Depois de ler os
capítulos anteriores deste livro, algumas pessoas
podem imaginar que estou
advogando a ausência de toda e qualquer
autoridade institucional no meio do
povo de Deus. Elas podem pensar
que estou induzindo à cessação total de
submissão à autoridade
posicional e ao domínio humano na igreja. Podem ter
tido a idéia de que
estou sugerindo o final completo da submissão dos crentes
a qualquer
pastor, bispo, supervisor ou Papa, simplesmente porque eles têm
algum
título ou alguma posição religiosa. Se você está pensando assim,
então
você compreendeu claramente a mensagem. Isto é
absolutamente
correto. Estou ensinando aqui a completa liberdade para os
filhos de
Deus.
Mas alguns, sem dúvida, irão dizer: “Isto não resultará
num caos?”
“Os crentes não irão começar a fazer qualquer coisa que antes
se
agradavam em fazer?” “Sem líderes especialmente treinados
em
seminários, etc., tal liberdade não iria produzir toda espécie de
heresias,
seitas, pecados e um grande número de coisas más?” “Sem
liderança
oficial, a igreja não seria posta de lado?”
Há muitas coisas que
precisam ser ditas com relação a estas
questões. Há preocupações válidas.
Entretanto, freqüentemente é muito
difícil mudar conceitos humanos. Muitos
têm em suas mentes a idéia fixa
de como deve funcionar a igreja e isto não
pode mudar de um dia para o
outro. Portanto, nossa discussão levará um tempo.
Tentaremos verificar
as muitas faces destas questões, uma por vez. Pode ser
que o sua
preocupação particular não seja mencionado imediatamente. Mas,
por
favor, seja paciente enquanto examinamos juntos todas estas
coisas.
Uma coisa precisa ser admitida por qualquer pessoa honesta
que
olhe para a situação da igreja como um todo, no mundo atual. Não
é
saudável. Não está bem. O pecado está brotando excessivamente
dentro
dela. Por exemplo, nos Estados Unidos, a imoralidade sexual –
adultério
e fornicação – é tão comum dentro da igreja evangélica quanto fora
dela.
Os índices de divórcio hoje são maiores dentro da igreja do que
fora
dela. Muitos membros da igreja estão secretamente fazendo abortos.
A
cada dia esta sendo expostos novos pecados escondidos. Novas
divisões
aparecem constantemente. Heresias recentes e sectarismo
aumentam com
freqüência cada vez maior.
Há muitos membros da igreja cujas vidas são uma
confusão.
Muitos deles têm estado assim durante anos e parece que nunca
irão
mudar. Parece não existir ou ser muito pequena a transformação
de
vidas. Grande número de freqüentadores de igrejas é de
rebeldes,
egoístas, não amorosos e profanos. Muitos são desonestos,
não
confiáveis, rompedores de alianças (pessoas fazendo
divórcio),
fofoqueiros, caluniadores, críticos, e desobedientes.
Infelizmente, em
muitos grupos de igrejas, estes formam a maioria e não a
minoria. Alguma
coisa está seriamente errada!
Certamente há alguns focos
de luz. Nem tudo está perdido. Nem
tudo são trevas. Há alguns que são
genuinamente convertidos. É
possível encontrar aqueles que estão
verdadeiramente procurando o
Senhor. Certamente, em termos numéricos, a
igreja está crescendo
rapidamente. Eu não quero ser excessivamente crítico,
mas
simplesmente, total e completamente honesto sobre a verdadeira
situação
entre o povo de Deus nos dias de hoje.
Enquanto estamos sendo
completamente honestos, há alguns
fatos bem nítidos que precisamos admitir.
Os muitos problemas que
vemos, incluindo o pecado, a divisão e a heresia, não
foram
interrompidos ou curados pelas nossas organizações religiosas.
Nossa
confiança em líderes bem treinados não preveniu estas coisas.
Nossa
dependência dos homens não solucionou os problemas. Por
exemplo,
quantos líderes de seitas religiosas, começaram como líderes em uma
ou
outra igreja ou mesmo formaram no seminário? Quantos deles estão
hoje
ensinando falsas doutrinas ou mesmo heresias?
O nosso governo oficial da
igreja não tem cessado de espalhar o
erro, a tendência para o pecado ou o
problema das divisões dentro da
igreja. Com toda a conversa e o ensino
hodierno de se submeter a um
ou outro líder, a situação geral está se
tornando pior. Em resumo, a
liderança humana, a autoridade posicional e o
controle organizacional,
claramente não consiguiram mudar as tendências
pecaminosas do
coração humano. Isto é algo que precisamos ser bastante
honestos para
admitir.
Como homens naturais, temos a tendência a olhar
para
instituições como a polícia, o sistema judiciário, o governo, etc.,
como
aqueles que devem subjugar as más tendências da humanidade.
Achamos
que as escolas devem educar e compartilhar valores com as
nossas crianças.
Talvez imaginemos que este mesmo tipo de estrutura
institucional irá nos
ajudar em nossos trabalhos para Deus. Talvez
esperemos que semelhantes tipos
de organizações possam ajudar
também a controlar as inclinações dos crentes
para o pecado.
Entretanto, mesmo no mundo, estas coisas nada fazem
para
transformar os corações dos homens. Por exemplo, pode ser que
a
ameaça da prisão possa subjugar a carne, mas nada faz
para
verdadeiramente alterá-la. Do mesmo modo, a autoridade
posicional
dentro da igreja nada faz para transformar a alma do homem. Pode
servir
para subjugar as tendências más de alguns, mas nunca pode
se
aproximar o objetivo de Deus, que é a completa transformção da
alma.
Talvez então, tenha chegado o tempo de olhar em outra
direção.
Possivelmente é agora o tempo de parar nossa dependência de
líderes
humanos e instituições e buscar algo mais. Se formos honestos
para
admitir que o que está sendo feito não está funcionando, então
devemos
procurar uma outra resposta.
Portanto, pode ter chegado a hora de
começar a confiar em
Jesus. Talvez seja o tempo de nos voltarmos par o nosso
Salvador
ressuscitado como a ÚNICA autoridade. É possível que Ele possa
dirigir
bem as coisas. De algum modo, Ele pode ser capaz de tratar com
o
pecado, as divisões e os erros que estão pipocando ao nosso
redor.
Verdadeiramente, precisamos de uma outra Cabeça.
Precisamos
desesperadamente de uma outra autoridade em nossa experiência
como
igreja. Precisamos ter Alguém poderoso o bastante para transformar
o
coração humano. É apenas pela verdadeira submissão a Ele que
iremos
encontrar a solução para os muitos problemas da igreja atual.
Nós,
a igreja, tentamos o caminho de autoridade humana por
quase dois mil anos.
Não funcionou. Agora é a hora de tentar à maneira
de Deus. Vamos, portanto,
derrubar todos os ídolos. Vamos eliminar do
nosso meio todas as práticas que
impeçam, limitem ou interfiram com a
autoridade da verdadeira Cabeça.
Precisamos abandonar totalmente
nossa dependência do homem e voltar nossos
corações para o Senhor.
Toda e qualquer coisa que O substitua na vida de cada
crente,
precisa ser posta de lado. Como precisamos de um
grande
arrependimento! Como o povo de Deus necessita render seus
corações
diante Dele e clamar por Sua liderança e autoridade em seu
meio!
Nossas vidas individuais necessitam desesperadamente se submeter
à
Sua soberania e as nossas reuniões nas igrejas estão clamando pela
Sua
direção!
RESTAURANDO A VERDADEIRA CABEÇA
Esta é a grande necessidade de
hoje. Precisamos restaurar a
Cabeça para a Sua posição de direito entre nós.
Precisamos entronizar
Jesus como Senhor em Sua igreja. Ele é a cura para as
nossas doenças.
Ele é a resposta para cada problema na igreja. Sua liderança
e Sua
autoridade irão resolver todas as questões de pecado, heresia e
divisão.
Precisamos Dele e somente Dele. Nenhum programa novo de
encontros
nos lares ou discipulado irá fazer o trabalho. Retornar ao Judaísmo
ou
“aprender a se submeter à autoridade” não irão resolver
as
necessidades. Nem grandes manifestações de dons ou milagres
podem
efetuar a mudança que é necessária.
O que estou advogando aqui é, na
verdade, algo muito radical. O
que necessitamos é um novo tipo de reforma ou
mesmo revolução
dentro da igreja. Martinho Lutero foi considerado um radical
em seus dias.
Na verdade, ele e various outrous homens trilhou um longo
caminho
para ajudar a igreja a escapar da escravidão do catolicismo.
Mas
eles não foram suficientemente longe. Mais mudança é
necessária. Precisamos
retomar onde eles pararam e continuar esta
reforma até que nada que seja
humano e terreno seja deixado.
Precisamos desesperadamente avançar com a
limpeza do Templo de
Deus até que não restem mais altares substitutos e
objetos de louvor.
Movendo-se no temor do Senhor, necessitamos voltar a Ele
de todo o
nosso coração. Se deixarmos qualquer “costume de Canaã” na
terra,
eventualmente sua influência irá trabalhar para nos trazer de volta
à
idolatria e à escravidão.
Moisés gritou ao faraó em nome do Senhor,
dizendo: “Deixa meu
povo ir, para que possa me servir” (Ex 7:16). Muitos
filhos de Deus estão
hoje em escravidão a vários capatazes. Eles são
oprimidos por seguir as
ordens da liderança humana. Eles estão subjugados por
um sistema
organizado de prática religiosa. Muitos e variados líderes estão
reinando
sobre elas usando seus esforços para edificar suas próprias
“grandes
obras” para Deus.
Tais membros submissos são freqüentemente
usados na
construção de monumentos terrenos que declaram o sucesso e
o
orgulho de seus líderes. Quase invariavelmente, quanto mais bem
sucedida
se torna uma “igreja” ou “um ministério”, mais abundante e
grandioso seu
edifício parece ser. Isto requer o trabalho e o dinheiro do
povo de Deus. Eu
creio que nestes últimos dias Jesus está desejando
libertar Seu Povo de tal
escravidão.
Honestamente, não temos nada a perder indo por este
novo
caminho. É dolorosamente óbvio que a igreja de nossos dias não é
“sem
máculas ou rugas ou qualquer outra coisa” (Ef 5:27). Ela está muito
longe
do que necessita ser para estar pronta para encontrar seu Rei.
Se
tivermos medo de “arriscar” confiando plenamente em Deus, então
seremos
deixados somente com aquilo que já temos. Isto, queridos
irmãos, não
funcionou antes e nem nunca funcionará.
O que necessitamos aqui para
prosseguir é uma grande dose de
fé. Precisamos acreditar que, se pararmos com
nossas ações, direções e
organizações na casa de Deus, Ele será capaz de
fazê-lo. Precisamos
crer que Jesus é capaz de ser nossa Cabeça. Precisamos
confiar num
Senhor invisível. Temos que ter fé que, já que Ele está
sustentando o
Universo inteiro com cada átomo que ele contém, poderá liderar
cada
membro do Seu Corpo. Se não acreditarmos em Sua capacidade para
fazer
isto, então não iremos a lugar algum.
(versículo sobre gafanhotos
aqui)
“Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6). É imperativo que
o
Corpo de Cristo retorne a uma caminhada de fé com o Jesus
ressuscitado. Por
fé, podemos sentir Sua liderança e segui-lo. Nenhum
substituto humano,
visível e tangível, poderá nos ajudar a chegar onde
precisamos estar.
NÃO
EXISTE REI EM ISRAEL?
Alguns podem tentar desaprovar esta nova caminhada
seguindo
um líder invisível, citando o versículo 25 de Juízes 21, que diz:
“Naqueles
dias não havia rei em Israel e cada homem fazia o que era justo aos
seus
próprios olhos”. Usando os exemplos que encontramos no livro
de
Juízes, de quão longe o povo pode chegar sem liderança, eles
insistirão
em que a idéia de andar sem liderança humana não pode funcionar
e
somente irá provocar confusão. Vamos tomar algum tempo aqui
para
examinar esta idéia.
É verdade que, quando não havia rei em Israel,
cada um fazia o
que era reto aos seus próprios olhos. A situação naqueles
tempos era
uma verdadeira confusão. Aconteciam muitas coisas bárbaras
e
estranhas. O povo estava completamente sem governo ou controle.
Mas hoje
nossa situação é completamente diferente. Hoje, existe
um Rei em Israel. Nós
temos um líder. Supostamente estamos em
contacto com Ele e nos submetemos a
este Rei. Nós temos um Mestre,
um Guia, um Senhor, um Pastor, e o que mais
for necessário, muito real,
vivo e presente. Não deveria haver falta de
autoridade e liderança para
nenhum crente. O governo de Deus, ou o Reino de
Deus, está à mão.
Isto significa que Ele está presente e disponível aqui e
agora. A única
questão é até que ponto nós estamos desejando nos submeter a
Ele.
Se formos genuinamente submissos e nos submetermos a Jesus,
Ele nos
guiará em cada aspecto de nossa vida. Ele nos dirigirá em
nossos
relacionamentos com os outros. Ele irá até mesmo nos dirigir
quando
estivermos reunidos em Seu Nome. Jesus deseja fazer tudo isto
e mais e Ele é
capaz disso. Simplesmente nos submetendo a Ele,
encontraremos novas
perspectivas de Sua Verdade e Sua glória se
abrindo em nossas vidas a cada
dia.
Mas, se não estivermos desejando nos submeter ao Seu controle,
se
tivermos alguma resistência ao Seu governo, se formos rebeldes em
nossos
corações, então este governo invisível não funcionará. Nós não
iremos
ouvi-Lo, procurar por Ele e nem Lhe obedecer. Ele não será
realmente o Senhor
de nossas vidas.
Entretanto, se este for o caso, então substituir a liderança
de Jesus
por uma outra variedade humana, também não funcionará. Se os
crentes
estão se recusando a se submeter a Deus, então eles não são
ajudados
a se submeter aos homens. A solução para os crentes rebeldes
é
aprender a se arrepender e a verdadeiramente obedecer a Jesus. Se
não
desejarem fazer isto, não existe nada que os outros crentes possam
fazer para
ajudá-los.
O EXEMPLO DA ETIÓPIA
Talvez muitos imaginem que, se o peso da
autoridade humana
fosse subitamente retirado da igreja, seria o caos. Outros
podem pensar
que a maioria dos crentes, sem o suporte das instituições
cristãs, iria
simplesmente apostatar. Talvez os encontros cessassem, o
evangelismo
iria se reduzir pela metade e o ministério iria desaparecer.
Todavia, nós
temos várious exemplos na história recente que parecem falar
algo mais.
Permitam-me repetir aqui uma história que eu ouvi.
Alguns anos
atrás, num país chamado Etiópia, os comunistas
tomaram o poder. Como parte de
sua estratégia de criar um estado ateu,
eles fecharam todas as igrejas e
aprisionaram todos os pastores.
Pensaram que poderiam acabar com todo este
despropósito religioso.
Então, o que aconteceu? Qual foi o resultado desta
completa
remoção de toda autoridade posicional e adereços religiosos? A
Igreja
foi posta de lado e se desintegrou? O resultado foi desordem
e
confusão? Não! Pelo contrário, aconteceu o oposto disso. O
reavivamento
irrompeu. Sem instituições humanas e autoridades terrenas,
cada pessoa teve
que procurar o Senhor por Si mesma. Eles tinham que
orar. Necessitavam
procurar comunhão uns com os outros. Tinham que
aprender a tocar em Deus por
si mesmos, a ouvi-lo e a Lhe obedecer.
Sem ninguém mais para carregá-los, sem
instituições religiosas para
supri-los com programas, atividades e
entretenimentos, eles foram
deixados apenas com Deus, o único de quem podiam
depender.
Segundo o relato que ouvi, quando os comunistas tomaram
posse,
havia cerca de 5 mil crentes no país. Em um curto período de
tempo, talvez
alguns anos, este número explodiu para 50 mil. A remoção
dos aparatos
religiosos, a ausência de todos os adereços da liderança e
da autoridade
humanas, tornou-se uma grande bênção. Deus foi
realmente capaz de liderar Seu
povo! Surpreendentemente, Ele foi
realmente capaz de ser para eles a Cabeça
sobre todas as coisas. E a
Sua autoridade mostrou-se muito mais poderosa e
eficaz que o tipo
humano.
Estas pessoas não podiam planejar reuniões. Se o
fizessem,
havia uma grande possibilidade que as autoridades descobrissem
e
prendessem a todos. Então eles tinham que seguir o Espírito
Santo.
Tinham que sentir quando e onde deveriam ir para se encontrarem
com
outros crentes. Surpreendentemente, quando chegavam à casa de
algum
irmão, muitos outros irmãos já estavam lá reunidos.
Em vez de
depender de um homem para organizar e dirigir a sua
igreja, eles tinham que
procurar a Deus. A cada dia, tinham que ouvir Dele
para onde ir, para quem
ministrar, com quem orar, com quem
compartilhar o Evangelho. A vida deles era
de total dependência de
Jesus. E funcionava! Não havia confusão ali. Não
havia caos. Em vez
disso, todos os membros do corpo trabalhavam juntos em
harmonia,
simplesmente seguindo a direção da única Cabeça.
Era exatamente
deste jeito que a igreja funcionava no livro de
Atos. Sabemos que os crentes
se reuniam diariamente de casa em casa
(At 2:46). Os apóstolos estavam
diariamente ensinando no Templo e
também nas casas. Sem dúvida, muitos irmãos
cheios de dons circulavam
entre os outros ensinando, encorajando-os, orando,
curando,
profetizando, operando milagres, etc.
Mas, quem organizava tudo
isto? Era Pedro quem fazia o
esquema de visitas dos pastores a várias casas?
Era Tiago ou João
quem planejava os diferentes encontros nos lares ou
preparava um
pequeno texto para ser ensinado por algum dos líderes de grupos
nos
lares? Quem estava no controle? Quem estava dirigindo a igreja?
Era
Jesus. Era o Espírito Santo quem estava dirigindo e orquestrando
todas
as atividades da igreja.
Eles não precisaram que seres humanos
fizessem isso. Não
precisaram depender de homens. Não havia confusão. Não era
uma
grande desordem. Ninguém precisava manobrar todas as coisas nem
dizer
a todos o que fazer. Não havia necessidade de uma grande
organização e de
muito planejamento. E ainda assim, tudo funcionava
bem. O evangelismo
acontecia. As necessidades eram supridas. Os
crentes eram edificados e
fortalecidos na fé.
Os muitos ministérios e encontros pareciam acontecer em
algum
tipo de moda coordenada. Isto acontecia porque todos estavam
sendo
dirigidos pela mesma Pessoa. O próprio Senhor ressuscitado
estava
entre eles dirigindo cada aspecto da igreja. Ele, a Cabeça,
estava
controlando cada movimento de Seu próprio Corpo.
Como precisamos de
uma dose deste tipo de cristianismo, hoje!
Como nós, povo de Deus, precisamos
retornar a Ele como nosso líder,
mestre e guia. Se nós pudéssemos, por fé,
olhar para Ele para que dirija
nossas vidas diárias e nossa experiência de
corporação, não há limite
para o que Ele poderia fazer em nosso meio. A
verdade é que, em vez
de ajudar a Deus com todas as nossas figuras e
estruturas de autoridade,
nós estamos realmente impedindo a Sua obra entre
nós.
RESTAURANDO A AUTORIDADE DE CRISTO
Nós, povo de Deus, precisamos
retornar a uma caminhada de fé.
Precisamos nos arrepender de tudo o que temos
feito para substituir Seu
governo e restaurá-lo ao Seu legítimo lugar entre
nós. Já é tempo, não,
já passou o tempo de colocarmos de lado todos os
substitutos, tudo o
que ocupe o Seu lugar no meio de Seu povo. Somente deste
modo
começaremos a experimentar o Cristianismo do Novo Testamento.
Somente
retornando a Ele como nossa Cabeça e nosso líder,
iremos ver Seu poder e Sua
glória no meio de nós. Somente se
restaurarmos todo poder e autoridade da
igreja para Jesus Cristo é que
poderemos ver um verdadeiro reavivamento como
resultado. Ele é capaz
e está pronto para liderar Seu Povo.
Você vê,
quando tentamos estabelecer figuras de autoridade,
criamos um tipo de gargalo
na igreja. Isto é o que chamo de “problema
de funil” Os homens são finitos.
Seu tempo, atenção e energia são
limitados. Sua capacidade, imaginação e
mesmo revelação sobre a obra
de Deus é restrita. Então, quando os elevamos
como nossas cabeças, as
atividades do Corpo de Cristo se tornam truncadas.
Com o homem na
direção, os membros não são livres para seguir Jesus. Tudo
precisa ser
checado “através do funil”da liderança.
Suponha, por exemplo,
que a irmã Ruth sinta que o Senhor
deseja que ela comece um estudo bíblico
para mulheres em sua casa.
Antes de fazer isto, ela precisa pedir a
autorização do pastor. Ela não
quer ser vista como rebelde. Não quer que os
outros pensem que ela
está desafiando a autoridade dos líderes, então ela
precisa pedir
autorização antes. Mas, o pastor está ocupado. Talvez tenha
acabado de
brigar com sua mulher ou esteja em uma crise familiar. Ele reluta
em que
Ruth comece um estudo bíblico sem sua supervisão. O que ela
poderia
ensinar? O que poderia acontecer? Se qualquer coisa der errado,
ele
será responsabilizado e terá que extinguir o fogo. Então, ele diz:
“Olhe,
eu não tenho tempo para lidar com isto agora. Talvez uma outra
hora.
Vamos pensar nisto” ou qualquer outra resposta semelhante. Assim,
Ruth
não é realmente livre para seguir ao Senhor. A liderança humana
se
torna um gargalo para o fluir das direções de Deus.
Este é apenas um
entre os milhares de exemplos. Este tipo de
problema é endêmico com qualquer
tipo de autoridade humana. Todos
os membros do Corpo de Cristo têm dons.
Portanto, todos se tornam
ministros, exercendo seus dons em benefício dos
outros. Mas, nenhum
homem ou mesmo nenhum grupo de homens é capaz de
supervisionar
tudo isto. Somente alguém infinito poderia coordenar e
direcionar isto.
Então, quando o homem está encarregado, uma imensa parte
deste
ministério desaparece. O funil no topo da pirâmide da autoridade
o
restringe. Ninguém é simplesmente livre para seguir o Senhor e fazer
o
que Ele diz. Deste modo, a autoridade humana, em vez de ajudar
o
trabalho de Deus, grandemente o impede.
Quantos homens e mulheres de
Deus estão apostatando e
perseguindo as coisas do mundo porque não havia
lugar para seus
dons e ministérios na igreja? Eles não se adequaram ao
programa. As
atividades do grupo simplesmente não deram tempo ou espaço
para
elas. Seus dons e seus chamados não foram reconhecidos. Talvez
a
estrutura organizacional só tenha deixado lugar para uns poucos
membros
cheios de dons, enquanto o resto só podia se sentar
passivamente nos bancos e
ouvir. Talvez o líder se sentisse ameaçado
por sua unção ou seus dons, então
ele os lançou fora. Este e muitos
outros males são o resultado da autoridade
humana e da estrutura
terrena na igreja.
Mas, que diferença quando Jesus
está na liderança! Então todos
os membros são livres para funcionar, enquanto
Ele os dirige. Seus dons
e talentos são necessários. É precisamente “o
auxílio de todas as juntas”
(Ef 4:16) que algum outro membro está precisando
para derrotar seu
pecado, ser curado de alguma doença ou liberado de alguma
força
dominadora.
Com Jesus dirigindo todos os movimentos de Seu Corpo,
cada
necessidade é suprida. O poder do Espírito Santo está mais
em
evidência já que cada um está respondendo a Ele e obedecendo a Ele.
O
Corpo é edificado muito mais rápida e eficientemente, porque cada um
está
fazendo o seu trabalho sem restrições. Tudo é bem coordenado,
porque uma
Cabeça está no comando.
Talvez o irmão Felipe, o evangelista, pudesse ser um
bom
exemplo aqui. Ele sentiu que o Espírito Santo estava lhe dizendo para
ir
até o meio do deserto e permanecer lá (At 8:26). Isto parece ser
um
estranho tipo de liderança. Então, o que fez ele? Foi pedir permissão
a
Pedro? Foi pedir conselho a João? Tiago o aconselhou algo assim:
“Olhe,
irmão, isto parece estranho. Porque Deus iria querer você no meio
do deserto?
Provavelmente foi apenas imaginação sua ou um espírito
mau. Precisamos dos
seus dons aqui, onde estão os crentes e não
nomeio do deserto. Não, acho que
você não deve ir.”? Em vez disso,
Felipe obedeceu a Deus. Consequentemente,
ele levou um servo da
rainha da Etiópia a Cristo e, muito provavelmente, esta
nação inteira foi
impactada com o evangelho naquele tempo. O resultado de
sua
obediência foi fruto espiritual. É precisamente assim que deveria ser
hoje,
se nós déssemos a Deus a chance de nos liderar.
O QUÊ? TORNAR TODO
MUNDO LIVRE?
Então, se simplesmente deixarmos todos crentes seguirem
a
Jesus, o que acontecerá? Pelo lado positivo, eu creio que
um
reavivamento irá irromper. Muitos dons e ministérios serão
liberados.
Muitos crentes serão desafiados, quer eles tenham ou não tido
um
compromisso com o Senhor. O Corpo de Cristo seria edificado muito
mais
rápida e eficientemente. O poder de Deus seria visto em Sua igreja.
Até mais
do que isto, Ele viria e faria morada entre nós.
Pelo lado negativo, haveria
erros cometidos. Alguns iriam pecar.
Outros iriam se desviar. Outros ainda
iriam apostatar. Sem dúvida,
haveria algum erro e/ou heresia. Certamente, nos
tempos do Novo
Testamento, tais coisas também ocorriam. Mas, tais pecados e
erros não
eram diferentes dos que temos hoje. As coisas negativas que
poderiam
acontecer já estão acontecendo em grande abundância na igreja
de
nossos tempos. Então, não há realmente riscos. O único risco é
não
fazer o que Deus está nos dirigindo a fazer. O único perigo está
na
desobediência. Dois mil anos de controle humano na igreja não
nos
levaram à meta. Então, vamos tirar nossas mãos do controle e
deixar
Jesus Cristo reinar supremo sobre nós.
Se, subitamente, todos os
crentes fossem libertos da autoridade
humana, então eles teriam que afundar
ou nadar. Seriam confrontados
com a necessidade de procurar a Deus por si
mesmos. Teriam que
aprender como ouvi-Lo e como segui-Lo. Seriam pressionados
a
conhecer Sua palavra e a ser capazes de sentir Sua presença.
Muitos
devem supor que a maioria iria afundar. Eu acredito que
nos surpreenderíamos
com tantas pessoas que conseguiriam nadar. Não
é como se não houvesse ajuda
para os fracos. Deus nunca deixaria
perecer alguém cujo coração estivesse
aberto para Ele. Além disso, no
Corpo de Cristo existem muitos membros cheios
de dons que
ministrariam àqueles que estivessem em dificuldades. Entretanto,
esta
ministração não deve ser para trazer de volta à escravidão da
liderança
humana, mas uma ajuda aos fracos para que conheçam Jesus por
si
mesmos. Através do poder do Espírito Santo e de Seu ministério,
eu
acredito que cada um que realmente tenha um coração puro para
seguir
Jesus, iria certamente aprender a nadar.
O PERIGO DA
ORGANIZAÇÃO
No Novo Testamento, quase nada era organizado. Lá nós
temos
pouquíssimos exemplos de “planejamento”. De fato, é
impressionante
como eles tinham pouca organização. Todavia, este autor não
está
insistindo que é antibíblico organizar alguma coisa. Verdadeiramente,
é
impossível viver sem qualquer forma de pré-planejamento. Por exemplo,
se
telefono para um amigo e o convido para jantar, eu organizei algo
antes. Se
concordo em me encontrar com alguém em um tempo e um
lugar determinado, nosso
encontro foi organizado anteriormente, de
alguma forma. Conforme vivemos,
sempre necessitaremos ter alguma
forma de organização.
O perigo da
organização é este: uma vez que é colocada em
movimento, pode facilmente
permanecer em movimento. Pode adquirir
uma vida própria. Uma vez que os
elementos essenciais de qualquer
obra ou esforço são estabelecidos, torna-se
fácil as coisas seguirem em
frente. A Companhia FORD é um bom exemplo disto.
Henry Ford está
morto. Ele morreu há bastante tempo. Entretanto, a Cia. que
ele
organizou, continua existindo até hoje.
Muitas obras para o Senhor
também estão nesta categoria.
Podemos admitir, como argumento, que uma ou
outra obra foi iniciada
por Jesus. Talvez Ele tenha levado algum filho Seu a
trabalhar para Ele,
de algum modo específico. Mas, e hoje? Esta ainda é a Sua
vontade? Ele
ainda está no comando de tudo? Ou será que o Espírito Santo se
mudou
e alguém ainda está tentando fazer funcionar o que agora é
realmente
uma forma vazia?
Parte do perigo é que as pessoas tendem a
gostar de coisas bem
organizadas. Querem coisas previsíveis. Sentem-se
confortáveis com
algo bem estruturado e bem dirigido. Eles têm pouca
necessidade de
buscar sozinhos o Senhor. Sua carne pode relaxar e acreditar
que tudo
estará sendo cuidado. A intimidade se sente salva e segura e
muitas
pessoas realmente gostam deste sentimento.
Quando as coisas são
organizadas, os crentes não têm que estar
em um constante e vivo contacto com
Jesus. Não precisam se exercitar
para procurá-Lo a cada momento. Não precisam
estar prontos para
obedecer. Não precisam desejar dizer ou fazer algo para
Ele. Com uma
organização, eles não precisavam estar preparados para mudar
suas
atividades, seus empregos ou mesmo o lugar onde elas vivem.
Eles
podem simplesmente se sentar e deixar a organização dirigir
seus
encontros e suas vidas.
Mas, Nosso Senhor é “novo a cada manhã” (Lm
3:23). Enquanto
Ele estava na Terra, estava constantemente fazendo algo
diferente. Sua
vida estava bem distante da rotina. A cada dia, os discípulos
eram
surpreendidos pelo que Ele fazia, pelos lugares onde Ele ia, e
pelas
coisa que Ele dizia. Portanto, podemos estar certos que a sua
liderança
na igreja e em nossas vidas individuais será deste jeito
também.
Precisamos ter a flexibilidade para nos mover e nos transformar com
Ele
a qualquer momento.
A experiência dos filhos de Israel no deserto é um
excelente
exemplo disso. Eles seguiam o Deus vivo que se manifestava na
coluna
de fogo e na nuvem. Quando Ele se movia, eles tinham que estar
prontos
para se moverem também. A nuvem ou a coluna de fogo podia se
mover
a qualquer momento do dia ou da noite. Eles tinham que estar
sempre
prontos (Ex 13:21,22 e Ex 40:36,37).
Talvez eles ficassem num lugar
por uma hora, uma semana, meses
ou mesmo um ano. Mas, a qualquer momento,
Deus podia se mover e
eles tinham que estar prontos para embrulhar tudo em um
instante e
partir. Até mesmo o Tabernáculo que Deus instruiu Moisés a
construir, foi
feito com esta intenção. Ele era portátil. Era facilmente
desmontável e
pronto para se mover. Esta prontidão para abandonar nossas
práticas e
comportamentos estabelecidos, horários e lugares de encontros,
todos
os hábitos religiosos arraigados devem também ser a nossa
atitude.
Desta forma, a chave para qualquer organização de
qualquer
encontro, ministério ou obra para Deus, é que precisamos
ser
conduzidos pelo Espírito Santo. É a Sua direção que precisa
iniciar
qualquer coisa. É Ele quem precisa estar nos liderando em tudo o que
é
feito. Além disso, precisamos ser intensamente sensíveis a Ele
para
desmantelar qualquer coisa que tenhamos organizado
previamente.
Precisamos estar constantemente sintonizados com Ele para
qualquer
coisa que tenha sido colocada em movimento.
É essencial que
preservemos Sua soberania sobre todas as
coisas, especialmente sobre qualquer
coisa que tenha a tendência a se
tornar organizada e, portanto, rotineira e
previsível. De outro modo, logo
seremos deixados com uma concha vazia.
Teremos apenas algo que
Deus usou e abençoou em algum momento no passado, mas
hoje é um
simples modelo ou fórmula.
Um dos poucos exemplos de algo sendo
organizado que
encontramos no Novo Testamento foi a escolha dos diáconos
em
Jerusalém (At 6:1-7). Lá surgiu um problema. Algumas viúvas
estavam
sendo negligenciadas quando a comida era distribuída.
Evidentemente,
isto era feito de uma maneira esporádica e acidental e alguns
membros
não judeus estavam sendo negligenciados. Então, elegeu-se
alguns
homens para tomar conta deste trabalho.
Mas, por favor, preste
atenção ao tipo de homens que eles
escolheram. Qualquer um pode distribuir
comida. Até mesmo um ímpio
poderia tomar conta de um trabalho assim e tudo
correr muito bem.
Entretanto, eles foram cuidadosos em selecionar homens com
uma certa
virtude. Eles eram especialmente “cheios do Espírito Santo” (vs 3).
Os
apóstolos e os outros estavam preocupados que este trabalho fosse
algo
dirigido por Deus. Não era suficiente simplesmente suprir as
necessidades.
Eles queriam estar certos que o que estava sendo feito
fora iniciado,
conduzido e, se necessário, terminado pelo Senhor. Então,
selecionaram homens
que sabiam como segui-Lo.
LIBERDADE GLORIOSA PARA OS FILHOS DE DEUS
Somos
chamados para “a gloriosa liberdade dos filhos de Deus”
(Rm 8:21). Fomos
libertos do pecado. Fomos libertos da lei.
Conforme entendemos mais
perfeitamente os caminhos de Deus,
estaremos libertos da escravidão de estar
“debaixo” de autoridades
religiosas também. Os filhos de Deus não devem estar
sujeitos a qualquer
variedade de servidão terrena. Paulo vai mais longe e diz
que, devido a
esta tremenda liberdade, “todas as coisas são lícitas” (1 Co
6:12, 10:23)
para o crente. Um cristão é livre para fazer tudo aquilo que ele
escolher.
No princípio, Deus deu a Adão e a Eva, o livre arbítrio.
Eles
podiam fazer tudo aquilo que quisessem. Somente uma coisa
era
proibida. Mas, mesmo isso estava disponível para eles. A árvore
do
conhecimento do bem e do mal estava bem diante dos olhos deles.
Seu
Senhor lhes dera até mesmo o direito de fazer a escolha errada.
Ele
nunca interferiu, mas deixou-os tomar sua própria decisão.
Do mesmo
modo, hoje qualquer cristão tem total liberdade de
escolher o seu próprio
caminho sem ser impedido por qualquer
autoridade religiosa. Será que devemos
dar uns aos outros menos
liberdade do que Deus nos dá? Será que estamos em
uma posição
capaz de restringir a completa liberdade dos outros, de um modo
que
nem o Senhor o faz? A resposta é clara: não! Assim como
nossos
ancestrais no jardim tiveram liberdade para escolher, assim também
hoje
cada crente deve ter completa liberdade de escolha.
Todavia, esta
grande liberdade se torna um teste para nós. Nossas
escolhas irão nos expor.
O que exatamente está em nossos corações?
Estamos realmente procurando por
Jesus e por Seu Reino de todo o
nosso coração ou há outras coisas emboscadas
em nossas almas? Nós
desejamos verdadeiramente agradá-Lo em todas as coisas
ou estamos
brincando com o Seu perdão e a Sua graça? Como estamos
usando
nossa liberdade?
A completa liberdade irá expor onde realmente está
o seu
coração no relacionamento com Jesus Cristo. O que você faz, diz
ou
pensa quando não há uma autoridade humana observando você, revela
o que
realmente existe em seu interior.
Se, quando você considera sua verdadeira
posição de liberdade,
você para de orar muito, isto diz algo. Se você não
medita mais
diariamente na Palavra de Deus, procurando Sua vontade e
revelação,
isto também fala. Se você abandona seu hábito de diariamente
procurar
seus irmãos para comunhão e oração, isto também está revelando
algo.
Se encontrar outros crentes para louvar o Senhor e compartilhar
não
alegra o seu coração, isto expõe onde está realmente o seu
coração. Se andar
lado a lado com Jesus e ser “agradáveis em tudo”
(Col 1:10) a Ele em cada
aspecto e detalhe de sua vida não é o seu foco
e deleite, então isto
certamente fala muito alto. Se existe alguém que não
está realmente
comprometido com o Senhor, se por acaso há alguns
cuja participação na
comunidade cristã não é baseada em submissão e
amor a Jesus, a verdadeira
liberdade irá mostrar o que é realmente isto.
Você vê, estas falhas não podem
ser sanadas pela submissão ao
homem. Elas não podem ser consertadas pela
insistência na obediência
à autoridade posicional. De fato, é somente quando
tal autoridade é
removida que as atitudes reais do coração são expostas.
Muitas vezes a
submissão à autoridade humana só serve para encobrir estes e
muitos
outros problemas. Facilmente começamos a fazer “serviço
de
fiscalização” e nos preocupamos em agradar homens em vez de “fazer
a
vontade de Deus de todo o coração” (Ef 6:6).
As metas dos cristãos podem
facilmente passar a ser tentar
satisfazer as demandas de nosso líder humano e
de algum grupo
religioso em particular, enquanto realmente negligenciam as de
nosso
Senhor. Se nossa figura de autoridade fica satisfeita com nossa
conduta,
naturalmente achamos que Jesus também ficou. Quando os padrões
de
nosso grupo religioso são atingidos, fica fácil supor que estamos
bem
com Deus. Desta forma, tal submissão trabalha para esconder o
pecado
em vez de expô-lo.
Mas Deus vê as profundezas de nosso coração. Ele
sabe o que
está lá, mesmo que esteja escondido. Nenhum conselheiro ou
pastor
pode fazer tal coisa. No entanto, “todas as coisas estão descobertas
aos
olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hb 4:13). Deus
sabe
todas as coisas. Você pode esconder algo dos outros. Você pode
até
mesmo tentar esconder de si própria, mas Jesus “sonda as mentes e
os
corações” (Ap 2:23).
EXPONDO O PECADO
Uma grande parte da obra de
Deus em nossas vidas é expor tal
pecado. Seu propósito é que nos vejamos como
realmente somos, nos
arrependamos de todos os nossos pecados e sejamos
transformados
pela obra do Espírito Santo. O trabalho do Consolador que
Jesus
enviou foi justamente este: convencer o mundo do pecado (Jo
16:8).
Talvez esta seja uma razão pela qual recebemos tão grande
liberdade.
Ela expõe justamente quem e o quê nós realmente somos.
O modo
como você usa a sua liberdade mostra o que vai em seu
coração. Ele revela se
você está realmente bem com Deus e caminhando
em intimidade com Ele.
Portanto, liberdade total é uma experiência
absolutamente essencial para cada
crente. Se nunca a experimentou,
então deve procurar fazê-lo. Conforme você
anda nela, começará a se
enxergar à luz de Deus. Suas escolhas e ações
revelarão quem e o quê
você realmente é.
Se o seu coração está realmente
procurando pela justiça de Deus
e pelo Seu Reino, isto lhe será mostrado. Se
há outras prioridades
dentro de você, isto também será exposto. Foi o Senhor
Jesus Cristo
quem deu a você esta liberdade. É vontade Dele que você a
experimente.
Somente deste modo você pode se ver à Sua luz e ser
transformado
naquilo que Ele é. Sem tal liberdade, a obra de Deus não pode
se
completar em sua vida.
Sim, em qualquer lugar em que haja liberdade,
existe um perigo. É
o perigo do povo usá-la de maneira errada. A liberdade
nos dá a opção
de simplesmente agradar a nós mesmos. Também é possível que
um
cristão abuse da bondade de Deus e a use como um meio para
satisfazer a
carne e pecar. Paulo nos exorta a sermos cuidadosos e a
não usarmos nossa
liberdade para “dar ocasião à carne, para satisfazer
seus desejos pecadores”
(Gl 5:13). Ele ensina que, ao contrário,
devemos usar nossa liberdade para
nos tornar servos de outros irmãos
e irmãs. Devemos nos entregar por Seu amor
a ajudá-los a crescer na
plenitude de Deus. Além disso, ele nos exorta que,
por causa de nossa
liberdade, há o perigo de nos tornarmos envolvidos de novo
no jugo da
escravidão do pecado ou da lei (Gl 5:1).
A instrução de Paulo é
que sejamos libertos da lei “para que
pertencêssemos a outro, àquele que
ressuscitou dentre os mortos” (Rm
7:4). Assim, vemos que a meta não é viver
sem restrição ou autoridade,
mas a se submeter voluntariamente a Jesus. O
objetivo de nossa
liberdade não é nos tornarmos um tipo de “espíritos livres”
circulando por
aí a fazer tudo o que nos dá vontade, mas escolher sujeitar
nosso corpo,
alma e espírito a Ele.
Dando-nos completa liberdade, Deus
está nos testando. Nossa
liberdade total se torna uma espécie de papel de
tornassol para ver o
que realmente está em nossos corações. Nesta era da
graça, nosso
Senhor não está impondo Sua autoridade a ninguém. Ele
nunca
pressiona nosso desejo de submissão. Qualquer pequena resistência
de
nossa parte interrompe Sua obra em nossas vidas.
Com a liberdade vem a
responsabilidade. Tornamo-nos
responsáveis por nossas escolhas diante de
Deus. Quando uma outra
pessoa está dirigindo a nossa vida, é fácil imaginar
que ela seja
responsável pelos resultados. Mas, quando temos a liberdade
de
escolha, então somos nós que temos que suportar a responsabilidade
das
conseqüências. Algum dia, quando Jesus voltar, Ele nos julgará por
aquilo que
fizemos com a liberdade que Ele gratuitamente nos deu. Cada
um de nós deveria
estar vivendo com este julgamento vindouro em
mente.