmente resistindo ao Senhor em muitas áreas de suas vidas.  Eles são desobedientes, mas não de um modo óbvio que os outros possam notar. Talvez os mais próximos deles percebam que há algum problema, mas a maioria dos crentes que os conhece acham que está tudo bem. Este tipo de ensino apenas toca nos mais óbvios tipos de pecado, mas não penetra no coração e demanda completa submissão ao Rei. Isto não gera o verdadeiro temor ao Senhor. Muitas Igrejas que acreditam na perda da salvação estão cheias de fofocas, mentiras, luxúria, divergências, inveja, murmuração, ódio, ciúme, orgulho e muitas outras coisas . Entretanto, ninguém acredita ou ensina que estes mesmos membros já perderam a sua salvação.

O ensino da perda da nossa vida eterna pretende gerar um tipo de respeito por Deus, o qual irá purificar as vidas dos adeptos. Mas, em minha experiência, isto não acontece. Se honestamente compararmos a quantidade de pecados encontrados nas Igrejas que acreditam na segurança eterna com as que não acreditam, acho que os resultados serão os mesmos. Se pudéssemos deixar de lado fatores externos como o uso de vestidos ou de cabelos compridos ou práticas superficiais, os pecados do coração são evidenciados em ambos os grupos. Os seres humanos são os mesmos em ambientes diversos.

Ainda um outro fator que importa nesta discussão é os dons de Deus. Quando ministramos aos outros usando os dons espirituais que Nosso Senhor nos deu, freqüentemente há um poderoso mover da unção e de Sua presença. Quando nós pecamos ou estamos vivendo em pecado esta unção em nossos dons nem sempre é retirada. Vamos tomar como ex um pregador que tenha o dom da cura. Quando ele prega, sente a poderosa unção em suas palavras e muitas pessoas são curadas através de seu ministério. Vamos supor que este irmão caia em pecado. Ele começa a ter um relacionamento sexual com um membro da Igreja, com a qual ele não é casado.  Naturalmente, sua consciência o condena. Mas, quando ele se põe a pregar, a unção está lá. Ele ainda “sente” a presença de Deus no uso de seu dom ministerial. Talvez algumas pessoas ainda sejam curadas. Assim, ele se consola com este fato. Ele não está perdido. Deus não o deixou . Talvez, ele supõe, o seu pecado não tenha sido tão mau assim ou esteja sendo “permitido” por Deus por causa da sua posição especial, da circunstância ou da necessidade. Claro que isto é uma mentira, mas é fácil nos decepcionarmos, especialmente quando nossa doutrina é imperfeita desde o começo.

Embora alguns insistam que qualquer um que esteja vivendo em pecado conhecido não possa experimentar poder em seu dom, a experiência de muitos crentes, durante anos, conta-nos uma estória diferente.  Incontáveis homens e mulheres de Deus têm se encontrado em tal situação. Eles caíram em pecado mas ainda sabem que Deus, de alguma forma, não os abandonou. Seu dom ainda “funciona”. Eles ainda sentem a unção. Então, eles se apegam às suas experiências e tentam justificar-se em suas próprias mentes e corações. O que é necessário nestes casos é o evangelho do Reino. Estes irmãos e irmãs necessitam desesperadamente conhecer a verdade. “De Deus não se zomba” (Gal 6:7). Eles não podem continuar a servir ao Senhor e a viver em pecado conhecido. Quando Jesus voltar, eles irão colher exatamente o que estão semeando. A menos que se arrependam, serão levados a julgamento por estas coisas e punidos pelo Pai Celestial por causa delas.
Este livro não tem o objetivo de tratar o assunto da segurança eterna de uma maneira intensa e completa.  Entretanto, é minha esperança que muitos leitores irão ter, através deste texto, nova luz para interpretar a Bíblia de um modo claro e coesivo. Eu também gostaria de recomendar, para uma melhor compreensão do quadro completo, a leitura de meu livro “De Glória em Glória” que examina detalhadamente o assunto da salvação.
O que faz com que os crentes passem a temer a Deus é uma boa dose de Sua verdade, pregada sob a unção do Espírito Santo. Precisamos muito da revelação dos Apóstolos do Novo Testamento referentes ao Reino de Deus e do vindouro Julgamento de Seu povo.O Evangelho do Reino era algo muito bem compreendido pelas Igrejas nos dias de Paulo. Faremos bem se o praticarmos e o pregarmos também.

O FILHO VARÃO

CAPÍTULO 11

Continuando nossa discussão sobre o importante tema que é como Deus está trabalhando para estabelecer Seu Reino nesta Terra e vencer Seu inimigo, vamos ler juntos o livro do Apocalipse cap.12, vers. 1-11:

“Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça, que, achando-se grávida, grita com as dores do parto, sofrendo tormentos para dar à luz.
Viu-se também outro sinal no céu, e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas.
Sua cauda arrasta a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a Terra; e o dra-gão se deteve em frente a mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho ao nas-cer.
Nasceu-lhe, pois, um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. E o seu filho foi arrebatado para Deus até ao seu trono.
A mulher, porém, fugiu para o deserto, onde lhe havia Deus preparado lugar, para que nele a sustentem durante mil, duzentos e sessenta dias.
Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e os seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles.
E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a Terra e, com ele, os seus anjos.
Então ouvi grande voz do céu, proclamando:
Agora veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo, pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante do nosso Deus. Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida.”

Vamos começar a nossa investigação sobre o significado desta importante visão com a questão: “Quem é este filho varão?”

Há duas possibilidades a se considerar aqui. A primeira opção é que poderia se referir a Cristo.  Nosso principal indício para a identidade desta criança se encontra no vers. 5, onde le-mos que ela se destina a “reinar sobre todas as nações com cetro de ferro”. Assim, seja ele quem for, foi escolhido por Deus para reinar sobre toda a Terra. Em Ap cap19 lemos sobre um cavaleiro que cavalga um cavalo branco e que irá reinar sobre todas as nações com um cetro de ferro (vers. 15). Esta é uma referência clara a Jesus Cristo vindo estabelecer Seu Reino na Terra. Portanto, a primeira possibilidade é que esta criança pode ser o Senhor Jesus.

Entretanto, há também uma segunda opção que deve ser considerada para identificar a criança. Em Ap 2:26-27 lemos: “ao vencedor, e ao que guardar até ao fim as minha obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações e com cetro de ferro as regerá, e as reduzirá a pedaços, como se fossem objetos de barro.” Então, aqui vemos que há uma segunda possibilidade. Há uma outra “pessoa” ou “grupo de pessoas” a quem esta mesma autoridade será dada. Conseqüentemente, esta criança poderia ser um grupo de seguidores de Jesus Cristo, que demonstraram, através de suas vidas e de suas obras (vers. 26), que foram fiéis e, portanto, venceram”. Daqui pra frente, iremos nos referir a eles como “os vencedores”.

Se este “filho varão” é Jesus Cristo, então a mulher que o dá à luz, tem que ser Maria. Historicamente, Jesus não foi levado ao Trono de Deus “logo que nasceu” (Ap12:4) para evitar que fosse devorado pelo dragão. Também sabemos que Maria não “fugiu para o deserto” após a ressurreição de Jesus, por “um mil, duzentos e sessenta dias”. De fato, apenas alguns meses após a crucificação, ela foi citada como presente na “sala superior” com os discípulos, no dia de Pentecostes (Atos 1:14). Portanto, sem deturpar nem torcer as palavras da Bíblia, além de qualquer reconhecimento, a “mulher” não pode ser Maria e, portanto, o “filho varão” não pode ser Jesus Cristo.

Isto então, nos deixa com uma segunda possibilidade. O “filho varão” aqui deve ser um grupo de “vencedores”, a quem o próprio Jesus prometeu que iria reinar sobre as nações com um cetro de ferro. Esta compreensão é fortalecida mais além, quando lemos que “a criança” (singular) é mais tarde mencionada como “eles” (plural). No vers. 11 deste capítulo, vemos que “eles o venceram (o dragão) pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho”. As-sim esta criança, com o decorrer da visão, se revela como sendo um grupo de indivíduos espiritualmente vitoriosos. A identidade da “mulher” então, teria que ser a Igreja ou algum tipo de agrupamento do povo de Deus.

A chegada deste “grupo” ou “criança” diante do Trono de Deus, tem um resultado surpreendente: ela provoca uma guerra. De repente, Miguel e todos os seus anjos estão lutando contra o dragão e os seus anjos. Quando a batalha termina, as forças de Miguel vencem e o diabo é lançado para fora do céu, juntamente com os seus anjos caídos. Isto nos leva a ponderar sobre uma outra importante questão. Se Miguel tem as forças necessárias e o poder para vencer o inimigo e atirá-lo para fora do céu, por que isto não foi feito antes?  Por que ele não foi expulso antes? É claro que há cristãos que pensam que o diabo já foi lançado para fora do céu. Entretanto, este não é o caso. Lemos aqui no livro do Apocalipse, no final da era da Igreja, que o diabo ainda está “no céu” (Ap 12:3). Também vemos em outras Escrituras (Ef 3:10 e 6:12) que o diabo e os seus anjos estão “nos lugares celestiais”, bem agora, reinando com autoridade sobre a Terra. O diabo é, na verdade, o “príncipe das potestades do ar” (Ef 2:2).  Portanto, quando Jesus disse que Ele viu Satanás cair do céu como um raio (Lucas 10:18), isto também deve ser uma visão profética ou a descrição de como ele se rebelou contra o Altíssimo na primeira vez.

NÃO HÁ “LUGAR” PARA ELES.

Então vamos considerar aqui que é a chegada da criança diante do Trono de Deus que precipita a guerra. O vers. 8 nos dá o discernimento necessário. Aqui nós lemos que “não havia mais lugar para eles (o diabo e seus anjos) no céu”. Antes da chegada da criança, parece que Satanás e suas forças tinham algum tipo de “lugar” no céu. Mas, quando a criança chega, seus lugares foram ocupados. Aqueles que foram autorizados a substituir esses maus governantes, finalmente chegaram. Aparentemente isto deu a Miguel e a seus anjos o direito de lutar contra as hostes do diabo, vencer a batalha e, finalmente, lançá-los para fora.  Agora mesmo Satanás e seus anjos estão reinando sobre a Terra da sua posição de poder nos “lugares celestiais”. Mas está chegando um dia, talvez muito breve, quando as “estrelas do céu cairão e os poderes dos céus serão abalados” (Marcos 13:25). Você se lembrará do cap 5 onde os anjos são algumas vezes citados como “as estrelas do céu” (Jó 38:7, Dn 8:10).  Embora isto ainda não tenha acon-tecido, é algo que Jesus profetizou e que irá acontecer. Os atuais soberanos deste mundo perderão o seu lugar nos céus e a sua autoridade será removida.

O que é que esta criança tem de tão especial? No vers.  11 nós lemos que “eles o venceram (significando o diabo)”. Este seleto grupo de homens e mulheres é essencial para o plano de Deus, porque eles são aqueles que foram vitoriosos em suas vidas cristãs.  Eles são aqueles que contenderam contra “os principados e potestades nos lugares celestiais” (Ef 6:12) e venceram. Eles são aqueles sobre os quais as tentações do diabo não têm influência. Portanto, estão qualificados para reinar sobre a Terra com Cristo, tomando o lugar dos atuais regentes espiritualmente malignos. Você se lembra como falamos do plano de Deus no princípio? Como Ele criou o homem com o propósito de que ele viesse a se submeter a Deus para recobrar a Terra perdida para o reino do diabo. Você se lembra também como, quando a maioria falhou em fazer a Sua vontade, Ele se voltou para um grupo seleto de pessoas vitoriosas, através das quais Ele poderia cumprir os Seus propósitos?

Bom, aqui nós vemos que, no final, Deus irá vencer.  Ele irá, morando em nós e vivendo através de homens e mulheres submissos a Ele, demonstrar Sua autoridade ao Universo. “Para que, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais” (Ef 3:10).

Infelizmente, parece que estes maus espíritos sabem muito mais sobre isto do que nós. Muitos cristãos têm dificuldade em compreender porque o diabo está lutando contra eles. Porquê ele se importa se Deus deseja encher o céu com um grupo de seres humanos que Ele redimiu aqui na Terra? Que importância tem para Satanás o fato de muitas pessoas nascerem de novo? O elemento significativo aqui é que cada um que recebe a vida eterna se torna uma ameaça em potencial para o seu reino. Cada novo bebê espiritual tem potencial para crescer até a maturidade, submeter-se completamente a Deus e tornar-se uma ameaça ao império do diabo. Cada crente tem capacidade de vencer. Cada filho de Deus tem o Altíssimo morando dentro dele e, portanto, tem a possibilidade de viver vitoriosamente neste mundo.

Veja, deve haver um número finito de anjos caídos que estão trabalhando para Satanás, Ap12:4 menciona que ele arrasta um terço das “estrelas” para a Terra com a sua cauda. Assim, logicamente, Deus necessita do mesmo número de seres humanos que venceram para tomar o lugar destes seres malignos na soberania do mundo.  Embora esta idéia sobre um determinado número possa não ser exatamente correta, parece importante que Deus tenha pelo menos estes vitoriosos, através dos quais Ele possa reinar. Estes, então, irão tomar o lugar destes maus espíritos que hoje estão exercendo autoridade sobre a Terra.
Neste ponto, quando o filho varão é afastado, Satanás é totalmente derrotado. Note o hino que é cantado depois deste acontecimento, começando no vers.10 do cap. 12.

“Agora veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do Seu Cristo: pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite diante do nosso Deus. Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Ap12:10-11). Glória a Deus! Agora chegou a salvação, o poder e o Reino!  Finalmente o Reino de Deus é manifesto em vitória!

Isto explica porque o diabo e seus anjos estão lutando contra você e contra mim. Eles estão constantemente tentando nos desencorajar, nos fazer desistir e a ceder às suas constantes tentações. Eles estão batalhando para nos fazer pecar, de qualquer maneira.  Pode ser pecado grave como fornicação, adultério, roubo, etc, ou simples e “inocentes” pecados tais como fofocar e criticar outras pessoas, perder a calma, cobiçar algo que alguém possua, ter pensamentos orgulhosos ou qualquer outra coisa. Então, tão rápido quanto nós mordemos a isca e pecamos, eles correm diante do Trono a fim de nos acusar.
No vers.10 desta passagem, vemos que estamos sendo acusados diante de Deus dia e noite. Mas, porquê eles estão nos acusando? É para demonstrar ao Altíssimo que eles estão vencendo. É para mostrar que estão nos derrotando com o seu poder e que nós estamos sucumbindo às suas tentações. Isto é essencial para eles porque, enquanto eles puderem nos desapontar e ter suas pequenas (ou grandes) vitórias sobre nós, eles conseguem provar a Deus que nós não estamos qualificados para tomar o lugar deles. Embora possamos ser perdoados e sejamos ainda amados por Deus, isto não nega o fato que, quando pecamos, revelamos ao Universo observador que ainda não estamos qualificados para reinar no lugar das atuais forças malignas.

Você está sendo tentado e testado em sua vida diária?  Você está passando por uma situação que parece muito difícil, senão impossível de suportar? Parece que não há saída, exceto pecar? Não faça isso! Deus pode lhe dar graça para contrariar toda e qualquer provação e tentações. Você nunca será feliz fora da perfeita vontade de Deus. O Universo está observando. De fato, a própria criação está gemendo em dores como uma mulher em trabalho de parto, esperando que os filhos de Deus sejam manifestos (Rom 8:19).
Bebês são bonitos. Algumas vezes eles são graciosos e fofinhos. Entretanto, os filhos e filhas maduros é que são úteis para trabalhar e ajudar a família. Também é assim na casa de Deus. Nosso Pai está procurando por aqueles que serão fiéis, aqueles que continuarão a segui-lo em todas as circunstâncias e provações, aqueles que permitirão que Ele demonstre Sua vitória em suas vidas.

O modo como vivemos é essencial, não apenas pelo nosso próprio bem, mas também pelo Reino de Deus e até mesmo por toda a criação. Nossas escolhas diárias têm muitas conseqüências. O plano de Deus para seus filhos não é apenas dar a eles um novo nascimento e então varre-los para fora do céu. Não, as intenções Dele são muito mais profundas do que isso. O que Deus está planejando requer nossa completa cooperação e fidelidade. Sua vontade é estabelecer Sua autoridade sobre a Terra, sobre os habitantes e também sobre o território. Ele fará isto atra-vés do seu representante, o homem. O vaso fraco e frágil que o diabo menosprezou e derrotou no Jardim do Éden irá, pela graça de Deus, finalmente vencer o inimigo de Deus e ter domínio sobre a Terra.

Deus está trabalhando nos seres humanos e agindo através deles para derrotar Seu inimigo. Quando este trabalho se cumpre em nós, nos tornamos filhos maduros de Deus, capazes de resistir aos esforços e tentações do maligno. Em 1a João (2:13) lemos sobre um grupo de cren-tes que são chamados “homens jovens”. Estes, João diz, “venceram o maligno”. Quando ho-mens e mulheres cristãos se submetem a Deus a cada dia e começam a viver mais e mais na vitória de Cristo, as portas do Inferno começam a tremer. Os principados e potestades vêem mais e mais santos sendo formados, Eles vêem que suas decepções e tentações não estão funcionando mais e que estão sendo derrotados por modestos seres humanos que são submissos e cheios do Deus vivo.

Creio que nos dias de hoje seus esforços estão se tornando mais desesperados conforme vêem que está chegando o dia em que os filhos maduros de Deus serão manifestos para que todo o Universo veja (Rom 8:19) e então tomem o lugar deles como soberanos deste mundo.

Você pode ver por esta pequena explicação porque nossa vida diária é tão importante, tanto para Deus quanto para nós? Cada pequeno detalhe de nossas vidas, todas as nossas atitu-des, palavras e ações estão sendo monitoradas por muitos seres diferentes. Há, na verdade, “uma grande nuvem de testemunhas” (Hb 12:1).  Quer gostemos, quer não, quer queiramos ou não, estamos envolvidos em uma batalha pelo controle da Terra. Cada filho de Deus está emvolvido nesta luta.  Conseqüentemente, não é suficiente simplesmente ter uma aparência de retidão, talvez sendo um “recepcionista” na Igreja, renunciar a uns poucos pecados “graves” ou fazer umas poucas coisas para Deus. Agora nós vemos que é essencial para cada filho de Deus realmente permitir que Jesus Cristo reine sobre cada aspecto de seu ser. Ele precisa ser Senhor dos nossos pensamentos, de nossas palavras, nossas atitudes e nossas ações. Ele deve ser Aquele que deve ser visto em nós e através de cada aspecto de nossas vidas. Precisamos entrar para o Reino de Deus hoje.  Somente permitindo que a vida de Deus domine e predomine em todo o nosso ser, iremos experimentar ser “vencedores”.

Eu espero que isto possa esclarecer para todos os leitores porque freqüentemente achamos tanta dificuldade em tentar viver uma vida cristã. Os poderes do inferno estão em posição de ataque contra nós. As forças do inimigo estão constantemente tentando nos mostrar que “o lugar delas” como soberanos do mundo está seguro. Entretanto, Nosso Senhor Jesus Cristo venceu a todos. Ele correu a corrida antes de nós (Hb 6:20) e exibiu a vitória de Deus. Portanto, já que agora Ele vive em cada um de Seus filhos, pode mostrar a mesma vitória em nossas vidas. Ninguém é demasiadamente fraco. Ninguém é incapaz.

Conseqüentemente, quando aparecermos diante do Trono de Julgamento de Cristo, não haverá desculpas aceitáveis. O mais terrível poder do Universo vive dentro de nós. O homem Jesus Cristo, que venceu cada tentação do diabo e exibiu a vida e a natureza de Deus ao mundo, está vivendo dentro de cada cren-te. Tudo o que temos a fazer é submeter nossas vidas completamente a Ele e permitir que Ele domine cada aspecto delas. Desta maneira, sua vitória será manifestada através de nós.

Surpreendentemente, estas mesmas provações e tribulações que o diabo está tentando usar para nos derrotar também são usadas por Deus. O que o diabo tenta fazer para nos tentar e nos desencorajar, nosso Pai está usando para o nosso bem. Ele está usando nossas dificuldades para purificar nossas vidas. Toda tribulação por que passamos nos dá a vitória pelo poder de Jesus, serve para nos transformar à imagem de Cristo. Nossas dificuldades revelam o pecado dentro de nós. Então, conforme nos arrependemos e nos entregamos a Deus completamente a fim de que Ele possa trabalhar em nós, somos transformados à Sua semelhança. Veja, até mes-mo o diabo é usado por Deus para cumprir Seus propósitos na Terra. Então, não se desencora-je, “tudo está trabalhando para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo os Seus propósitos” (Rom 8:28).

A MULHER

Já que descobrimos juntos que “o filho varão” de Ap 12 é um grupo de crentes vitoriosos, como devemos entender a mulher que o dá à luz? Enquanto esta mulher poderia ser um tipo de “combinação” de várias coisas, tais como Israel, os crentes da Nova Aliança, toda a criação, etc, parece evidente que o grupo do povo de Deus que conhecemos como “Igreja” deve, pelo menos, fazer parte desta “mulher”, se não for a mulher completa. É a Igreja quem está cooperando com Deus para gerar crentes vitoriosos. É através da Igreja que Deus irá mostrar sua sabedoria multiforme (Ef 3:10).  E, então, é a Igreja que deve reunir pelo menos a maior parte deste grupo.

Entretanto, conforme examinamos a Igreja como ela é hoje, chegamos a uma conclusão infeliz. Nem todos que fazem parte dela estão vivendo em vitória espiritual.  Muitos cristãos não estão vivendo no Reino de Deus hoje – quer dizer, não estão permitindo que Cristo reine sobre cada aspecto de suas vidas. Embora possam ser nascidos de novo, não estão aproveitando a oportunidade para permitir que a vida de Deus predomine neles e viva através deles. A vida deles ainda exibe muito da velha natureza. Muitas de suas buscas são mundanas e muitos dos seus pecados ainda estão em evidência. Conseqüentemente, eles não podem ser considerados como parte do “filho varão”, mas simplesmente parte da mulher. Eles não estão exibindo a vida vitoriosa e a vitória de Jesus sobre o diabo.

Notamos no vers. 14 que, quando a mulher é salva do dragão e levada para o deserto, ela necessita de nutrição. Ela necessita de alimento. Possivelmente, isto é uma referência ao fato que o homem “no corpo” hoje não está conseguindo o alimento que necessita.  Eles não estão crescendo para atingir a maturidade e a vitória, em parte por causa da falta de alimento espiri-tual adequado. É então, no deserto, que ela é “nutrida” com algum tipo de alimento que irá ajudá-la.  Eu não sei como é que Deus irá cumprir todas estas coisas, mas é interessante ver como Deus está tomando conta de todo o Seu povo, mesmo daqueles que ainda não estão como deveriam estar em matéria de crescimento e maturidade espiritual.

Isto nos leva a uma observação interessante. Uma mulher grávida é uma pessoa que carrega dentro dela uma outra pessoa. Há um corpo dentro de um outro corpo. Quando a criança é um macho, tem potencial para ser mais forte do que aquela que lhe dá a vida.  Aplicando isto à Igreja de hoje, começamos a suspeitar que dentro “desta mulher” que em muitos aspectos não parece estar cumprindo os propósitos de Deus para vencer as forças do mal, existe um outro “corpo”.  Dentro da mulher, que poderia ser vista como um tanto quanto fraca, vive um varão forte e vitorioso. Isto é verdadeiro, não apenas na Igreja de hoje, mas é uma situação que, sem dúvida, existiu desde os primeiros dias da Igreja. Conseqüentemente, olhando para a Igreja como um todo e para o estado despreparado em que se encontram muitos crentes, não devemos nos desencorajar. Devemos confiar em Deus que, no meio do que parece ser uma desordem, Ele está trabalhando para cumprir Seus propósitos. Ele possui muitos filhos, assim como nos dias de Elias (1a Reis 19:18) que foram bem sucedidos em vencer e dar testemunho de sua vitória.

Em Mt 22:14 Jesus nos ensina que muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”. O que isto significa? Qual o critério para que estes “poucos” sejam escolhidos? Porque eles são poucos? Desde a morte e a ressurreição de Cristo, Nosso senhor tem chamado para Si milhões de indivíduos. Entretanto, conforme já afirmamos, muito embora muitos venham a Cristo a cada dia, somente uns poucos destes estão tomando posse da vitória que foi comprada para eles.  Somente uns poucos crentes são bem sucedidos em derrotar as forças do mal. Parece que a maioria não está exibindo retidão em suas vidas diárias para serem qualificados a substituir os principados e as potestades que agora estão no controle. Entretanto, estes não estão qualificados para reinar. Apenas aqueles que têm um testemunho (Ap 12:11) diante de Deus e do Universo observador, mostrando que foram fiéis, podem tomar posições das regiões satânicas e reinar. Portanto, apenas estes podem ser “escolhidos” por Deus para exercer Sua autoridade sobre o planeta e eventualmente sobre o Universo.

Não podemos seguir muito além sem uma importante palavra de advertência. Quando começamos a compreender estas coisas, há a possibilidade de um erro no qual muitos filhos de Deus têm caído. É que alguns começam a pensar em si mesmos como “vencedores”. Junto com este pensamento vem também um outro que diz que os outros não são tão adiantados espiritualmente como eles são. Inumeráveis grupos, Igrejas, indivíduos que começam a entender estas e outras verdades semelhantes, pensam que, pelo fato deles as entenderem, então eles precisam realmente ser o que eles vêem. A verdade é que Deus está revelando a eles a meta e não a posição deles na corrida. Eles vêem o que Deus quer, mas não onde eles realmente estão. Este é um sério engano. Não somos nós que vamos decidir se iremos ou não entrar no Reino Vindouro de Deus. Nós não somos nossos próprios juizes nem juizes dos outros. Quando começamos a pensar que somos os melhores ou mais bem preparados, esta é a prova que deixamos de ter uma atitude humilde e então não estamos mais vivendo no Reino. Quando começamos a imaginar que nós ou o pequeno grupo que concorda conosco somos um tipo de elite espiritual, nós nos tornamos desqualificados para entrar no Reino por nosso orgulho e arrogância.

OFERTAS ESPECIAIS

Muito embora a porta de entrada do Reino Milenar de Jesus Cristo seja aberta a todos os crentes, nem todos são escolhidos para entrar. Por várias razões, muitos dos filhos de Deus recusam Sua justa soberania sobre suas vidas e vivem abundantemente para eles mesmos e para os prazeres deste mundo. Talvez seja esta a razão pela qual , no livro do Apocalipse, Jesus Cristo emite muitas chamadas para “os vencedores”. Quando fala a cada Igreja, Ele afirma os atributos delas e suas fraquezas e então faz uma oferta especial àqueles que desejam vencer – aqueles que têm “ouvidos para ouvir” (Ap 2:7).

No tempo em que foi escrito o livro do Apocalipse, ficou aparente que nem todos os crentes seriam obedientes e então Deus expede uma chamada para aqueles que irão responder a Ele e lhes promete recompensas especiais (Veja Ap 2:7, 11,17, 26-28; 3:5, 12,21). Na leitura destes versículos não deveria haver dúvida de que muitas recompensas que neles mencionadas se aplicam ao Reino Vindouro. Os versículos que falam de reinar sobre as nações com um cetro de ferro (Ap 2:27) e sentar com Ele em Seu trono (Ap 3:21) são referências óbvias a compartilhar a autoridade com Cristo durante o Reino Milenar. As passagens que mencionam ter o direito de comer da árvore da vida (Ap 2:7) e comer do maná escondido (Ap 2:17) mostram o aspecto festivo da experiência do Reino. Um par de outras promessas vitoriosas que se referem ao Reino são aquelas que mencionam estar vestidos de branco e aquela em que Jesus promete confessar o nome dos crentes fiéis diante do Pai e dos anjos (Ap 3:5). Você deve se lembrar que já discutimos no cap. 9 quem o Senhor irá confessar conhecer naquele dia. Jesus está cha-mando a homens e mulheres hoje, a todos que podem ouvir, para vencer. Ele está dizendo: “se você vencer, irá festejar comigo, se você vencer, irá reinar comigo, se você vencer, eu o recom-pensarei com muito mais do que você pode compreender ou imaginar”.

Finalmente, através destes vencedores, a ordem original de Deus dada ao homem se cumpre. Aqui está um grupo de indivíduos feitos à imagem e semelhança de Deus que têm tido e que terão domínio sobre a Terra.  Eles conquistaram as forças hostis que as subjugavam.  Eles não vivem de acordo com o governo de Satanás, mas de acordo com Deus e, fazendo assim, eles dão a Jesus Cristo o direito de proclamar esta Terra como Sua e estabelecer Seu Reino Milenar sobre ela. Estas pessoas preferiram Jesus Cristo ao diabo e a qualquer parte de seu reino e desejaram sacrificar suas vidas para ver o Reino de Deus trazido para esta Terra. Louvado seja Deus por tais homens e mulheres que desejaram pagar qualquer preço para ver o Reino deste mundo transferido para Jesus Cristo, cumprindo assim a oração que Ele fez ao Pai “Venha o Teu Reino, assim na Terra como no céu” (Mt 6:10).

Agora, deixe-me perguntar-lhe: “você será um destes?”.  Você tem a oportunidade. A chamada de Jesus para os vencedores é para todos aqueles que têm ouvidos para ouvir. As portas não estão fechadas a homem algum, mas você precisa desejar se é necessário (e provavelmente será) dar tudo por causa do Reino. Se você estiver pronto e desejoso, Deus está pronto e capacitará você a viver desta maneira. Sua vida vivendo dentro de você, dará a você a força que você necessita para vencer o mundo, Satanás, o “ego” e o pecado – todas as coisas que estão no caminho.

Que Deus possa, por Sua terna misericórdia, garantir a você o desejo de viver para Ele até que Ele volte.

VIVENDO EM VITÓRIA

CAPITULO 12

Estivemos examinando a magnífica possibilidade de viver uma vida que derrota o inimigo. Temos visto que, dentro do corpo de Cristo hoje há muitos milhares de homens e mulheres que são, através do poder de Deus, bem sucedidos em resistir à tentação e a permanecer fiéis em meio a muitas tribulações. Assim, eles estão manifestando a vitória de Jesus ao Universo que tudo observa. Mas, como poderemos nós também viver deste modo? Como podemos também nós exibir aos principados e potestades a multiforme sabedoria de Deus?
Alguns têm ensinado que a sua vitória sobre as forças invisíveis do mal é uma questão de batalha espiritual.  Na Igreja de hoje este é um tópico muito popular.  Muitos estão escrevendo livros, conduzindo seminários e focalizando atentamente este aspecto da vida cristã.  Entretanto, parece que muito do que está sendo estudado – embora estes que estejam ministrando o ensino estejam com boas intenções – envolve muitos equívocos e até mesmo uns enganos. Já tocamos neste assunto antes, no cap.5. Lá estudamos a probabilidade de anjos caídos não serem do mesmo tipo dos demônios.  (Se você ainda não leu ou não se lembra deste capítulo, reveja-o agora, antes de prosseguir) Já que não são da mesma espécie, nossa luta contra eles e a vitória sobre eles é, de algum modo, diferente.

Uma tática que é convenientemente muito popular hoje entre alguns grupos é “amarrar” o diabo. Oh, quanto fôlego já se gastou, quanta energia gritando e quanto esforço emocional tem sido feito “amarrando” o diabo para os lados do “abismo”. Mas, estranhamente, ele ainda parece desamarrado. Ainda parece que o diabo é capaz de agir, como sempre o fez. Se formos honestos, devemos admitir que ele não está “amarrado”, de maneira alguma. O mundo está tão mau, se não estiver muito mais do que antes. Guerras e todo tipo de maldade ainda estão em evidência. Os cristãos ainda estão sob ataque e ainda são confrontados com todo tipo de provações e tentações.

Vamos pensar sobre isto lógica e honestamente. Se “amarrar” o diabo e seus anjos realmente funcionasse, então todos deveriam estar seriamente envolvidos neste negócio. Se a vitória sobre o diabo fosse só uma questão de gritar ou de orar em sua direção, então vamos reunir os irmãos e irmãs mais espirituais do mundo e “orar” deste modo dia e noite até que não haja mais um único principado ou potestade operando. Então poderemos seguir com o trabalho de pregar o Reino de Deus sem impedimento. Mas, se isto realmente não funciona e é apenas perda de tempo e mesmo uma distração da verdadeira vitória, vamos continuar a procurar uma solução melhor.

Então se “amarrar” o diabo não é a chave, como se supõe que estamos batalhando contra este tipo de forças malignas? Como poderemos vencê-las? Para entender a resposta, precisamos olhar primeiro para a vida de Jesus. Ele é Aquele que já venceu o inimigo.  Ele é Aquele que tem ido adiante de nós e vencido. Mas como Ele faz isto? Como é que Ele foi bem sucedido em vencer Satanás completamente? A resposta parece ser muito simples, ainda que seja extremamente profunda.  Jesus venceu o diabo por viver a vida do Pai. Através da pureza desta Vida, Ele resistiu ao inimigo e a todas as tentações. Sua vida vitoriosa culminou em Sua morte na cruz. Foi assim que Jesus derrotou Satanás.  Significativamente, nenhum grito foi dado. Não foi um tipo especial de oração que fez algum truque. Em vez disso, foi o resultado de uma vida humilde, modesta e completamente submissa ao Pai. No final, Jesus foi crucificado e foi lá que Ele exibiu Sua total vitória sobre o inimigo.

Veja, durante a vida de Jesus aqui na Terra, o diabo lançou contra Ele tudo o que possuía. Jesus foi tentado em cada aspecto de Sua vida. No deserto foi tentado através da fome e da sede; até mesmo com todas as coisas “gloriosas” do reino de Satanás. Depois de falsamente acusado, foi caluniado, escarnecido, atormentado, ameaçado e rejeitado por muitos homens.  Os líderes religiosos de seu tempo não apenas recusaram suas palavras mas tomaram providências para tentar matá-lo. O inimigo usou todos aqueles sobre quem tinha algum controle, para tentar forçar Jesus a fazer ou a dizer uma única coisa errada. Até mesmo os seguidores de Jesus foram usados como parte desta estratégia (Mt 16:23). O grande esforço de Satanás era tentar tudo o que normalmente faz o homem pecar. Ele tentou criar situações nas quais um homem comum fatalmente iria se irar, dizer algo imprudente ou errado, tornar-se desencorajado ou mostrar, de qualquer outra maneira, a sua natureza caída. O diabo usou o seu arsenal completo. Mas nada adiantou.
Surpreendentemente, Jesus enfrentou cada tentação sem pecar. Ele foi o primeiro homem sobre quem o poder do diabo não teve qualquer efeito. Eva perseverou debaixo da decepção de Satanás talvez por uns 5 ou 10 minutos.  Jesus viveu uma vida inteira e nunca foi, de nenhum modo, influenciado pelo pecado.

Finalmente, em desespero, Lúcifer agiu através de seus servos para matar Jesus. Não apenas para tê-lo morto, mas para que Ele fosse morto do modo mais horrível, doloroso e humilhante. Mas, através de toda tortura e tormento, através de toda a dor e vergonha, Jesus nunca sucumbiu. Ele nunca disse uma única palavra errada ou fez uma coisa má. Ele nunca teve uma única atitude ou expressão facial que fosse egoísta ou pecadora. Glória a Deus, ali estava um homem que derrotava o diabo! Como Ele fez isso? Permanecendo fiel ao Pai “até a morte” (Fp 2:8), nunca dando “lugar” ao diabo (Ef 4:27) e não permitindo que Suas dificuldades e circunstâncias o levassem a pecar. Em cada situação, Ele permitia ao Pai viver nele e através Dele. Ele se submeteu completamente a Deus e permitiu que Ele reinasse sobre cada aspecto de Seu ser. Assim, Ele conquistou a vitória.

COMO VIVER EM VITÓRIA

A vida incorruptível de Jesus induz a maravilhosa meditação. Seu caráter imaculado e sua pureza são um grande encorajamento e inspiração. No entanto, cristãos em demasia permanecem contentes só de saber que Jesus venceu. Eles se regozijam com o que Ele fez, mas não imaginam que isto tem implicações importantes para eles. Falham em compreender que nós também precisamos experimentar esta vitória em nossas vidas diárias. Não é suficiente Jesus ter vencido e ascendido aos céus. Nós também somos requisitados por Deus a segui-lo em seu caminho vitorioso. Então vem a pergunta: Como nós também podemos “vencer” e viver neste tipo de vitória? Como podemos derrotar o diabo e manifestar o Reino de Deus neste mundo? Como podemos realizar uma “batalha espiritual” que seja um sucesso?

Para entender isto claramente, precisamos ter primeiro uma revelação básica. É que, uma vez que recebemos a vida eterna, temos “duas vidas” dentro de nós. Temos nossa velha vida natural, que recebemos de Adão e temos uma nova vida sobrenatural, que recebemos do Pai. É esta nova vida de Deus que tem a natureza santa, necessária para vencer. Somente a vida de Deus , a qual Ele nos dá em Cristo Jesus, pode resistir ao inimigo. Não há nenhuma quantidade de esforços, nenhum nível de consagração, nenhuma intensidade de zelo da nossa parte, que possam fazer o trabalho. Somente a vida de Deus é e sempre será vitoriosa. Por outro lado, certamente nossa velha vida natural irá sempre falhar. O homem natural que manifesta a natureza pecadora, irá sempre sucumbir às tentações e provações do inimigo. Assim como Adão e Eva caíram rápida e facilmente, assim a vida natural que herdamos deles nunca poderá passar no teste.

Portanto, para vencer necessitamos aprender a viver pela nova vida que recebemos de Deus. Assim como Jesus não viveu pela Sua vida humana, mas sim pela do Pai (Jo 6:57), assim nós também precisamos aprender a “andar em novidade de vida (a vida de Deus)” (Rom 6:4). Veja, Jesus tinha uma vida natural que herdou de Maria. Mas Ele também possuía uma vida sobrenatural de Seu Pai. Ele também tinha estas duas vidas dentro Dele. Porém, Ele constantemente escolhia viver pela vida “não criada”. Ele fielmente escolheu deixar a vida de Deus dominar cada pensamento seu, cada atitude, palavra ou ação. Ele disse: “As palavras que Eu vos falo, não falo por mim mesmo, mas o Pai que habita em mim, faz as obras.” (Jo 14:10). Todas as palavras e obras de Jesus eram o resultado da manifestação da vida divina dentro Dele.

Do mesmo modo, nós também podemos viver “por Ele” (Jo 6:57) Temos a possibilidade de viver como Jesus fez, não pela nossa vida natural, mas pela vida de Deus dentro de nós. Este mesmo Jesus que derrotou o diabo em cada aspecto de Sua vida, que resistiu à tentação até a morte, agora vive dentro de cada crente. Não importa se somos fracos. Não faz diferença se nossa capacidade pessoal pode ou não realizar. O Deus do Universo mora dentro de nós e Ele já venceu. Tudo o que temos a fazer é nos submeter completamente a Ele.  Precisamos apenas deixar que Sua vida domine sobre nós e predomine dentro de nós. Conforme permitimos que Sua vida nos encha e viva através de nós, podemos então demonstrar a mesma vitória sobre Satanás e sobre o pecado.

O CAMINHO DA CRUZ

Um dos mais importantes aspectos desta vitória envolve morrer para si mesmo. Nós também precisamos experimentar a morte, até mesmo a morte de cruz. Jesus ensinou aos seus discípulos que, para segui-lo, eles precisariam negar a si mesmos, tomar a sua cruz e segui-lo” (Mt 16:24). Isto não significa que devemos andar por aí carregando um pedaço de madeira em forma de cruz. Significa que nossa velha vida, que recebemos de Adão, deve morrer. Enquanto ela vive, irá inevitavelmente se expressar em pecado. O diabo sempre será capaz de obter resultado vitorioso sobre ela. A única solução é que ela seja eliminada. Quando Jesus morreu na cruz, nós também “morremos com Ele” (Gl 2:20). Por isso, a realidade desta morte pode e deve tornar-se a nossa experiência. Podemos “morrer diariamente” (1a Co 15:31). Podemos sempre experimentar a”morte do Senhor Jesus” (2a Co 4:10) Um dos grandes segredos de viver em vitória sobre Satanás, é a nossa morte na cruz. Precisamos morrer para o ego e viver para Deus. Este foi o modo pelo qual Jesus exibiu a vitória final sobre o diabo. Se nós também queremos ter poder espiritual para derrotar o Reino das Trevas e viver a vitória de Cristo, este é o único caminho. Nós também devemos morrer.

Quanto mais experimentamos viver pela vida sobrenatural e morrer para o nosso próprio ego, mais iremos vencer o inimigo e as suas forças. Quanto mais a cruz operar em nós e sobre nós, mais vitória iremos experimentar. Por favor, note que aqueles que arrebataram o filho varão no Apocalipse, “não amaram suas vidas até a morte” (Ap 12:11). A palavra “vidas” aqui é PSUCHÊ em grego, indicando nossa vida natural, da alma. Um dos modos pelos quais eles “o venceram” foi por não amarem a si mesmos. Eles desejavam morrer.  Nossa vitória aqui tem pouco a ver com “gritar ou amarrar” e muito a ver com submeter-se e morrer. É conforme submetemos nossa vidas a Jesus, permitindo que Ele “seja” realmente nossa vida (Cl 3:4), que iremos vencer. É quando morremos para o ego e vivemos para Deus que notamos que “o valente” está “amarrado” e que nós temos o poder de saquear o Reino de Satanás.  Que Deus possa nos dar graça para viver cada dia mais e mais nesta vitória.

Jesus ensinou que, “a menos que um grão de trigo caia no solo e morra, ele permanece só. Mas. Se ele morrer, dará muitos frutos” (Jo 12:24) Aqui vemos que morrer é o segredo da vida frutífera. É conforme morremos que a vida de Cristo tem mais “espaço” para viver e se mover dentro de nós. É também quando morremos para o “ego” que o reino das trevas passa a ter menos influência sobre nós. Portanto, nós podemos, seguindo a orientação do Espírito Santo, ser mais frutíferos em nosso trabalho para Ele. Podemos viver uma vida de vitória sobre o pecado e sobre todas as astúcias do inimigo, enquanto ajudamos os outros a fazer o mesmo.

A Bíblia nos ensina que é apenas através de muita tribulação que nós entramos no Reino (Atos 14:22).  Lemos que: “Se perseveramos, iremos reinar com Ele” (2a Tim 2:12). Assim, nossa entrada em Seu Reino certamente envolverá muita dificuldade, luta e aflição. Este é um fato bíblico. Jesus nunca disse que segui-lo seria fácil. Ele não indicou que não iríamos Ter tristezas ou dores. Aqueles que insistem que os crentes devem sempre ser saudáveis, felizes e ricos, decepcionam a si mesmos e aos seus seguidores. Jesus prometeu-nos, entretanto, uma alegria interior e uma força que vem de acreditar na obediência. É apenas quando negamos o nosso “ego” e o atiramos aos pés de Jesus que podemos entrar nas eternas alegrias espirituais que estão disponíveis em Cristo. É conforme perdemos a nossa própria vida que podemos experimentar a Dele. A maioria da Cristandade hoje é superficial, simplesmente porque não passou pela cruz.  A vida que nós, cristãos, vivemos tem tão pouco da ressurreição de Jesus porque nós participamos tão pouco do Seu sofrimento (Fil 3:10). Não experimentamos Sua exaltação e glorificação porque não dividimos a Sua cruz. Não exibimos a Sua vitória porque ainda é a nossa própria vida que está predominando dentro de nós.

É muito fácil ficarmos desencorajados no meio das aflições de nossa vida. Há alguns sofrimentos que parecem nunca terminar. Algumas vezes nós nos encontramos em situações que são emocional ou fisicamente dolorosas. Nós oramos e oramos e oramos.  Ainda assim, nenhuma resposta parece chegar. Nós clamamos a Deus. E os céus parecem permanecer fechados. O sofrimento continua ano após ano, durante muitos anos. A grande tentação aqui, é renunciar , fazer alguma coisa que sabemos ser errada para acabar com a dor ou nos tornar amargos. O que é que Deus está fazendo? Porque Ele não responde? A verdade é que Deus está certamente ouvindo e respondendo. Mas, em vez de fazer o que nós queremos, Ele está fazendo o que é melhor para nós. Em vez de fazer o que achamos correto em um sentido mundano, pequeno, Ele está fazendo o que sabe que é para o nosso bem, do ponto de vista eterno.  Você, sim, você precisa desesperadamente morrer. Sua velha vida, com sua velha natureza e todos os seus desejos e “necessidades”, está tremendamente necessitada de crucificação. A morte do seu ego é essencial para a felicidade eterna. A resposta é se humilhar diante de Deus, aceitar Sua vontade onde você está e deixar Seu Espírito fazer uma obra transformadora em você, é enquanto você se submete a Deus em meio às suas dores e provações, que você descobrirá uma doce entrega daquilo que você é e daquilo que você deseja. Pouco a pouco, você vai ser levado à morte. Algum dia você irá até mesmo agradecê-lo por esta sua experiência.

Finalmente, quando você tiver renunciado a seus importantes desejos e preciosos “sentimentos”, quando você não estiver mais preocupado com a sua situação, quando estiver contente com Cristo, não importando em que condição você se encontre, então você está pronto para uma mudança. Quando Jesus já livrou você daquilo que você é, então Ele pode livrar você “de onde” você está. Quando o pão está bem assado, é hora de tirá-lo do forno. É então que sua vida se torna um testemunho tanto para o mundo quanto para os principados e potestades. É quando você se torna fiel até a morte que você se torna vitorioso sobre o inimigo, sobre o ego e sobre o pecado. É então que sua vida pode começar a ser usada por Deus de uma maneira poderosa para saquear o reino das trevas e gerar muitos frutos.  Quando você já passou pela morte, você pode então experimentar a vida ressurreta e a vitória.

JUSTIÇA QUE QUALIFICA

Enquanto ensinava sobre o Reino, Jesus disse: “A menos que vossa justiça exceda em muito a justiça dos escribas e dos fariseus, jamais entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5:20). Aqui está uma afirmação surpreendente. Os escribas e fariseus eram a elite religiosa daqueles dias. Tinham uma aparência de justiça que cumpria rigorosamente a lei. Eles dizimavam, jejuavam, oravam, estudavam as Escrituras diariamente, de um modo impressionante. Aparentemente, eram o ápice do que Deus estava requerendo. A vida de muitos cristãos não chega nem perto deste tipo de dedicação. Entretanto, Jesus insiste em que nós devemos exibir ainda mais justiça. Como pode ser isto?

Na Palavra de Deus descobrimos que as justas exigências para entrar em Seu Reino são definidas muito além disso.  Lemos as palavras de Jesus: “Bem aventurados são os mansos, porque eles herdarão a Terra.” (Mt 5:5). “Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino” (Mt 5:3). Então vemos que há uma exigência de mansidão e humildade. Em 2a Pedro vemos uma lista ainda maior de pré requisitos. Pedro nos exorta a:
“somar à sua fé, virtude, à virtude, o conhecimento, ao conhecimento, o domínio próprio, ao domínio próprio, a perseverança, à perseverança, a fraternidade e à fraternidade, o amor. Por isso, irmãos, procurai com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição, porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.” (2a Pedro 1: 5-7, 10, 11). Que lista!  Todas estas coisas são desejáveis características cristãs, mas como poderia alguém viver deste jeito? Se tal caráter piedoso é solicitado, como poderia qualquer um de nós imaginar que podemos entrar?

O que Deus está procurando e que nos capacitará a entrar em Seu Reino é esta nova vida sobre a qual temos falado. Mais uma vez, nossa própria vida, mesmo empregando todos os esforços e energia que possuímos, nunca pode ser medida até o padrão Divino. Talvez haja muitos crentes hoje que imaginam ser consagrados. Eles têm zelo e determinação em agradar ao Senhor e fazer a Sua vontade. É até possível que, secretamente, eles imaginem que são um pouco superiores espiritualmente, por causa de sua dedicação. Esta opinião pode ser um tanto reforçada se eles têm dons espirituais evidentes e poderosos. Mas isto não se qualifica como mansidão.  Não é humildade. É apenas um tipo de justiça que os fariseus e os escribas eram capazes de produzir. E, nós fomos claramente avisados que isto não é suficiente para entrar no Reino de Deus.

Quando estava caminhando nesta Terra, Jesus disse: “Eu sou o caminho” (Jo 14:6). É significativo que Ele não disse que estava simplesmente nos mostrando o caminho, mas que Ele era verdadeiramente o caminho. O caminho para Deus, hoje, é uma pessoa. É permitindo a esta pessoa que viva em nós e através de nós que prosseguimos neste divino caminho. Jesus nos exorta a “entrar pela porta estreita” e, mais tarde, afirma que: “muitos procurarão entrar e não poderão” (Lc 13:24). Ele também é a porta estreita. É permitindo que Ele seja a nossa vida que seremos bem sucedidos em entrar. Ao entrarmos através da porta estreita, tudo o que somos precisa ser deixado para trás. O que nós temos e o que somos pela natureza, ainda que pareça “bom” aos nossos olhos, simplesmente não é adequado.  Quando procuramos entrar mas não desejamos que tudo o que temos e somos seja removido, não conseguimos passar pela porta e entrar no Reino.

Somente a vida de Jesus vivendo em nós e vivendo através de nós, pode satisfazer ao Pai. É Nele que o Pai se compraz (Lc 3:22). Na verdade, o caminho é estreito. É apenas uma pessoa e nós precisamos entrar passando através dela. A porta é extraordinariamente estreita e assim como um camelo passando pelo fundo de uma agulha, o único modo de passar, é nos livrando do peso de nossa bagagem. Nossas habilidades, nosso zelo, nossa liderança natural, nossos bens, sim, até mesmo a nossa vida, não irá se adequar. Quando nós entregamos nossa vida mais e mais a Ele para que ela seja levada à morte e a Vida Dele possa viver em nós em seu lugar, então estes atributos maravilhosos próprios da natureza de Deus, começam a ser vistos em nossas vidas. Todos os atributos de Seu caráter estão em evidência. Quando não somos mais nós que vivemos, mas Cristo (Gal 2:20), então o mundo ao redor de nós começa a ver como Jesus é. Quando a vida de Deus é predominante em nós, então o nosso testemunho não é apenas de palavras, mas se evidencia também em nossas ações. Deste modo, nossa entrada no Reino será “abundantemente garantida”.

CONQUISTANDO O MUNDO

Um outro aspecto da vitória do Reino envolve conquistar o mundo. A Bíblia nos ensina que o mundo e tudo o que nele há, faz parte do reino do diabo.  Portanto, todo crente que deseje entrar no Reino de Deus, deve também conquistar o mundo. Isto inclui o que se pode chamar de “sistema deste mundo” com toda a sua luxúria, opulência, ganância, brilhos, e resplendor. Deus nos chamou para nos separar do mundo.  Ele diz em Sua Palavra: “Retirai-vos do meio deles e separai-vos, diz o Senhor e não toqueis o que é impuro e eu vos receberei” (2a Cor 6:17). Um outro versículo afirma; “não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência, aquele, porém, que faz a vontade de Deus, permanece eternamente” (1a Jo 2:15,17). O mundo e todas as suas coisas,são um importante ingrediente do reino do diabo. É um dos mais sutis laços no qual ele enrola o povo de Deus.

Satanás ofereceu a Jesus e está oferecendo a nós hoje, todos os reinos deste mundo se nós nos submetermos a ele. O diabo pode dar a homens e mulheres muitas coisas que parecem, do ponto de vista humano, ser desejáveis. Isto inclui coisas como : dinheiro, fama, bens e status aos olhos dos outros. Ele é capaz de conceder reconhecimento, poder, influência. Mas, como o nosso Mestre, precisamos aprender a fugir destas coisas a todo custo, pois se não o fizermos, isto nos custará o Reino. Nas Escrituras, nós lemos: “Nenhum homem pode servir a dois senhores, porque ou odiará um deles e amará o outro, ou será leal a um e desprezará ao outro. Você não pode servir a Deus e a mamon” (Mt 6:24). O mamon a que as Escrituras se referem aqui são as riquezas, os prazeres, os divertimentos e os louvores que o mundo e seus habitantes participam. É impossível servir a Deus e estar buscando as coisas do mundo. A menos que nossos corações estejam purificados destas coisas e nós determinados a servir somente a Deus, seremos tragados pelos cuidados desta vida, pelas coisas deste mundo que pensamos necessitar e nós iremos abandonar a meta para a qual fomos chamados.  “Quem, portanto, deseja ser um amigo do mundo, torna-se um inimigo de Deus (Tg 4:4).

O dinheiro é a coisa mais especialmente poderosa hoje no mundo físico. Jesus disse que “é mais difícil um rico entrar no Reino dos Céus do que um camelo passar pelo fundo de uma agulha” (Mt 19:24). Seus discípulos certamente pensaram que isto devia ser impossível, mas Jesus assegurou a eles que, para Deus, todas as coisas são possíveis. Riquezas são decepcionantes. Elas decepcionam as pessoas que as possuem, levando-as a pensar que representam o seu objetivo final. As pessoas se decepcionam mais com isto do que com qualquer outra coisa. Hoje há também um grande segmento da Cristandade que está ensinando homens e mulheres a perseguir as riquezas. Agindo assim, estes mestres afastam as mentes dos crentes do Reino de Deus, voltando-as para a mais poderosa influência no reino de Satanás. 1a Tim. 6:9-10 diz: “Mas os que desejam ser ricos caem em tentação e cilada e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males, e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.” As riquezas não são apenas uma distração, mas se somos obcecados por elas e gastamos nosso tempo perseguindo-as, não entraremos no Reino que Deus está preparando.

Se nós possuímos dinheiro, é somente sujeitando completamente tudo o que temos à autoridade de Jesus Cristo, que iremos vencer. E, como o jovem rico, isto pode requerer muita coisa a ser dada, se não tudo aquilo que temos. O dinheiro deveria ser dado para fazer a obra de Deus e cumprir seus propósitos e não para nos colocar numa posição confortável e segura, ganhando bens materiais e satisfazendo todos os nossos desejos. O dinheiro que está sob o controle de Deus será usado para sustentar seus servos, para dar aos pobres e em qualquer coisa que mostre que os propósitos de Deus são favorecidos neste mundo. O dinheiro pode ser uma importante ferramenta para aqueles que sabem usá-lo para o Reino de Deus, mas as Escrituras nos advertem que o poder do dinheiro é extremamente decepcionante, tão decepcionante, na verdade, que nós precisamos ter extrema cautela ao lidar com ele. “Nenhum soldado em serviço se envolve com os negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou.” (2a Tim 2:4).
Todos os filhos de Deus devem estar seguros de que todas as suas finanças estão debaixo da autoridade de Deus e de que estejam dispostos a obedecê-lo custe o que custar. Pedro disse uma vez a Jesus: “Nós deixamos tudo e O seguimos” (Lc 18:28). E Jesus respondeu a ele: “Em verdade vos afirmo que não há ninguém que tenha deixado pais e irmãos ou mulher e filhos por causa do Reino de Deus, que não receba muitas vezes mais no tempo presente e, no mundo por vir, a vida eterna.” (Lc18:29-30). Neste “tempo presente” , o “mais” pode significar bênçãos espirituais. Pode significar que nós nunca possuímos muitas coisas terrenas, mas um dia, quando o Senhor voltar, seremos grandemente recompensados . Eu peço a vocês, irmãos e leitores, não coloquem o mundo e as suas coisas em primeiro lugar. Coloquem-nos de lado. Não se tornem enredados nas coisas desta vida. Vamos procurar em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça e crer que Ele irá nos acrescentar as coisas que necessitamos para continuar vivendo no presente mundo. (Mt 6:33).

AUTORIDADE ESPIRITUAL NO REINO DE DEUS

CAPÍTULO 13

Muitos de nós temos falado a respeito do Reino de Deus; tanto no que se refere a entrar nele como viver nele. Meditando nestas coisas e buscando entendê-las melhor, Deus tem conduzido nossas mentes a um assunto, também avaliado pelos discípulos: a liderança. Não há dúvida de que existe liderança na igreja de Deus.  Entre o povo de Deus, existem aqueles que são mais maduros, os mais experientes, aqueles que estão mais capacitados com dons e aqueles chamados por Deus para conduzir. Isto é indiscutível. Ainda assim, é importante apontar que, no reino de Deus esta liderança é exercida de modo nada convencional. Na verdade, este modo é completamente contrario ao do mundo. Portanto, se nós desejamos viver em seu reino sobrenatural, devemos aprender como praticar isso.  Todos nossos entendimentos mundanos e definições devem ser postos de lado a fim de recebermos de Deus uma nova visão celestial. Para se viver no Reino, todos os que crêem necessitam se submeter à autoridade do Rei.  Mas como podemos fazer isso? Como podemos compreender a autoridade no Reino. Estes importantes assuntos não podem ser desprezados quando buscamos entender o Reino de Deus.

Talvez o primeiro e mais importante princípio que devemos entender é que Jesus é o Rei deste Reino. Ele é o que governa e o que está sentado no trono. Ninguém deve tentar usurpar sua posição. Ainda que Ele possa usar deferentes homens e mulheres de tempos em tempos para transmitir Sua autoridade, esta autoridade sempre é sua e não pertence à nenhuma pessoa através da qual ela flui. Ele é a cabeça do corpo (Col 1:18). Ele é “a cabeça sobre todas as coisas para a igreja” (Ef.  1:22). Em todas as coisas Ele tem a preeminência (Col 1:18). Este princípio é da máxima importância. Jesus é a cabeça e ninguém mais pode preencher esta posição.  Quando a cabeça de um corpo humano perde o controle sobre os membros, o resultado é algo indesejável e terrível. Se algum membro do corpo tenta preencher a função da cabeça dirigindo todas as atividades do corpo, você pode imaginar quanta confusão isto vai gerar! Só Jesus pode e deve ser a cabeça que dirige todas as coisas de Sua igreja.

É verdade que hoje Jesus é invisível. Não podemos vê-lo com nossos próprios olhos. Ainda assim, isto não o torna incapacitado. Ele “ainda” é capaz de conduzir cada um de nós em todas as circunstancias que nos cercam. É nossa incumbência desenvolver um real e profundo relacionamento espiritual com Ele de tal modo que possamos conhecer e entender Sua liderança e autoridade. Neste mundo, quanto mais conhecemos outra pessoa na intimidade, mais podemos perceber sua vontade. Podemos saber quando ela está triste ou desejando alguma coisa, freqüentemente sem que ela fale palavra alguma. De maneira similar, quanto mais passamos a conhecer a Jesus na intimidade através do Espírito, mais podemos perceber sua liderança e segui-lo. Pela fé podemos conhecer Sua vontade e segui-lo todos os dias, em todos os aspectos de nossas vidas. Não há razão para os filhos de Deus deixarem de segui-lo e não desenvolverem uma profunda intimidade com Ele.
No Reino de Deus, Jesus não delega sua autoridade. Ele é perfeitamente capaz de conduzir as coisas por si mesmo. Ele não está tão ocupado a ponto de precisar de uma “forcinha”. Tampouco está velho demais que precise da assistência do homem nas questões de governo. O fato de ser invisível não gera uma necessidade de repassar seu governo para outros que são mais “tangíveis”. Mesmo tendo subido aos céus não está distante a ponto de necessitar de alguns representantes aqui para tomar o seu lugar. Desde que é infinito e onipresente, nosso Senhor é perfeitamente capaz de dirigir a vida de todos os seus filhos. Não há absolutamente nenhuma razão para Ele distribuir porções de sua autoridade para vários homens para eles agirem em seu favor. Também não há necessidade, qualquer que seja, para que outros o ajudem a carregar a carga de coordenar as funções de seu corpo.
No Reino de Deus, ao invés de “delegar” autoridade para outros, Jesus usa vários membros de seu corpo como condutores através dos quais sua autoridade é transmitida.

Naturalmente, aqueles que apresentam mais maturidade e maior intimidade com Ele recebem mais facilmente revelação de sua vontade e deixando-se dirigir por Ele são mais usados. Portanto, não importa o quão espiritual alguém seja ou quantas vezes tenha sido usado como vaso para transmitir a autoridade de Deus para outros, eles nunca, jamais serão a autoridade definitiva de Deus. Eles não começam a ter sua própria autoridade. Mas são sempre e somente servos humildes através do qual a autoridade de Deus tem fluido. Deus não os deu autoridade pessoal, apenas usa-os para revelar Sua autoridade.

Ainda que Jesus os tenha dado poder sobre os demônios, Ele não os deu autoridade uns sobre os outros. Alias, vale ressaltar, que esta séria disputa muitas vezes surgiu entre os discípulos. Eles ficavam freqüentemente imaginando e mesmo questionando entre eles sobre quem estaria “na autoridade” do Reino vindouro. Eles queriam definir quem estaria no controle. Eles desejavam ser aqueles que estivessem ditando as coisas e fossem maiores que os outros. Numa ocasião, para responder esta questão, Jesus pegou uma criancinha e colocou-a na frente deles. Então os ensinou que para entrar no Reino, devemos nos tornar como uma criancinha (Mt 18:2-4). Isto deveria ser para nós uma poderosa ilustração.

Pense cuidadosamente sobre isto. Crianças não conduzem nada. Elas não estão à frente de quaisquer grandes eventos, corporações, grandes trabalhos para Deus. Ao invés disso, desde que são novos e inocentes, eles são completamente dependentes da orientação e direção de seus pais. Não têm nenhuma autoridade e controle sobre outros, pelo contrário, necessitam de constante proteção e orientação. De fato, para entrar no Reino de Deus, nós também precisamos nos tornar como elas.  Assim é como a autoridade funciona no Reino de Deus.  Nenhum crente pode desprezar essa grande necessidade de tornar-se uma criancinha. De fato, quanto mais maduros ficamos mais efetivamente chegamos a esta condição. Quanto mais espiritualmente maduros nos tornamos, mais criança nos sentimos e agimos.

“PELO CONTRÁRIO, HUMILHEM-SE A SI MESMOS”

Um dos mais importantes segredos para entrar no Reino de Deus é que devemos humilhar-nos a nós mesmos. Em Mt 18:3,4, Jesus nos ensina que a menos que nos humilhemos e nos tornemos como criancinhas, de maneira nenhuma entraremos no Reino dos Céus. Deus resiste aos soberbos (Tg 4:16). Seu Reino é em muitos aspectos exatamente o oposto de como as coisas ocorrem neste mundo. No mundo, temos presidentes, governadores e reis que são muitas vezes cheios de si mesmos e de orgulho. Suas mentes são inchadas por causa de suas posições e poder. Eles possuem guarda-roupas luxuosos, casas e meios de transporte para marcar o status aos olhos do mundo. No Reino de Deus não é assim, o modo de vida do Reino é muito diferente. Os que querem viver submissos ao Rei não são orgulhosos. Não estão buscando reconhecimento, uma posição especial ou seus próprios “ministérios globais”. Não estão procurando fama ou atenção. São pessoas simples, que estão desejosas por tornarem-se como criancinhas, que não têm nem fama ou status aos olhos do mundo. A menos que você chegue a esta condição, há grande possibilidade de você não entrar no Reino vindouro.

O próprio Jesus ensinou que “muitos primeiros serão últimos, e últimos serão primeiros” no Reino vindouro (Mt 19:30). Por que isto é assim? Porque, infelizmente, muitos dos que crêem estão tentando usar as coisas de Deus para benefício próprio. Eles estão usando meios e métodos mundanos para elevarem-se aos olhos de outros filhos de Deus. Usam seus dons e ministérios para acumularem riquezas, poder e status.  Elevam-se sobre outros e usam outros para sustentar esquemas e ministérios. Estes estão constantemente contando vantagens sobre quantas igrejas estão sob eles ou quantas pessoas assistem a suas reuniões.  Estes pobres irmãos e irmãs não estão entrando no Reino de Deus. Eles erraram o alvo e se desviaram do caminho. Como alguém disse uma vez, “Todo ministério serve para suprir necessidades mas não as necessidades que os ministros têm de serem vistos e ouvidos”.

Um servo verdadeiro de Jesus precisa ser quebrado por Deus. Sua ambição e seu zelo para “fazer grandes coisas para Deus” precisam ser esmagados. Sua confiança em suas habilidades, inteligência e dons precisam chegar ao esgotamento. Quem aprendeu a viver no Reino de Deus é como uma criancinha porque aprendeu a confiar completamente no Pai. Não é mais cheio de energia humana e motivação própria. Não está sobrecarregado com seus próprios planos e projetos. Ao invés disso, ele tem aprendido através de uma forte experiência, simplesmente fazer as coisas que tem visto o Pai fazer todos os dias. Isto não quer dizer que Deus não possa usar uma pessoa poderosamente.  Também não quer dizer que Deus não posa levantar alguém e dar a ele um nome e reconhecimento. Quer dizer que para ser um vaso pronto para o uso do mestre tem que estar em condição de humildade e simplicidade de criança a fim de que expresse a vontade de Deus.  Tais servos não estão de fato “fazendo um trabalho para Deus” mas Deus está fazendo Seu trabalho através deles.

GOVERNO DA IGREJA

Já que estamos falando sobre o Reino de Deus e de como ele se apresenta, talvez seja interessante falarmos resumidamente sobre o “governo da igreja”. Muitos grupos cristãos e igrejas têm um tipo de estrutura piramidal de autoridade. Eles têm um líder no topo que detém o maior poder. Abaixo deles existe um outro nível, com maior número de pessoas com menos autoridade, e assim por diante até a base, onde estão as pessoas freqüentadoras das reuniões. Este tipo de estrutura é exatamente como nas organizações de negócios e governos terrenos. Isto, eles acreditam, ser uma expressão da autoridade divina. Existem aqueles que vão tão longe que até mesmo insistem que para entrar no Reino de Deus, você tem de submeter-se a eles e às suas organizações. O ensinamento deles é que as pessoas precisam tornarem-se seus discípulos, porque eles tem a única revelação da vontade de Deus.

Como vimos, Jesus nos ensinou algo completamente diferente. Ele disse que entre o seu povo não seria da mesma maneira como é no mundo. De fato, deveria ser exatamente o oposto. Ao invés de exercer autoridade sobre outros, os que são espirituais deveriam se tornar seus servos ou mesmo seus escravos. Sendo assim estes servos ou escravos não deveriam comandar outros ou dizer-lhes o que fazer. Nós lemos: “os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas entre vós não será assim...”Veja que entre os gentios, uma pessoa se levanta para exercer autoridade sobre outros e insiste que sua atitude é para o “benefício” deles. Ele seria, portanto, um “benfeitor”. Quantas vezes na igreja dos dias de hoje vemos a mesma coisa ocorrendo. Homens e mulheres exercendo autoridade sobre outros e proclamando fazer isto para o benefício deles.  Entretanto, claramente não é assim no reino de Deus.

Em Seu Reino, ninguém está cobrindo ou está sobre outro. Ele diz: “vós todos sois irmãos” (Mt 23:8).  Vocês estão todos no mesmo “nível”. Nada disso de ser o maior ou menor, melhor ou pior, superior ou inferior. Tampouco, não devem existir títulos tais como “pai” (padre), “líder”, “mestre” (Mt 23:8-12). As instruções de Jesus são bem claras a esse respeito.  Nenhum título especial ou distintivo é permitido. De fato, esta lista poderia ser expandida, incluindo coisas como “pastor”, “bispo”, ou “ancião”. Desta maneira não há espaça para hierarquias. Todos estão em um mesmo plano. Todos são simplesmente irmãos. Há um só líder. Qualquer um que tiver a ambição de ser grande, deve aprender a humilhar-se a si mesmo, e tornar-se o servo dos outros. O que deseja subir até o topo, deve tornar-se o escravo de todos (Mc 10:44).  Ainda que palavras como “pastor”, “ancião”, etc.  apareçam no texto bíblico, elas nunca foram usadas como títulos, mas somente como descrições de tipos de serviço que estas pessoas desenvolviam. Por exemplo, você não encontra expressões como Pastor Pedro ou Apóstolo Paulo, e sim Paulo, “um servo de Deus e um apóstolo de Jesus Cristo” (Ti 1:1), e também Pedro, “um servo e apóstolo” (II Pe 1:1).
Infelizmente, o povo de Deus é muitas vezes crédulo.  Eles são facilmente induzidos por aqueles que transpiram energia e liderança humana. Assim como as pessoas do mundo, eles são impressionados com a personalidade e o carisma de outras pessoas. Então o que fazem é seguir os planos e ambições desses indivíduos.

Paulo, escrevendo aos Coríntios sobre os ‘falsos apóstolos’ e ‘obreiros fraudulentos’ que eram líderes com motivação própria, diz: “tolerais quem vos escravize (submissão à autoridade humana), quem vos devore (usa o tempo e o dinheiro das pessoas), quem vos detenha (quem usa do amor sincero de alguém por Jesus para ganhar apoio), quem se exalte (quem se torna ‘um grande líder espiritual’), quem vos esbofeteie no rosto” (II Co 11:13,20). Paulo menciona “esbofeteie no rosto” neste texto, não porque essas pessoas estavam realmente os agredindo fisicamente, mas para mostrar que grande insulto este tipo de atitude era, ainda que os irmãos de Corinto não se apercebessem. Eles suportavam! Muitos filhos de Deus que não entendem o caminhar no Reino e ainda são impressionados pelas coisas do mundo, são sugados pelo mover de energia dos líderes carismáticos e são usados por eles. Muitos filhos de Deus querem ser humildes e submissos. Eles desejam agradar a Deus. Mas, porque não reconhecem como a autoridade de Deus se manifesta e não sabem realmente como caminhar no Reino de Deus, submetem-se a homens e desperdiçam muito tempo, energia e dinheiro construindo algo que não permanecerá erguido no Dia Final.

Pode ser difícil reconhecer a autoridade que vem do alto. Como o servo de Deus é manso e não se exalta, o homem natural não responde facilmente à liderança que flui através dele. Para reconhecer a autoridade de Deus em um Reino invisível, nós necessitamos ter olhos espirituais e discernimento. Pode não ser tão fácil reconhecer a autoridade que vem do alto. O mesmo Paulo experimentou muita rejeição porque ele não se elevou e gloriou-se a si mesmo. Mais tarde ele escreveu dois capítulos inteiros (II Co 11 e 12) falando aos irmãos sobre estas coisas. Ele insistiu em dizer que ele os havia prometido como noiva virgem para Cristo (II Cor 11:2) mas alguns surgiram no meio deles propondo uma nova agenda. Esses outros estavam pregando uma outra mensagem com outros objetivos: exaltar-se e conseguir seguidores pessoais. Paulo os ensinou como seguir a Jesus, mas esses outros insistiam para que eles os seguissem. Eles estavam usando a mensagem de Jesus para beneficiarem-se a si mesmos. Queridos irmãos, o próprio Jesus nos exorta para não deixarmos nenhum homem tomar nossa coroa (referindo-se ao reinado no Reino – Ap 3:1). Sem dúvida nenhuma nosso Senhor está falando exatamente sobre este tipo de situação.

Ninguém no universo é digno de possuir seguidores exceto Deus. É a Ele que devemos nos submeter e é a Ele que devemos obedecer. Quem se eleva para buscar “membros” ou adeptos entra em competição com o próprio Deus. A primeira pessoa que decidiu formar para si um grupo de seguidores foi Satanás. Ele entalhou um pequeno reino usando subterfúgios e mentiras, arrastando outros consigo. Este tipo de atividade também é comum na igreja dos dias de hoje. Muitos homens e mulheres gostam de ter autoridade e seguidores. Eles adoram a atenção, honra e os títulos que trazem. Querem ser vistos e ouvidos e para isso usam versos da Bíblia, sutilmente modificados, para justificarem o que estão fazendo. Paulo alerta a igreja dizendo que isto iria acontecer. Ele diz que após sua partida, “se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles” (At 20:30). A maneira como eles distorcem a verdade é esta. Eles insistem que um homem pode adquirir ou receber algum tipo de autoridade de Deus, falando no lugar Dele e assumindo uma posição superior aos demais. Eles imaginam que seus dons e habilidades os fazem dignos de possuírem seguidores e discípulos.

Este tipo de pensamento e prática viola frontalmente os princípios do Reino de Deus. Este é o trabalho do anticristo. Curiosamente, a palavra “anti” no grego tem como um dos principais significados, “no lugar de” e não simplesmente “contra”. Portanto, o anticristo seria alguém que toma o lugar de Cristo na igreja.  Quando um homem ou uma mulher estabelece sua própria autoridade, ou sua própria “igreja”, assumindo a liderança e deixando os demais como suas ovelhas, estabelecem um reino paralelo com o Reino de Deus.  Eles entram em competição com Jesus por autoridade e por seguidores. O fato de usarem a Bíblia e as coisas de Deus não garantirá que o que estão construindo permanecerá de pé no Dia Final. Estes irmãos e irmãs estão caindo no erro porque realmente não viram, nem entenderam o Reino de Deus.

Quando uma pessoa assume uma posição de autoridade sobre outros na família de Deus (usualmente acompanhado por algum tipo de título), automaticamente sobe em relação aos demais. É impossível estar sobre sem ficar por cima. Com esta posição vem automaticamente, a honra e o respeito que as pessoas dão para aqueles que as ocupam. Existem duas situações possíveis: alguém pode buscar tal honra para si mesmo ou os outros podem querer dar a eles. Mas o resultado é o mesmo. Nesta posição é bem difícil alguém ser um verdadeiro servo. Um servo deve estar abaixo daqueles a quem ele serve. Você não pode verdadeiramente servir aos outros em uma posição de superioridade. O “serviço” feito por quem está “sobre” outros envolve um tipo de condescendência. O servo tem de apresentar-se como estando por baixo, mas na realidade está por cima. Mesmo se não temos a intenção permitir que isso aconteça, este resultado é inevitável. A solução para isso está em simplesmente não aceitarmos nenhuma autoridade sobre outros. Desta maneira podemos manter uma posição humilde. Jesus, aquele que era digno de honra e status, fugia de qualquer destas sugestões. Quando eles vieram para fazê-lo Rei, Ele simplesmente retirou-se. (Jo 6:15). Em outro ponto, Ele disse: “Eu não recebo honra de homens”. (Jo 5:41).  Nosso Senhor nunca esteve buscando posição terrena ou glória e honra humana. Certamente Seu exemplo merece ser imitado.

Outro problema a ser enfrentado nesta situação é o orgulho. Quando recebemos honra de homens, é inevitável que nosso ego comece inchar. Se aceitamos uma posição de autoridade, fica fácil para nossa vaidade crescer e nosso ego ser fortalecido. Passado o tempo, poderemos começar a crer que realmente somos merecedores da atenção e admiração que nos está sendo dada. Cedo ou tarde, se quisermos isso ou não, este efeito virá sobre nossos corações e mentes. Nenhum ser humano é imune deste tipo de homenagem. Isto é o que dá uma certa “aura” de importância a alguns líderes cristãos de nossos dias. Queridos irmãos, isto é um laço do Diabo. (I Tm 3:7). Quando nosso orgulho cresce e nosso ego é massageado pela constante honra e atenção que recebemos de outros homens, caímos no laço do inimigo de nossas almas. A única maneira de evitar que isto aconteça é não aceitar ser colocado em uma posição falsa como esta. No livro de Eclesiastes, capítulo 8. verso 9, encontramos uma verdade interessante. Ali lemos: ”há tempo em que um homem tem domínio sobre outro homem , para arruiná-lo”. Quando assumimos uma posição na igreja para estar sobre outros, corremos o risco de trazer prejuízo espiritual tanto para eles como para nós.

Para ser justo, é preciso ser dito que muitas pessoas fazem isto por ignorância. Eu não creio que a maioria que pratica tais coisas faça isto com malícia e deliberadamente tenta competir com Deus. Ao invés disso, parece haver um grande vazio de revelação. Eles não têm um completo entendimento dos caminhos do Reino de Deus. Não sabem realmente como deixar a Cabeça conduzir e edificar o corpo. Não podem ver como o Rei pode e reina sobre seu próprio Reino sem muita ajuda deles. Essas pessoas têm mais confiança em si mesmas do no Deus invisível. Boa parte do povo quer servir a Deus, mas sem uma visão celestial, começa a construir e agir seguindo os exemplos que vêem ao redor do seu mundo e em outros que aparentam sucesso. Quando a igreja sai para as ruas e começa a crescer e atrair muitos membros, os outros se apressam para copiar seus procedimentos e métodos. Quando uma prática ou outra começa a funcionar com alguém, eles imediatamente querem implantar em seus grupos. Desta forma, a igreja de nossos dias está saturada com muitos “trabalhos impressionantes” de madeira, feno e palha (I Co 3:12).  Mas muitos destes “reinos” que têm sido construídos de maneira tão impressionante aos olhos naturais, carece de algo muito fundamental. Eles não podem fazer parte do Reino de Deus porque não seguem os claros princípios de Jesus.

Curiosamente, nosso Senhor é tão humilde, tão todo poderoso e tão sábio que ainda usa coisas que não são certas e que em alguns aspectos, até mesmo violam sua vontade. Ele algumas vezes trabalha através de coisas que podem não estar propriamente alinhadas com o seu Reino para completar sua vontade. Quando e onde o Senhor encontra uma abertura para Sua autoridade, ele usa pessoas, mesmo que estas não estejam completamente submissas a Ele para fazerem a sua vontade. Embora os reinos paralelos estabelecidos por homens (em nome de Jesus) sejam um grande obstáculo para o Senhor, Ele ainda encontra maneiras para ministrar de si mesmo para as pessoas. Algumas vezes os que se envolvem nesses sistemas pensam que se Deus está fazendo algo, eles estão sendo grandemente usados por Ele. Como Jesus encontra maneiras de trabalhar no meio e através destes reinos paralelos, eles começam a imaginar que são realmente poderosos. Mas muitas vezes nossa eficácia é apenas uma pequena fração do poderia ser ou deveria ser. Quanto melhor e mais poderoso nosso trabalho seria se nós pudéssemos aprender a viver e trabalhar em harmonia com governo de Deus. Dissemos que Deus usará até mesmo coisas que são contrárias a sua perfeita vontade. Entretanto, o fato de Deus tolerar e mesmo usar nossos erros não nos desculpa ou nos justifica deles. Fundamentalmente Ele usa até mesmo o Diabo para cumprir seus propósitos.

Muitas vezes os homens justificam o uso de métodos mundanos e autoridade, através dos resultados que produzem. Mas qual é o padrão usado para medir esses sucessos? É um grande erro usar métodos e procedimentos deste mundo e usar padrões humanos avaliar os resultados. Se grandes números, amplos “templos” e fama mundial são os padrões, então é claro que muitos estão tendo sucesso. Porém, a real questão é: quantas pessoas estão realmente sendo trazidas à submissão ao Rei e portanto entrando no Reino Celestial? Quantos estão verdadeiramente aprendendo a viver sob o governo de Deus? Eles estão realmente vindo a conhecê-lo intimamente e ouvindo diretamente a Sua voz? Estão eles submetendo cada aspecto de suas vidas à Sua inspeção e domínio? Eles estão se tornando cada vez mais humildes e santos? Ou nós estamos simplesmente enchendo nossas construções com aqueles que foram convencidos mas não realmente convertidos e portanto, sem uma real e profunda submissão à Deus.  Jesus afirmou que muitos terão sua entrada rejeitada em Seu Reino. Quando isso acontecer eles defenderão suas posições dizendo: “ Senhor, Senhor ... não fizemos tantas maravilhas em Teu nome”? Vocês já sabem Sua resposta. Ele disse: “apartai-vos de mim, os que praticam iniquidade”! (trabalhos independentes ou rebelião) Mt 7:22,23. Estes terão que sair da Sua presença porque não submeteram à Sua autoridade o que estavam fazendo.

A liderança no novo testamento funciona como quem guia através de exemplo, não através de ordenanças ou controle, não através de posição de autoridade ou por estar sobre os outros. Pedro confirma isto insistindo que os “lideres” fazem isto não “como dominadores” antes “tornando-vos modelos do rebanho”. (1ª Pe 5:3).  Um humilde servo de Deus tem uma vida que é digna de imitação. Paulo diz para os Coríntios que não teve “domínio sobre” a fé deles, mas que ele e os outros foram simplesmente “cooperadores da alegria (deles)”.  (I Co 1:24). Isto faz muita diferença!

Ainda que hajam alguns versos no Novo Testamento que falam de algo que nos parece ser uma estrutura de autoridade humana, tal como vemos corriqueiramente no meio do povo de Deus, um cuidadoso exame desses versos nos revela algo mais. Muito freqüentemente os tradutores da Bíblia traziam para o seu trabalho conceitos pré concebidos de suas experiências da prática cotidiana.

Um exemplo é a palavra “obedecer”. Em Heb 13:17 lemos “obedecei a vossos guias”. Esta tradução parece indicar uma hierarquia de autoridade a qual nós temos que nos submeter inquestionavelmente. Entretanto a palavra grega usada aqui é “peitho” que significa “ser persuadido” ou “dar ouvidos” e como conseqüência de ser convencido, obedecer. O autor do Dicionário Expositor do Novo Testamento, W. E. Vine, diz: “a obediência sugerida não é por submissão à autoridade, mas é o resultado da persuasão”. Nada na palavra de Deus se contradiz. Quando lemos uma tradução que parece recomendar uma estrutura de autoridade como as que existem no mundo, devemos saber que há algo confuso. Nenhum dos escritos encontrados nas epístolas do Novo Testamento traz ensinamentos contrários às instruções de Jesus a respeito do Reino de Deus. Se não vemos isso, realmente não entenderemos o que está sendo ensinado. Qualquer crente convencido de si mesmo de seu chamado para dominar ou governar as vidas de outros deveria ser rejeitado.

Uma passagem em particular que tem sido muitas vezes mal aplicada é a que fala do Centurião que teve a filha curada por Jesus e disse: “Eu também sou um homem sob autoridade tendo soldados abaixo de mim. E digo a um “vá” e ele vai, e a outro “venha” e ele vem”. (Mt 8:9). Disto alguns determinaram que deveria haver este tipo de autoridade na igreja. Mas em nenhum momento este querido Romano pretendeu dar uma lição de governo da igreja. Somente usando este verso fora do contexto onde ele ocorreu é que poderemos entender que esta passagem tem alguma coisa a ver com o tipo de interação que os irmãos devem manter entre si na igreja. A frase deste homem é meramente um reconhecimento da absoluta autoridade do Deus Altíssimo, algo que certamente devemos reconhecer.

Os claros ensinos e exemplos de Jesus devem sempre prevalecer em nossa compreensão do tema autoridade.  Ele fugiu da “ordenação”. (Jo 6:15). Nosso Senhor constantemente humilhou-se a si mesmo. Depois de realizar muitos milagres Ele dizia às pessoas que mantivessem segredo do ocorrido. Ele jamais buscou reconhecimento e aprovação. Tampouco procurou multidões para que pudesse ser admirado ou ouvido. Um dos meus versos favoritos diz: “Quando Jesus viu a multidão ao seu redor, deu ordens para que atravessassem para o outro lado do mar”. (Mt 8:18 - NVI). Ao invés de ver nas multidões Sua chance de ser visto e ouvido e então subir em uma pedra e começar a pregar, Ele deu meia volta e saiu. E você? O que você esta procurando? De quem é a gloria e a honra que está no centro de seus esforços para Deus? Quando os discípulos perguntavam sobre qual deles seria o maior, Jesus se levantou da mesa, tirou sua túnica, tomou uma toalha e executou a tarefa do mais humilde servo. Será que podemos ouvir o que Ele está nos falando. Será que podemos ver a partir de seus exemplos como o seu reino deve ser?
Não há dúvida que existem aqueles aos quais Deus tem usado como vasos para transmitir Sua autoridade. Desde o momento em que são muitas vezes usados dessa maneira, tornam-se conhecidos como “lideres”. Não há erro algum em buscar conselhos e direção nestes servos de Deus. Deus pode e usa homens e mulheres maduros e sábios para ajudar-nos. Contudo, não devemos jamais vir a um lugar procurá-los ao invés de Deus. Nosso olhar não deve nunca se desviar do Rei para um ou mais de seus servos. O fato de começarmos a depender de outros homens para encontrar direção, é um sinal claro de que nosso viver não está realmente submisso ao Rei.  Desta maneira perdemos contato com nossa cabeça espiritual e acabamos buscando direção e conselho humano. O rei Saul caiu certa vez nesta situação. Deus parou de falar com ele por causa de sua rebelião.  Então Saul começou a buscar conselhos de fontes humanas e até tentou contatar os mortos para pedir ajuda. Quantos dos filhos de Deus estão neste estado.  Eles não estão vivendo em verdadeira submissão a Jesus. Buscam sempre algum “líder” ou uma “cobertura” ou “cabeça” para direção, diferente de Cristo.

No livro de Juizes, temos o princípio de autoridade espiritual ilustrado de uma maneira muito marcante, apresentado na pessoa de Gideão. Gideão foi usado por Deus para conduzir o Seu povo e realizar uma grande libertação daqueles que o oprimiam. Por causa disso, as massas queriam elevá-lo a uma posição de autoridade sobre elas. Queriam oficializar a situação, elevando-o à posição de rei. Isto os daria um sentimento de liderança e segurança terrena que tanto queriam.  Também traria para eles um líder tangível no qual eles pudessem confiar. Esses homens disseram: “Reine sobre nós, você, seu filho e seu neto, pois você nos libertou das mãos de Mídia”. (Jz 8:22 – NVI). Gideão, contudo, sabia algo a respeito do coração de Deus e Sua maneira de fazer as coisas acontecerem, por isso sabiamente ele recusou esta oferta de posição e poder.  Ele respondeu a eles dizendo: “Não reinarei sobre vocês, nem meu filho reinará sobre vocês. O Senhor reinará sobre vocês”. (Jz 8:23 – NVI). Esta sempre foi a intensão de Deus. Ser Ele próprio o Rei e Cabeça do povo.

Mais tarde, nesta história, depois da morte de Gideão, um de seus filhos chamado Abimeleque fez seu próprio movimento pelo poder. Percebendo o desejo do povo por um rei, aproveitou a oportunidade. Matou o restante dos filhos de Gideão e se posicionou para reinar sobre eles. Entretanto, um dos filhos de Gideão escapou da chacina. Quando soube que iriam coroar Abimeleque, subiu no topo de um monte e gritou bem alto para o povo ouvir. Talvez ele possa estar falando para nós ainda hoje. Ele bradou dizendo:

“Certo dia as árvores saíram para ungir um rei para si. Disseram à oliveira: ‘Seja o nosso rei!’
A oliveira, porém, respondeu: ‘ Deveria eu renunciar o meu azeite, com o qual se presta honra aos Deuses e aos homens, para dominar sobre as árvores?’
Então as árvores disseram á figueira: ‘Venha ser o nosso Rei!’
A figueira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu fruto saboroso e doce, para dominar sobre as árvores?’
Depois as árvores disseram á videira: ‘Venha ser o nosso rei!’
A videira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu vinho, que alegra os deuses e os homens, para ter domínio sobre as árvores?’
Finalmente todas as árvores disseram ao espinheiro:
‘Venha ser o nosso rei!’
O espinheiro disse às árvores: ‘Se querem realmente ungir-me rei sobre vocês, venham abrigar-se à minha sombra; do contrário, sairá fogo do espinheiro e consumirá até os cedros do Líbano!”“.

A reação destas “árvores” de oferecer poder e posição revelou o que havia em seus corações. O ser humano foi construído com uma importante limitação. Ainda que possua dois olhos, ele pode olhar somente para uma direção de cada vez. Existem criaturas como lagartos, peixes e talvez muitos outros animais que podem girar seus olhos em duas direções simultaneamente. Mas o homem não pode. Quando deixamos de mirar algo para contemplar outra coisa, somos obrigados a mudar a direção de nossa visão para vermos a outra. Isto tem implicações espirituais. Nosso interior também foi construído com esta limitação.  Espiritualmente nós só podemos considerar um líder por vez. Hoje nosso Rei e Cabeça é Jesus. Nosso olhar deve estar fixo Nele. Devemos estar “olhando para Jesus, o autor e consumador da nossa fé”. (Heb 12:2). Se a direção de nosso olhar for para outro líder, discipulador, pastor ou outra autoridade, automaticamente teremos nossos olhos fora de nosso Rei. Fazendo assim cairemos em muitos laços como conseqüência desta ação.
Para entrar no Reino de Deus precisamos nos submeter completamente ao Rei. Quando fizermos isso, iremos reconhecê-lo expressando através de outros irmãos e irmãs. Nós ouviremos sua voz e obedeceremos. Esta submissão “uns aos outros” (Ef 5:21) é um sinal de que estamos vivendo no Reino. É uma evidência de que estamos realmente submetidos a Deus. Entretanto, se não estivermos, nenhuma super estrutura de autoridade humana, liderança e/ou “submissão” a homem resolverá nosso problema. Não há substituto para a verdade. Só através da submissão ao Pai conseguiremos. Muitas vezes, homens nos encorajarão a que nos submetamos a eles ou a outros líderes a fim de resolvermos alguns de nossos problemas ou para encontrarmos o caminho certo. Contudo, tal submissão ao homem não tem nenhuma força para subjugar um coração rebelde. Pelo contrário, muitas vezes a submissão à autoridade humana serve somente para esconder nossa profunda rebelião contra Deus. A submissão à liderança humana nunca colocará você no Reino de Deus. De fato, fará exatamente o contrário. Paulo afirma explicitamente que isto irá roubar o seu prêmio, que neste caso é sua entrada no Reino. Aqueles que sabem viver no Reino são pessoas submissas, mas podem e devem discernir a manifestação da autoridade de Deus daquela que é meramente humana.

Através dos anos, tenho encontrado muitas vezes crentes que estão envolvidos em algum tipo de grupo cuja ênfase é a submissão ao homem. Quase invariavelmente, estes queridos irmãos e irmãs apresentam-se vazios de maturidade espiritual. A aplicada dependência desses irmãos para com os homens tirou-lhes a atenção de Deus. Eles tornaram-se inseguros para buscar a Deus por eles mesmos, ouvir Sua direção e segui-lo. Eles não querem parecer “independentes” ou “rebeldes”, então, ao invés disso, tornam-se completamente dependentes das fontes humanas. Ficam relutantes em agir ou falar sem “permissão” e por isso são muito pouco usados por Deus. Deste modo o crescimento deles é atrofiado e o serviço para Deus ineficaz. Ainda que esta submissão a liderança humana possa produzir neles algum tipo de aparência superficial de comportamento exemplar, o interior deles não é mudado. Eles estão sendo reformados, mas não transformados.

Algumas pessoas imaginam que este tipo de controle da liderança sobre os membros é necessário porque alguns crentes têm suas vidas completamente fora de ordem.  Assim as pessoas que estão “no posto de autoridade” crêem que devem aplicar um tipo de controle para retificar a situação. Eles tentam submeter estes membros “rebeldes” a algum tipo de disciplina para corrigir comportamentos. Este tipo de atividade jamais pode produzir resultados espirituais. Em Pv 27:22 lemos: “Ainda que você moa o insensato, como trigo no pilão, a insensatez não se afastará dele”.Mesmo que seja possível produzir algum tipo de conformação com um padrão superficial, a “disciplina” humana não terá poder nenhum para transformar a alma humana. A solução real que temos é de ajudar outros a assumirem uma genuína submissão a Jesus. Devemos conduzi-los para um relacionamento real com o Rei. Ele é a solução para os nossos problemas. Quando aprendemos a viver o presente Reino de Deus, Ele nos conduz no caminho da salvação.  Devemos, portanto, fazer discípulos para Jesus, ao invés de fazermos discípulos para nós. Ao olharmos para sua face e contemplarmos sua glória somos transformados. (II Co 3:18).

Talvez a coisa mais difícil para nós, seres humanos, fazermos é confiar em nosso mestre invisível.  Freqüentemente temos mais confiança em nós mesmos e em uma liderança humana do que em nosso Salvador espiritual. Se não somos nada, o que acontecerá?  Alguns se perguntarão: se não tomarmos as rédias do poder, organizarmos alguma coisa ou fazermos alguma coisa, como o mundo poderá ser salvo e a igreja edificada? Há tanto para ser feito. O que será se Deus não fizer isto? Não estou advogando a passividade. De maneira nenhuma estou dizendo que não temos um trabalho a fazer. Estou simplesmente afirmando que não é de nosso esforço humano e energia, nossas habilidades e força natural, nossos dons espirituais e ministérios que Deus precisa. Ele só precisa de nossa submissão. Quando consentimos que Ele viva em nós e através de nós, seu trabalho nos acompanhará de modo efetivo. Sabemos que Jesus é capaz de fazer qualquer obra. Por que então vemos tão pouco sendo feito?  Porventura não somos nós que sufocamos o seu realizar.  Nós só precisamos ter fé de que ao estarmos submissos a Ele de maneira mansa e humilde, Sua vontade se consumará em nós e através de nós. Tudo será feito de acordo com os princípios do Reino de Deus que Ele nos ensinou. Deste modo Seu Reino virá para terra assim como está nos céus.

Com tudo isso em mente, talvez seja bom separarmos algum tempo para considerar o que estamos fazendo em nome de Jesus. O que estamos construindo? Em qual reino estamos realmente vivendo? Se você se encontra numa posição de autoridade sobre outros, se está no comando e no controle de um grande número de irmãos, talvez seja tempo de dar uma pausa e reavaliar sua posição. Talvez haja alguma coisa que você tenha perdido. É possível que haja alguma verdade com respeito ao Reino de Deus que ainda não tornou-se completamente clara para você.

Irmãos e irmãs, eu lhes peço que considerem estas coisas em profunda oração e bastante cuidado. Nossas respostas a elas têm muitas conseqüências, tanto para tempo de hoje como para a era que há de vir.

OBRAS DE FÉ

CAPÍTULO 14

A Salvação vem pela graça através da fé. Nestes dias, quase todos os cristãos que têm acesso à Bíblia compreendem este fato. Não há nada que possamos fazer por nós mesmos que agrade a Deus para fazer com que Ele nos salve. É somente pela Sua grande misericórdia e pelo grande amor que Ele tem por nós que Ele mandou Seu Filho para morrer em nosso lugar. Nenhuma obra que façamos irá nos trazer salvação, mas apenas a aceitação do grande sacrifício que Jesus fez. Quando nós verdadeiramente nos arrependemos de nossos pecados e cremos Nele, então Deus nos perdoa. Ele está satisfeito com a perfeita oferta de Seu Filho e nos recebe entre os bem amados. Isto é algo que cada cristão deveria compreender.

Embora seja assim, conforme estivemos aprendendo nos capítulos anteriores, a entrada de um crente no Reino Milenar é baseada em suas obras. Quando estivermos diante do Trono do Julgamento de Cristo, precisamos prestar contas das obras feitas enquanto estivemos em nossos corpos, sejam elas boas ou más (2a Cor 5:10).  Jesus disse que Ele vai a cada homem segundo suas obras (Ap 2:23). Isto nos parece uma aparente contradição. Por um lado, salvação é um dom gratuito de Deus através de Cristo Jesus e, por outro lado, quando aparecermos diante Dele, Ele nos julgará de acordo com nossas obras. Receber a vida eterna é realmente pela graça e não por nós mesmos. Mas, nossa entrada no Reino Milenar é outra coisa. Nossa entrada lá será determinada por aquilo que fizermos com o que Deus nos deu. Jesus nos supriu com um dom indescritível e Ele espera que façamos algo com o dom que Ele nos deu enquanto Ele estiver longe.

Assim como Jesus gastou o seu tempo fazendo a vontade do Pai, assim também nós deveríamos dar frutos a Deus.  Quando um fazendeiro planta sementes no chão, ele o faz na expectativa que elas crescerão e produzirão frutos. Da mesma forma, Deus espera que nós apresentemos obras que O irão glorificar. Pedro escreve que nós não deveríamos ser nem inativos, nem infrutíferos no conhecimento Dele (2a Pedro 1:8). Deus requer que pratiquemos boas obras enquanto estamos nesta Terra (Ef 2:10). Através de Jesus, Ele nos deu nova vida e incumbiu-nos com uma grande comissão. Seu propósito para fazer isto é que nós usássemos nosso tempo aqui para servi-Lo, ajudando-O a cumprir a Sua vontade.
O Senhor Jesus espera que estejamos fazendo algo enquanto Ele estiver longe e é por estas obras que seremos julgados quando Ele voltar. Provavelmente todos vocês se lembram da parábola que se encontra em Mateus 25:15-30 referente aos talentos que foram dados aos servos de um certo rei. Percebe-se claramente que esta parábola se refere ao Reino Vindouro. Os servos que foram fiéis foram recompensados sendo qualificados para “entrar na alegria do seu Senhor”. Mas o servo que recebeu um talento e não fez nada com ele foi punido sendo lançado para fora, nas trevas exteriores.  Ele foi disciplinado por não ter feito coisa alguma na ausência de seu Senhor. Que Deus tenha misericórdia de nós, para que sejamos achados fiéis, fazendo a vontade Dele quando Ele voltar e, assim, ser agradáveis à Sua vista. Paulo, o Apóstolo, estimulou Timóteo a trabalhar para que fosse um trabalhador “que não precisa envergonhar-se” (2a Tim 2:15). Nós também devemos seguir seu exemplo para não nos sentirmos envergonhados naquele dia.

Há uma parte interessante em outra parábola do Reino, encontrada em Mat cap 22 que trata do assunto das vestes de um casamento. Lemos no começo do vers. 11 “mas quando o rei veio ver os convidados (da festa do casamento), ele viu um homem que não tinha vestes nupciais. Então, disse a ele: “Amigo, como você veio aqui sem vestes nupciais?” e ele ficou sem palavras.  Então disse o rei aos servos: “amarrem seus pés e mãos, levem-no e atirem-no às trevas exteriores. Lá, haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são chamados mas poucos escolhidos”(Mat 22:11-14). A este pobre homem, obviamente faltava algum requisito para entrar na “festa do casamento” do Reino. Qual era esta exigência? Era estar vestido com as boas obras da fé.  Ap 19:8 mostra-nos que as vestes de casamento eram de fato boas obras onde lemos “que ela (a noiva) deveria adornar-se com fino linho, branco e puro: porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos.”

PROVADOS PELO FOGO

Então compreendemos que as boas obras são necessárias e desejáveis. É algo que cada crente deve estar produzindo. Mas também é claro nas Escrituras que nenhum tipo de esforço pelo Senhor será aceitável. As obras que praticamos em nome de Jesus devem ser de um tipo especial, para qualificar-nos para uma recompensa. Quando o Dia do Senhor chegar, todas as obras que fizemos serão passadas pelo fogo. 1a Cor 3:12-15 diz: “Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.”

Este fogo que irá testar nossas obras, eu creio que é nada menos que a presença do Deus eterno. “Porque o nosso Deus é fogo consumidor” (Heb 12:29). A intensidade de Sua presença e a glória de Seu semblante rapidamente revelarão a natureza de nossa atividades.

A frase “sofrerá perda” usada aqui, deve incluir a perda da herança do Reino Milenar, já que esta herança é uma das recompensas que o fiel irá receber. Embora haja outros tipos de recompensas mencionados na Bíblia tais como vários tipos de coroas, muitas delas podem ser compreendidas no contexto do Reino. Coroas, por ex, falam de Reino e de reinar, o que será exa-tamente o papel dos crentes que forem considerados dignos.  Perder nossas obras inaceitáveis pode não ser a perda falada aqui, já que as obras não serão nossa recompensa, mas apenas nos habilitarão para uma. Esta passagem também mostra que aqueles cujas atividades são rejeitadas no Trono do Julgamento de Cristo, ainda estão salvos eternamente, muito embora “sofram a perda” (1a Cor 3:15).

Na passagem a seguir, encontramos mencionados dois tipos de obras: madeira, feno e palha e - ouro, prata e pedras preciosas. As valiosas suportam o teste e nos habilitam a receber uma recompensa, enquanto os itens inflamáveis são consumidos, expondo a nossa desobediência, assim nos desqualificando para entrar no Reino. Já que estas obras que praticamos são tão decisivas para determinar se vamos ou não ser aprovados quando estivermos diante do Senhor, vale a pena tomar algum tempo para discutir em toda a extensão a natureza delas. Cada crente deveria ter uma boa compreensão de quais atividades irão agradar a Deus e quais não o farão. Muitos cristãos, sendo ignorantes dos critérios de Deus, facilmente podem perder seu tempo fazendo algo que Deus não deseja.  Começando a examinar este assunto tão importante, vamos discutir o tipo de obras que são rejeitadas por Deus. Mais tarde, iremos olhar as gloriosas verdades sobre o que é que o agrada. Embora precisemos estar falando um pouco aqui sobre coisas negativas e desagradáveis, é essencial para cada seguidor de Jesus, ter uma firme compreensão destas verdades.  Então, por favor, suporte comigo conforme caminhamos mais longe juntos.

MADEIRA, FENO E PALHA.

Certamente todos nós deveríamos saber que estas obras que fazemos enquanto Jesus está longe, não são obras da lei, porque as Escrituras dizem que “pelas obras da lei não haverá carne justificada aos seus olhos”( Rom 3:23). Embora isto devesse ser óbvio para alguém que abre sua Bíblia e medita nas coisas de Deus, há um grande movimento hoje encorajando os crentes a retornar à lei. É um novo vento de doutrina e, em certas partes do mundo, tornou-se uma mania voltar ao Judaísmo do Velho Testamento.

Parece que há muitos que falharam em entrar além do véu e estabelecer um relacionamento íntimo com o próprio Deus. Ou talvez com o correr dos anos a sua relação com Ele se tornou distante, maçante ou fria.  Então estes estão procurando um modo humano, superficial de se sentir bem consigo mesmos e pensar que estão servindo o Senhor. Sem aproveitar o tipo de relacionamento com o Invisível que os justifica dia a dia, eles procuram uma outra possibilidade para satisfazer sua consciência e sentir que estão fazendo a coisa certa. Eles se ocupam com rituais do Velho Testamento, com a Terminologia, festivais e práticas, achando que isto irá, de algum modo, preencher o vazio. No entanto, como todos deveríamos saber, a lei e todos os mandamentos são fracos porque só funcionam através dos esforços da carne (Rom 8:3). Portanto, eles não podem produzir o tipo de obras que passarão no teste Naquele Dia.

Além disso, cada crente deveria também estar ciente que tentar fazer a coisa certa de acordo com os princípios do Novo Testamento, também não será aceitável para Ele. Apesar de alguns terem compreendido que a lei não pode produzir justiça, estes, ao contrário, desenvolveram um outro tipo de lei composta por princípios do Novo Testamento. Eles pesquisaram os Evangelhos e as Epístolas e sintetizaram deles um tipo de código “espiritual” de ética e comportamento pelo qual tentam conduzir as suas vidas. Fazem todo esforço para seguir estes princípios. São zelosos por realizar a coisa certa.  Mas, ainda uma vez, este tipo de obras só pode ser feito pelos esforços do homem natural. Os que têm uma forte vontade e determinação podem, talvez, fazer uma boa demonstração de como seguir estes vários princípios. Entretanto, estes esforços produzem materiais muito combustíveis.

Aqueles que estão vivendo somente por diretivas exteriores encontradas nas Escrituras, serão aqueles a quem Jesus dirá “afastem-se de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7:23). Significativamente, o número dos que estarão nesta categoria será “muitos”. (Mt 7:22). Começar a cumprir os preceitos da Bíblia em nós mesmos, mesmo com a ajuda do Espírito Santo, é realmente um ato de rebelião contra Deus. Alguns daqueles que foram rejeitados eram indivíduos que fizeram coisas impressionantes em nome de Jesus.  Pregaram e profetizaram. Expulsaram demônios. Fizeram obras extraordinárias e até mesmo milagres. Talvez tenham construído grandes catedrais e tenham tido ministérios de grande projeção. Mas nada disto foi feito em verdadeira submissão a Ele. Eram apenas obras da carne. Todas estas coisas podem ser feitas pela energia e sabedoria humanas, agindo independente Dele.  Podemos admitir que estas mesmas pessoas viveram, pelo menos exteriormente, vidas dignas e talvez os que as conheceram se impressionassem com o seu cristianismo.  Mas, vida decente, milagres, belas construções e mensagens eloqüentes não agradam ao Pai. O Pai só se satisfaz com submissão completa a Jesus e a permissão para que Ele trabalhe através de nós. O caminho de Jesus é o de completa dependência e submissão a Ele mesmo. Seu caminho para nós é simplesmente permanecer Nele. Todas as obras que fazemos e que são legalistas, auto motivadas ou realizações meramente humanas, serão expostas por ser apenas “madeira, feno e palha”.

O HOMEM NATURAL

Isto nos leva, então, a outra categoria de obras rejeitadas, que são as obras do homem natural, ou “da carne”. Quando nos entregamos ao Senhor e começamos a conhecê-lo de um modo íntimo, é normal ficarmos excitados em trabalhar para Ele. Entretanto, é aqui que a natureza humana pode começar a agir. Se somos inteligentes, desembaraçados e cheios de energia, com grandes planos e idéias, é muito fácil começarmos a trabalhar para Deus. Naturalmente queremos agradá-lo e então tentamos fazer nossos próprios esforços para executar as suas obras. Todavia, Nosso Senhor tem alguns critérios muito específicos para nós em nosso trabalho. Isto é, Aquilo que fazemos para Ele, deve ser dirigido por Ele. Ele deve ser aquele que inicia o trabalho. Além disso, o que fazemos não pode ser feito simplesmente por nossos recursos e energia, mas por nossa dependência de Sua força e poder. Certamente “a carne para nada aproveita” (Jo 6:63).

Quantos filhos de Deus são pegos em obras da carne. Querem agradar ao Senhor, mas falta-lhes entender como fazer isto. Eles estabeleceram ministérios, começaram Igrejas e iniciaram programas. Eles pregam, ensinam e trabalham para fazer aquilo que acham que Deus quer que façam. Mas muitos destes irmãos e irmãs têm encontrado frustração e falhas em seus esforços.  Talvez tenham se tornado desiludidos e desencorajados, pensando que Deus não tem abençoado o seu trabalho.  Todavia, a raiz do problema não é a sua boa vontade.  Não é que Deus não os ame e não os deseje usar para Seu Reino. O problema é que Ele primeiro precisa quebrar toda a auto confiança deles. Todas as suas habilidades e energias devem terminar. Eles precisam aprender que “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15:5).

O que quer que seja que possamos produzir para Deus por nossos próprios esforços e energia, será rejeitado no dia do Julgamento. Não importa se pensamos que nossos esforços são “bíblicos”. Não faz diferença se o que estamos fazendo parece certo ou bom. A questão não é a aparência das obras que fazemos – se elas são populares e bem sucedidas, por ex. – mas a essência delas. Edifícios muito impressionantes podem ser construídos externamente com madeira, mas é um material extremamente combustível. Jesus deve ser a fonte e o conteúdo de todas as nossas obras para Deus.  Ele deve ser aquele que inicia os nossos atos e que flui através de nós para executá-los.

As obras que irão agradar a Deus e que passarão no teste no Dia do Julgamento são as obras da fé. Mas o que isto significa? O que é esta fé verdadeira que irá produzir obras que glorificarão e agradarão a Deus?  Para realmente compreender isto, pode ser necessário nos desfazermos de alguma informação falsa muito comum. Precisamos compreender muito claramente o que esta fé não é. A fé não é um exercício mental. A fé real não é uma concordância racional com os fatos bíblicos. A fé verdadeira não é algo que nós podemos criar pela reafirmação cons-tante das verdades das Escrituras. Em vez disso, a fé genuína é a resposta do nosso coração à revelação do próprio Deus. Quando Ele se revela falando ao nosso espírito, em Sua Palavra ou por outros meios, e cremos naquilo que Ele está nos mostrando, isto é fé. A menos que Deus se revele a nós e até que Ele o faça, não podemos possuir o tipo de fé que agrada a Ele. A fé real não é algo que podemos gerar em nós mesmos. Ao contrário, é “um Dom de Deus” (Ef 2:8). Quando Deus se revela a nós e, por Sua graça, respondemos crendo, esta é a fé verdadeira.

Vamos examinar uns poucos exemplos da Bíblia para esclarecer este ponto. Como o nosso Pai Abraão chegou à fé? Ele instigou seus processos de pensamento até que eles se super-aqueceram e finalmente decidiu que deveria existir um Deus? Será que ele contemplou o cosmo usando toda a sua força racional e finalmente concluiu que deve existir um Criador? Não, ocorreu exatamente o oposto. Primeiro “a glória de Deus apareceu a Abraão” e depois “Abraão creu em Deus” (Gen 15:1-6). A ordem destes eventos é muito importante.  Abraão chegou à fé através da resposta positiva à revelação de Deus.
O que dizer dos antigos discípulos? Vieram à fé analisando a árvore genealógica da família de Jesus?  Eles pesquisaram as profecias e concluíram que Ele era quem iria cumpri-las para que pudesse ser o Cristo?  Não. Na verdade, aqueles que conheciam a profecia sobre o seu nascimento foram aqueles que não acreditaram e não foram adorá-lo. Embora a genealogia de Jesus e o cumprimento das profecias fossem mais tarde compreendidas pelos discípulos, não foram estas coisas que geraram a fé deles. Pelo contrário, o que aconteceu primeiro foi: Jesus “manifestou a Sua glória” e, então, “Seus discípulos creram Nele” (Jo 2:11). Quando Pedro fez a sua famosa declaração de que Jesus era o Cristo, Jesus afirmou que isto não era algo de que ele havia sido convencido por meios humanos. Não foi “carne ou sangue” que explicaram isto a ele, mas foi “o Pai que está no céu” que o revelou (Mt 16:17). A fé de Pedro foi o resultado da revêlação divina. Em cada caso, quando os discípulos encontravam Jesus, eles O seguiam porque viam algo sobrenatural Nele. Humanamente falando, Jesus não era atraente (Is 53:2), mas Deus abriu os olhos deles para que vissem além da aparência externa e no campo espiritual. Então seus corações responderam crendo Nele.

Quando nós nascemos de novo, isto acontece porque de algum modo Jesus se revelou a nós e respondemos com fé a esta revelação. Se você nunca teve uma revelação do Filho de Deus de alguma forma, então, mesmo que você reconheça alguns versículos bíblicos ou tenha sido convencido por algumas verdades das Escrituras, você não pode ser um verdadeiro discípu-lo de Jesus. Você foi apenas convencido, mas não convertido.

ANDANDO POR FÉ.

Nosso relacionamento com Jesus começa com esta revelação sobrenatural. Ela comtinua da mesma maneira.  Dia a dia, Jesus está se revelando e mostrando a Sua vontade a nós através do Seu Espírito agindo em nosso espírito. Quando nascemos de novo, entramos neste relacionamento espiritual com Ele. Ele é invisível, no entanto está constantemente nos mostrando Sua vontade e Seu caminho. Conforme continuamos a responder por fé ao que Ele está revelando e à direção em que Ele está nos guiando, nós realizamos os desejos Dele. Isto é o que significa andar por fé. Significa que temos um relacionamento íntimo e pessoal com nosso invisível Mestre através de nossa fé.

Quando cremos a primeira vez, recebemos uma pessoa viva dentro de nós. Já que Ele agora vive dentro de nós, Ele está constantemente se revelando a nós de vários modos. Nós conhecemos Seu íntimo falar. Nós sentimos os Seus sentimentos com respeito a várias situações. Podemos perceber a Sua compaixão, Sua alegria, Sua paz, Sua satisfação, ou mesmo Sua ira.  Podemos conhecer Sua liderança e Seus desejos. Todos os diversos componentes de Sua personalidade estão sendo revelados ao nosso espírito. Portanto, podemos constantemente afirmar e acreditar naquilo que Ele revela de si mesmo a nós. Assim, andamos em comunhão com Ele pela fé, crendo na invisível revelação do Filho que vive dentro de nós. Deste modo, podemos segui-lo dia a dia. Deste modo, podemos expressá-lo, pois estamos sentindo todos os aspectos de Sua personalidade dentro de nosso espírito. Conforme discernimos Seus sentimentos, pensamentos, decisões e liderança, podemos escolher fluir de acordo com o que está sendo revelado. Se decidimos não confirmar o que Ele está nos mostrando em nosso espírito, nós interrompemos o fluxo da vida. Mas quando nós cremos, expressamos ao Universo Quem e O Quê Ele é.
Naturalmente, como um novo crente, nossa fé é pequena e nossa habilidade para sentir Sua presença em Sua plenitude é restrita. Assim como uma criança é bastante limitada para compreender o mundo em volta dela, assim os filhos de Deus, quando são novos, não têm um nítido sentido da presença de Deus. Mas não devemos permanecer crianças. O plano de nosso Pai é que cresçamos até a maturidade. Conforme crescemos espiritualmente, nossa fé cresce e a nossa habilidade para sentir a presença e a personalidade de nosso Salvador se torna mais aguda. Consequentemente, nossa expressão de Seus métodos e de Sua vontade, irá se tornar mais clara. Por ex. um sinal de maturidade espiritual – o fato de estarmos em constante e íntima comu-nhão com Jesus- é que nós amamos uns aos outros.  Já que Deus é amor e ama a cada um de seus filhos apaixonadamente, quando estamos com Ele em um relacionamento de fé, nós sentimos este grande amor por todos os outros crentes. Conforme afirmamos este amor, também o expressamos. Deste modo e de muitos outros, a personalidade de Jesus e a vontade de Deus fluem através de nós para ser demonstrada a um mundo que perece.

A prática da profecia também não ajuda a compreender a fé. Romanos 12:6 diz: “vamos profetizar em proporção à nossa fé”. Alguns entendem isto como pregar, enquanto outros vêem um tipo de Dom espiritual que vê o passado ou o futuro. Seja qual for o nosso entendimento, a profecia funciona do mesmo jeito.  Enquanto estamos andando em intimidade com Jesus, algumas vezes sentimos que há algo que Ele deseja falar através de nós. Então, pela fé, nós afirmamos e cremos que Ele está revelando estas palavras ou pensamentos. Então falamos aos outros com fé. Também no vers. acima há uma implicação de que não devemos ir além de nossa fé. Devemos ser cuidadosos quando falamos em nome de Deus, para não deixar que nossos próprios desejos, pensamentos e opiniões conduzam o que estamos dizendo. Não devemos ir além da fé que possuímos e embelezar o que Ele está dizendo com coisas vindas de nós mesmos. Ao contrário, nós não devemos limitar nossas palavras apenas àquelas coisas que acreditamos ser agradáveis aos outros.
Nós andamos por fé e não por vista (2a Cor 5:7). Isto quer dizer que não estamos seguindo algum programa visível, mas uma pessoa viva e invisível. Estamos simplesmente seguindo regras e regulamentos, princípios ou leis que aprendemos na Bíblia ou de um ou outro professor, mas estamos “vendo a Ele que é invisível” (Heb 11:27) e respondendo em fé. O homem natural anseia por coisas tangíveis. Ele crê nelas porque parecem “reais” a ele. Ele está acostumado a coisas que pode ver, sentir, saborear, tocar e cheirar. Portanto, muitos dependem de legalismo, sensações físicas, profecias ou líderes para direção espiritual. Entretanto, isto é “andar por vista” e não pelo tipo de fé que agrada a Deus. A verdadeira cristandade está caminhando por um relacionamento de fé com o Rei invisível.

NOSSA FÉ VENCE O MUNDO.

Conforme andamos em comunhão íntima com Jesus, nossas vidas são transformadas. Nossas atitudes e desejos se tornam diferentes. Não somos mais influenciados por estímulos superficiais e externos, mas pela pessoa invisível de Jesus. Portanto, nossas vidas se tornam diferentes dos outros habitantes do mundo. Começamos a amar e a procurar coisas diferentes. Estamos vencendo o mundo. 1a João 5:4 diz : “E esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé”. O mundo à nossa volta tem muitas atrações. Oferece-nos muitos tipos de prazeres sensuais, incluindo romance, sexo, diversões, alimentos, eventos esportivos, etc. Todas estas coisas competem por nossa atenção e procuram captar nossa afeição. Naturalmente que sabemos quem é o ser maligno por trás de tais coisas. Nosso homem natural, já que ele também é um produto deste mundo físico, segue atrás deles. Temos um anseio de satisfação em todas estas áreas. Contudo, os que caminham por fé não são capturados por estas atrações. Suas vidas, de algum modo, são separadas e diferentes. Eles são “separados” das coisas físicas e naturais. Muitas vezes as outras “pessoas mundanas” não compreendem. As atitudes dos crentes parecem estranhas a eles. É como se fossem “crianças na praça” (as pessoas do mundo) que dizem algo semelhante a “Ei, estamos nos divertindo, mas vocês não estão unidos a nós” ou “Estamos tristes, mas vocês não estão respondendo às mesmas coisas que nós” (Veja Lucas 7:32). Os filhos do Reino de Deus são diferentes. Eles são separados do mundo e do seu povo.

Nossa fé provoca a nossa separação. É a nossa conexão com o Reino Invisível de Deus que governa nossas vidas e nos faz únicos. Aqueles que andam por fé não se ligam a coisas tangíveis, físicas, terrenas. Suas vidas não são envolvidas em entretenimentos e prazeres. Eles também não estão se lamentando sobre o estado das coisas do mundo e gastando seu tempo valioso tentando mudá-las. Em vez disso, estão constantemente sentindo a liderança e o caráter do Deus invisível. Eles O estão seguindo e O estão expressando. Isto os faz conduzir uma vida que não é mundana. Eles vencem o mundo pela fé. Seu contínuo relacionamento de fé com Deus os faz ter outras atrações e valores. Suas afeições são colocadas em coisas diferentes. Naturalmente que todos nós, de alguma forma, estamos envolvidos com as coisas desta Terra., já que comemos, bebemos, trabalhamos e vivemos aqui. Mas os homens e mulheres de fé têm uma atitude diferente. Seu envolvimento com as coisas desta Terra tem uma diferente condição. Eles as usam porque necessitam, mas não abusam delas (1a Cor 7:31). Seus corações não estão firmados nelas e não as estão perseguindo em busca de satisfação. Estando em contínuo contacto com Deus através da fé, eles estão satisfeitos com Ele e não precisam procurar uma outra fonte para satisfazer suas necessidades.

O QUE É FÉ?

Hebreus 11:1 nos dá uma definição de fé. Lemos: “ Fé é a certeza das coisas que se esperam, a convicção dos fatos que se não vêem”. Vamos tomar a 1a parte do versículo e olhar para ele muito de perto. A esperança bíblica é a esperança em coisas espirituais, invisíveis. A glória de Deus, para a qual Ele nos chamou, é algo que não pode ser explicado, mas apenas revelado a nós pelo Espírito. Uma vez que “vimos” com olhos espirituais esta glória que nos foi prometida, isto inicia dentro de nós uma esperança inabalável.  Torna-se “a certeza” do que estamos esperando.

A segunda parte deste versículo fala de “evidência”. A tradução da Concordância Literal interpreta a palavra “evidência” neste verso como “convicção”.  Conforme já vimos, quando discernimos Jesus revelando – se a si mesmo e nós afirmamos ou concordamos com esta revelação, isto é fé. Portanto, nós desenvolvemos uma convicção concernente a coisas que não são vistas.  Para o mundo, o que estamos perseguindo e fazendo é completa tolice porque eles, de maneira alguma, conseguem compreendê-lo. É invisível para eles.  Entretanto, para nós que penetramos além do véu e olhamos o Reino de Deus invisível, temos uma profunda e permanente convicção referente às coisas do Espírito de Deus. Talvez alguns que tenham estado somente mentalmente convencidos com referência a Cristo, possam facilmente desistir quando as coisas se tornam difíceis. Mas aqueles que receberam uma revelação real de Jesus têm uma profunda convicção e a verão através dos tempos difíceis.

Deve ser mencionado aqui que somos supostos a “andar por fé”, mas isto não é a mesma coisa que simplesmente concordar com a fé. Quando as pessoas falam “da fé”, elas querem dizer um conjunto de verdades comumente entendidas referentes à Pessoa e à obra de Jesus Cristo. Entre tais verdades deveria estar o fato que Ele nasceu de uma virgem. Viveu uma vida sem pecado, morreu por nossos pecados, ressuscitou dos mortos, subiu aos céus e algum dia voltará à Terra. Todas estas coisas são maravilhosas, verdadeiras e boas.  Elas têm um impacto sobre a nossa caminhada com Jesus, já que nós podemos saber que o Espírito dentro de nós nunca irá contradizer estas verdades. Portanto, seguir ao Senhor não é a mesma coisa que simples-mente tentar seguir uma série de doutrinas ou uma crença. Nosso caminhar por fé não é meramente tentar ajustar nossas vidas a uma certa série de verdades. Não é concordando com estas coisas em nossa mente. Em vez disso, é dia a dia, momento a momento, afirmando a revelação viva de Jesus Cristo dentro de nós e permitindo que esta revelação seja a fonte de nossa vida. Quando permitimos ao que nos dá a fé que permeie as nossas vidas com a vida Dele, seremos conseqüentemente conhecidos como seguidores “da fé”.

Há uma grande diferença entre praticar uma religião e seguir Jesus por fé. Alguns tomaram para si verdades e exortações da Bíblia e estabeleceram para si um tipo de sistema religioso cristão. Eles têm práticas, metas, encontros, roupas especiais, catedrais e todas os ornamentos que são atraentes ao homem natural. Eles acreditam ter fé por causa de terem dado sua aprovação mental a uma série de verdades encontradas nas Escrituras. Já que eles continuam a acreditar nestas coisas que lhes foram ensinadas, imaginam que estão agradando a Deus. Eles estão dependendo de doutrinas mentais tangíveis, tradições e práticas, como meios para satisfazer a Deus. Contudo, seguir a Jesus é uma coisa completamente diferente. Ele é uma pessoa viva.  Quando, por fé, respondemos à revelação de Sua pessoa sempre presente, estamos cumprindo os desejos do Pai.

Se nossa fé é uma fé viva, ela produzirá obras. Tiago mostra em sua epístola que nossa fé, para ser genuína, precisa gerar frutos. Ele explica que, se nossa fé não está produzindo obras hoje, então ela morreu e se tornou uma fé morta. E fé morta não produz mais nenhum fruto. Além disso, ela não está justificando e nem justificará cristão algum diante do Trono do Julgamento. Assim, vemos que nossa fé precisa estar sempre atualizada. Em outras palavras, precisamos manter um relacionamento de fé com Jesus diário e vivo, para que sejamos justificados por Ele. Não é suficiente já ter acreditado no passado. Não é suficiente afirmar mentalmente uma série de doutrinas bíblicas. Precisamos manter um vivo relacionamento com Jesus, pela fé, a cada dia. A resposta de nosso coração à revelação de Deus deve continuar uma coisa ativa que dirija nossas vidas e ações. Isto, então, irá produzir boas obras que irão glorificá-lo. Esta é a fé que agrada a Deus.

Jesus nos ensina que devemos permanecer Nele. Isto significa vivermos em contínua comunhão íntima com Ele, constantemente afirmando o que Ele está nos revelando de Si próprio, pela fé. Quando fazemos isto, então Ele também permanece em nós. Conforme mantemos com Ele nosso relacionamento de fé, Jesus nos dirige nas obras que Ele deseja fazer através de nós. Nossa resposta de fé à Sua liderança traz o fluir de Sua vida para dentro de nós e através de nós. É a Sua vida, então, que gera frutos eternos. Estas obras são o resultado espontâneo de nossa fé. Conforme permanecemos em comunhão íntima com Deus através da fé, momento a momento, dia a dia, Ele trabalha em nós e através de nós. Jesus nos ensinou que: “se vocês morarem em mim e minhas palavras morarem em vocês, vocês darão muitos frutos” e “os vossos frutos permanecerão”(João 15:7,8,16). (Em outras palavras, eles não serão consumidos no dia do Julga-mento).  Claramente não podemos produzir frutos por nós mesmos (João 15:4). É o nosso contí-nuo relacionamento de fé com Ele que nos torna frutíferos. Estas são as obras de ouro, prata e pedras preciosas.
 

FÉ E OBEDIÊNCIA

Para manter um relacionamento íntimo com Jesus através do Espírito, precisamos ser obedientes a Ele.  Precisamos aprender a viver debaixo de Sua soberania e em Seu reinado. Precisamos continuar nos submetendo em fé ao nosso Rei invisível. Se nos tornamos desobedientes, é porque nos recusamos a acreditar e a responder à Sua direção interior e isto perturba nossa intimidade com nosso Salvador. Quando continuamos neste desafio e não damos atenção à direção Dele, nossa capacidade de sentir Sua presença diminui mais e mais. Gradualmente, falhamos em ter aquele relacionamento vital e intimidade agradável com Ele.  Nossa fé está morrendo por causa da nossa resposta à Sua liderança. Fé e obediência estão inseparavelmente ligadas. Quando resistimos ao Espírito Santo e à Sua autoridade em nossas vidas, torna-se muito difícil para nós permanecer na presença de Deus.

Quantos crentes estão hoje nesta condição? Eles um dia conheceram Deus intimamente, mas agora se sentem como se estivessem do lado de fora, apenas olhando.  Sua antiga comunhão suave com Jesus é agora apenas uma recordação. Em um certo momento, eles recusaram a palavra celestial, resistiram à liderança do Espírito e agora estão fora do presente Reinado. Sua rebelião contra o que quer que Jesus desejasse deles, deixou-os apenas com uma aparência de Cristandade.

As razões pelas quais isto acontece são inúmeras, mas é bom mencionar apenas algumas possibilidades. Talvez estes indivíduos estivessem muito amedrontados para seguir Jesus naquilo que Ele estava desejando. Talvez estivessem ocupados demais com suas próprias buscas, tais como passatempos ou negócios. Possivelmente foram outros crentes ou alguns parentes que os desencorajaram de seguir os passos que o Senhor estava indicando. E pode ser que eles fossem muito teimosos e resistentes para ouvi-lo nas áreas em que Ele desejava reinar. Uma outra possibilidade é que tenha acontecido algo em sua caminhada com o Senhor que os deixou amargos e desiludidos. Mas, seja qual for o caso, o resultado é o mesmo. Sua fé viva se foi e a sensação de doce intimidade com o Senhor desapareceu de suas vidas. Não há dúvida que tais pessoas “ainda crêem em Jesus”. Provavelmente os fatos bíblicos sobre a vida de Jesus e o Seu ministério ainda estão nítidos para eles. Mas a fé deles está velha e antiquada. É uma fé baseada no passado e não em sua experiência atual. Não é uma fé que esteja viva hoje, fornecendo o fundamento de sua comunhão com Deus.

Aqueles que estão nesta condição precisam se arrepender. É a única solução. Eles precisam clamar a Deus pela graça de, finalmente, ouvir, acreditar e obedecer o que Ele está lhes revelando. Sua obediência irá restaurar seu relacionamento íntimo com Jesus. A obediência necessária deve envolver desculpar-se com alguém por alguma palavra ou atitude maldosa. Pode significar uma troca de carreira ou a mudança para uma outra parte do mundo. Indubitavelmente irá significar nos humilharmos e admitirmos que estivemos sendo resistentes, teimosos e errados. As maneiras de nos tornarmos desobedientes são infinitas. Nosso Senhor pode nos revelar o que estava interrompendo nosso relacionamento com Ele. Mas, uma vez que estamos realmente desejosos e prontos para ouvir a voz Dele, saberemos o que temos que fazer. Esta humilhação e o amolecimento do nosso coração para receber correção é absolutamente essencial na vida espiritual. Somente deste modo seremos outra vez capazes de andar por fé.  Muitos cristãos hoje têm tentado uma outra alternativa. Em vez de se arrependerem, tentam justificar-se aos seus próprios olhos e aos olhos dos outros mantendo uma aparência religiosa superficial.  Entretanto, assim como nos dias de seu ministério terreno, Jesus está chamando cada um de nós ao arrependimento, por causa da entrada no Reino.

Quando estivermos diante de Deus naquele dia, seremos julgados de acordo com as nossas obras. Estas obras serão o resultado de nossa fé que nos trouxe para uma intimidade com o próprio Deus e que nos manteve nela.  As obras que serão aproveitadas não são as obras que fazemos para Ele, mas as obras que Ele faz através de nós como um resultado de nosso relacionamento de fé com Ele. Isto é o que eu gostaria de chamar de “fé –obras”. Se você não está vivendo em fé hoje e, portanto, não está produzindo frutos para o Seu Reino, ainda há tempo de se arrepender. Ainda há tempo para você consertar Seu relacionamento com Jesus, responder à Sua liderança e viver para o Rei em Seu Reinado.

ENTRANDO NO DESCANSO

O livro de Hebreus está cheio de exortações referentes a este assunto. Lá nós aprendemos que é possível endurecermos nosso coração para não acreditar no que Jesus está nos fa-lando hoje. Isto irá nos custar o Reino. Talvez seja muito bom parar por um instante e ler de novo os cap. 3 e 4 de Hebreus no contexto do nosso assunto. Aqui o autor nos alerta severamente, de novo e de novo, usando o exemplo do povo de Israel no deserto. Ele afirma que eles não tomaram posse da herança prometida “por causa da sua incredulidade” (Heb 3:19). Ele então nos admoesta a: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça de haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo” (Heb 3:12). Ele nos exorta: “Portanto, já que permanece a promessa de entrar no Seu descanso (isto é, o descanso do sétimo dia, no Reino, vers 4), temamos, pois, que suceda parecer que algum de vós tenha falhado” (Heb 4:1).

Claramente há algo que devemos temer. Definitivamente, há algo muito sério para mantermos em mente, conforme andamos com Nosso Senhor. Embora alguns tenham tentado ensinar que não há conseqüências negativas para o nosso comportamento hoje, é incontestável que as Escrituras ensinam algo muito diferente. Se não andamos em fé diariamente, se resistimos ao Espírito Santo, não entraremos em Seu descanso e não herdaremos o Reino que Jesus prometeu.

Nosso alvo é entrar no descanso de Deus. Mas o que isto significa? Como isto é possível? É simplesmente entrar no Reino de Deus hoje. É parar de fazer as nossas próprias obras para Deus, parar de usar o nosso conhecimento bíblico e nossa compreensão da Lei ou dos princípios das Escrituras. Precisamos, de uma vez por todas, parar com todas as nossas atividades simplesmente “religiosas”. Tudo o que imaginamos que podemos fazer por Ele deve ser abandonado. Em vez disso, precisamos cultivar um íntimo relacionamento de fé com Jesus. Conforme descansamos Nele, tendo doce comunhão com Ele no espírito, Ele irá morar em nós e trabalhar através de nós para fazer a Sua vontade.  Assim como Jesus não estava fazendo as suas próprias obras, mas estava permitindo ao Pai agir através Dele, assim também nós, podemos ser canais, vasos para conter e expressar o Deus do Universo. Este é o segredo do genuíno cristianismo do Novo Testamento.  Este é o modo como podemos produzir obras de ouro, prata e pedras preciosas.

Se após ler este capítulo, você descobrir que sua vida cristã tem sido legalista e morta, se sua vida tem sido apenas mundana e, portanto, infrutífera, ou se você não tem feito coisa alguma para trazer frutos para Deus, a resposta é o arrependimento –arrependimento por causa do Reino. Deus está nos chamando hoje para nos arrependermos de tudo aquilo em que estamos envolvidos e que não pertence ao Seu Reino. Através de nossa fé, precisamos vencer tudo o que as falsas religiões, o mundo e a carne têm para oferecer. Em vez de madeira, palha e feno, podemos produzir ouro, prata e pedras preciosas. Jesus Cristo está voltando logo para julgar a Terra com justiça.  “Portanto, já que também nós somos cercados por uma nuvem tão grande de testemunhas, desembaraçando-nos de todo o peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos , com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do Trono de Deus” (Heb 12: 1-2).

UMA PALAVRA DE ENCORAJAMENTO

CAPÍTULO 15

“Não temais, ó pequenino rebanho, porque Nosso Pai se agradou em dar-nos o Seu Reino.” (Lc 12:32) Nosso Pai Celeste deseja que cada um de Seus filhos seja obediente a Ele e entre em Seu Reino. Não é Seu desejo desviar ninguém. Certamente em Seu próprio coração, quando Ele nos gerou através de Seu Filho Jesus Cristo, Ele desejou ansiosamente que nós fôssemos fiéis e que herdássemos Sua grande bênção. As Escrituras dizem; “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que enviou Seu único Filho, Jesus Cristo, para que todo aquele que Nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). Também lemos em Rm 8:32 :

“Aquele que não poupou Seu único Filho, mas entregou-o por todos nós, porventura não nos dará graciosamente com Ele, todas as coisas?”

Estas passagens nos demonstram o grande amor de Deus para com os homens. Ele nem mesmo poupou Seu único Filho para manifestar ao mundo o imenso e imensurável amor que Ele tem. Com referência à salvação, nós sabemos que não é a Sua vontade que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao conhecimento da verdade.  Tenho certeza de que esta atitude também se aplica à entrada de Seus filhos no Reino Milenar. Já que Deus não sente nenhum prazer em lançar alguém no lago de fogo, assim também Ele não deseja que nenhum um só de Seus filhos perca as coisas que preparou para eles.

Depende de nós. Se estamos desejosos e somos obedientes, Ele é fiel e nos capacitará a entrar e possuir estas coisas. Todo o poder e a autoridade de Deus estão investidos em Jesus Cristo e estão disponíveis para nós hoje, por intermédio do Espírito Santo. Não devemos encontrar desculpas por sermos muito fracos ou incapazes. Na cruz, pelo derramar do Seu sangue, Jesus comprou tudo o que é necessário para sermos obedientes e cumprirmos Sua vontade. Não apenas isto, mas Ele derramou o Seu Espírito sobre nós e nos garante a Sua graça para que possamos viver de acordo com Deus. Se o desejarmos, Ele irá nos tornar poderosos para derrotar o reino do diabo. Não há necessidade de que nem o menor e o mais fraco membro do corpo de Cristo seja frustrado. Deus já fez tudo. O que resta é apenas entrar nisto tudo pela fé e pela obediência. Não vamos nos sentir condenados ou temerosos. É o maior prazer do Pai nos dar o Seu Reino.

Agora, precisamos dizer uma palavra aos apóstatas. Se você é um apóstata e está vivendo em uma condição pecadora de apostasia, não é tarde demais para você se arrepender. Você pode abandonar imediatamente a sua vida má e pecadora. Então você descobrirá que o Pai irá recebê-lo com os braços abertos. Do mesmo modo que o filho pródigo abandonou seu pai conforme lemos nas Escrituras e esbanjou sua herança em um viver dissoluto em más companhias, mas um dia caiu em si, voltou para a casa do pai e lá foi recebido com alegria e festa, assim você também pode se arrepender e voltar atrás da direção para a qual estava seguindo e voltar para Deus. Ele irá receber você e amá-lo. Irá novamente vestir você com roupas limpas. E, se você continuar fiel até que Ele volte, você também entrará no Reino.

Não é tarde demais. Nunca será tarde demais para se arrepender e se voltar para Ele, até o dia em que Ele voltar. Naquele dia será tarde demais, mas até lá há oportunidade para cada filho de Deus que voltou ao seu próprio vômito e chafurdou na lama, de voltar e receber a herança. Com o grande amor que Ele tem por toda a humanidade e especialmente pelos Seus filhos, o Pai certamente irá receber você de volta e capacitar você a viver para Ele. Devo dizer que àqueles que apostataram, que provavelmente não irão receber o mesmo grau de recompensa. No entanto, eles ainda podem entrar no Reino de Deus contanto que se voltem para Ele antes que seja tarde demais.

Há uma palavra interessante no Novo Testamento (Mt 20:1-16) sobre os trabalhadores que o senhor manda para a vinha. A história conta sobre vários trabalhadores que foram contratados pela manhã, outros no meio do dia e alguns no final do dia. Quando vieram receber o pagamento, todos receberam a mesma quantia.  Alguns daqueles que estiveram trabalhando duro durante todo o dia, reclamaram disto, mas o senhor os repreendeu e disse: “Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te!; pois quero dar a este último, tanto quanto a ti. Porventura não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom? Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos [porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos]” (Mt 20: 13-16). É assim que será o Reino de Deus. Aqueles que nascem de novo bem cedo na vida e trabalham fiel e diligentemente até que Ele volte, entrarão no Reino. E aqueles que foram salvos bem mais tarde e trabalharam apenas alguns anos, receberão a mesma herança.

Ainda há tempo para você. Se você ainda não recebeu o Senhor ou se você ainda não começou a trabalhar na vinha, Jesus Cristo está chamando você. Ele está chamando trabalhadores para trazer frutos para Deus.  Se você ouvir esta chamada, comece hoje. Não é tarde demais para começar a fazer a vontade de Deus até que Ele venha. Não deixe o diabo enganar você levando-o a pensar que é muito velho ou que seria muito difícil ou que, simplesmente, é tarde demais para fazer o que quer que seja. Se, de hoje em diante, você trabalhar fielmente, receberá a mesma recompensa que aqueles que trabalharam pacientemente durante toda a sua vida.

Em Mt 5:19 há uma outra palavra de encorajamento. Aqui encontramos a história de um homem que desobedeceu a uma ordem do senhor e até mesmo ensinou a outros a sua desobedi-ência. As Escrituras dizem que ele será chamado o último no Reino dos céus. A princípio, isto pode não parecer encorajador, mas a boa notícia é que este homem ainda foi encontrado no Reino. Mesmo que ele estivesse até certo ponto enganado e decepcionado e tivesse passado a outros a sua decepção, por estar fazendo o trabalho de Senhor, ele entrou no Reino. Ele pode ser, talvez, o último, mas, todavia, está lá devido aos seus próprios esforços. Claro que há outros que não entrarão, porque não se empenharam legitimamente; entretanto, pode parecer que existe algum espaço para erro. Deus olha os nossos corações e julga com justiça.Todos nós deveríamos dar o melhor de nós para trabalhar de acordo com a luz que temos visto. Mas, vamos nos encorajar com o fato que, se não somos perfeitos, mas apenas fiéis, Deus irá reconhecer isto no dia do Julgamen-to. Entretanto, lembre-se disto também: muitos dos primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros (Mt 19:30).

Vamos ler juntos uma parte de uma outra parábola sobre o Reino de Deus. Esta é a parábola do semeador. Tenho certeza que a maioria de vocês já a ouviu antes. É a história de um semeador que segue espalhando suas sementes em diferentes tipos de solo, com resultados varia-dos. Jesus explica: “A vós outros é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus; aos mais fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam e ouvindo, não entendam.

Este é o sentido da parábola: A semente é a Palavra de Deus.

A que caiu à beira do caminho são os que a ouviram; vem a seguir o diabo e arrebata-lhes do coração a palavra, para não suceder que, crendo, sejam salvos.
A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, crêem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam.
A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias foram sufocados com os cuidados, as riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer.
A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a Palavra; estes frutificam com perseverança” (Lc 8:10-15)

Quão corretamente esta parábola descreve as obras da Palavra no coração dos homens e quão claramente ela se aplica ao Reino vindouro! A Palavra de Deus tem seguido adiante e, para a maioria de vocês, leitores, provavelmente foi plantada em seus corações. Compete a nós o tipo de resposta que vamos dar a ela. Já que estamos no controle dos nossos próprios corações, precisamos decidir por qual destes vários caminhos iremos seguir. Acho que seria uma boa idéia para todos nós, nos examinarmos à luz destas palavras. Não advogo longas horas de introspecção, mas acre-dito que seja absolutamente indispensável estarmos diante do Senhor, permitindo que Seu Santo Espírito escrutine os nossos corações. Precisamos estar abertos e desejosos para que o Espírito do Senhor exponha a nós muitas áreas de nossas vidas, brilhe em nós e nos ajude a ver as pedras, os espinhos e todas as coisas que irão sufocar a Palavra, impedi-la e torná-la infrutífera.

Ninguém que esteja verdadeiramente disposto a servir ao Senhor será deixado fora do Reino por causa destas coisas porque nós podemos, quando as vemos em nossos corações, pedir ao Senhor que as remova. Podemos pedir-lhe que nos transforme no tipo de pessoas que Ele deseja que sejamos. Deus pode tirar o coração de pedra e nos dar um coração de carne (Ez 36:26). Nós, com a ajuda do Espírito Santo, podemos afofar a terra, lançar fora as pedras, cortar as ervas daninhas e gerar frutos para Deus. Vamos, portanto, examinar a nós mesmos à luz da Palavra e, através da iluminação do Espírito Santo, ver qual o tipo de coração que temos. Se descobrirmos que o nosso coração é mau, rochoso ou cheio de espinhos e cardos deste mundo, então vamos nos arrepender – arrepender por causa do Reino – e renovar os nossos corações para Deus. Ele irá nos ajudar grandemente nisto e nos auxiliará a entrar naquilo que Ele prometeu.

É importante que todos os crentes conheçam o temor a Deus. As Escrituras nos dizem que : “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pr 1:7). É bom ter um respeito reverente e saudável pelo poder de Deus e pelo vindouro Dia do Julgamento. Entretanto, há alguns crentes que trabalham debaixo de constante condenação do diabo. É para estes que eu gostaria de escrever esta palavra. Muito embora haja neste livro muitas coisas que são assustadoras, não permita que o dia-bo as use para acusar você. Se você está dando o melhor de si e se está sendo obediente em tudo o que sabe que o Senhor deseja que você faça e viver para Deus está em seu coração, não permita que Satanás o condene e o mantenha longe da alegria. Resista às suas acusações e não acredite no que ele diz. O diabo é um mentiroso e adoraria manter você sob constante acusação, de maneira que você não possa servir ao Senhor ou conhecer a Sua vontade.

Por outro lado, pode haver muitos cristãos que têm o tipo oposto de problemas. São aqueles que se recusam a ouvir a voz do Senhor, cujos ouvidos estão surdos para ouvir. Eles ouvem, mas não prestam atenção. Estes são os que constantemente arrumam desculpas para não fazer o que Deus quer que façam. Pelo fato de Deus ser invisível e nós não podermos vê-lo com nossas faculdades naturais, é fácil demais para os filhos de Deus ignorar a Sua voz e desculpar-se por não fazer a Sua vontade.

Se você é um destes, apelo para que destampe seus ouvidos, amoleça seu coração, fazendo-o mais terno para Deus e permita-se responder ao que Ele está dizendo. Ele pode estar pedindo que você faça algo muito difícil. Talvez Ele esteja pedindo a você que venda tudo o que possui e vá para um outro país pregar a Sua Palavra. Talvez Ele esteja dirigindo você a deixar uma ocupação na qual você busca segurança, mas que mantêm você longe Dele. Talvez Ele esteja pedindo a você, jovem, que renuncie àquele(a) namorado(a) que você sabe que não é crente e não está vivendo para Jesus. Nada é difícil demais para sacrificar pela entrada no Reino. Não seja como Esaú que vendeu o seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas, que vendeu o seu direito à herança, simplesmente para satisfazer seus anseios momentâneos.

No Reino de Deus hoje e no Reino Milenar que está por vir, há grandes recompensas espirituais. A alegria é indizível e cheia de glória, mas você nunca irá conhecê-la ou prová-la, a menos que coloque de lado aquilo que está impedindo você de entrar. As Escrituras nos exortam: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lc 13:24). Isto se refere a como um animal de carga, para passar por uma abertura estreita, primeiro tinha que ter toda a sua bagagem descarregada. Apenas depois de ser assim desembaraçado da carga é que este animal entraria. A triste razão pela qual tantos filhos preciosos de Deus não entrarão no Reino, é que eles não desejam se desembaraçar de toda a bagagem que os está mantendo longe de Deus.  Estão presos a muitas coisas, temerosos de deixá-las e de acreditar que Jesus possa ser tudo para eles.  Muitos crentes têm conseguido escassamente o aroma do rico gozo de Deus que está disponível a eles.  Permanecem nos átrios e nunca entram no Santo dos Santos, na verdadeira presença de Deus para festejar com Ele e adorá-lo, porque estão ligados a coisas externas, materiais e terrenas. Vamos por de lado os pesos e os pecados que tão facilmente nos envolvem e correr a corrida. Se ainda há algo que impeça você de entrar, lance-a fora. Não esteja embaraçado, de maneira a não poder entrar. Deus irá cuidar destas coisas que você entregou a Ele até o dia em que Ele voltar e então irá recompensar você abundantemente por tudo aquilo que você deixou para trás por causa Dele.

Irmãos e irmãs em Cristo, o Reino de Deus permanece esperando diante de nós. A porta está aberta e todos podem entrar. Deixe-me dizer novamente que ninguém é muito fraco ou muito débil. Os que não entram são simplesmente relutantes. Não importa o seu estado ou condição, você pode se arrepender hoje, voltar-se para o Pai Celestial e Ele irá fortalecer você e capacitá-lo a trabalhar fielmente até que Ele venha.  “Bendito seja aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, encontrar fazendo assim. Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens” (Mt 24:46-47). Que Deus possa ter misericórdia de nós para nos fazer pessoas obedientes, aqueles a quem Ele diz: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei, entra no gozo do teu senhor” (Mt 25:21).

Eu gostaria de encerrar este capítulo com alguns versículos que mostram como Deus é fiel quando somos perseverantes e quão grande é a Sua vontade de que entremos em Seu Reino Celestial.

“O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo, e o vosso espírito , alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.  Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1a Tess5:23,24).

“O qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de Nosso Senhor Jesus Cristo.  Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão do Seu Filho Jesus Cristo, Nosso Senhor” (1a Co1:8,9).

Paulo diz: “O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o Seu Reino Celestial.  A Ele glória pelos séculos dos séculos; Amém” (2a Tim 4:18).

“Estou plenamente certo de que Aquele que começou a boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fil 1:6).

“Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de toas as eras e agora, e por todos os séculos dos séculos. Amém!” (Judas 24:25).

CONCLUSAO

Vivemos hoje em um tempo muito decisivo e difícil.  Esta “ERA DA IGREJA” está chegando ao fim e a vinda do Senhor está muito perto. As Escrituras dizem que “a cidade de Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se cumpram” (Lc 21:24). Em 1967 a Segunda metade da cidade caiu nas mãos dos judeus, dando-lhes novamente o controle de sua antiga capital, pela primeira vez em quase 2.000 anos. Desde que o general romano Tito destruiu Jerusalém no ano 70 D.C., até 1948, o povo hebreu não tinha um país para chamar de pátria. Mas Deus não havia se esquecido de Seu Povo a quem Ele de antemão conheceu. Rom 11:25 explica que Israel sofreu de uma cegueira parcial até que “chegasse a plenitude dos gentios”. Depois deste tempo somos ensinados que Deus iria novamente se lembrar do povo da Velha Aliança e cumprir suas promessas aos pais. Isto é exatamente o que estamos vendo acontecer diante dos nossos olhos. Nunca antes na história se ouviu falar que um povo fosse espalhado pela face da Terra por dois mil anos, tenha mantido sua identidade nacional e tenha sido trazido de volta para a sua própria terra para tornar-se uma nação. Isto é Deus agindo.

Eu não estou afirmando que estes judeus hoje são justos ou que Deus se agrada deles em seu estado atual. Quando o Messias vier de novo é que Ele “apartará de Jacó as impiedades” (Rm 11:26), O ponto aqui é que Deus está fazendo o que Ele prometeu e que a Sua Segunda vinda é iminente. O palco está sendo montado. Estas coisas são apenas sinais que mostram aqueles que estão observando e esperando, a importância da hora. Nenhum outro tempo da história foi tão abundante em distúrbios e previsões. O juiz está à porta. Jesus disse: “Eis que venho sem demora, para dar a cada um segundo a sua obra” (Ap 22:12). A palavra grega para “sem demora” não significa rapidamente, mas sim “subitamente”. Aqueles que estão ativa-mente procurando por Ele e esperando ansiosamente por Ele, não serão pegos de surpresa quando Ele aparecer. Mas aqueles cujo amor esfriou e cujos ouvidos se tornaram ensurdecidos, “Ele virá como um ladrão, quando menos O esperam” (Lc 12:46). O que você estará fazendo quando Jesus voltar? Ele se alegrará ao encontrar você em seu estado atual? Se não, então eu quero exortar você tão vigorosamente quanto eu puder, a se arrepender. Mude o seu modo de vida antes que seja tarde demais! Arrependa-se por causa do Reino!

Irmãos, o tempo é curto! Estamos sendo “chamados a fazer a obra de Deus enquanto é dia, porque a noite vem e nenhum homem poderá trabalhar”. (Jo 9:4).

A Bíblia nos diz que “um pouco antes do Senhor chegar haverá uma grande apostasia” (2a Tess 2:3). Embora isto possa não estar sobre nós agora, entre muitas pessoas do povo de Deus parece haver “um adormecimento”. A mensagem deste livro é : “Acordem, acordem, o noivo está chegando!” Está no tempo de acordarmos do nosso sono de servirmos a nós mesmos e de nos aprontarmos para a Sua vinda . Irmãos e irmãs em Cristo, “preparem o caminho do Senhor, façam Seu caminho aplainado!”

A mensagem segue adiante com este sério propósito.  Homens e mulheres de toda parte necessitam estar prontos para que seja permitida a entrada no Reino. “O Evangelho do Reino, a realidade da soberania total de Jesus Cristo deve ser pregada a todas as nações e então virá o fim”. (Mt 24:14). Certamente nestes dias, no fechamento desta era, esta é a mensagem que está no coração do Pai.

Amigo, deixe-me perguntar-lhe uma questão importante.  Quando Jesus vier, você estará pronto, esperando? Eu oro para que todos nós estejamos.

“Cingidos estejam os vossos corpos e acesas as vossas candeias.
Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu Senhor, ao voltar ele das festas do casamento, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram.
Bem aventurados aqueles servos a quem o Senhor quando vier os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá.
Quer ele venha na Segunda vigília, quer na terceira, bem aventurados serão eles, se assim os achar.
Sabei, porém, isto: que, se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não o deixaria arrombar a sua casa.
Ficai também vós apercebidos porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá”. (Lc 12:35-40).

David W. Dyer